Espaços disseminam cultura para além do Plano Piloto

Eles oferecem atividades diversas por preço de custo ou gratuitamente

“O direito à cultura é negado”, define a militante Clarissa Araújo, organizadora da #Mais Perifa. Com esse pensamento, ela e tantas outras pessoas — militantes, estudantes, entre outros — se uniram com o objetivo de possibilitar esse acesso a populações cujo o deslocamento ao Plano Piloto, onde estão concentradas as atividades culturais, é difícil, ou até mesmo inviável.

Espaços como o #Mais Perifa (Planaltina), a Casa Frida (São Sebastião), o Mercado Sul (Taguatinga), o Jovem de Expressão (Ceilândia), o Imaginário Cultural (Samambaia), o Espaço Ubuntu (Recanto das Emas)e a Pólvora Galeria (Gama) impedem que o descaso com a periferia resulte na ausência da cultura e garantem que ela continue viva. Alguns desses locais se mantêm em funcionamento via doações de móveis, alimentos e materiais, por exemplo, feitas por quem se simpatiza com a causa. Há também casos em que os próprios organizadores ajudam financeiramente.

São oferecidas atividades diversas: teatro, hip-hop, yoga, forró, artes marciais, literatura, grafite, cinema, entre outras. Um viés muito importante também é frequentemente colocado em pauta: o político. São promovidos debates que discutem gênero, machismo, LGBTfobia, racismo e outras formas de opressão.

Há opções de atividades nos períodos matutino, vespertino e noturno, com algumas até nos finais de semana, para que mais pessoas possam participar. Além do formato de oficina, de caráter semanal, os espaços também realizam saraus. Na inauguração da casa #Mais Perifa, por exemplo, aconteceram batalhas de rap, declamação de poesia, shows e performances. Nestes eventos, um fator em comum é certo: o microfone sempre está aberto para quem quiser utilizá-lo.

Cultura politizada em Planaltina

O espaço sedia eventos como o Sarau Desconstruir Feminista. (#Mais Perifa/Divulgação)
"A gente é morador de Planaltina e cresceu vivendo essa ausência da cultura"

A #Mais Perifa foi criada pelo núcleo brasiliense do Mais (Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista) e funciona desde março. “Somos uma casa de cultura que pretende ter uma linha política e de luta. Quando eu falo em política, me refiro ao combate às opressões, à exploração, à luta pelos direitos sociais e iguais. A ideia surgiu porque a gente é morador de Planaltina e cresceu vivendo essa ausência da cultura”, explica a militante Clarissa Araújo.

Os próprios integrantes do movimento contribuem para manter o espaço em funcionamento. Os móveis do espaço e os livros da biblioteca, por exemplo, foram doados por amigos, familiares e conhecidos. A decoração do espaço deixa clara a linha de pensamento dos integrantes: no primeiro cômodo, uma cortina nas cores da bandeira LGBT e fotos de casais fora do padrão heteronormativo; em uma parede na sala seguinte, fotos de pessoas como Frida Kahlo, Karl Marx e Nina Simone; na cozinha, copos com estampa de oposição a Michel Temer.

Um dos objetivos é que os artistas possam promover o próprio trabalho, seja na música, na poesia ou no teatro. O sarau feminista e o sarau dos trabalhadores, assim como as rodas de conversa, não deixam que o teor político passe em branco. Um perfil mais lúdico, como aulas de yoga e rodas de samba, também fazem parte das ideias da equipe. E Clarissa deixa claro: “É um espaço que está aberto para novas atividades, quem quiser dar oficinas e participar”.

Transformação em Samambaia

O Imaginário Cultural já recebeu eventos como o Festival Internacional de Bonecos de Brasília. (Imaginário Cultural/Divulgação)

“Fazer arte em Samambaia agora é rotina” é o slogan que surgiu junto ao Imaginário Cultural, nascido do sonho dos artistas Marília Abreu e Miguel Mariano, da Cia. Teatral Roupa de Ensaio. Moradores da cidade desde 2008, os artistas sentiram falta de uma cena cultural e, três anos depois, abriram o espaço. “A ideia era trazer espetáculos, dar oficinas, fazer com que a comunidade de Samambaia tivesse acesso à cultura viva”, relembra Marília, que atua como coordenadora-geral.

Desde 2013, o espaço funciona em um centro comunitário que estava abandonado e depredado. Para a reforma, a equipe fez uma campanha que angariou materiais que contribuíram com a melhora do local, como de construção e utensílios de cozinha. A programação é abrangente: “Nós temos oficinas de forró, capoeira, hip-hop e ginástica. Também sempre tem de teatro, danças populares e diversas linguagens artísticas”, conta a coordenadora. Há também um cineclube quinzenal com debate como parte das atividades, que são gratuitas ou a um preço de custo.

Marília discorre sobre a importância de um trabalho como o que fazem:

O Imaginário Cultural já recebeu eventos como o festival de teatro Cena Contemporânea, o Festival Internacional de Bonecos de Brasília e o Festival de Teatro Para Infância de Brasília — Festibra.

Veja abaixo o PDF da reportagem:

Veja também reportagens sobre Grafite feminista no DF, a diversidade do Conic e a cultura nordestina em Ceilândia nesta edição do Esquina On-line.
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