Fabien Eychenne
Aug 21, 2017 · 6 min read

Várias vezes nos perguntam o que é o movimento maker, lugares como os Fab Labs, makerspaces e o modo que as práticas inerentes a essa cultura, (prototipagem ágil , colaboração e o hands-on) poderiam levar de vantagens para dentro das empresas. Em um artigo anterior, Heloisa Neves ( Co-Fundadora da We Fab) falou dessas práticas makers, e como elas podem levar inspiração para as empresas ou estabelecer pontes para a resolução dos grandes problemas que elas estão sujeitas.

Neste artigo, vamos distinguir as contribuições do Movimento Maker sobre duas categorias de negócios, de um lado, startups e do outro as grandes empresas. Estas duas entidades têm um objetivo em comum, mas não estão sujeitas às mesmas problemáticas. Para simplificar, startups enfrentam um problema de criação de um primeiro produto ou serviço e a sua “industrialização”, enquanto grandes empresas estão voltadas para gestão de pessoas e inovação.

Obviamente, existem várias questões que se sobrepõem e se aplicam em ambos os casos. Em um primeiro momento lidaremos especificamente com o mundo das startups e em um segundo momento falaremos sobre as grandes empresas.

Startups: Redução das barreiras de entrada.

É inevitável o fato de estamos em uma mudança de paradigma. No início da onda Startup digital, existia a idéia de investir milhões na compra de hardwares, softwares avançados e infraestrutura operacional. Hoje estamos em um cenário que nos mostra que ao investirmos poucos punhados de dólares na compra de um computador, acessar recursos disponíveis na Internet (software ou hardware livre cujos custos foram drasticamente reduzidos), usar serviços e/ou infraestrutura das GAFAs (Google Amazon, Facebook, Apple) e ser hospedado em um espaço de coworking que oferece muitos serviços necessários para executar seus negócios, conseguimos construir novos negócios facilmente.

slide encontrado nas apresentações sobre startup digital. Source: Mark Suster / Graphics : AngelCube

Em suma, a internet reduziu drasticamente as barreiras para a inovação. Tendo um computador de aproximadamente US $ 500 e uma conexão à internet, temos os principais elementos para criarmos um aplicativo, um serviço, um site e potencialmente atingir milhares de milhões de clientes conectados. Obviamente estamos falando de um “protótipo”, uma aplicação a nível beta para ser validada no mercado, testada entre os usuários e buscar visibilidade para potenciais investidores. Tal situação só é possível graças às facilidades que a tecnologia digital propicia para a criação de novas empresas em especial a criação de startups.

Em um tom mais geral os atores da economia criativa utilizam práticas do Movimento Maker, pois elas facilitam a operação de seus negócios. O ecossistema “maker” oferece muitas oportunidades para tornar a vida mais fácil para startups e iniciativas criativas.

De fato, hoje existem muitos softwares de modelagem 3D, design, desenho livre e ou grátis, e o conjunto dessas ferramentas digitais, unidas ao poder de um notebook de baixo custo são suficiente para trabalharmos em nossas idéias. Fab Labs e outros makerspaces fornecem acesso a máquinas CNC (Comando numérico computadorizado) e impressoras 3D para a produção dos primeiros protótipos e também fazem uso do conhecimento das comunidades e membros destes espaços. Os “novos componentes eletrônicos” baseados em cartões programáveis como Arduino, facilmente adaptáveis com sensores de baixo custo, atuam para facilitar a criação de produtos conectados. Muitas bases de dados de projetos compartilhados em open-source como Instructables ou Thingiverse simplificam os primeiros passos. A cultura maker compartilha muitos documentos, ideias e projetos que estão acessíveis através de fóruns na internet, Youtube etc. Com essa massa de informações e estas novas ferramentas, temos capacidade de produzir um primeiro protótipo, tangibilizar as ideias e fazer os primeiros testes utilizando um investimento financeiro mínimo.

It’s alive !

Após a criação do primeiro “produto”, existem outros serviços para financiá-lo e divulgá-lo. Antes das novas startups chegarem ao mercado, elas levam seu primeiro produto para uma comunidade e essa comunidade participa do seu desenvolvimento e respondem de forma menos perfeccionista do que o cliente final sobre os acabamentos e a qualidade do produto. Plataformas como Kickstarter (EUA) ou Catarse (Brasil) permitem diálogos abertos sobre seu projeto, estabelecendo uma comunidade e possibilitando o financiamento de pré-vendas. Numerosos produtos de IOT (Internet of Things), robótica e drones foram financiados através deste meio, podemos usar como exemplo: UAV, projetos de impressora 3D, robos educacionais e também uma impressora para personalizar unhas, tais projetos conseguem levantar centenas de milhares de dólares, sem qualquer uso de equity e terão visibilidade dentro da imprensa de tecnologia.

Industrializar e escalar um projeto ainda é um ponto sensível para produtos que saem de Fab Labs e makersparces. Apesar de existirem serviços de “Cloud manufacturing” na Europa, EUA e China dedicadas à fabricação de pequenas e médias séries, industrializar o seu protótipo ainda é um desafio. Processo semelhante ocorre na produção da embalagem, transporte e no pós venda. A grande diferença está nessa parte da cadeia de valor.

Os “átomos” ainda não são “bits”. Apesar da facilidade de distribuir software ou serviço digital por causa de sua natureza intrínseca, copiar “átomos” ainda requer o estabelecimento de uma cadeia de suprimentos, parceiros, distribuidores, etc.

No entanto, este ecossistema está configurando-se. Ele ainda não está totalmente estruturado, mas oferece oportunidades semelhantes às iniciativas de projetos digitais e iniciativas de produtos de hardware.

Na We Fab hospedamos a startup Pluvi.on, mais tarde selecionada pelo Google Campus. Esta startup de hardware produz pluviômetros de baixo custo com o objetivo de quantificar a intensidade de chuva em tempo real e de forma distribuída. Essa jovem startup teve início durante uma residência de “makers” organizada no Redbull Basement. Os primeiros protótipos funcionais foram feitos em poucos meses, utilizando máquinas CNC disponíveis. Tudo isso de uma forma que poderia ser chamado de “artesanal” (Artesanal no senso de fazer pequenas séries com paixão e dedicação).

5 protótipos em 5 meses Credit : Pluvion.com.br

Durante a hospedagem, víamos um dos membros da equipe, soldar micro componentes à mão em uma estação de solda improvisada. É visível que estamos em uma lógica maker, testando versões do produto, avaliando os problemas a partir dos feedbacks dos usuários, iterando e construindo a partir da experiência obtida e lançando uma segunda versão, terceira versão e assim por diante. E dentro desse cenário, mais de 150 pluviômetros foram produzidos, instalados e conectados através da sua interface em Iot. Obviamente, os membros da equipe são extremamente talentosos, mas percebemos que o trabalho efetuado em tão pouco tempo e com tão poucos recursos é diferente do que poderíamos fazer há dez anos atrás. Essa diferença está diretamente relacionada com estas novas práticas e ferramentas que afetam toda a cadeia de vida de um produto.

Para as startups, o universo que compõe o movimento maker (Ferramentas, Práticas, Métodos e seus espaços) são uma importante plataforma de inovação. Com a ajuda da internet, o Movimento Maker potencializa sua capacidade em reduzir as barreiras de inovação para startups, ele permite que mais iniciativas criativas possam criar rapidamente um protótipo. Mas, mantém-se a questão do scaling.

Na Europa, Estados Unidos e na China já existem estruturas que aceleram essas startups de hardware. Este serviço ainda está em falta no Brasil. Nos próximos meses, a We Fab oferecerá residência, mentoria, busca de fornecedores, prototipagem etc, para startups de hardware que queiram desenvolver um protótipo.

Para tal estamos criando inicialmente um mapeamento para entender onde estão as startups de hardware e como podemos ajudá-las e conectá-las. Se você é uma delas, cadastre-se aqui:

https://goo.gl/YdP8d1

Caso queira discutir mais sobre o assunto e fazer parte de nossa comunidade no Facebook, entre aqui:

https://goo.gl/oaqm5X

(Obrigado Hiago Vilar pela revisão)

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Movimento Maker para Empresas

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