A necessidade de termos um(a) companheiro(a)

Você já se perguntou porque vivemos pensando em ter alguém na nossa vida? Dessa necessidade de ter alguém para nos completar? Da vontade de se sentir seguro e protegido ao lado de outra pessoa? De sentir falta daquela ligação, daquele carinho, daqueles papos…?

Será que somos assim tão carentes ao ponto de não ficamos muito tempo sem alguém? Será que isso tem cura? Será que o outro cura?

Pode parecer estranho mais a primeira pergunta que gostaria de fazer e ouvir a resposta sobre essa publicação de hoje é: Por que você precisa de alguém? (Traduzindo: quais as suas crenças sobre a importância de ter alguém na sua vida?).

Podemos ter respostas como:

  • Necessidade de carinho
  • Necessidade de atenção e de ser ouvido
  • Necessidade de mostrar aos outros (ou um determinado outro) que sou capaz disso
  • Necessidade de ajuda
  • Necessidade de segurança
  • Necessidade de alguém para passar o tempo

Essas acima foram o que rapidamente pude pensar e que de alguma forma por algum dia já passou pela minha cabeça. Imagine quanta demanda temos em ter alguém para nos dar carinho, atenção, ajuda, apoio, tempo e ainda possamos mostrar ao mundo tudo isso. Não seria muita expectativa para uma outra pessoa te bastar?

Não vou falar nada muito diferente que os outros — acredito só com outra abordagem. Basicamente todos nós queremos de alguma forma ser amados e isso vem da nossa miopia coletiva de não percebemos o que realmente é o amor. Temos essa necessidade de buscar algo, que na verdade está dentro de nós a todo momento.

A necessidade de ser amado pelo outro vem da necessidade de se amar. Como as vezes não fazemos bem esse papel, o transferimos para uma outra pessoa.

Seus pensamentos muitas vezes te perturbam sobre o fato de não ter alguém ou pela a falta de carinho/atenção/apoio? Naquelas noites, naquelas datas e naqueles finais de semana isso fica ainda maior, não é? Você briga com eles, mas eles persistem?

O que se resiste, persiste. O que se aceita, transforma.

Vamos pensar juntos…

Acredite nisso: Você não é os seus pensamentos. Pode ser?

Eles estão em você mas você não está neles. Você é algo muito mais do que um bando de neurônios conectados, que um bando de memórias e que vozes na sua cabeça. Você pode estar condicionado a pensar que eles definem você, mas isso não é verdade. Você não deveria tentar controlá-los, mas sim não dar mais importância.

Pensamentos assim são aqueles “amigos” que batem na sua porta para sair e beber — e que sempre você volta para casa pior do que saiu. Entenda que eles vão bater na sua porta, você não tem como controla-los — é o papel deles. A única saída é não dar importância a batida ou no máximo rir, olhar e dizer que não quer sair hoje, que ficará para uma próxima. Eles vão tentar outras vezes, mas de tanto "não", eles desistem- param de bater e não te chamam mais.

O que vem antes dos pensamentos? De onde eles surgem? Como eles se empoderam?

Os pensamentos resistem porque você acredita neles: você os dá importância.
Imagine que você acaba de saber que ganhou uma bolada na loteria e que quase ao mesmo tempo recebe uma carta de demissão da empresa onde trabalha. Uma demissão após ter ganho todo esse dinheiro é importante para o você? Esse pensamento vai surgir mas vai ser descartado pois provavelmente não tem importância uma vez que você não precisa mais desse emprego. Mas se por acaso você não tivesse ganho na loteria, esse pensamento de perder o emprego seria atormentador, ele puxaria mais e mais pensamentos parecidos.

Pode-se dizer que os nossos pensamentos representam as nossas crenças (o que eu acredito como verdade). Algumas dessas crenças podem ser novas mas várias chegaram a você ao longo do seu crescimento, desde a sua infância. Uma muito importante que pode ser que esteja aí é o medo do abandono — alguma vez ou algumas vezes nossos pais não demonstraram tanto os sentimentos deles quanto esperávamos e de alguma forma focaram mais em outras coisas como por exemplo no trabalho.

Essa crença que estamos abandonados, solitários, sozinhos e que alguém sempre terá que nos abastecer de carinho, atenção, amor e etc pode vir daí. Uma coisa que não aprendemos e também não tínhamos essa consciência para aprender é que o abandono que sentimos faz parte da nossa separação com nossos pais ou outras pessoas próximas para o encontro com nós mesmos.

A intenção é que nós mesmos aprendamos a nos pertencer, a nos amar e a nos completar — só que em algum momento paramos no tempo esperando alguém chegar para suprir essa necessidade.

E muitos de nós ainda continuamos esperando… Mesmo os que estão namorando ou casados ainda esperam que o outro supra essas necessidades fundamentais.

E agora, mudamos o passado?

O passado passou. Não existem culpas e nem erros, nada volta atrás. O importante é agora, depois de ter essa consciência, o que você pode fazer por você.

Assim como você não espera que o outro te dê comida e te dê banho, você também não deve esperar que o outro satisfaça as suas necessidades de atenção, apoio, carinho e amor. Ao compreender isso, tudo fica mais fácil.

Você deixa de ser o cobrador de impostos do seu reino, onde cobra: ”Você está aqui, então tem que me pagar com 5 doses de Te amo, 10 carinhos espontâneos e 5 declarações em público e no facebook”- para se tornar o próprio rei.

E como fazer isso?

Se amar incondicionalmente, não criar tantas expectativas e ser mais leve consigo mesmo e com os outros. E esse é um projeto de vida. Esse texto tem o papel de te trazer consciência disso. Ao acordar para nessa real necessidade, você deve buscar. Dai começa a sua jornada de encontro consigo mesmo…

Busque esse relacionamento que as respostas e os caminhos aparecerão sem esforço.

Nós somos escravos daquilo que não conhecemos. E mestres daquilo que conhecemos. Nós superamos todo vício ou fraqueza que descobrimos e entendemos conhecendo-os. O inconsciente dissolve quando trazido à consciência. Sri Nisargadatta Maharaj

Uma dica: as vezes o que esperamos no outro é o que mais temos que dar a nós mesmos. O que você espera? Como fazer isso para si mesmo?


A partir daqui eu não tenho muito mais o que orientar - também estou aprendendo muito do que escrevo. Na verdade, escrevo para o meu próprio aprendizado, é se expressando e muitas vezes se relendo que a gente se conhece.

As melhores energias para você,

Virgilio


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