Um peixe fora d’água

Impressões de uma engenheira sobre um evento de pessoas barbadas e descoladas — Interaction South America [ISA 2017]

Foi exatamente isso que pensei ao embarcar nessa aventura: aceitar o convite de apresentar nosso trabalho desenvolvido no CESAR: “A vida como ela é: conectando pessoas dentro do CESAR para solução de problemas cotidianos”.

[Explicando um pouco o porquê disso: Sou graduada em TI e atuei em programação, análise, liderança, gestão e, atualmente, processos. Mais especificamente, os processos das as áreas de apoio: Administrativo, Controladoria, CH, DP, etc. Mas nunca encostei um dedo sequer na área de design. Design não era uma área de interesse, confesso.]

Voltando ao assunto, diferente dos demais companheiros: Mabuse, Victor Ximenes e Giselle Rossi que são designers de interação e deram seus depoimentos com um foco mais técnico, o objetivo desse texto é dar uma opinião subjetiva e pessoal do evento sob o ponto de vista de uma pessoa que não é da área e que nunca havia ouvido falar nesse tal de ISA.

Primeiro, nunca passaria pela minha cabeça em submeter um projeto interno, das áreas de apoio, em um evento de Design de Interação. Mas essa não era a visão de Mabuse que nos apoiou em todo o projeto e nos incentivou a submeter o projeto ao ISA . Então, com a ajuda de Consultores de UX do CESAR, enviamos o projeto INOVA para o ISA2017.

Fomos “enquadrados” na ilha de humanas e minha impressão é que o fato de ter uma ilha exclusiva de humanas já é uma ideia fantástica. Afinal, o que somos senão pessoas?

Ao chegar no evento observei a natureza das pessoas: elas formam uma comunidade barbada, com tatuagens e vestimentas descoladas — elas têm um estilo próprio e isso é muito legal.

O evento foi enorme, muito organizado, estruturado para as apresentações ocorrerem simultaneamente em 7 palcos distintos, app com programação, etc.
Tudo funcionou direitinho apesar de eventuais atrasos na programação mas nada que impactasse no evento.

O primeiro dia foi o de apresentações dos trabalhos da comunidade e foi uma loucura. Tantas coisas interessantes acontecendo ao mesmo tempo e você tinha que escolher uma para assistir.

Assisti as palestras do CESAR, que marcou presença com um total de 5 trabalhos (mais detalhes sobre os trabalhos apresentados pelos colaboradores do CESAR podem ser encontrados aqui.), e também outras apresentações sempre buscando aquela que o tema se encaixasse ao meu perfil e interesses.

Para uma pessoa de exatas, elas trouxeram ótimos insights em como pensar “diferente”, como a comunicação e expectativas podem ser alinhadas, como o conceito de co-criação, comunidade e colaboração é importante.

Os próximos dias me causaram ansiosidade pois eram programações fixas e únicas. Será que eu iria entender? Será que a decisão de ter ficado para todo o evento fora correta?

Reforço que o intuito deste post não é técnico, não entrarei em detalhes sobre as palestras mas quem quiser ler uma opinião mais técnica, pode encontrar aqui, aqui e aqui.

Para meu alívio a primeira palestra do segundo dia de ISA foi fantástica e de meu total interesse: Work Culture Feijoada- 9 elements of innovation.

Diferente de quaisquer outras palestras que eu tivesse participado, o palestrante explanou os ingredientes para criar uma cultura de inovação baseado em uma receita de feijoada.

Outra palestra que me chamou atenção foi de Design Leadership. O que foi apresentado é aplicável a qualquer cargo de liderança e não somente em design.

Mais palestra muito boa: Accessibility and universal design- developing software that is really for everyone.

Ministrada por Lucas Randaelli (Google) que fez uma apresentação (sem projeção) show sobre um assunto (ainda) pouco vislumbrado pela sociedade: acessibilidade. Vou citar duas frases dele que vai deixar você pensando:

“Acessibilidade é a chance das pessoas usarem um produto ou serviço de forma igual”

“Para as pessoas “normais” a tecnologia torna as coisas mais fáceis. Para deficientes, a tecnologia torna as coisas possíveis.”

Essas foram algumas das várias apresentações realizadas. Outras empresas de peso como: Shopify, Spotify, Sap Labs, entre outras estiveram presentes. Não deixe de ler nos links colocados ao longo deste texto para conhecer mais detalhes.

Minha avaliação final: o evento nos faz pensar no papel do design em uma empresa. E é muito além de definir telas, design gráfico. São aprendizados e formas de ver o mundo “diferente”, entender os problemas e resolvê-los criativamente e efetivamente. É um evento para todos e não somente designers.

Deixo aqui um destaque para o post de Willliam Grillo: “Designers palestrando no #isafloripa17 muitas empresas tem. Tenho orgulho de trabalhar na empresa que manda a Diretora Administrativa e a Especialista em Processos falar de design.”

Como o design se encaixa nas minhas atividades? em tudo e em qualquer coisa. 
Anote um conselho: gaste um tempinho conhecendo as técnicas que você vai concordar comigo.

Pronto! O design entrou na minha vida.
Já estou pensando no projeto para 2018. :)

ISA FLORIPA, valeu!
E até o ILA 2018!

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