Stage 3: Pilotos e Testes.

Série: Stage-Gate de Engajamento com Startups

Seguindo com nossa série “Stage-Gate de engajamento com startups”, neste texto apresentaremos o terceiro stage: “Pilotos e testes” e o terceiro gate de “Avaliação do piloto”.

Stage 3: Pilotos e Testes

O principal objetivo deste stage é conduzir experimentos e testes para validar a adequação da solução proposta pela startup às necessidades da empresa. A importância desta etapa reside em dois aspectos fundamentais. O primeiro é que a empresa não consegue saber a priori (i.e., de forma antecipada) se a solução proposta vai de fato satisfazer a demanda da área da empresa, e se ela tem o mínimo de qualidade exigido também pela empresa. Já o segundo aspecto é o fato de toda solução precisar de algum grau de personalização ou adaptação para funcionar corretamente, e para validar esta adequação são precisos provas e testes. Existem outros vários benefícios de fazer pilotos e testes, por exemplo, avaliar as capacidades ‘reais’ da equipe da startup (enquanto a capacidade técnica, agilidade, qualidade, maturidade, etc.), avaliar a viabilidade técnica e econômica das provas e testes, e avaliar outros tipos de aspectos, tais como modificações em arquiteturas de sistemas e processos da empresa aos quais a nova solução seria integrada.

Existem muitos tipos de provas e testes de validação de soluções. Entre a comunidade de inovação aberta, a mais conhecida é a ‘Prova de Conceito’ ou POC, pelas suas siglas em inglês Proof of Concept. As POCs têm por objetivo testar se a ideia de um produto (ou seja, o conceito) funciona em um nível básico. Aspectos como as funcionalidades exatas, a aparência ou interface, ou os recursos finais, são deixados para serem validados mais para frente enquanto o produto fica mais desenvolvido. O termo POC é bastante popular entre profissionais de TI e desenvolvedores de software, e justamente tem por objetivo trazer evidência de que um determinado software pode ser bem-sucedido. No entanto, outras áreas distintas à TI têm adotado a terminologia e já é comum falar de POC para realizar provas de conceito em produtos variados como equipamentos ou tecnologias de produção ou novas ferramentas industriais.

Outras provas importantes que geralmente são feitas durante o stage 3 são: provas de laboratório ou bancada, simulações, elaboração de protótipos, provas piloto que podem ser feitas em plantas pilotos da empresa, provas industriais que são feitas em situações reais, provas de mercado, e experimentos de negócios como configurações comerciais, testes de usabilidade, entre outros. Certamente, o nível de prontidão da solução proposta pela startup vai determinar quais e quantos testes e pilotos deverão ser feitos para validar a solução. Por exemplo, se a solução já é um ‘produto de prateleira’ que pode ser implementada de forma quase imediata na empresa, apenas testes de usabilidade e manutenção deverão ser feitos.

Um ponto fundamental no qual as empresas devem prestar particular atenção durante este stage, é a atualização do business case (BC) que foi iniciado no stage anterior. Neste BC devem constar todos os relatórios de experimentos, testes e provas feitas, desde a formulação das hipóteses a serem testadas até os resultados destas, e em caso de falhas, devem ser anexados relatórios ou debriefings da falha. Por meio do BC os membros da empresa — e particularmente aquelas pessoas que não estiveram envolvidas de forma direta nos processos de testagem — vão ter conhecimento do que foi feito, do como, do porquê, do onde e do quando foi feito, quais os resultados gerados, e em caso de falha, o que, como, e porque falhou. Do ponto de vista da inovação e da gestão do conhecimento, este é um recurso valioso já que permite a rastreabilidade dos projetos e soluções, traz subsídios para avaliar e tomar decisões estratégicas para a implementação da solução (que é o gate 3), e facilita o aprendizado organizacional.

Gate 3: Avaliação dos testes e pilotos

No terceiro gate, o objetivo é decidir qual será a forma de implementação da solução, ou se pelo contrário, opta-se pela não continuação da parceria e a solução é desconsiderada. No entanto, não em raras ocasiões, soluções que no começo tinham um objetivo X, com o decorrer das provas parecem indicar que funcionam melhor para outros objetivos Y ou Z. Por este motivo, neste gate também é possível reformular o objetivo do engajamento com essa solução ou startup. Para a avaliação dos testes e pilotos são feitos comitês com representantes das áreas de inovação, as áreas “donas” da solução, representantes das áreas estratégicas e habilitadoras, representantes das áreas de contratação e compliance, e em algumas ocasiões, dependendo de quão estratégica e valiosa seja a solução, podem também participar diretores e membros do board. Da mesma forma que no gate 2, neste gate, é interessante as empresas empregarem instrumentos como gráficos estatísticos, matrizes de avaliação estratégica, etc. que permitam visualizar todas as startups/soluções candidatas e avaliá-las de forma análoga ao portfólio de projetos de inovação.

Vale lembrar que o BC também é uma ferramenta fundamental, já que serve para auxiliar os tomadores de decisão a estabelecer um curso de ação específico para a organização. Neste caso, a seleção das startups e a determinação do mecanismo de implementação da solução. O BC oferece informações para realizar análises de benefícios, custos e riscos e fazer comparações entre as alternativas. No próximo texto sobre o Stage Gate de engajamento com Startups, aprofundaremos no último Stage de ‘Implementação’ e no último Gate de ‘Alternativas de vinculação’.

Esperamos que este texto tenha sido do seu interesse. No final deste artigo, poderá encontrar algumas referências acadêmicas, caso você queira se aprofundar no tema! Até a próxima.

Referências.

Chesbrough, H. (2020). Open Innovation Results. Oxford University Press.

Gambles, I. (2009). Making the Business Case. Proposals that Succeed for Projects that Work. Gower Applied Research.

Gestão de Ecossistemas de Inovação

Bridge Ecosystem

Uma iniciativa da USP, ISA CTEEP, 100 Open Startups sobre melhores práticas em Gestão de Ecossistemas de Inovação.

Ximena Alejandra Flechas

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Bridge Ecosystem

Uma iniciativa da USP, ISA CTEEP, 100 Open Startups sobre melhores práticas em Gestão de Ecossistemas de Inovação.