#TheDevConf 2017 — Trilha Acessibilidade: Como aplicar teste de usabilidade de um chatbot para pessoas com deficiência visual?

Relato da palestra de Alana Marília e Erica Rodrigues na Trilha Acessibilidade do The Developer’s Conference São Paulo.

Talita Pagani
Aug 8, 2017 · 3 min read

Este post faz parte da série de relatos sobre as palestras da Trilha Acessibilidade do TDC-SP 2017.


Alana Marília e Erica Rodrigues apresentaram em sua palestra o projeto delas desenvolvido durante um curso de UX que trata-se de uma interface conversacional a ser utilizada como um assistente pessoal para pessoas com deficiência.

Elas tiveram a ideia de projetar algo que facilite a vida de pessoas com deficiência visual para atividades cotidianas. Assim, elas focaram em dois grupos de usuários e entrevistaram um usuário-chave de cada grupo:

  • Jorge, 69 anos, cegueira total: Apesar de conseguir usar o computador com leitores de tela e o celular com Voice Over, gostaria de ser mais independente para realizar pequenas tarefas diárias, como ler uma conta de luz, utilizar o microondas.
  • Nelson, 58 anos, baixa visão: Trabalha editando audiolivros, gosta de
    bater papo e ler notícias pelo computador, inverte as cores do computador para aumentar o contraste da tela. Gostaria de ter uma TV com comando de voz.

Entrevistando Jorge e Nelson, elas identificaram diferentes ideias e algumas ideias apareceram de modo frequente: ações com audiodescrição e possibilidade de solicitar serviços pelo celular. Assim, elas encontraram no chatbot a solução para o desenvolvimento de um assistente pessoal utilizando uma interface conversacional com usuários.

O assistente pessoal projetado pode ser utilizado tanto para ler documentos e fazer a audiodescrição quanto para solicitar um ajudante humano, dentre as pessoas que poderiam se cadastrar como voluntários neste aplicativo. Alana e Erica ressaltaram que a ideia do aplicativo ainda era um protótipo e não estava em desenvolvimento funcional.

Como o protótipo pronto, era preciso testar para validar a ideia e verificar os pontos de melhoria. O teste de usabilidade foi planejado com muito cuidado com um roteiro que continha todas as falas, instruções e respostas do chatbot. Diferente de roteiros tradicionais de teste de usabilidade que especificamos as tarefas a serem passadas para os usuários e as respostas esperadas, para chatbots é preciso especificar um roteiro de conversação. Isto se torna mais complexo, pois é preciso pensar na árvore de decisão do chatbot com relação a diferentes respostas possíveis dos usuários.

Para os testes de usabilidade, foi utilizada a abordagem que chamamos de Mágico de Oz na área de Interação Humano-Computador, onde uma pessoa faz o papel da interface. No caso, a Erica fez o papel do chatbot enquanto o Jorge interagia com a interface, simulando como seria a interação com o aplicativo.

Alguns resultados obtidos nos testes:

  • Especificar gestos (como falar, pressionar) na tela inicial;
  • Refazer frases longas de instrução e deixar o comando de ação sempre no final. Deixando a ação no início, a pessoa não espera terminar de ouvir a instrução e já fala a ação desejada, desconhecendo o restante das instruções que podem ser importantes;
  • Ter uma entonação de voz adequada e consistente;
  • Usar feedback sonoro para os gestos e comandos de voz. Por exemplo, ao carregar a tela, ter um feedback de que está sem processo de carregamento;
  • Prover uma resposta amigável para situações inusitadas, como quando chatbot não entende a ação desejada.

Confira os vídeos de sessões de teste de usabilidade com o Jorge:

Os maiores aprendizados desta experiência:

  • A importância de pesquisar e testar com usuários para validar as hipóteses;
  • As pessoas com deficiência são acessíveis a entrevistas e pesquisas, elas querem ser ouvidas e querem ajudar as pessoas e projetar soluções que melhorem a vida delas e de outras pessoas;
  • É preciso ter criatividade para driblar as dificuldades técnicas e economizar tempo;
  • Os protótipos podem ser feitos de diversas formas: não precisam ser somente protótipos em papel, simular interação usando um humano também é uma forma de prototipar;
  • É preciso encarar os desafios e testar muito!

Como as interfaces conversacional estão em alta como modelo de interação, este aprendizado nos ajuda a entender como avaliar aplicações que usam chatbots e quais os limites de interação deste tipo de aplicação.


A Utilizza é uma empresa de design de interação e experiência do usuário focada em acessibilidade digital. Realiza avaliações de acessibilidade de websites, testes manuais exploratórios em aplicações nativas e web e treinamento de acessibilidade para equipes de desenvolvimento e testes/quality assurance (QA). Entre em contato através dos canais no Facebook, Twitter ou LinkedIn.

Utilizza

Pensamentos sobre UX, design de interação, usabilidade e acessibilidade digital.

Talita Pagani

Written by

Mestre em Ciência da Computação | Consultora/Tester de Acessibilidade na Utilizza | Designer na Nexaas

Utilizza

Utilizza

Pensamentos sobre UX, design de interação, usabilidade e acessibilidade digital.

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade