Mais coisas para ver

Olá para vocês, de volta ao trabalho aqui no Planalto Central. Eu estava de férias, e a menos que eu pare de ler notícias, não me sinto de férias, então eu pulei as notícias de janeiro, mal sabia o que estava acontecendo com nosso governo trapalhão… é quase tão ruim quanto eu imaginava, mas não adianta, no mundo da pós-verdade, quem votou nesse governo não se convence de que fez algo errado, então vamos deixar isso para a próxima década, e torcer para não piorar. Essa semana assumem os novos deputados, e é aí que começa mesmo meu trabalho. Escrevo mais sobre isso semana que vem… ou não.


Semana passada não cabia mais Star Trek Discovery, mas queria dizer para vocês que escondido aí no seu Netflix tem quatro curtas, chamados Short Treks, que são pequenas jóias de ficção científica. Simplesmente veja!

E continua valendo a pena a segunda temporada, um episódio de primeiro contato super interessante, apesar do conteúdo pseudo-religioso. Mas se você gosta de Jornada nas Estrelas, sabe que eles adoram mexer com isso.


E True Detective continua tendo D&D, mas ainda não sabemos se isso vai acabar arrasando nossos corações…. Aparentemente, as crianças vítimas da série iam brincar e jogar D&D escondido dos pais em algum lugar da "floresta". Satanic panic ou apenas jovens irresponsáveis?


Foi uma semana intensa de RPG, com "oficinas" de RPG no Sesc e encontro D30 no domingo. Não vou falar muito, as fotos e outras coisas estão lá no site. Ainda acho que precisamos achar um formato para essas coisas, não sei se gente falando sobre RPG funciona… o que vocês acham?


E jogamos Mouse Guard enquanto atendíamos no Janeiro Geek! Faz tempo que queria tentar esse modelo de Burning Wheel. Primeiro, as ilustrações são lindas, e jogar com ratinhos dá bem a licença que precisamos para jogar esse estranho tipo de D&D em vez de pegar nossos d20s. Eu tenho a caixa com dadinhos e cartinhas, o que torna tudo super mais interessante, e o sistema de combate/debate funcionou bem, todo mundo ficou envolvido. Todos têm de escolher ações e jogar contra um inimigo, três de cada vez, até que se esgote a "disposição" de um dos lados, o que dá vagamente 2–4 turnos de três ações, seja uma luta ou um "debate".

Num determinado momento meu amigo Daniel me disse frustrado, "Eu acho que não sou bom em nada aqui, todos são melhores que eu, inclusive na minha especialidade". Ele estava certo, seu ratinho era mediano em tudo, e como o jogo é muito em conjunto, com regras de time e tudo mais, ele nunca deveria rolar nada, outra pessoa sempre seria melhor que ele. Metagaming ou não, isso precisa ser levado em conta.

Todos querem que seus personagens brilhem. Um atira flechas, outro escala muros, outro é o mais forte, e o último é o mais sábio. Mas num RPG, quando a gente joga, algumas habilidades são mais usadas que as outras, e se você não tiver aquela habilidade específica, vai ficar bastante frustrado. Percepção no D&D desde a 3e (Spot/Listen/Search), Library Use em Call of Cthulhu, Manipulation+Subterfuge em Vampire: The Masquerade.

E essa é uma parte dos jogos minimalistas que as pessoas não entendem. Beleza, eu tenho só duas skills, ou nenhuma, como num jogo bem OSR, então, se não tiver um quebra-cabeças físico na minha frente para eu "jogar", eu nem sequer estou jogando. Falamos um pouco sobre isso com a Green Peanuts na sexta, OSR e o que significa "desafiar o jogador, não o personagem". Eu particularmente acho que isso funciona bem como ideia, mas não como jogo mesmo. Na hora do vamos ver, sou mais uma ficha que me faça conhecer o personagem, e um jogo que não deixe as rolagens serem a única "saída" (por jogo entenda-se mestre).

Entenda, não é que skills sejam a única coisa importante num RPG, mas o jogador vai estar fazendo alguma coisa, e se ele não tem habilidade alguma para agir, ele vai acabar sem saber o que fazer, ou vai inventar uma história, nem sempre muito boa. Você já viu isso: "posso botar fogo no óleo e jogar nele?"

Enfim, não sei por que jogadores acham que óleo é um explosivo, mas não existem flechas incendiárias nem coquetéis molotov feitos de óleo de lamparina. Não é porque tem magia e elfos no RPG que coisas simples do dia-a-dia passam a funcionar diferente. É como a explosão de carros, se você estiver jogando num estilo pulp ou de ação, faz todo sentido, mas carros simplesmente não explodem como nos filmes.

Mas isso vem da falta de "ter o que fazer", e se o jogo não tem opções, o jogador entediado vai desviar para essas bobagens.