Estudo da 99 sobre viaduto pode subsidiar gestores públicos

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Jan 21 · 5 min read

Análise das corridas aponta que, em alguns bairros, o atraso nas viagens chegou a 17% após incidente na Marginal Pinheiros

Qual foi o impacto do rompimento do viaduto na Marginal Pinheiros para o trânsito de São Paulo? Quão mais demoradas as viagens ficaram?

São essas perguntas que um recente estudo da 99 procurou responder, com o intuito de oferecer subsídios aos gestores públicos e à sociedade civil para, juntos, avaliarmos soluções de mobilidade urbana à cidade. A situação por qual passa o município de São Paulo é incomum e exige articulação de diferentes atores para amenizar os efeitos negativos que devem durar até maio, quando está prevista a liberação da via.

Um dos pilares do viaduto rompeu na madrugada de 15 de novembro (Marcelo Gonçalves/Sigmapress)

Rompimento do viaduto

Desde o rompimento de um dos pilares do viaduto na região do Jaguaré, no dia 15 de novembro, a 99 tem enviado mensagens para estimular os passageiros a contribuírem com a mobilidade urbana de São Paulo.

Os usuários vem recebendo sugestões para combinarem os serviços de transporte por aplicativo com transporte público e percorrerem deslocamentos curtos a pé ou de bicicleta e não de carro. (Para maiores informações, veja o site “Mobilidade Melhor”.)

Texto do desconto enviado aos usuários

Ainda, a empresa tem dado descontos de até 30% para corridas fora do horário de pico na tentativa de amenizar os efeitos da interdição na marginal.

Medindo os impactos

Para entender melhor os efeitos do incidente e poder subsidiar o debate público e eventuais políticas, a 99 analisou os dados (agregados e anônimos) das corridas realizadas via aplicativo em todo o município sob dois aspectos: o tempos das viagens e a velocidade média nas marginais.

No primeiro caso, utilizou-se um método baseado no Índice de Tempo de Viagem (ITV), índice criado pela 99 em outubro de 2017, que compara o tempo gasto em viagens no horário de pico com viagens feitas em situação de tráfego livre, para identificar cidades e regiões com mais atrasos devido a congestionamentos.

Para adequar o método a este estudo, comparou-se as viagens da semana anterior à queda do viaduto (entre 05 e 11 de novembro) com corridas da semana posterior ao acidente (semana entre 26 de novembro e 02 de dezembro).

O índice foi capaz de mensurar, então, o atraso nas viagens entre as duas semanas. Como são períodos próximos e não houve outros eventos excepcionais entre elas, é possível inferir que o principal fator que altera os tempos de viagem é a queda do viaduto da Marginal Pinheiros.

E a análise mostrou que as viagens ficaram, em média, 3,8% mais lentas na Região Metropolitana como um todo.

É natural que, considerando todas as viagens ocorridas na RMSP, o índice de atraso não seja tão alto numericamente, já que o efeito do viaduto é diluído em deslocamentos que não sofrem impactos.

No entanto, o efeito global é bastante significativo: se expandirmos este índice de atraso de 3,8% para todas as viagens de automóvel da cidade de São Paulo (de automóvel privado e compartilhado, segundo dados da Pesquisa OD de 2017), é possível inferir que foram desperdiçadas 194 mil horas diárias a mais dos usuários de carro no trânsito entre uma semana e outra.

Ademais, analisando o impacto em regiões específicas da cidade, pode-se notar que o índice de atraso em alguns bairros passou de 15% .

As viagens mais afetadas foram exatamente as que, originalmente, precisariam utilizar o trechos afetados da Marginal do Pinheiros.

Os mapas a seguir indicam as regiões que mais sofreram de acordo com o bairro do ponto de origem (imagem à esquerda) ou do ponto de destino (imagem à direita).

Velocidade na Marginal

A segunda análise se debruçou na velocidade média dos carros que passaram pelos trechos mais afetados da Marginal do Pinheiros em dois dias diferentes: quarta-feira antecedente ao rompimento do viaduto (07/11) e uma quarta-feira posterior ao incidente (21/11).

Dividiu-se a Marginal do Pinheiros em trechos diferentes para se calcular o tempo médio gasto em cada um destes trechos utilizando dados de GPS dos motoristas da 99. (Lembrando: usou-se apenas dados agregados e anônimos.)

As diferenças entre os dados do dia 07/11 e 21/11 foram muito claros, conforme indicam as duas figuras:

O trecho da pista expressa entre a rua Tucumã e a avenida Rebouças foi o que sofreu maior impacto. A velocidade média durante o dia caiu de 47.94 km/h para 9.87 km/h, uma redução de quase 80%.

Considerando somente o horário de pico da tarde, naturalmente, a velocidade caiu ainda mais: foi de 26.57 km/h para menos de 5km/h:

Ademais, para enriquecer ainda mais a análise dos impactos na Marginal Pinheiros, calculou-se o tempo de viagem em todo o trecho entre os shoppings Morumbi e Eldorado (a média durante o dia e no horário de pico da tarde), conforme mostra a tabela abaixo.

Nota-se, por exemplo, que o usuário do automóvel que gastava pouco mais de 9 minutos, em média, para percorrer este trecho passou a realizar este deslocamento em 17 minutos, após o rompimento do viaduto — um aumento de 83%.


O estudo foi apresentado à Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes de São Paulo e pode servir como subsídio aos gestores públicos. A intenção da empresa ao analisar os efeitos desse incidente é justamente contribuir com a mobilidade urbana da cidade.

Para onde vamos?

Reflexões sobre mobilidade urbana no Brasil.

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