Porakê Martins
Apr 30 · 13 min read
Lobos guará são mesmo lobos? Seriam viáveis como Parentes Garou?

Ao longo de suas quatro edições, o jogo estabeleceu a América do Sul como um território dominados pelos Fera e hostil à presença Garou, onde mesmo as “Tribos Puras” encontraram obstáculos para se estabelecer e os Uktena, aqueles Lobisomens que mais dominam os segredos da região, só passaram a ter uma presença relevante no período que se seguiu a colonização europeia.

Apesar disso, uma parcela significativa dos fãs lamenta essa situação e insiste em buscar formas de justificar uma presença mais enraizada dos Garou na América do Sul, o que muitas vezes significou a busca por animais nativos capazes de servir como Parentes Selvagens para a introdução de Lobisomens nativos de origem lupina na região. Nenhum animal foi apontado com mais insistência pelos fãs brasileiros para este papel do que o Lobo-guará.

Obviamente, a Regra de Ouro permite todo o tipo de adaptação que o narrador julgar necessário em suas crônicas. Mas será que algo assim faria sentido com o que o jogo estabelece? Isso estaria de acordo com a realidade da região, na qual o jogo se baseia? O que o cânone de Lobisomem tem a nos dizer sobre essas questões?

Até a terceira edição de Lobisomem, os livros oficiais de Lobisomem ignoravam completamente a possibilidade de Parentes Selvagens Garou na América do Sul. A primeira referência a algo do tipo surge já na segunda edição, mas, inicialmente, apenas como uma especulação em um suplemento para Vampiro: A Máscara, que envolve, justamente, o lobo guará. Isso está registrado no suplemento World of Darkness Second Edition, de 1996, no seguinte trecho:

“Embora poucos Lupinos sejam nativos desta região, a Amazônia é o campo de batalha de uma enorme guerra lupina contra as forças da Wyrm. Outros Lupinos se reproduzem com lobos-guarás nativos e constantemente atacam operações vampíricas em todo o continente. Lupinos geralmente dançam conforme a música, no entanto, há ainda uma variedade de outros metamorfos.” (A World of Darkness Second Edition, Pg. 28)

Referências oficiais em suplementos próprios de Lobisomem, só surgiriam na terceira edição do jogo, no “World of Rage” (publicado originalmente em 2000) e no Livro da Tribo Garra Vermelha Revisado (publicado originalmente em 2002). Em ambos os casos, entretanto, a espécie nativa indicada como Parente viável é o Lobo Andino chileno e não o Lobo Guará, queridinho dos fãs brasileiros. Como se pode conferir nos trechos a seguir:

“O lobo andino, uma espécie nativa dos Andes chilenos, foi convertido no projeto especial de um grupo de Garras Vermelhas que se instalaram na região para atuar como protetores de seus Parentes Lupinos.” (A World of Rage, Pg. 41).

“Na pequena nação do Chile, no entanto, os Garras estão fazendo algum progresso com um tipo diferente de batalha. Alguns anos atrás, uma matilha de garras se aventurou no Chile para tentar se acasalar com os lobos andinos (então nomeados por seu lar, os Andes Chilenos). Funcionou, apesar da espécie não estar prosperando, eles tem alguma proteção poderosa agora. Até onde sei, eles não controlam nenhum Caern nas montanhas, mas ouvi essa informação de segunda mão, então pode existir uma ‘Seita Chilena’ em algum lugar por lá.” (Livro da Tribo Garra Vermelha, versão brasileira do Nação Garou, Pg. 60).

Contudo, tais referências entram em conflito com o que é estabelecido em outros suplementos oficiais do jogo, inclusive os mais recentes. Sobre esse tema deixaremos aqui um trecho especialmente esclarecedor extraído de um suplemento da terceira edição de Lobisomem:

“Lobisomens podem se reproduzir com cães? Resposta curta: Não. Resposta longa: Não se a gravidez puder resultar em bebês humanos ou hominídeo (ou seja, um acasalamento de uma Garou fêmea com um cão macho), e em nenhum caso qualquer dos filhotes será um metamorfo. Para que um acasalamento viável possa produzir Garou, o parceiro animal deve ser um híbrido lobo-cão com pelo menos 75% de lobo e, mesmo assim, as chances de um filhote lobisomem são baixas. Apesar de lobos (e Garou) poderem produzir uma prole viável por meio de cruzamento com cães, a diferença entre espíritos-lobo e espíritos-cães — na verdade, entre todos os animais selvagens e domesticados — é tão grande que não podem produzir descendentes metamorfos.” (Werewolf Storyteller Handbook Revised, Pg. 21).

Claramente, até mesmo a antológica miscigenação de Roedores de Ossos e Peregrinos Silenciosos com cães e chacais possui um limite bem definido no universo de jogo. Mas neste ponto, fãs bem informados poderiam, então, levantar a questão: Mas e os casos dos Bunyip e Kucha Ekundu?

De fato os mabecos (cães selvagens africanos) e tilacinos (“lobos” marsupiais da Austrália e Nova Guiné) não possuíam nem uma gota de sangue lupino e, ainda assim, puderam servir como Parentes selvagens aos Bunyip e aos Garras Vermelhas da linhagem Kucha Ekundu, respectivamente. Sem dúvidas, a genética é apenas um dos fatores a se considerar na questão, quando o tema são os Garou, e nem sequer é o aspecto mais relevante.

Vejamos como o material mais recente sobre o jogo, o W20, responde essa questão:

“O começo dos Bunyip como uma tribo distinta teve inicio quando eles chegaram à Austrália junto com os primeiros colonos humanos. Eles escolheram se relacionar o mais profundamente possível com a terra, para melhor compreendê-la e protegê-la. Usando um ritual estranho que alguns dizem ter aprendido com os Mokolé, os Bunyip se alteraram para que pudessem se reproduzir com os tilacinos marsupiais nativos da terra. Quando os dingos chegaram com as ondas migratórias posteriores de colonos humanos, os Bunyip não os adotaram como Parentes em potencial; eles favoreciam a forma de tilacino porque era fiel a terra como a encontraram.” (Werewolf The Apocalypse 20th Anniversary Edition, Pg. 388).

“Há muito tempo atrás, um bando de Garras Vermelhas pediram aos Mokolé do que é hoje a África o direito de habitar nessas terras. Os Reis Dragão concordaram, mas encarregaram os Garras de assumir a responsabilidade de proteger e fortalecer seus primos canídeos que moravam naqueles campos. Hoje, esses Garras são chamados de Kucha Ekundu e eles administram as vastas planícies da África. Seus números são pequenos, tendo sido devastados por doenças, mas estão se reerguendo. Os Kucha Ekundu são verdadeiros Garras, mesmo que não sejam verdadeiros lobos.” (Werewolf The Apocalypse 20th Anniversary Edition, Pg. 507).

Em ambos os casos é explicita a intervenção dos Mokolé para justificar tais exceções, o que, por sinal, é bem coerente, uma vez que os próprios Mokolé são capazes de tomar como parentes animais tão radicalmente diferentes como Monstros de Gila e Crocodilos, criaturas que só têm em comum o fato de pertencerem a uma mesma classe biológica, a Classe Reptilia, em relação aos mamíferos, seria como tornar compatíveis com uma única raça metamórficas animais tão distintos quanto seria considerar um ornitorrinco e um ser humano parentes apenas por serem ambos mamíferos. Com tamanha flexibilidade e adaptabilidade reprodutiva, não admira que os Mokolé sejam considerados a raça metamórfica que perdura por mais tempo na face de Gaia.

Comparativo em escala.

Porém, com os Garou, as coisas não parecem tão flexíveis, afinal, as raposas vermelhas (Vulpes vulpes), mesmo pertencendo a mesma Família dos lobos, a Família Canidae, deram origem a uma raça metamórfica completamente distinta. Na verdade, mesmo coiotes (Canis latrans), que compartilham com os lobos um mesmo gênero biológico, o gênero Canis, não são capazes de produzir Garou. No lugar disso, os coiotes deram origem aos Nuwisha, uma outra raça metamórfica.

Qual a explicação do jogo para diferenças tão brutais? Afinal de contas o que define que animais podem ou não servir como Parentes Selvagens de uma raça metamórfica?

Acreditamos que outro trecho de um suplemento do W20, o Changing Breeds, intitulado “Espíritos versos Cientistas”, pode ajudar a esclarecer esse ponto:

“Até hoje, javalis vagam pela terra. No entanto, enquanto os cientistas humanos podem chamar os animais de hoje pelo mesmo nome, os espíritos não prestam atenção às proclamações da ciência. Sua taxonomia pode ser similar, mas espiritualmente falando, o Incarna Javali, Pai dos Grondr, e os espíritos dos porcos domesticados ou javalis de hoje são mundos à parte.

Assim como até mesmo os Roedores de Ossos não conseguiriam manter sua Tribo viva com cães-Parentes, os Grondr não conseguiriam encontrar Parentes entre os javalis que sobrevivem hoje. Seu espírito é diferente, mesmo que sua genética deva alguma herança as antigas criaturas que um dia foram Parentes Grondr”. (W20 — Changing Breed, Pg. 228).

Compatibilidade Espiritual

Ou seja, acima de qualquer questão genética, a mera domesticação e “contaminação” dos javalis modernos pelo fato destes terem se miscigenados por porcos domésticos, os tornou espiritualmente incompatíveis com os Grondr, eles simplesmente deixaram de ser considerados selvagens suficiente para imbuir espiritualmente filhotes metamorfos.

Assim, a “compatibilidade espiritual” seria o critério que define a viabilidade ou não de uma espécie animal servir como Parente Selvagem de uma das Raças Metamórficas no universo ficcional de Lobisomem. Pelo menos no jogo, a ciência não tem todas as respostas.

Neste ponto o jogo parece fazer uma referência ao velho esquema dialético da filosofia hegeliana (ideia-natureza-espírito). Os espíritos são retratados tanto como a essência comum de suas manifestações físicas na natureza — a essência de um pássaro é aquilo que nos permite diferenciá-lo de todo o restante da natureza e das demais formas de vida — quanto a idealização e os simbolismos que a cultura humana relaciona a eles — no caso de nosso espírito pássaro, a liberdade do voo, a necessidade de proteção do ninho, a altivez de quem é capaz de singrar os céus. — Assim, em Lobisomem, espíritos são essência e simbolismo conjugados. E é isso que precisamos considerar ao definir a compatibilidade espiritual entre espécies animais e raças metamórficas.

É assim que emerge a coerência daquilo que é solidamente estabelecido no cânone do jogo e as incoerências que algumas vezes surgem, mesmo em livros oficiais.

Do ponto de vista do jogo, o que parece explicar a impressionante diversidade de Parentes Selvagens Mokolé é a abrangência da “essência espiritual” da raça dos répteis-metamorfos, os Mokolé representam os grandes e mais antigos predadores que reinaram na face de Gaia por mais tempo do que qualquer um, representam a perseverança e a perenidade ameaçada apenas pela proximidade do Apocalipse. Por isso a Mnese, por isso foram eleitos os guardiões da Memória de Gaia. E por isso são compatíveis com os maiores repteis predadores (seus respectivos habitats) por todo o mundo. Afinal, os répteis são a mais antiga e perene Classe de animais terrestres.

É isso que também explica a compatibilidade dos Garou com tilacinos e mabecos e sua incompatibilidade com raposas e coiotes. Os Garou do jogo são os soldados do exército de Gaia, predadores sociais com um forte senso de hierarquia e capazes de abater presas muito maiores do que eles mesmos, esta é a própria essência dos lobos, mas é também a essência de tilacinos e mabecos e está longe de ser a essência de onívoros solitários e oportunistas como as raposas e os coiotes.

Ainda assim, alguém poderia questionar: Mas e leões e hienas? Porque esses animais pertencem ao escopo de outras raças metamórficas, Bastet e Ajaba respectivamente, se também podem ser considerados “predadores sociais com um forte senso de hierarquia e capazes de abater presas muito maiores do que eles mesmos”?

Essa questão, de certa forma, já foi respondida. Pois a compatibilidade espiritual é definida não apenas pela essência, mas também pelo simbolismo. No simbolismo estabelecido pelo jogo, os Garou estão relacionados aos predadores que se destacam pela ferocidade; já os Bastet, ao estilo de predação inerente aos felinos, que tendem a uma postura solitária, onde se privilegia espreitar a presa, observá-la para uma aproximação furtiva, por isso são os espiões e batedores, os “Olhos de Gaia”; e os Ajaba, como as hienas estão relacionados à atividade dos carniceiros e a uma divisão hierárquica muito mais centrada na divisão sexual e na dominação das fêmeas sobre os machos, daí a relação que as primeiras edições de Lobisomem faziam entre os homens-hiena (originalmente apresentados como uma tribo Bastet) e a Wyrm, mais tarde, com os indícios biológicos revelando a preponderância de seu papel predatório em detrimento de sua alardeada fama como carniceiros, as referências a suposta mácula dos Ajaba foi desaparecendo ao longo das edições de Lobisomem, assim como sua relação com os Bastet foi sendo abandonada para privilegiar uma proximidade cada vez maior com o papel dos Garou, nas edições mais recentes.

Os candidatos a Parente Garou na América do Sul

Analisemos agora os principais candidatos a Parentes Selvagens dos Garou na América do Sul, visando avaliar sua “compatibilidade espiritual” com os trágicos soldados de Gaia:

Lobo-guará

Chrysocyon brachyurus

Distância genética dos lobos verdadeiros: bem distantes de lobos, nem sequer compartilham o mesmo gênero.

Habitat: ocorre no cerrado e pantanal do Brasil, Paraguai, Argentina, Bolívia e Uruguai.

Dimensões: maior canídeo nativo da América do Sul, podendo atingir entre 20 e 30 kg de peso e até 90 cm na altura da cernelha e 1,15m de comprimento.

Comportamento: Solitário, onívoro e de hábitos crepusculares, é o maior canídeo nativo da América do Sul, 70% de sua dieta é constituída de frutos do cerrado, onde cumpre um papel fundamental como dispersor de sementes. Emite vocalizações características semelhantes a latidos, mas parecem incapazes de uivar.

Lobo Andino

Lycalopex culpaeus

Distância genética dos lobos verdadeiros: bem distantes de lobos, nem sequer compartilham o mesmo gênero.

Habitat: espécie distribuída ao longo do altiplano andino, do Peru até as regiões ao sul da Patagônia e de Terra do Fogo, no Chile.

Dimensões: porte médio, comprimento total pode variar de 90 a 165 cm, incluindo a cauda comprida e espessa, que sozinha tem entre de 30 a 51 cm de comprimento. Também pode atingir mais de 11 Kg de peso.

Comportamento: Um predador oportunista, se alimenta de toda a sorte de presas. Mas sua dieta consiste, principalmente, de roedores, coelhos, aves e lagartos. Em menor grau de plantas e carniça. Seus hábitos são noturnos e solitários.

Cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas

Atelocynus microtis

Distância genética dos lobos verdadeiros: bem distantes de lobos, nem sequer compartilham o mesmo gênero.

Habitat: É naturalmente encontrado espalhada da Colômbia até a Bolívia e do Equador até o Brasil, passando pelo Peru, sempre em ambiente florestal.

Dimensões: porte médio, mede aproximadamente 25 cm de altura e entre 42 a 100 cm de comprimento, pesando aproximadamente 10 kg quando adulto. Sua cauda comprida possui 30 cm.

Comportamento: Possui hábitos solitários, só procura um parceiro na época do acasalamento. O macho é dotado de uma glândula anal que produz uma secreção com cheiro forte que utilizada para marcar seu território. Incapaz de latir ou uivar.

Cachorro-do-mato

Cerdocyon thous

Distância genética dos lobos verdadeiros: bem distantes de lobos, nem sequer compartilham o mesmo gênero.

Habitat: amplamente distribuído pela América do Sul, ocorrem em savanas (cerrados), florestas subtropicais, florestas espinhosas de cactos, matas arbustivas e caatinga.

Dimensões: pequeno porte. Medem cerca de 65 cm de comprimento e pesam entre 5Kg a 8Kg.

Comportamento: animais solitários que formam pares monogâmicos durante a estação de reprodução. Noctívagos, onívoros e oportunistas, e sua dieta consiste de frutas, ovos, artrópodes, répteis, pequenos mamíferos e carcaças de animais mortos. Comunicam-se por latidos e são capazes de uivar.

Cachorro-vinagre

Speothos venaticus

Distância genética dos lobos verdadeiros: bem distantes de lobos, nem sequer compartilham o mesmo gênero.

Habitat: florestas e pantanais entre o Panamá e o norte da Argentina.

Dimensões: pequeno porte, 30 centímetros de altura, 60 de comprimento e 5 a 7 kg de peso.

Comportamento: estritamente carnívoros, de hábitos diurnos e semiaquáticos, são gregário, vivem e caçam em bandos de até dez indivíduos e podem abater presas de grande porte como antas e capivaras. A estrutura social dos grupos é fortemente hierarquizada, tal como nos lobos-cinzentos e os membros do grupo comunicam entre si através de latidos, mas são incapazes de uivar.

Nossas Conclusões

Embora, a proximidade genética dos lobos cinzentos (Canis lupus), a rigor nãos seja um entrave absoluto para a viabilidade como Parente Garou, como já vimos, é importante observar que o distanciamento genético trás complicadores para a reprodução, mesmo entre Metamorfos de uma mesma Raça Metamórfica que se relacionam com diferentes espécies.

Uma “lupina” Bunyip não poderia se acasalar com um lobo cinzento, mesmo sendo Garou, sem recorrer a poderosos dons ou rituais.

Contudo, consideramos que os elementos mais básicos para designar Parentes espiritualmente compatíveis com os Garou são: 1. Ser estritamente carnívoro; 2. Ter um comportamento nato inerentemente social e hierarquizado.

Mesmo lobos andinos e lobos-guará, deste ponto de vista, como onívoros tímidos e solitários, estão muito mais próximos de chacais, coiotes e raposas, do que do comportamento de predadores do topo da cadeia como os lobos, na verdade, nem, apesar do nome, não são lobos verdadeiros. Para sermos precisos, o “lobo” andino, em seus países natais, é mais conhecido como zorro culpeo (raposa culpeo, ou simplesmente, cupeo), o que expõem a aparente incoerência das afirmações presentes em livros oficiais já citados. Talvez um dos muitos autores do jogo não tenha pesquisado o suficiente sobre biologia e achou uma boa ideia elencar como Parentes Garou um animal que em inglês é conhecido como Andean Wolf.

Tudo que o jogo estabelece de forma mais sólida apontaria que os lobos guará e lobos andinos seriam mais facilmente Parentes Kitsune e Nuwisha do que Parentes Garou, contudo, pelo aspecto simbólico, o próprio jogo estabelece restrições geográficas para a ocorrência dessas raças Metamórficas: Kitsune surgem apenas no Oriente, onde a cultura dos povos locais atribui um forte simbolismo espiritual às raposas; e os Nuwisha surgem apenas na América do Norte, onde a cultura dos povos nativos reverencia o Coiote como o trapaceiro quintessencial.

O único de nossos candidatos que parece se enquadras no perfil necessário é justamente o mais exótico deles, o cachorro-vinagre, mesmo assim, há a questão de ser uma criatura semiaquática, ao ponto de terem evoluído para apresentarem membranas interdigitais, o que provavelmente seria uma característica relevante o suficiente para torná-lo distante demais da essência espiritual Garou.

O que nos leva a concluir que não há, em toda a América do Sul, animais selvagens que sirvam como Parentes Selvagens compatíveis com os Garou. Essa constatação, contudo, não inviabiliza a presença dos Lobisomens, apenas a restringe, estabelecendo uma atuação muito mais comum de Hominídeos e Impuros e mantendo a coerência com o que é estabelecido no cânone do jogo sobre a América do Sul ser um domínio dos Fera, hostil a presença Garou. Ainda assim, fica aberta a possibilidade da presença de Lupinos vindos de outras regiões do mundo, como a África, Europa e América do Norte, talvez, até mesmo, trazendo consigo seus próprios Parentes Selvagens ameaçados, que encontrariam em algumas das regiões mais isoladas e menos conhecidas do planeta, como o altiplano andino, condições de vida bastante familiares.

Brasil na escuridão

Textos, artigos e material de jogo para o universo do Mundo das Trevas de RPG.

Porakê Martins

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Escritor amazônida, apaixonado por história, ciência, filosofia, ficção e pela humanidade. Colaborador da Página Brasil in the Darkness no Facebook.

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