Valuation para Startups — 9 Metódos Explicados

Este artigo foi co-escrito e publicado em Francês por Augustin de Cambourg e em Inglês por Stéphane Nasser.

Uma startup é como uma caixa. Uma caixa muito especial.

Esta é uma startup

A caixa possui um valor. Quanto mais coisas você colocar dentro da caixa, mais o seu valor aumenta.

Adicione uma patente dentro da caixa e o valor aumenta.

Adicione um time gerencial de primeira dentro da caixa e o valor aumenta. Fácil, certo?

Sua startup agora vale +2.

A caixa também é mágica. Quanto você coloca R$1 dentro, ela irá retornar a você R$2, R$3 ou até mesmo R$10! Incrível!

Eu quero construir uma dessas caixas para mim!

O problema é que construir uma caixa pode ser muito caro. Então você deve sair e procurar pessoas com dinheiro — vamos chamá-los de investidores — e oferecer a eles um acordo mais ou menos assim:

“Dê-me R$1MM para construir uma caixa e passe a ter X% de tudo que sair dela”

Mas quanto o “X” deveria ser?

Isso depende do Valor Pré-Capital (Pre-Money Valuation), ou seja, o valor da caixa no momento do investimento. Mas calcular o Valor Pré-Capital é complicado. Este artigo irá apresentar-lhe 9 métodos de avaliação diferentes para que você compreenda melhor como determinar o Valor Pré-Capital.

9 métodos de avaliação

A maioria dos métodos de avaliação é baseada em dados de avaliações base ou pelo menos comparáveis. Como encontrar esses dados é um problema que não será abordado neste texto, mas provavelmente em um próximo.

1. Avalie sua startup através do Método Berkus

O método Berkus é uma regra simples e conveniente para estimar o valor de sua caixa. O único porém é que você deve usar este método apenas se está procurando realizar o valuation de uma startup que tem potencial de alcançar USD 20MM de faturamento no 5º ano.

Este método visa valorizar a empresa de acordo com a diminuição dos riscos de implementação do projeto. Quanto mais pronta estiver a startup em cada um dos 5 critérios, maior será seu valor antes do investimento.

Através deste processo você terá uma ideia aproximada de qual o valor da caixa e o mais importante, o que precisa ser aperfeiçoado.

O Berkus destina-se a startups que ainda não possuem faturamento. Para ler mais sobre o método clique aqui.

2. Avalie sua startup através do Método de Avaliação de Fatores de Risco

O método de avaliação de fatores de risco é praticamente uma evolução do método Berkus. Primeiro você determina o valor inicial da sua caixa, então ajusta o valor final através de 12 riscos inerentes à construção da sua caixa.

O valor inicial é determinado pelo valor médio de empresas similares dentro da mesma área, e os fatores de risco são modelados como múltiplos de R$ 250k, variando de R$500k para risco muito baixo, até –R$500k para risco muito alto. A parte mais difícil neste método é encontrar informações abertas de empresas similares.

O método de Avaliação de Fatores de Risco é indicado para startups que ainda não possuem receita. Para ler mais sobre este método clique aqui.

3. Método de Avaliação por Scorecard

O Método de Avaliação por Scorecard é uma abordagem mais elaborada para a precificação de uma startup. Ele inicia da mesma maneira que o Método de Avaliação de Fatores de Risco, ou seja, você determina um valor inicial para sua caixa, e então o valor é ajustado de acordo com um conjunto de critérios. Nenhuma novidade, exceto pelo fato de esses critérios serem ponderados de acordo com seu impacto no sucesso do projeto.

Sua caixa é 17,5% melhor que a média das empresas similares.

Este método também pode ser encontrado pelo nome de Método Bill Payne, considerando 6 critérios: Gerenciamento (30%), Tamanho da oportunidade (25%), Produto ou Serviço (10%), Canais de venda(10%), Estágio do negócio (10%) e Demais fatores (15%).

O método de Avaliação por Scorecard é indicado para startups que ainda não possuem receita. Para ler mais sobre este método clique aqui.

4. Avalie sua startup através do Método de Negociações Comparáveis

O Método de Negociações Comparáveis é simplesmente uma regra de 3.

Dependendo do tipo de caixa que você está construindo, você precisará encontrar um indicador que seja uma boa aproximação para o valor de sua caixa.

Este indicador poderá ser específico da sua indústria: Receita mensal recorrente (Saas), Número de lojas (varejo), Patentes depositadas (Medtech/Biotech), Usuários semanais ativos - WAU (Redes sociais).

Na maioria das vezes, é possível apenas pegar algumas linhas do seu DRE: Receita Bruta, Margem Bruta, EBITDA, etc.

Sua caixa pode valer R$6,84MM ou 6,74MM dependendo dos indicadores considerados

O método de negociações comparáveis é indicado tanto para startups que ainda não possuem receita quanto para as que já estão faturando. Para ler mais sobre este método clique aqui.

5. Avaliação segundo o Método do Valor Contábil

Esqueça o quão mágica sua caixa é, e veja o quanto cada cadeira que você possui vale.

O Método do Valor Contábil calcula o valor líquido da empresa, isto é, os ativos tangíveis da caixa, as coisas palpáveis.

O Método do Valor Contábil é inútil para as startups, uma vez que foca apenas no valor tangível da empresa enquanto a maioria das startups foca nos ativos intangíveis: P&D (para biotech), desenvolvimento de software (Saas), etc.

Para ler mais sobre este método clique aqui.

6. Avaliação segundo o Método do Valor de Liquidação

Raramente atrativo do ponto de vista do vendedor, o Método do Valor de Liquidação é, como o próprio nome indica, o valor dado quando a empresa está encerrando suas atividades.

Neste método apenas importam para a estimativa do valor de liquidação os ativos tangíveis: Propriedades, Equipamentos, Inventário… Tudo o que se puder encontrar um comprador em um curto espaço de tempo. O racional é: Se eu vender tudo o que a empresa possui em menos de 2 meses, quanto dinheiro eu consigo levantar? Por outro lado, todos os ativos intangíveis são considerados inúteis em um processo de liquidação (A prerrogativa é que se valessem alguma coisa já teriam sido vendidos antes do processo de liquidação): Patentes, Direitos Autorais, Propriedade Intelectual, Marcas.

Basicamente, o valor de liquidação é a soma do valor de sucata de todos os ativos tangíveis da empresa.

Para o investidor, o valor de liquidação é útil como um parâmetro para avaliar o risco do investimento: Um potencial alto de valor de liquidação significa um risco menor do investimento. Por exemplo, com todos as outras variáveis iguais, é preferível investir em uma empresa que possui um determinado equipamento do que em uma empresa que o aluga. Se tudo der errado e você tiver que fechar a empresa, pelo menos conseguirá algum dinheiro com a venda do equipamento.

Então, qual a diferença entre o valor contábil e o valor de liquidação? Se uma startup tiver que vender seus ativos porque foi à falência, o valor que conseguirá pelos itens será bem inferior devido às condições adversas no momento da negociação.

Logo, valor de liquidação < valor contábil. Apesar de ambos utilizarem apenas os ativos tangíveis, o contexto em que os ativos são valorados é diferente. Como Ben Graham pontua, o valor de liquidação mede o que os acionistas conseguem levantar quando estão saindo do negócio, já o valor contábil mede o que eles precisam investir para entrar nele.

7. Avalie sua startup através do Método do Fluxo de Caixa Descontado

Se sua caixa funcionar bem, ela com certeza irá gerar certa quantia de dinheiro todos os anos. Consequentemente, você pode dizer que o valor da empresa é a soma de todo o fluxo de caixa dos próximos anos.

Este é o raciocínio por trás do método do FCD.

Vamos dizer que você está projetando o fluxo de caixa para os próximos n anos. O que acontece depois disso? É para responder a essa questão que existe o valor terminal (VT).

Opção 1: Você pode considerar que seu negócio continuará crescendo em um ritmo constante, gerando fluxos de caixa indefinidos para n períodos. Nesse caso, basta aplicar a formula para o valor terminal: VT = FCn+1/(r- g), onde r = taxa de desconto (custo do capital) e g = taxa de crescimento esperada(%).

Opção 2: Você pode considerar uma saída depois de n períodos. Primeiro você precisa estimar o valor de uma futura aquisição, por exemplo, através do método de negociações comparáveis (veja acima). Então, você deve descontar esse valor futuro para obter o valor líquido atual. VT = Valor aquisição futura/(1+r)n.

Muito embora tecnicamente você possa utilizar esse método para empresas que já possuam faturamento, ele não é muito indicado para avaliação de startups. Para ler mais sobre o método do FCD clique aqui.

8. Avalie sua startup através do Método First Chicago

O Método First Chicago responde a uma situação específica: E se sua caixa tiver a chance de ficar enorme? Como alcançar esse potencial?

O Método First Chicago (ganhou este nome devido ao banco First Chicago) trabalha com essa chance criando 3 avaliações: Um cenário de pior caso (caixa pequena), um cenário provável (caixa normal) e um cenário de melhor caso (caixa grande).

Cada avaliação é feita através do Método do FCD (ou, se não for possível, através de múltiplos ou outros métodos listados). Você então decide qual percentual reflete a probabilidade de cada cenário acontecer. Seu valuation de acordo com o Método First Chicago é a média ponderada de cada cenário.

O Método First Chicago é indicado para empresas que já possuam faturamento. Você pode ler mais sobre o Método First Chicago aqui.

9. Avalie sua startup através do Método Venture Capital (Método do Capital de Risco)

Como o próprio nome indica, o Método do Capital de Risco é uma abordagem do ponto de vista do investidor.

Um investidor está sempre atrás de um retorno específico sobre seu investimento. Dado que dentro do portfólio de um investidor 9 em cada 10 startups podem não gerar retorno, aquela que tiver sucesso deverá retornar pelo menos 20x para compensar as demais.

Digamos que o investidor pretenda realizar sua saída após 5 anos: O valor no momento da saída pode ser estimado estabelecendo uma expectativa razoável de receita no ano da venda e, baseado em estatísticas especificas da indústria, estimar o lucro nesse ano. Por exemplo: Uma empresa de software com receita de R$ 25MM no 5º ano deve esperar pela média de mercado, um percentual de lucro líquido de 20% ou R$ 5MM. Usando a taxa de P/L (preço sobre lucro) média do mercado de 20x temos um valor final de R$100MM para a empresa.

Uma das preocupações do investidor sempre é a diluição de seu investimento em rounds futuros. Se o investidor perceber a necessidade de investimentos subsequentes ele pode reduzir o valor da caixa antes do investimento para antecipar a diluição e proteger seu capital. No exemplo abaixo o investidor antecipou que seria diluído em 30% em uma próxima rodada de captação.

Agora, baseado no valor calculado no momento da saída, na taxa de retorno esperada e no percentual de diluição esperado, o investidor pode facilmente determinar o valor máximo que deve pagar para investir em sua caixa.

O Método Venture Capital é indicado para startups com ou sem faturamento. Para ler mais a respeito do método clique aqui.


Parabéns! Se você chegou até aqui, agora conhece 9 formas diferentes de avaliar sua startup. Mas… Qual a melhor?

Calcular um valuation é um bom ponto de partida quando pensar em levantar fundos. Ele ajuda a construir um racional por trás dos números e expectativas da empresa.

Mas, apesar de importante, todo número criado será apenas uma introdução teórica para uma negociação em que o apetite do investidor e a necessidade do empreendedor falam mais alto.