Salmo 10,
características do ímpio


O capítulo 9 do livro de Salmos pincela a questão do abuso que o pobre sofre a partir da falta de ética do ímpio. Ele pincela de tal forma que eu consegui praticamente ignorar esse tema espinhoso que, covardemente, não queria entrar tão cedo.

No capítulo 10 eu não consigo ignorar.

Antes, uma questão histórica: acredita-se que o Salmo 9 e 10 são um poema só, ao menos na Septuaginta eles são um só. Mas a história, um fogo, mofo, ou coisa do tipo, as divisões feitas na idade média e outras coisas acabaram dividindo esse poema em 2 capítulos que se conversam. Se o capítulo 9 fala da justiça divina, o capítulo 10 aponta que a injustiça do ímpio é manifesta toda vez que alguém abusa dos mais pobres, dos mais fracos, dos menores. Se o capítulo 9 fala que Deus não se esquece do choro do desfavorecidos, o capítulo 10 fala que os desfavorecidos são desfavorecidos por causa da maldade do ímpio. O capítulo 10 claramente coloca a culpa da injustiça no mal trato que o ímpio faz daqueles que tem menos estrutura.

O ímpio do capítulo 10 tem duas características: a certeza que Deus não vê o que ele faz e o abuso de inocentes.

Esse salmo fala que o ímpio faz uso de mentiras, cria armadilhas pra que os pobres caiam nela, procura os desfavorecidos pra que possa abusar deles. O ímpio inventa possibilidades, arma situações, conta histórias mirabolantes pra que possa se aproveitar da boa vontade do pobre. Um detalhe interessante é que em nenhum momento o salmo condena os desfavorecidos por caírem nos esquemas do ímpio (diferente do nosso julgamento comum: quem mandou cair na laia daquele cara? É trouxa, tem que se espertar). O salmo condena o ímpio, condena quem inventa as histórias, condena o esperto, porque o esperto não tem vez no julgamento do Senhor.

“Deus esqueceu, escondeu sua face para nunca mais ver” é a certeza do ímpio. O ímpio faz o que faz porque não percebe as consequências danosas dos seus atos, inclusive acredita que seus atos não tem consequências. O ímpio vive somente de frutos que apodrecem com o tempo, pois não acredita que vai ser julgado por seus atos. O ímpio não sabe que Deus ouve o desejo do pobre, que faz firme seu coração, que o ouvido divino está aberto para os esquecidos.

O ímpio não sabe que Deus fará justiça pelo órfão e pelo desfavorecido, o ímpio não sabe que Deus vai agir contra ele, e não deixará ninguém oprimir ninguém na face da terra.


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