Lightning talks na UXConf BR 2016.

Guia para submeter palestras em eventos de comunidades profissionais

Nesse guia, mostro como você pode eliminar obstáculos e submeter apresentações super aderentes a eventos profissionais com foco em práticas de mercado.

No mês que passou, apresentei aquilo que chamei de uma meta-charla (ver slides), isto é, uma palestra sobre o ato de submeter e dar palestras em eventos como a UXConf BR, o Interaction South America ou o The Developers Conference, para citar alguns da nossa região (sul-americana).

Esses três eventos têm em comum o fato de serem eventos voltados para a comunidade de profissionais de tecnologia e design, e também por permitirem a submissão de palestras via call for papers, ou chamado para palestras.

Fiz a apresentação pensando no que aprendi com uma série de submissões minhas nos últimos anos, a maior parte delas sendo aprovada nas conferências (ver algumas).

Compartilho aqui cada um dos pontos que julgo relevantes para você ter a melhor das chances possível. Na mesma linha do que falei no guia sobre como palestrar, não tem nada aqui que poderá fazer mal a alguém, até em eventos de áreas diferentes às citadas antes.

(Antes de começar, um aviso. A UXConf BR está com call for papers aberto! Já deixe aberto esse link em outra janela para submeter uma ou mais propostas após a leitura :) bitly.com/uxconf17-c4p)

Por que se dar o trabalho de submeter?

Porque é bom para a carreira. Simples.

Slides da apresentação (bit.ly/esser-isa16). Usar as imagens somente com citação da fonte e permissão do autor.

Existem 3 razões principais para seu trabalho não ser aprovado numa chamada para propostas

1. Você pensou em submeter mas faltou coragem para escrever a proposta e/ou apertar o botão “enviar”.

Deixa disso! Se esse é o seu caso, eu tenho um palpite: essa é a famosa síndrome do impostor em ação. Você precisa entender que não se trata de mostrar a mais nova e original teoria sobre [qualquer coisa], e sim contar histórias de aprendizados seus no dia-a-dia de trabalho, projetos e iniciativas na área.

Slides da apresentação (bit.ly/esser-isa16).

2. A descrição da ideia não ficou clara.

Aqui trata-se de entender que, muito mais do que expor suas dúvidas sobre o sentido da vida, o importante é: descrever alguma dificuldade que porventura tenha tido e, sobretudo, a forma como você se desenrolou diante dela. Esta última — qual sua ideia ou prática de melhoria para o mundo — é o que justifica a existência da palestra.

Papo reto: não viaje demais.

Slides da apresentação (bit.ly/esser-isa16).

3. A sua ideia não chamou a atenção da banca avaliadora.

Acontece. Mas tem jeito, é só tentar de novo na próxima oportunidade :) E cuidar de mais uma série de detalhes que eu mostro na próxima seção do texto.

Slides da apresentação (bit.ly/esser-isa16).

Como superar as 3 razões acima e enviar uma proposta matadora

Uma boa proposta é feita de algumas camadas.

Slides da apresentação (bit.ly/esser-isa16).

Primeira camada: Estrutura. Uma boa proposta tem a) um início, que apresenta um problema ou uma situação tal e qual ela é (ou era até um tempo atrás), b) um meio, que representa a forma como você visualiza ou constrói um mundo melhor e c) um fim, que conclui o texto dizendo como você vai mostrar tudo isso e, se houver, algo que lhe autoriza a falar com propriedade sobre o assunto.

Slides da apresentação (bit.ly/esser-isa16).

Segunda camada: Clareza. É uma questão tanto de usar um português claro quanto saber ordenar as ideias, organizar o pensamento. Use um método que não costuma falhar: mostre para pessoas envolvidas com o assunto, e depois peça para elas repetir o que entenderam. Faça ajustes se necessário.

Terceira camada: Concisão. É possível dar o recado em três parágrafos curtos? Normalmente sim, então não perca a oportunidade. Mas não precisa ser lacônico (como avaliador, já li submissões de uma ou duas frases… não é isso!). Alguns eventos permitem descrições de até 2.000 caracteres. Não é uma obrigação usar eles todos (1.000 são mais que suficientes, na minha opinião).

Papo reto: se a sua proposta for muito longa, corre o risco sério de não ser lida na sua integralidade.

Quarta camada: Ser atraente. O título é a primeira coisa que uma avaliadora vai ler, geralmente. Na medida do possível, faça o título brilhar. Também faça-o representar o que está por vir. Depois, o corpo do texto tem que manter a atenção e o interesse dessa avaliadora. Existe algum ponto polêmico que você irá abordar? O assunto de que está tratando é relevante para aquele contexto? Observar: tema do evento; enfoque das edições anteriores, se o tema não estiver explícito; assunto da trilha, se for divido assim.

Papo reto: eventos de comunidade, onde o foco principal é a troca de conhecimento entre pares, não são o melhor lugar para fazer jabá… isto é, só contar vantagem sobre as coisas que acontecem na sua empresa.

Quinta camada: Ter seu toque pessoal. Por fim, você pode optar por adicionar um toque pessoal, se estiver seguro de que seu ponto de vista é único. Essa camada traz o risco de não ser bem aceita, mas se você já passou por aquela fase da falta de coragem… (comente aqui, se o fizer!).

Resumindo

Em suma, o que mostrei aqui deve ajudá-lo a:

  1. Entender que essa movimentação de submeter trabalhos em eventos de comunidade pode lhe trazer novas oportunidades de trabalho e crescimento na carreira.
  2. Saber que existem algumas objeções comuns quando você tenta enviar propostas de palestra.
  3. Saber que, se você tem um recado para dar, as objeções do item 2 podem ser vencidas seguindo algumas orientações (obs.: são dicas, e não regras!).
Dia da comunidade no ISA 16 (Santiago do Chile).

Curioso para saber mais dicas como essas? Fique atento, seguindo a UXConf BR no Medium ou acompanhando a UXConf BR via Facebook e Twitter.

Fotos: Charlene Cabral para UXConf BR 2016, Fanpage Interaction South America

Desenhos: imagens da apresentação por Thiago Esser (bit.ly/esser-isa16). Usá-las somente com citação da fonte e permissão do autor.