Memórias de tradução no OmegaT

Os vários recursos das memórias de tradução no OmegaT

O que são memórias de tradução? Eu as considero a alma das CAT tools. Tanto que os próprios programas eram chamados apenas de “memórias de tradução”, e ainda hoje há quem os chame assim, em vez de CAT tools (Computer Assisted Translation tools ou ferramentas de auxílio à tradução) ou mesmo TenTs (Translation environment tools ou ferramentas de ambiente de tradução).

Mas quando nos referimos aos arquivos usados e criados pelas ferramentas, você sabe exatamente o que são as memórias de tradução? Elas são arquivos bilíngues que as CAT tools usam para guardar as traduções feitas. A ferramenta cria uma nova memória de tradução a cada projeto, mas o próprio tradutor também pode criá-las à parte, alinhando os documentos original e traduzido que tenha feito fora da CAT tool ou de outras fontes. Isso é chamado de alinhamento de textos e já foi descrito num artigo anterior deste blog. Neste artigo veremos outras formas em que as memórias de traduções podem ser úteis e as diferentes opções que o OmegaT oferece para usá-las.

Uma memória de tradução vista no editor Olifant, outro programa gratuito e de código aberto como o OmegaT

Para começar, há uma forma simples de aproveitar as memórias criadas a cada projeto em trabalhos futuros, assim como as memórias criadas por alinhamento: basta colocar todas numa pasta geral de memórias de tradução. Digamos que esta pasta central seja chamada de TM-geral (apenas um exemplo, use o nome que preferir). Esta pasta pode ficar em qualquer lugar do computador. Eu deixo a minha no Dropbox e, a cada projeto que termino, depois de criar os documentos traduzidos, copio a nova memória de tradução chamada [nome-do-projeto]omegat.tmx, na minha pasta TM-geral. Para aproveitar as memórias acumuladas nas próximas traduções, quando crio um novo projeto, ao chegar na janela Propriedades do projeto, aponto a seção “Pasta de memórias de tradução” para a pasta TM-geral:

Aponto a pasta TM-geral em cada novo projeto e aproveito todas as memórias de tradução

A pasta TM-geral pode ser organizada de várias formas, com memórias divididas em subpastas e classificadas por cliente ou tipo de projeto, por exemplo. Você pode dar qualquer nome a estas pastas, desde que os nomes sejam diferentes das opções reservadas do OmegaT, que são: auto, enforce, mt, Penalty-50 e tmx2source. As pastas com estes nomes têm objetivos específicos que o OmegaT atribui às memórias de tradução dentro delas. Explico cada uma abaixo:

  • A pasta auto serve para fazer uma pré-tradução. Isso quer dizer que, se você tiver uma memória de tradução que tenha correspondências idênticas aos segmentos do projeto atual, basta colocar esta memória na pasta auto e o programa pré-traduz todos os segmentos que forem 100% idênticos.
  • A pasta enforce, como o nome leva a entender, força o uso das correspondências da memória de tradução dentro dela. Em outras palavras, se você tiver uma memória cujas correspondências têm prioridade acima de qualquer outra memória, coloque-a na pasta enforce.
  • Já a pasta mt é para quem usa programas de tradução automática. Eu uso o ProMT, uma ferramenta off-line e paga. Ela serve principalmente para acelerar o processo e fazer menos erros de ortografia, em textos que se adequem a esse processo. Aí traduzo o arquivo original no ProMT, alinho o texto original e o traduzido dentro do OmegaT e salvo a memória produzida na pasta mt. Tudo o que for sugerido a partir dessa pasta aparece em vermelho no segmento ativo e isso indica que provavelmente haverá correções a fazer, pois a tradução foi gerada de forma automática. Essa é uma forma de usar tradução automática sem comprometer a confidencialidade de projetos, pois não há consulta à internet.
  • A pasta penalty-xx serve para colocar as memórias que queremos usar, mas que não são prioritárias. Então colocamos uma “penalidade” nelas e diminuímos o índice da correspondência parcial conforme o número colocado depois de penalty. Por exemplo, se uma memória estiver numa pasta penalty-50, e um segmento dela apresentar uma correspondência de 90%, ela será penalizada em 50% e aparecerá na lista de correspondências parciais como 40%, ou seja, abaixo de outras que também tenham 90% de correspondência, mas não estejam na pasta penalty-50.
  • E finalmente, a pasta tmx2source serve para fazer revisão, como foi explicado no artigo anterior:
A pasta tmx2source serve para revisão, mostrando o texto original intercalado ao traduzido e ao revisado

Aproveitar esses recursos para memórias de tradução no OmegaT facilita o trabalho, oferece possibilidades além das usuais e ajuda a melhorar a qualidade final. Você usa algum desses recursos? Tem alguma dúvida sobre o que foi explicado neste artigo? Achou as informações úteis? Então fique à vontade para deixar seus comentários logo abaixo!