Mogi das Cruzes — Guia NBB 2017/18

Sem muitas novidades do elenco, o time volta a confiar na sua fórmula para ter sucesso na temporada

Mogi das Cruzes é uma força constante no basquete nacional. Desde os grandes times do passado até as temporadas mais recentes, desde que voltou a disputar a elite. O projeto para se estabelecer como um verdadeiro competidor envolveu bastante investimento e alguns dos principais nomes em atuação hoje no país.

Ao longo das temporadas chegaram Shamell Stallworth, ex-Pinheiros e Limeira, Tyrone Curnell, ex-Palmeiras e a dupla bauruense Larry Taylor e o treinador Guerrinha. Apesar de muitos outros times contarem com múltiplos estrangeiros em seus times, a equipe ficou conhecida por ter a trupe de gringos mais dominante.

Ao olhar nos espectro geral, vemos que os resultados são bons. 2x quarto colocado, 1x terceiro e na última o sexto lugar. Mas com o investimento e os atletas que compunham os elencos eram capazes de ir mais longe, chegar talvez em alguma final nesse período.

Ainda dentro de seu plano, sem muitas mudanças estruturais em suas peças, o Mogi vem para mais uma temporada como potência, mas com a missão de superar alguns olhares céticos que interpretam como estagnação a colocação na temporada 2016/17.

Como foi temporada passada

Como disse, o Mogi não tem estratégias ousadas de contratação. Um plano foi fixado na geladeira com o imã da distribuidora de gás e eles o usarão essa experiência e entrosamento ao seu favor para acumular os resultados. Algo deveras interessante levando em consideração a realidade das demais equipes, nas quais a rotação entre jogadores nas intertemporadas é bastante intensa e os treinadores são obrigados a passar por todo um processo de de adaptação para chegar ao campeonato nacional com suas estratégias 100% operantes.

A fase de classificação do ano passado não foi diferente das anteriores. Mesmo depois de perder Lucas Mariano para o Brasília, eles repuseram a qualidade na posição 5 com Caio Torres, vindo do Paulistano. A realidade de favorito se manteve e foi justificada.

Acabaram com o segundo melhor recorde, atrás apenas do Flamengo. As dificuldades, derrotas e vitórias apertadas para equipes regulares deram um ar de preocupação para os playoffs, mas nada demais, seus principais atletas estavam em excelente forma, com destaque para os experientes Shamell e Tyrone.

Shamell atacou com a mesma qualidade dos anos anteriores, foi o vice-cestinha da liga com 19.8 pontos — apenas 0.1 a menos que seu compatriota Kendall Anthony — com uma eficiência incrível, 57.4% nas bolas de dois pontos e 44.7% nas bolas de três pontos. E apesar de não ser muito comemorado por sua defesa, ele ficou no top 10 de bolas recuperadas com cerca de 1.6 por partida.

“Quem me conhece sabe que eu vivo no ginásio. Eu assisto bastante vídeos, de como eu posso melhorar meu jogo ofensivo e defensivo. Mas é reflexo do trabalho, né! Quanto mais tempo eu passo no ginásio, vendo bola cair o reflexo vem em quadra”, disse o ala-armador.

O ala-pivô Tyrone, por sua vez, é praticamente um Draymond Green que come feijoada. Carregava bolas ao ataque como um organizador, usava sua força para brigar pelos rebotes e ainda conseguiu excelentes números ofensivos e defensivos. Segundo o RealGM, seu número de pontos concedidos a cada 100 posses foi de 100.4, a terceira menor marca da liga — apenas Olivinha e Alex Garcia ficaram à frente. Ele encerrou a temporada regular com 14.6 pontos, 6.6 rebotes, 2.8 assistências e 1.7 bolas roubadas.

E por mais que a ânsia por destacar Larry Taylor seja forte, se há um outro nome desse time que valeria à pena apontar os holofotes é o de Jimmy. O ala deixou de ser apenas a um defensor lockdown para se tornar parte ativa no ataque de Mogi. Teve sua melhor marca em pontos na carreira, com 10.3 por partida, também na fase de classificação, além de 4.3 rebotes e 39.7% no aproveitamento nos arremessos detrás do perímetro. Ainda para coroar sua aplicação em parar adversários ele levou o prêmio de Defensor do Ano — primeiro a fazer isso no NBB e não se chamar Alex Garcia.

O ar das altas expectativas foi criado para a pós-temporada, mas assim como todos que terminaram entre os quatro primeiro colocados na primeira etapa os mogianos acabaram eliminados. Perderam em 5 jogos para o Vitória de Kenny Dawkins.

A de se pesar também o cansaço e os jogos a mais que a equipe teve em comparação ao próprio time que os eliminou. Com a disputa do campeonato paulista e da Sul-Americana, torneio o qual conquistaram com louvor, foram 28 jogos a mais que os baianos, destacou Guerrinha.

Enfim, o time titular do ano passado consistia em: Larry Taylor, Shamell, Jimmy, Tyrone e Caio Torres.

O que mudou?

Mais uma temporada de bola laranja no interior paulista, mais um ano confiando na fórmula secreta do hambúrguer de siri. Essencialmente os atletas que compõem o plantel são os mesmos, entre titulares e reservas, o formato familiar da equipe dificilmente mudará tão cedo.

A principal adição foi no garrafão, grande deficiência na profundidade do elenco quando era necessário descansar Caio Torres. Quem chegou foi o jovem Wesley Sena.

O pivô de 2,11m de altura e 21 anos de idade foi revelado nas canchas do Palmeiras e teve um tempo de destaque no Bauru Basket, onde disputou duas temporadas da Ligas de Desenvolvimento. Ele havia saído do dragão antes da temporada 2016/17 para tentar a sorte na Europa, no tradicional Barcelona. Lá não recebeu muitas oportunidades e voltou ao Brasil, e sem conseguir contrato com algum time do NBB acertou com o Contagem Towers para disputar a Liga Ouro. Em 16 jogos na divisão de acesso do basquete nacional conseguiu 13.6 pontos, 6.0 rebotes e 0.9 tocos em 28.9 minutos de jogo de média.

Wesley é uma presença interna, mais jovem e atlética que Caio Torres, mas com ferramentas ofensivas limitadas ainda. Porém, tem demonstrado uma boa produção quando acionado pelo time que já tem cinco vitórias e nenhuma derrota na atual edição do NBB. Apesar de não estar adicionando muitos rebotes na sua conta sua média de pontos até aqui é de 8.2 em 13.2 tentados, um aproveitamento de 62.1%, isso em apenas 14.5 minutos por jogo.

O treinador Guerrinha já conhecia o jovem de outros carnavais e tem boas expectativas sobre sua evolução. “Trouxemos alguns jovens jogadores, caso do Carioca e do Wesley, que tem um grande potencial e a gente está trabalhando ele também. Não só a parte técnica e tática, mas também a parte mental, de ele ser mais competitivo”, apontou o treinador.

Fora isso, os rostos são os mesmos de sempre, os cinco iniciais (Larry, Shamell, Jimmy, Tyrone e Caio) são quem concentram os minutos, e até aqui estão impossíveis de se parar.

Jogador destaque

Recite o nome “Shamell” três vezes e você será automaticamente teletransportado para Mogi das Cruzes. Shamell é o cara da equipe e um ídolo local — nacional para quem aprecia o esporte como um todo.

Escolhido como melhor estrangeiro em 2015/16 e dono do posto de maior cestinha da história do campeonato, o gringo que jé basicamente um brasileiro é o centro do ataque mogiano. As bolas decisivas passam por suas mãos.

O ala-armador tem consciência disso, e até atribui bastante da culpa em não conseguir fechar a série dos playoffs contra o Vitória a si, destacando seu papel de conclusão e liderança. “ Se eu jogasse 50%, 60% do que eu normalmente, eu acho que dava pra ganhar o jogo 4”.

“Meu papel eu acredito que continua muito de ser um líder, dentro e fora da quadra. Tentar a cada dia, a cada treino fechar esse grupo mais, pois temos bastantes jogadores jovens. A gente tem que trabalhar muito, sabemos que o campeonato é longo”, adicionou o destaque do Mogi.

Potencial revelação

A importância e dominância dos titulares de Guerrinha não abrem muita mão para que os jovens tenho tantos minutos assim. De qualquer maneira diferentemente de muitos outros times do NBB, o Mogi tem um número bastante razoável de jovens atletas que dividem alguns minutos na rotação.

O nome que está a mais tempo na estrada das revelações é o armador Vithinho Lersch. Ele tem visto cada vez mais tempo de quadra ao longo das temporadas, mas ainda fica a mercê de espaços cedidos por um certo Alienígena que toma a posição de armador principal.

“Todo dia eu tenho que me preparar psicologicamente tanto pro treino quanto pros jogos. Na parte física eu dei uma mudada, eu fui atrás de um nutrólogo da medicina esportiva. Estou fazendo uma dieta, me preparando fisicamente com o nosso preparador”, falou o armador sobre sua preparação. “Pra ajudar mais o Mogi, é essa parte física que eu to trabalhando e a minha parte de liderança, de sempre que eu estou em quadra fazer o papel do Guerrinha na quadra, que é o papel do armador”.

Quem tem tudo para se colocar no radar de um prêmio de destaque jovem é o recém-chegado Wesley Sena, que inclusive já vem demonstrando boas atuações saindo do banco. O jovem tem aproveitado bastante das dicas e ensinamentos do mentor.

“O Caio é um ótimo pivô, lá dentro do garrafão, aquele jogo de costas dele é sensacional e é algo que eu quero ir pegando aos poucos. Ele sempre me dá uns toques e eu sempre pergunto as coisas pra ele, é uma amigo meu e sempre me ajuda bastante!”.

Entre um e outro, eu diria que Sena leva a vantagem nessa corrida.

À esquerda Vithinho e à direita Wesley Sena.

Palavra do técnico (NBB)

“Ser competitivo da mesma forma. Com menos, com mais é uma equipe que tem uma cidade que joga junto. Tem patrocinadores e diretoria muito bem envolvidos e comprometidos com o time. Então respira basquete, tem grandes jogadores, e pode sim desenvolver um ótimo NBB como nós fizemos no ano passado, terminando a classificação em segundo.” — Guerrinha, técnico

Expectativa na temporada

Sabemos sempre que a equipe é forte, que entra como favorita pela regularidade de suas peças.

A dúvida fica para os playoffs. Poucas mudanças no elenco significa manutenção de força, mas também não atualização de status, como um time que ficou mais assustador do que já era. A sorte na pós-temporada não tem sido das grandes, quem sabe a frustração da temporada passada seja o fogo para incinerar o combustível do time.

Sem a necessidade de passar por um quadro de adaptação, eles têm mais tempo para se ajeitar e apesar do ceticismo gerado pelos anos anterioresn ão vejo por que esse time não surpreenderia na corrida mais à frente.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.