Cruzamentos de comunidades

Na semana passada fui em um meet-up do WordPress aqui em Curitiba, falar um pouco sobre tradução. Esses encontros são ótimos, tanto profissionalmente como para o desenvolvimento pessoal: a gente descobre muita coisa a que não teria acesso se não estivesse ali, em contato com o pessoal da área (a gente acaba descobrindo inclusive o quanto as nossas áreas têm em comum). Os meet-ups são muito parecidos com os nossos barcamps de tradutores e intérpretes, onde temos a oportunidade de encontrar profissionais da nossa área, mas de especializações, idiomas ou mesmo origens diferentes, o que traz muitas possibilidades de aprendizado e crescimento. Incluindo o precioso momento do café, que é quando a conversa rola solta, as ideias surgem e as parcerias brotam.

E neste último sábado, houve dois barcamps, um em Curitiba e outro em São Paulo, com muitas discussões e relevantes, desde “Ética na tradução” lá com a colega Juliana Saul, às atividades de criação de Currículos visuais e Criação de personas, aqui em Curitiba, com Luciana Bonancio e Márcia Nabrzecki. Com o tempo e a ampliação da base de contatos, os encontros têm cada vez mais participantes, gente nova e assuntos diversos, e, em breve, eventos maiores ainda. A começar pela reunião de membros dos vários grupos durante o congresso da ABRATES em São Paulo, e outro evento que já está no forno aqui em Curitiba (novidades muito em breve!).

E como não poderia deixar de ser, vamos tentar, na medida do possível, continuar estimulando o cruzamento de interesses e a interseção de ideias e atividades. Das conversas no grupo do WP, por exemplo, descubro este gráfico de uso do WordPress.com, mostrando o número de sites/blogs nos diversos idiomas hoje no mundo. Atentei ali pro percentual de conteúdo em português e o que me veio à mente foi que, além de faltar blogs em português, tem muita coisa para traduzir nesse mundo ainda:

https://wordpress.com/activity/

Sobre os blogs que existem, dentro e fora do WP, insisto: precisamos escrever mais, porque isso nos ajuda a escrever melhor, a fomentar a união das comunidades, a compartilhar conhecimento e também ter representatividade. Escrever sobre temas que nos são caros, sobre como se chegou onde se está, sobre o que pode vir a ser. Há quem prefira escrever em seu próprio site, eu optei pelo Medium porque é uma plataforma perfeita para leitura, com uma base de leitores já formada, em que passo todos os dias e onde leio muita coisa também. Torço para que este modelo sobreviva ainda por um bom tempo, mesmo com as mudanças todas pelas quais a plataforma está passando.

Mas mesmo que você prefira escrever em outro lugar, escreva, registre, conte, aponte. O que você faz, aprendeu, conheceu, sobre quem lhe inspira e quais são as expectativas em relação ao seu meio. Por menos que sua própria história lhe pareça inspiradora, são os relatos de vivência de todos que dão elementos para uma construção comum, que preenchem a vagueza dessa estrada profissional difícil que escolhemos. E para ajudar a ver as coisas por outros ângulos, leia a respeito e participe de outras comunidades. Porque no fim, quanto mais pessoas conhecermos, seremos vistos e lembrados com mais facilidade. O que ajuda em todas as situações: profissionalmente, politicamente, emocionalmente (um aspecto que nos derruba com muita facilidade se não tivermos boas âncoras).

Saber o que acontece no mundo também pela experiência do outro pode domar medos e basear decisões futuras (“o que vai mudar com a terceirização de tudo e todos?”, “Para quem será que os meus dados já foram vendidos?”, “Com quem posso contar para me representar?”). Numa discussão recente dentro de uma associação estrangeira, por exemplo, falavam de como o código de ética deles acabou indo além dos valores que representa, ajudando inclusive a influenciar o mercado ao decidirem não aceitar mais a adesão de pessoas que não tinham seus impostos regularizados. Uma situação muito pontual cuja solução provavelmente não serviria a nós, pois é outra realidade, mas que mostra como essas questões que tanto discutimos aqui, como o mercado precarizado com amadores despreparados não é exclusividade local, e é no coletivo que se chega a possíveis soluções.