13 lições de negócios que aprendi assistindo Fome de Poder (The Founder)

O filme sobre a história de Ray Kroc, que fez o McDonald’s ser o que é hoje, é uma aula de empreendorismo e está no Netflix.

Michael Keaton está ótimo no papel de Ray Kroc.

Traduzido pelo péssimo nome de “Fome de Poder” no Brasil, a produção traz à luz detalhes verdadeiros de tudo que aconteceu para que o McDonald’s se tornasse a primeira grande cadeia de fast food em escala mundial..

O filme mostra a concepção do primeiro restaurante pelos irmãos McDonald e como tudo mudou quando eles conheceram um vendedor de máquinas para fazer milkshake, Ray Kroc. Dessa sociedade nasceu o monstro que hoje é sinônimo de muita coisa ruim que existe no capitalismo moderno.

Assisti tudo com um caderninho do lado, fazendo várias anotações. Aqui vão 13 lições que podemos tirar de Kroc, o cara que revolucionou a maneira que o mundo come. Obviamente como qualquer filme hollywoodiano que conta a vida de alguém, The Founder toma certas liberdades poéticas para deixar a história mais envolvente. Também não falaremos aqui da falta de ética e até mesmo desonestidade mostrada em alguns momentos pelo protagonista. A ideia desse texto é ressaltar apenas o lado bom.

Atenção: Lições e Spoilers abaixo!

  1. Conheça muito bem o seu produto e seus clientes

No início do filme vemos Ray como vendedor de máquinas de milkshake. Ele é simpático com os clientes, faz várias ligações para eventuais compradores, mas isso nunca é suficiente. Seu produto não é nada demais e Ray sabe disso.

Quando os irmãos McDonald fazem uma encomenda enorme desses liquidificadores, Ray acha muito estranho e desconfia. Ele resolve entregar os produtos pessoalmente para ver de perto qual é essa lanchonete que está precisando tanto das máquinas. O que eles tem de diferente das outras lanchonetes?

2. O seu produto final pode não ser exatamente o diferencial

A lanchonete dos irmãos McDonald estava sempre lotada. A maioria das pessoas imaginaria que seria pela qualidade da comida em si, mas Ray Kroc logo percebeu que não era só isso. A comida era boa, mas nada de outro mundo. O diferencial era a rapidez da entrega do pedido, algo único naquela época. As pessoas iam pro McDonald’s pela sua rapidez e não exatamente por ser o melhor hambúrguer do mundo.

3. A importântica do protótipo e dos testes

Para chegar a um resultado final de como deveriam armar a cozinha e os sanduíches, os irmãos McDonald fazem uma série de testes. Mesmo depois de chegar a uma conclusão e armar a linha de montagem de sanduíches, eles percebem que ela poderia ser ainda melhor e refazem tudo.

4. A clientela pode não estar preparada para suas ideias inovadoras

Tempo para esperar que os clientes entendam o que é sua empresa e seu projeto é algo que infelizmente muitos empreendedores não tem. O próprio McDonald’s mesmo no início foi um grande fracasso. As pessoas estavam acostumadas com um tipo de lanchonete e quando chegavam lá não entendiam nada.

Não entendiam a falta de talheres, o cardápio limitado, esperavam ser atendidos no carro. Só com o tempo e a insistência o público entendeu a proposta e aí pra frente foi só história.

5. Sacrifício é só o começo. O empreendedor nunca está contente

Ray sacrifica empréstimos e até mesmo o tempo com sua esposa para poder armar as novas lanchonetes no país. Por mais que ele tenha sucesso em muitos momentos, em nenhum instante ele para para saborear a vitória. Sempre quer mais.

6. O inovador não quer dinheiro, quer algo mais

Em nenhum momento do filme é mostrado que Ray queria ser mais rico, queria ter bens, iates e jóias. Ele queria fazer uma mudança no mundo. A missão que tinha com o McDonald’s parecia algo pessoal, que ele provasse a si mesmo que era capaz, que podia ser bem sucedido.

O único momento que é falado em dinheiro é quando Ray quer renegociar seu acordo, que não parecia justo.

7. É preciso ver além da sua empresa e enxergar o impacto que ela tem na sociedade

Os irmãos McDonald viam sua marca apenas como mais outra lanchonete, Ray Kroc vê a rede como uma igreja, onde as pessoas se reúnem mas não só aos domingos.

O impacto que uma comida rápida e prática faria na sociedade é algo que ninguém poderia prever, mas Ray logo percebe que o McDonald’s não era apenas mais uma lanchonetezinha comum. Era algo novo e que estava aparecendo num momento que a sociedade americana estava mudando.

8. Sucesso não enxerga idade e nem analisa currículo

Ray tinha 52 anos quando conheceu os irmãos McDonald e só vou virar dono mesmo da empresa 7 anos depois. Foi soldado na Primeira Guerra e vendedor de máquina para milk-shake. Não tinha um currículo invejável e não estava sendo disputado por várias empresas. Estava no fim da carreira mesmo. Imagino que seus amigos o aconselhavam a apenas sossegar e curtir a aposentadoria que estaria próxima.

9. Encontre sócios com a mesma visão que você

Quando Ray começa a procurar pessoas para serem donas dos novos McDonald’s ele mira amigos e conhecidos endinheirados que queiram ter lucratividade num novo negócio. Conseguir os investidores e donos não parece ser algo difícil, mas o problema é o perfil deles.

Como eles são ricos, os novos donos não se preocupam em seguir as regras de Ray e principalmente, não tem fome de excelência. Acabam fazendo várias modificações, vendendo produtos fora do menu e não estão nem aí pra nada.

Ray logo percebe o erro em focar em gente endinheirada e começa a procurar gente como ele. Pessoas da classe média, trabalhadoras e que queiram ser donas do próprio negócio. A mudança logo faz efeito e os novos donos seguem à risca a cartilha de qualidade do Ray, além de trazer várias novidades e inovações para a marca.

10. Ser um bom orador e ter carismas faz a diferença

Certamente Ray Kroc seria um homem de sucesso, talvez menos um pouco, se fosse tímido e odiasse as luzes da fama. Mas é inegável que seu carisma e talento para a oratória fizeram uma enorme diferença na história da expansão da empresa.

É interessante ver os dois momentos da oratória de Kroc: quando ele era vendedor de máquina pra milkshake e depois como dono do McDonald’s. A oratória não muda nada, mas os resultados são totalmente opostos. Quando era vendedor a oratória de Ray acaba parecendo conversa pra boi dormir, muito lero-lero. Não adianta carisma se seu produto não empolga ou não é bom o suficiente.

Agora quando ele está no McDonald’s a coisa muda completamente. Ele parece genial, mestre da oratória, rei do convencimento. Acontece que Ray não mudou nada. Apenas o produto que ele vende.

11. É preciso estar nas ruas e sair do escritório

No McDonald’s o trabalho inicial de Ray é conseguir novos franqueados, inaugurar novas lanchonetes e fazer a rede crescer. Durante sua trajetória ele conhece gente de todo tipo, seus problemas, encontra-se com novos provedores e está cara a cara com todos os desafios da empresa. Enquanto isso os irmãos McDonald estão sempre no escritório cuidando de burocracia. Não saem pra rua quase nunca. O filme mostra isso claramente e de propósito.

Ao sair pra rua Ray conhece a fundo todas as necessidades dos novos donos e os desafios de implantar novas lojas. Os irmãos acabam ficando numa bolha, isolados, sem informação para tomar decisões sobre a empresa.

12. Abrace o talento ao seu redor

O filme Fome de Poder mostra a todo momento como novas pessoas chegavam a fazer parte da empresa. Desde funcionários novos que traziam boas ideias e mostravam competência de cara a novos donos que inovavam com soluções que melhoravam o negócio. Ray nunca deu às costas a essas pessoas, mas sim as abraçou. Ele não via os criativos como um perigo a sua autoridade, mas como uma força a ser aproveitada.

13. Não basta ter uma boa ideia, é preciso executá-la

Os irmãos McDonald sabiam muito bem que a sua lanchonete era revolucionária. Eles mesmo tentaram abrir uma filial em outra cidade, mas não tiveram sucesso e desistiram disso. Não souberam executar. Porém Ray fez a mesma coisa depois e foi bem sucedido. Era a mesma ideia, apenas com uma execução bem feita.

Mas onde foi que o irmãos Mcdonald erraram?

Muita gente que lê sobre a história do McDonald’s deve imaginar que os irmãos criadores da marca deveriam ser dois idiotas enormes, pois não souberam aproveitar as oportunidades,perderam a empresa e consequentemente milhões de dólares. Nada mais errado!

Os irmãos McDonald são nada mais que apenas outro tipo de empreendedor, o qual muita gente se identifica muito. Eles não tinham tanta sede de poder e fama, não queriam dominar o mundo e não estavam dispostos a servir um produto pior só porque isso traria mais lucros. Queriam balancear trabalho e qualidade de vida. Apenas desejavam pagar as contas e ter sossego. Bem que tentaram abrir filiais, mas desistiram porque um dos irmãos ficou muito doente pelos enormes problemas que isso causava. Para eles não valia a pena quase morrer por uma empresa.

De certa maneira eles tinham conseguido o que a maioria das pessoas empreededoras hoje almejam: um negócio próprio, revolucionário, bem sucedido que rendia um bom dinheiro e não impedia que eles tivessem uma vida pessoal com a família.

O erro dos irmãos foi não abraçar Kay Kroc. Não ver logo no começo que o que ele estava fazendo era promissor e podia render muito a longo prazo. Os irmãos viviam criando dificuldades para Ray, não acompanhavam e nem se interessavam pelo trabalho que ele fazia. Logo isso voltou em contra deles, aí Ray se aproveitou e o resto é história.

Valeu a leitura! Uso o Medium para falar sobre empreendedorismo e um pouco sobre turismo. Aproveite e leia meus outros textos: Como o brasileiro viaja, 7 coisas que aprendi empreendendo com turismo em Buenos Aires e 5 maneiras de matar seu projeto antes mesmo de lançá-lo.

Sou dono do Aires Buenos, blog sobre Buenos Aires, e fundador do Phototrip.me, rede de fotógrafos brazucas ao redor do mundo. Qualquer coisa conversamos no Twitter, sou o @tuliopb

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