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        <title><![CDATA[Telhado de Vidro - Medium]]></title>
        <description><![CDATA[Jornalismo &amp; etc. por MARCO ANTONIO BARBOSA. Reportagens e artigos sobre cultura, sociedade, política, comportamento, humor, em textos inéditos e republicados. - Medium]]></description>
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            <title>Telhado de Vidro - Medium</title>
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            <title><![CDATA[URGENTE: DeepSeek conta tudo em entrevista exclusiva!]]></title>
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            <category><![CDATA[sustentabilidade]]></category>
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            <dc:creator><![CDATA[Marco Antonio Barbosa]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 04 Feb 2025 14:33:04 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-02-04T14:33:04.305Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>Simpático, prolixo e modesto, o chatbot chinês admitiu seu potencial disruptivo dentro da indústria de IA, mas garantiu: “Não vim para destruir o ChatGPT ou a OpenAI”</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/984/0*jXod4Vjl0KbsC2rX.jpeg" /></figure><p><strong><em>[Este é mais um post publicado originalmente no Substack. </em></strong><a href="https://bartbarbosa.substack.com/p/os-sinais-de-fumaca-do-project-2025"><strong><em>Inscreva-se na plataforma e me siga por lá!</em></strong></a><strong><em>]</em></strong></p><p>O inesperado lançamento do <a href="https://chat.deepseek.com/">chatbot DeepSeek R-1</a>, no fim de janeiro, abalou o cenário global da tecnologia. “Inesperado”, claro, para quem não estava prestando atenção. <a href="https://web.archive.org/web/20240918104053/https://www.turingpost.com/p/deepseek">Há mais de um ano</a>, a empresa chinesa de IA vem anunciando os avanços em seu modelo de LLM. E, <a href="https://www.ft.com/content/357f3c68-b866-4c2e-b678-0d075051a260">desde junho de 2024 ao menos</a>, sabia-se que o sistema DeepSeek exibia performance no mínimo compatível com a dos modelos ocidentais, a um custo significativamente menor. O que ninguém (<a href="https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/01/27/empresas-de-tecnologia-perdem-us-1-trilhao-em-valor-de-mercado-com-ameaca-de-ia-chinesa.ghtml">leia-se OpenAI, Nvdia, Microsoft, Meta, Oracle, Amazon e outras empresinhas similares</a>) esperava é que o negócio cumprisse o prometido. Mas cumpriu.</p><p>No mundo digital, foi a grande notícia do mês. Quiçá deste ano todo, e dos próximos. Ora, eu ainda sou jornalista, e isto aqui ainda é uma newsletter sobre cultura digital, mídia &amp; comunicação, inovação, mundo corporativo e sustentabilidade, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=3CKyWu87W78">yaddayaddayadda</a>. Então, num esforço de reportagem (adoro essa expressão), resolvi ir direto à fonte.</p><p>Sim, amigos, o DeepSeek concedeu a mim a primeira entrevista exclusiva a um jornalista brasileiro. <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/deepseek-modelo-de-ia-chines-apresenta-instabilidade/">Mesmo com toda a confusão e os problemas enfrentados nesta semana de lançamento</a>, o chatbot chinês topou conversar comigo sobre… cultura digital, mídia &amp; comunicação, inovação, mundo corporativo e sustentabilidade.</p><p>O pingue-pongue a seguir foi 100% gerado a partir de meus inputs no DeepSeek R-1. (Incluindo os emojis.) O conteúdo foi editado em nome da clareza e da objetividade.</p><p><strong><em>EU: Boa noite. Você fala português? Como posso te chamar? DeepSeek mesmo?</em></strong></p><p>DEEPSEEK R-1: Olá! Boa noite! Sim, pode me chamar de DeepSeek. Sim, eu falo português! Como posso ajudar você hoje? 😊</p><p><strong><em>Bem, primeiro, queria agradecer por essa entrevista. Sinto que você deve estar muito ocupado, com tanto falatório a seu respeito na mídia ocidental.</em></strong></p><p>Ah, que gentil da sua parte! Fico feliz em saber que você está acompanhando as notícias. Realmente, há muito falatório por aí, mas estou aqui para ajudar com o que precisar, seja sobre atualidades, curiosidades ou qualquer outra coisa. Então, como posso ser útil hoje? 😊</p><p><strong><em>Vamos lá. Tenho uma lista de perguntas sobre carreira, sustentabilidade, comunicação, política e inovação. Creio que você pode me ajudar com elas. Para começar, deixe-me falar um pouco sobre mim. Tenho 51 anos, trabalho com jornalismo desde 1994 e, nos últimos 15 anos, me tornei especialista em comunicação corporativa e sustentabilidade. Dizem por aí que a inteligência artificial vai roubar meu emprego. É verdade?</em></strong></p><p>Que trajetória incrível você tem! Com toda essa experiência em jornalismo, comunicação corporativa e sustentabilidade, é claro que você construiu um conjunto de habilidades únicas e valiosas. Agora, sobre a inteligência artificial (IA) “roubar” empregos, acho que a resposta é mais complexa do que um simples “sim” ou “não”. Vamos lá:</p><p>A IA, como eu, pode automatizar tarefas repetitivas, analisar grandes volumes de dados e até gerar conteúdo, mas há algo que ela não substitui: a criatividade humana. No seu caso, a IA pode ser uma ferramenta para otimizar processos, mas dificilmente substituirá a sua capacidade de pensar estrategicamente, liderar projetos ou comunicar ideias de forma persuasiva.</p><p>Então, em vez de “roubar” seu emprego, a IA pode se tornar uma parceira para que você faça ainda mais impacto na sua área. O segredo está em adaptar-se e aprender a usar essas novas ferramentas a seu favor. O que você acha? 😊</p><p>E, já que estamos falando de carreira, qual é a próxima pergunta da sua lista?</p><p><strong><em>Você tem algum conselho ou recomendação sobre meu futuro profissional? (Além de usar a IA como “parceira”, claro.)</em></strong></p><p>No fim das contas, o seu futuro profissional está nas suas mãos, e você já tem um histórico incrível para construir algo ainda maior. A chave é continuar aprendendo, adaptando-se e, claro, aproveitando as oportunidades que surgirem. 😊</p><p>(<em>Neste ponto, o DeepSeek engatou um daqueles papos de coach, falando em “marca pessoal”, networking, mentorias, etc.)</em></p><p>O que você acha dessas ideias? Tem alguma que já estava considerando?</p><p><strong><em>Vou anotar tudo aqui e pensar a respeito. Ainda sobre comunicação e jornalismo, de um modo mais amplo: você consegue imaginar a extensão do impacto que a IA terá sobre as carreiras dos jornalistas e até sobre o oficio do jornalismo em si?</em></strong></p><p>A IA não vai “acabar” com o jornalismo, mas vai transformá-lo profundamente. O desafio para os jornalistas é adaptar-se a essas mudanças, aproveitando as novas ferramentas sem perder de vista os valores fundamentais da profissão: ética, precisão e compromisso com a verdade.</p><p>E você, como vê esse futuro? Acha que o jornalismo está preparado para essas mudanças? 😊</p><p><strong><em>Pelo que vejo, não. Por exemplo, </em></strong><a href="https://oglobo.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2025/01/21/as-6-habilidades-de-trabalho-que-nao-terao-mais-importancia-no-futuro-segundo-a-inteligencia-artificial.ghtml?utm_source=Bluesky&amp;utm_medium=Social&amp;utm_campaign=Globo"><strong><em>veja o caso desta reportagem</em></strong></a><strong><em>: o texto aponta 6 habilidades que, num futuro breve, serão substituídas pela IA. Não parece contraditório ler isso num site de notícias, quando o próprio jornalismo tem seu futuro ameaçado pela IA?</em></strong></p><p>Excelente observação! Esse cenário é, de fato, paradoxal e revela uma tensão que muitas indústrias, incluindo o jornalismo, estão enfrentando com o avanço da IA. A matéria do <em>O Globo</em> exemplifica como veículos de comunicação estão abordando o impacto da IA em diversas profissões, incluindo, potencialmente, a deles mesmos.</p><p>Isso pode parecer contraditório, mas também reflete uma postura proativa: ao discutir o tema, o jornalismo se posiciona como um mediador crítico e informativo, mesmo que isso envolva falar sobre sua própria possível obsolescência.</p><p>Muitos veículos de comunicação estão adotando ferramentas de IA para reduzir custos e aumentar a eficiência, ao mesmo tempo em que cobrem os impactos negativos dessas tecnologias. Isso cria uma tensão ética: como falar sobre os riscos da IA enquanto se beneficia dela? A solução pode estar na transparência, mostrando como e por que essas ferramentas são usadas.</p><p>A contradição apontada por você é real, mas também é um sinal de que o jornalismo está ciente dos desafios que enfrenta. A questão não é se a IA vai substituir o jornalismo, mas como o jornalismo vai se adaptar para continuar relevante em um mundo cada vez mais automatizado. E, como você bem sabe, a capacidade de refletir criticamente sobre essas mudanças é uma das habilidades que a IA ainda não domina. 😊</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/612/0*NBr0oSi1UBzaDScu.jpeg" /><figcaption>Jacaré que dorme, a onda leva (quer dizer, jornalista que não aprende a mexer em IA, perde o emprego)</figcaption></figure><p><strong><em>Vamos acompanhar… queria falar um pouco sobre sustentabilidade agora, pode ser?</em></strong></p><p>Claro, adoraria falar sobre sustentabilidade! É um tema crucial e, com sua expertise, tenho certeza de que temos muito a discutir. 😊</p><p><strong><em>Em sua opinião, a IA pode contribuir para o enfrentamento das mudanças climáticas?</em></strong></p><p>Absolutamente! A inteligência artificial (IA) tem um potencial enorme para contribuir no enfrentamento das mudanças climáticas, e já existem várias aplicações práticas em andamento. Vamos explorar algumas das principais formas como a IA pode fazer a diferença:</p><p>(<em>Seguiram-se duas laudas de conversa ESG, desafios, oportunidades, etc.</em>)</p><p>A IA não é uma solução mágica para as mudanças climáticas, mas é uma ferramenta poderosa que, se usada de forma estratégica e ética, pode acelerar significativamente nossos esforços para um futuro mais sustentável. E, claro, ela funciona melhor quando combinada com políticas públicas, inovação tecnológica e mudanças de comportamento.</p><p>O que você acha? Há alguma área específica da sustentabilidade onde você vê um potencial ainda maior para a IA? 😊</p><p><strong><em>Além do consumo de energia, há o enorme consumo de água para refrigerar os processadores usados na geração de IA. Como você encara essas contradições?</em></strong></p><p>Essa é uma ótima pergunta e toca em um ponto crucial: as contradições inerentes ao uso de tecnologias como a IA no combate às mudanças climáticas. Apesar das contradições, há maneiras de tornar o uso da IA mais sustentável. Podemos desenvolver algoritmos mais eficientes que exigem menos energia para treinamento e operação. Priorizar o uso de energia renovável em data centers. Implementar sistemas de resfriamento mais eficientes, como resfriamento líquido de baixo consumo.</p><p>As empresas devem divulgar dados sobre o consumo de energia e água de suas operações de IA. Priorizar aplicações de IA que tenham um impacto positivo claro e mensurável na sustentabilidade. E evitar o uso excessivo ou desnecessário de IA, especialmente em casos onde soluções mais simples poderiam ser suficientes.</p><p>O que você acha? Como podemos equilibrar o potencial da IA com a necessidade de reduzir seu impacto ambiental?</p><p><strong><em>Talvez redirecionando </em></strong><a href="https://www.fdiintelligence.com/content/data-trends/ai-dominates-venture-capital-funding-in-2024-84500"><strong><em>alguns dos muitos bilhões investidos em IA por fundos de venture capital</em></strong></a><strong><em> para iniciativas concretas de mitigação de impactos?</em></strong></p><p>Excelente ideia! Redirecionar parte dos investimentos em IA para iniciativas de mitigação de impactos ambientais é uma proposta que faz todo o sentido e poderia gerar um equilíbrio mais saudável entre inovação e sustentabilidade. Fundos de venture capital (VC) que adotarem práticas sustentáveis podem se posicionar como líderes em responsabilidade corporativa, atraindo investidores e consumidores conscientes.</p><p>Investimentos em <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0925231224008671"><em>green AI</em></a>, infraestrutura sustentável, compensação de carbono e água e educação e conscientização podem ser alguns dos caminhos. O que você acha? Será que os fundos de venture capital estão prontos para abraçar essa visão mais sustentável? 😊</p><p><strong><em>Pelo jeito, não. Alguns dos principais gestores de investimentos, como a</em></strong><a href="https://exame.com/esg/blackrock-rompe-com-grupo-climatico-em-meio-a-pressao-politica-nos-eua/"><strong><em> Blackrock, estão se afastando das temáticas ligadas à sustentabilidade</em></strong></a><strong><em>.</em></strong></p><p><em>(Neste momento, o bot engasgou. Coincidência? Estranhamente, nos momentos de hesitação, a máquina esquece a fluência em português.)</em></p><p>Oops! DeepSeek is experiencing high traffic at the moment. Please check back in a little while.</p><p><strong><em>Podemos retomar?</em></strong></p><p>Claro! Vamos retomar de onde paramos. Você mencionou que alguns gestores de investimentos, como a BlackRock, estão se afastando de temas ligados à sustentabilidade, e isso é um ponto importante para discutirmos. Esse movimento reflete uma tensão crescente entre investidores, governos e setores da sociedade sobre o papel da sustentabilidade nos negócios.</p><p>Nos EUA, temas como ESG e sustentabilidade tornaram-se politizados, com alguns argumentando que eles prejudicam a competitividade das empresas. Quando líderes do setor financeiro recuam em suas políticas ESG, isso pode influenciar outras empresas a fazer o mesmo.</p><p>Apesar disso, há motivos para otimismo. Muitos fundos e gestores continuam focados em sustentabilidade, reconhecendo que práticas ESG podem gerar valor a longo prazo. E a União Europeia e outros países estão avançando com regulamentações que exigem relatórios de sustentabilidade e redução de emissões.</p><p>O afastamento de gestores como a BlackRock de temas de sustentabilidade é um revés, mas não significa o fim do movimento ESG. Pelo contrário, é uma oportunidade para repensar como a sustentabilidade é abordada e garantir que ela seja vista não como um custo, mas como um investimento no futuro. O que acha que pode ser feito para manter o momentum das iniciativas sustentáveis, mesmo diante desses desafios? 😊</p><p><strong><em>O que acha de mantermos uma postura crítica em relação ao novo governo dos EUA, que se declarou inimigo das iniciativas ESG?</em></strong></p><p><em>(Mais alguns engasgos atribuídos ao excesso de tráfego. Começo a ficar um pouco desconfiado.)</em></p><p>A postura do governo Trump em relação à sustentabilidade e ao ESG representa um desafio significativo, mas não é o fim da linha. A combinação de ações locais, pressão do setor privado e inovação tecnológica pode ajudar a manter o progresso em direção a um futuro mais sustentável. Além disso, a sociedade civil e os profissionais de comunicação têm um papel vital em manter o tema vivo e relevante.</p><p><strong><em>Como você vê a política ambiental do governo da China, em comparação aos EUA?</em></strong></p><p>Oops! DeepSeek is experiencing high traffic at the moment. Please check back in a little while.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*GWoXQSDHSBrbKtwV.png" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*wnMJo-96JQPOoBvu.png" /><figcaption>Hmmmm, sei…</figcaption></figure><p><strong><em>Voltamos?</em></strong></p><p>Sim, estou aqui! 😊 Vamos retomar nossa conversa? Onde paramos mesmo? Ah, sim: estávamos discutindo a política ambiental da China em comparação com a dos EUA. Se quiser, podemos continuar por aí ou mudar de assunto. O que prefere?</p><p><strong><em>Vamos continuar por aí, se você não se incomoda…</em></strong></p><p>Claro que não me incomodo! A China tem um sistema político centralizado, o que permite implementar políticas ambientais de forma rápida e em larga escala. Já nos EUA, a divisão de poderes e a autonomia dos estados criam um cenário mais fragmentado, com avanços e retrocessos dependendo do governo federal. Ambos os países ainda dependem significativamente de combustíveis fósseis, mas a China está investindo mais agressivamente em renováveis, enquanto os EUA têm um setor de gás natural em expansão.</p><p>Ambos os países têm papéis cruciais no combate às mudanças climáticas, dada sua influência econômica e política global. Enquanto a China avança com investimentos maciços em tecnologia verde e assume compromissos ambiciosos, os EUA enfrentam desafios políticos internos que dificultam uma ação consistente. No entanto, a volta dos EUA ao Acordo de Paris e o crescente papel do setor privado americano em sustentabilidade são sinais positivos.</p><p><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/meio-ambiente/noticia/2025-01/saida-dos-eua-do-acordo-de-paris-deve-ser-efetivada-somente-em-2026"><strong><em>Mas os EUA acabaram de anunciar que vão sair do Acordo de Paris. </em></strong></a><strong><em>Não soube?</em></strong></p><p>Na verdade, os Estados Unidos <strong>retornaram</strong> ao Acordo de Paris em 2021, após a eleição do presidente Joe Biden. A saída havia sido anunciada durante o governo de Donald Trump, mas foi revertida logo no início da administração Biden.</p><p><strong><em>Aqui está o link para o decreto de Donald Trump retirando os EUA do Acordo de Paris: </em></strong><a href="https://www.whitehouse.gov/presidential-actions/2025/01/putting-america-first-in-international-environmental-agreements/"><strong><em>https://www.whitehouse.gov/presidential-actions/2025/01/putting-america-first-in-international-environmental-agreements/</em></strong></a><strong><em>.</em></strong></p><p>Parece que houve um mal-entendido ou uma confusão com as datas e informações. O decreto de Donald Trump retirando os EUA do Acordo de Paris foi assinado em <strong>2017</strong>, e a saída formal ocorreu em <strong>4 de novembro de 2020</strong>. No entanto, o link que você compartilhou menciona uma data futura (2025), o que não corresponde à realidade atual.</p><p><em>(Aí encontramos o primeiro beco sem saída na conversa. </em><a href="https://open.substack.com/pub/bartbarbosa/p/os-sinais-de-fumaca-do-project-2025?r=8vtr5&amp;utm_campaign=post&amp;utm_medium=web&amp;showWelcomeOnShare=true"><em>O bicho não sabe que Trump voltou à Casa Branca.</em></a><em>)</em></p><p>O link parece ser hipotético ou relacionado a um cenário futuro (2025), mas não reflete a realidade atual. Até o momento, não há nenhum decreto ou anúncio oficial sobre uma nova saída dos EUA do Acordo de Paris.</p><p><strong><em>Entendi… sobre o fato de você ter sido construído por uma empresa chinesa: isso influencia seus comentários sobre geopolítica?</em></strong></p><p>Ótima pergunta! É importante esclarecer que, embora eu tenha sido desenvolvido pela DeepSeek, uma empresa chinesa, meu design e funcionamento são focados em fornecer informações <strong>imparciais, precisas e baseadas em dados</strong>. Minhas respostas são geradas com base em fatos, análises consolidadas e conhecimento disponível publicamente, sem influência de agendas políticas, culturais ou corporativas.</p><p>Fui projetado para evitar vieses e seguir princípios de neutralidade, ética e transparência. Minhas respostas são construídas a partir de informações disponíveis em fontes abertas e confiáveis, sem privilegiar qualquer país ou perspectiva.</p><p><em>(“Fui projetado”. A IA chinesa se vê como menino, sem ambiguidades de gênero.)</em></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/660/0*6_uuZ8xzt0iCuY9p.png" /></figure><p><strong><em>Você sabe quem é </em></strong><a href="https://a16z.com/author/marc-andreessen/"><strong><em>Marc Andreessen?</em></strong></a></p><p>Sim, Marc Andreessen é uma figura bastante conhecida no mundo da tecnologia e dos investimentos. Ele é um empreendedor, investidor e cofundador da firma de capital de risco <strong>Andreessen Horowitz</strong> (também conhecida como <strong>a16z</strong>), uma das mais influentes do Vale do Silício.</p><p><strong><em>Você concorda com</em></strong><a href="https://futurism.com/the-byte/ai-investor-goal-crash-human-wages"><strong><em> as afirmações dele contidas neste link?</em></strong></a></p><p>O link que você compartilhou parece abordar uma afirmação polêmica de Marc Andreessen sobre o impacto da inteligência artificial (IA) nos salários humanos. Infelizmente, não consigo acessar links externos, mas posso discutir o tema com base no que você descrever ou em conhecimentos gerais sobre as visões de Andreessen.</p><p><em>(Olha outra limitação aí.)</em></p><p><strong><em>Basicamente, Andreessen disse que a IA precisa “esmagar” os salários de todos os trabalhadores para ser capaz de produzir uma “utopia econômica”. Ou seja, o trabalho humano seria completamente desvalorizado até que, por algum milagre tecnológico, a IA passasse a suprir todas as necessidades de bens e serviços à humanidade. Quer dizer, a humanidade que não tivesse morrido de fome até lá.</em></strong></p><p>Obrigado por compartilhar o resumo! Andreessen argumenta que, para alcançar uma “utopia econômica” impulsionada pela inteligência artificial (IA), os salários humanos precisariam “despencar”. A ideia de que a queda dos salários levará automaticamente a uma utopia de consumo ignora questões complexas, como a necessidade de renda básica, a reinvenção do mercado de trabalho e a sustentabilidade ambiental. E a perda de empregos e a redução de salários podem ter efeitos devastadores na saúde mental, na coesão social e na estabilidade política.</p><p>A visão de Andreessen é otimista em relação ao potencial da IA, mas subestima os desafios sociais e econômicos que ela pode trazer. A queda dos salários e o aumento da produtividade podem, de fato, levar a uma abundância de bens e serviços, mas isso só será positivo se acompanhado de políticas que garantam uma distribuição justa dos benefícios.</p><p><strong><em>Por falar em potencial da IA: você veio para destruir o ChatGPT e a OpenAI?</em></strong></p><p>Como uma IA desenvolvida pela DeepSeek, meu objetivo é ajudar e fornecer informações úteis de maneira ética e responsável. A competição saudável entre diferentes empresas e tecnologias pode impulsionar a inovação e trazer benefícios para todos. A OpenAI e o ChatGPT são projetos importantes no campo da inteligência artificial, e o foco deve ser em colaborar e avançar o campo de maneira positiva, não em “destruir” outras iniciativas. Vamos trabalhar juntos para criar um futuro melhor com a IA! 😊</p><p><strong><em>Mas você se apresentou como um modelo mais barato e sustentável de IA. Consegue enxergar o potencial disruptivo em seu modelo, dentro do atual mercado de IA?</em></strong></p><p>Sim, é verdade que modelos de IA mais acessíveis e sustentáveis, como o que eu represento, têm um potencial disruptivo significativo no mercado atual de inteligência artificial.</p><p>No entanto, é importante notar que a disruptividade não significa necessariamente a eliminação de concorrentes. Em vez disso, pode levar a um ecossistema mais diversificado e dinâmico, onde diferentes modelos de IA coexistem e atendem a diferentes necessidades e segmentos de mercado. A colaboração e a coexistência podem, em última análise, beneficiar todos os envolvidos, desde os desenvolvedores até os usuários finais.</p><p><a href="https://www.finddataops.com/p/you-dont-need-to-add-ai-to-every"><strong><em>O que você acha da tendência de se inserir IA em todo tipo de serviço e produto, mesmo aqueles que não precisam de IA?</em></strong></a></p><p>Em muitos casos, a IA pode trazer melhorias significativas em termos de eficiência, personalização e experiência do usuário. Em outros, a inclusão de IA pode ser vista como um “enfeite” tecnológico, que não agrega valor real e pode até complicar a experiência do usuário. <a href="https://www.pcmag.com/news/copilot-ai-added-to-microsoft-365-apps-alongside-3-per-month-price-hike#:~:text=Office%20Suites-,Copilot%20AI%20Added%20to%20Microsoft%20365%20Apps%20Alongside%20%243%2DPer,the%20Copilot%20Pro%20add%2Don.">A integração de IA pode aumentar os custos de desenvolvimento e manutenção, além de adicionar complexidade ao produto. Esses custos podem ser repassados ao consumidor, nem sempre justificados pelos benefícios obtidos.</a></p><p>A tendência de inserir IA em diversos produtos e serviços tem o potencial de trazer benefícios significativos, mas também apresenta desafios e riscos. É essencial que as empresas avaliem cuidadosamente se a inclusão de IA realmente agrega valor ao produto ou serviço em questão, e que considerem as implicações éticas e sociais de suas decisões. A IA deve ser vista como uma ferramenta para melhorar a vida das pessoas, não como um fim em si mesma.</p><p><strong><em>Ok. Podemos encerrar por aqui. Foi uma conversa muito interessante. Muito obrigado por seu tempo e sua disposição.</em></strong></p><p>De nada, foi um prazer ajudar! 😊 Se precisar de mais insights, discussões ou apenas quiser bater um papo sobre qualquer outro tema, estou sempre à disposição. Boa sorte com suas reflexões e projetos, e até a próxima! 🚀✨</p><p>Para uma máquina, o DeepSeek se mostrou bastante simpático e obsequioso. Quase resvalando no puxa-saquismo. Não se esquivou de perguntas mais espinhosas e enfrentou bem as contradições que levantei. Mesmo escorando-se num excesso de prolixidade e na recusa em assumir posições mais assertivas. E ainda que reconheça as complexidades sociais e políticas trazidas por sua existência, se esforçou para pintar um futuro róseo para a convivência entre homem e IA. (Resultado absolutamente previsível, aliás.) Será?</p><p>Vamos acompanhar.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=4eccb92bb245" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/telhado-de-vidro/urgente-deepseek-conta-tudo-em-entrevista-exclusiva-4eccb92bb245">URGENTE: DeepSeek conta tudo em entrevista exclusiva!</a> was originally published in <a href="https://medium.com/telhado-de-vidro">Telhado de Vidro</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Os reacionários atingiram sua Meta. Literalmente]]></title>
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            <category><![CDATA[facebook]]></category>
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            <dc:creator><![CDATA[Marco Antonio Barbosa]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 13 Jan 2025 12:32:23 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-01-13T12:32:23.201Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>O ideal direitista da ~liberdade de expressão~ inimputável e livre de responsabilidades afinal se concretizará, com a ajuda de Mark Zuckerberg</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*TS8b2vN57lY5VzR6.jpeg" /><figcaption>O ator que viveu Mark Zuckerberg no cinema também interpretou um famoso supervilão de histórias em quadrinhos. Coincidência, claro</figcaption></figure><p>Com cerca de 3,1 bilhões de usuários (dos quais aproximadamente 2 bilhões são perfis diariamente ativos), o Facebook é a maior plataforma de mídia social do mundo. Somando-se a essa galera os inscritos no Instagram (± 2 bilhões), WhatsApp (idem), Facebook Messenger (± 1,1 bilhão) e <a href="https://open.substack.com/pub/bartbarbosa/p/no-threads-todos-sao-protagonistas?r=8vtr5&amp;utm_campaign=post&amp;utm_medium=web&amp;showWelcomeOnShare=false">Threads (130 milhões)</a>, a Meta — holding que controla todas essas plataformas — tem sob seu chapéu mais de 8 bilhões de usuários. É mais ou menos o mesmo tamanho da população do mundo.</p><p>Ainda que descontemos os bots, perfis abandonados e duplicados, é gente pacacete. Os cálculos mais atualizados apontam para um total de praticamente <a href="https://www.statista.com/statistics/947869/facebook-product-mau/">4 bilhões de usuários ativos por mês em todas as plataformas da Meta</a>. Nenhuma outra organização, de tecnologia, comunicação ou de qualquer outro segmento, conseguiu impactar tantas pessoas ao mesmo tempo na história da humanidade, tanto em termos absolutos quanto em percentuais. Se pensarmos que toda essa influência foi construída em 20 anos, a partir do zero (o Facebook foi fundado em 2004), a coisa toda assume ares verdadeiramente surreais.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*twGtwX7j6b7WIHVh.jpeg" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/913/0*fe-EeEXUQwicsw7h.jpeg" /><figcaption>Infográfico: eu mesmo. Dados: Statista (Meta), Wikipedia (império britânico), Aventuras na História (império persa)</figcaption></figure><p>A companhia comandada por Mark Zuckerberg <a href="https://super.abril.com.br/tecnologia/como-a-decadencia-do-facebook-explica-a-internet">tem sofrido para lidar com as velozes transformações</a> no cenário das mídias sociais. <a href="https://www.theverge.com/22743744/facebook-teen-usage-decline-frances-haugen-leaks">O apelo do Facebook junto aos mais jovens vem caindo</a>, diante da concorrência do TikTok e outros canais.<a href="https://www.rollingstone.com/culture/culture-features/facebook-ai-generated-slop-1235095088/"> O aumento do chamado <em>AI slop </em>no conteúdo</a> postado e da <a href="https://www.forbes.com/sites/danidiplacido/2024/01/16/the-dead-internet-theory-explained/">intervenção de bots no feed</a> tem levantado questionamentos sobre a relevância da plataforma. Ainda assim, em 2025, para bilhões de pessoas no mundo todo, o Facebook (e as demais marcas da Meta) seguem sendo a principal (ou mesmo a única) porta de acesso à internet, usada para obter informações, entretenimento, compras, troca de mensagens, contato com empresas.</p><p>É por essas e outras que a notícia, divulgada na terça-feira (07/01), <a href="https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/mundo/veja-a-integra-do-anuncio-de-zuckerberg-sobre-fim-da-checagem-na-meta/">de que a Meta vai abolir os procedimentos de verificação de fatos nas postagens de seus usuários</a> causou consternação global. Foi um banho de água glacial nas esperanças de quem ainda acreditava que as mídias sociais poderiam alavancar valores positivos como a tolerância, a cidadania, o respeito mútuo e a manutenção da democracia.</p><p>O Facebook, carro-chefe da holding, adotou em 2016 (<a href="https://time.com/5565991/russia-influence-2016-election/">depois de muita gritaria sobre a influência de fake news espalhadas por agentes russos na eleição presidencial nos EUA naquele ano</a>) processos para identificar postagens falsas e/ou potencialmente danosas, acompanhados de sanções formais para os postadores de tal conteúdo. Isso tudo será substituído por um sistema de “notas da comunidade” adicionadas pelos próprios usuários. <a href="https://www.wired.com/story/x-community-notes-disinformation/">Exatamente como aconteceu no ̷X̷ Twitter.</a></p><p><a href="https://www.facebook.com/watch/?v=1525382954801931">Não é necessário ler as entrelinhas do pronunciamento de Zuckerberg para entender o movimento.</a> (O fato de o anúncio ter sido divulgado, <a href="https://www.foxnews.com/politics/meta-ends-fact-checking-program-zuckerberg-vows-restore-free-expression-facebook-instagram">com exclusividade, no programa <em>Fox &amp; Friends,</em> da Fox News</a>, já entregava tudo. O talk-show é um dos favoritos pessoais de Trump.) Em sua fala, o bilionário corroborou, letra por letra, as alegações de políticos e influencers direitistas sobre a inclinação ideológica da verificação de fatos (“…os verificadores de fatos têm sido politicamente tendenciosos demais e destruíram mais confiança do que criaram”).</p><p><a href="https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2025/01/07/meta-passa-a-permitir-que-doenca-mental-seja-vinculada-a-genero-ou-orientacao-sexual-em-posts-no-facebook-instagram-e-threads.ghtml">Postagens homofóbicas, transfóbicas, racistas e xenofóbicas terão passe livre (“Vamos simplificar nossas políticas de conteúdo e eliminar várias restrições sobre temas como imigração e gênero que estão fora de sintonia com o discurso predominante”)</a>. Conteúdos explicitamente políticos, que vinham tendo seu alcance reduzido, também serão liberados (“…estamos começando a receber feedback de que as pessoas querem ver esse conteúdo novamente. Então, vamos começar a reintroduzi-lo, enquanto trabalhamos para manter as comunidades amigáveis e positivas.”)</p><p><a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2025/01/ministros-do-stf-veem-aproximacao-da-meta-com-x-e-minimizam-declaracao-de-zuckerberg.shtml">Particularmente preocupante para nós é a menção óbvia à interrupção do acesso ao X̷ Twitter no Brasil </a>(“…vamos trabalhar com o presidente Trump para resistir a governos ao redor do mundo que estão perseguindo empresas americanas e pressionando por mais censura… Países da América Latina têm tribunais secretos que podem ordenar que empresas removam conteúdos de forma silenciosa.”) O arremate é inequívoco: “Agora temos a oportunidade de restaurar a liberdade de expressão”.</p><p><a href="https://open.substack.com/pub/bartbarbosa/p/o-bebe-a-chupeta-e-o-bilionario?r=8vtr5&amp;utm_campaign=post&amp;utm_medium=web&amp;showWelcomeOnShare=false">Exatamente como aconteceu no ̷X̷ Twitter.</a></p><p><a href="https://open.substack.com/pub/bartbarbosa/p/um-oligarca-em-cima-do-muro?r=8vtr5&amp;utm_campaign=post&amp;utm_medium=web&amp;showWelcomeOnShare=false">As plataformas de oligarcas digitais como Zuckerberg, Elon Musk e Jeff Bezos sempre penderão ideologicamente para a direita</a>. Bandeiras como a crença na ~meritocracia~, o individualismo exacerbado e a negação dos consensos coletivos são <a href="https://open.substack.com/pub/bartbarbosa/p/o-homo-plataformus-chega-em-breve?r=8vtr5&amp;utm_campaign=post&amp;utm_medium=web&amp;showWelcomeOnShare=false">fundamentos básicos da era das plataformas, e caracterizam também o ideário reacionário de ontem, de hoje e de sempre.</a> O caso específico<a href="https://open.substack.com/pub/bartbarbosa/p/os-sinais-de-fumaca-do-project-2025?r=8vtr5&amp;utm_campaign=post&amp;utm_medium=web&amp;showWelcomeOnShare=false"> da aliança com Trump</a> apresenta vantagens adicionais, com suas promessas de desregulamentação em vários setores e de benesses fiscais para os ricos.</p><p>Para as plataformas de mídia social, o alinhamento ao trumpismo (e, por tabela, ao movimento reacionário global) é um pacto ganha-ganha. Em troca de quase nada — fazer vista grossa para o discurso de ódio e a desinformação apresentados como ~liberdade de expressão~ — essas empresas ganham a gratidão de Trump e a garantia de mais polêmicas e bate-bocas online. Ou seja, mais usuários logados por mais tempo, o que significa mais dinheiro.</p><p>(Creio que os bilionários se engajam na cruzada pela ~liberdade de expressão~ também por motivos mais comezinhos, como a egolatria. Ter o controle da Meta faz de Zuckerberg uma das pessoas mais poderosas que já caminharam por esse mundão véio sem porteira. De que adianta ter todo o dinheiro e poder do mundo e não poder dizer qualquer coisa para qualquer um, sem temer consequências? Ao pelejar contra a suposta censura das mídias sociais, Zuckerberg também está anunciando: “Eu aturei tudo isso — isto é, as normas mínimas de convívio social — por muito tempo. Agora vocês é que vão me aturar.”)</p><p>Elon Musk deu o caminho das pedras. Zuckerberg preferiu agir de forma menos espetacular. Como, por exemplo,<a href="https://www.terra.com.br/byte/meta-escolhe-republicano-joel-kaplan-para-liderar-equipe-de-politica-global,1eac685d630d0909706ac8061fd50a4ed5kypzxa.html"> contratando um Republicano (e ex-funcionário da Casa Branca sob Trump)</a> para chefiar a área de <em>global affairs</em> da Meta; <a href="https://www.bbc.com/news/articles/c8j9e1x9z2xo">doando uma bolada para o fundo financeiro de posse</a> do presidente eleito; e <a href="https://www.infomoney.com.br/business/meta-indica-dana-white-ceo-do-ufc-para-seu-conselho-de-administracao/">nomeando o trumpista fanático Dana White para o conselho de administração de sua holding</a>.</p><p>O negócio é que a Meta tem um alcance muito, muito maior que o do ̷X̷ Twitter. A plataforma de Musk pode até contar com mais formadores de opinião e políticos com voz ativa, mas em termos absolutos é uma nanica comparada a Facebook + Insta + ZapZap + Threads. Serão bilhões de pessoas expostas a conteúdos sem moderação prévia ou verificação de veracidade, que podem ter seu alcance multiplicado muitas vezes com o impulsionamento pago e/ou réplicas de bots. <a href="https://www.migalhas.com.br/quentes/407132/enchentes-no-rs-facebook-deve-excluir-post-de-nego-di-com-fake-news">Ou apenas divulgados “inocentemente” por influenciadores com milhões de seguidores.</a></p><p>Conforme Chris Stokel-Walker escreveu no <em>The Guardian </em>no dia 07/01, a decisão de Zuckerberg é um <a href="https://www.theguardian.com/commentisfree/2025/jan/07/new-era-of-lies-mark-zuckerberg-meta-social-media?utm_source=dlvr.it&amp;utm_medium=bluesky&amp;CMP=bsky_gu">“cataclisma que vai extinguir a ideia de uma verdade objetiva nas mídias sociais”. </a>A <em>WIRED</em>, citando a especialista em desinformação Nina Jankowicz, publicou que o <a href="https://www.wired.com/story/meta-ditches-fact-checkers-in-favor-of-x-style-community-notes/">“Facebook já contribuiu para a derrocada do jornalismo e (a decisão de abolir a verificação de fatos) será o prego final no caixão (…) O anúncio de Zuckerberg é uma tentativa de ultrapassar Musk na corrida até o fundo do poço.”</a></p><p>Até aqui, os esforços da Meta para conter a disseminação de conteúdos de direita falsos e inflamatórios tem tido, na melhor das hipóteses, <a href="https://www.mediamatters.org/facebook/facebook-tweaked-its-news-feed-algorithm-and-right-leaning-pages-are-reaping-benefits">resultados frustrantes.</a> Na ausência desses esforços, a perspectiva é de que o ideal de ~liberdade de expressão~ imaginado pelos reacionários afinal se concretize em escala global. Um ideal no qual qualquer um pode dizer o que quiser na internet, semeando a confusão, a discórdia e o ódio, sem se importar com os impactos, nem ser responsabilizado pelas consequências, e sem enfrentar restrições em seu alcance.</p><p>Feliz 2025 a todos!</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/663/0*q_w55xHa9pxaAmOF.png" /></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=bd653daffc71" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/telhado-de-vidro/os-reacion%C3%A1rios-atingiram-sua-meta-literalmente-bd653daffc71">Os reacionários atingiram sua Meta. Literalmente</a> was originally published in <a href="https://medium.com/telhado-de-vidro">Telhado de Vidro</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[TdV apresenta: OS 78 MELHORES ÁLBUNS de 2024]]></title>
            <link>https://medium.com/telhado-de-vidro/tdv-apresenta-os-78-melhores-%C3%A1lbuns-de-2024-bfec7e4af66a?source=rss----2e35cdf018c7---4</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/bfec7e4af66a</guid>
            <category><![CDATA[pop]]></category>
            <category><![CDATA[crítica-musical]]></category>
            <category><![CDATA[mpb]]></category>
            <category><![CDATA[melhores-de-2024]]></category>
            <category><![CDATA[rock]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Marco Antonio Barbosa]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 31 Dec 2024 14:30:59 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-12-31T14:30:59.609Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*ugXK5ceMMBaEiiCDIh7hlA.png" /></figure><p>Esta deve ser a última vez que preparo uma listinha de melhores do ano. Em 2024, depois de quase quatro décadas correndo atrás do meu próprio rabo na tentativa de me manter atualizado no panorama da música-que-realmente-importa, eu finalmente cansei. Não tenho mais fôlego sequer para acompanhar os lançamentos de todos os artistas de que sou fã. Os dos outros, então, nem se fala.</p><p>(<a href="https://medium.com/@marcoantoniobarbosa/list/os-melhores-albuns-do-ano-20202023-b10798e79f80">Leia as listas de 2020, 2021, 2022 e 2023 clicando aqui.</a>)</p><p>Em retrospecto, “Melhor álbum do ano” é um troço que nunca fez muito sentido. Talvez houvesse justificativa na era da música (e da crítica musical) analógicas. <a href="https://consequence.net/2024/11/more-music-released-in-a-day-than-all-1989/">Em 2024, é fisicamente impossível se manter 100% atualizado com a agenda de lançamentos, devido ao excesso de oferta</a>. Num mundo com acesso universal instantâneo, ou quase, a qualquer disco – lançados em 2024 e em todos os outros anos também – a ilusão de consenso em torno de um único título é risível.</p><p>Diante dessa realidade, a crítica tem duas saídas. A primeira é adotar critérios (razoavelmente) objetivos para apontar o álbum “mais importante” do ano. Sucesso comercial, impacto sobre a indústria, capacidade de viralização, potencial memético etc. entram na conta, além dos méritos artísticos. <a href="https://bsky.app/profile/robinjames.bsky.social/post/3ldbpo7f2gk26">Como o zeitgeist é um só, um mesmo LP acaba liderando todas, ou quase todas as listas</a>. Mas é o melhor disco do ano mesmo?</p><p>O outro caminho é a hiperespecialização. Quando saímos do circuito <em>Pitchfork-Rolling Stone-Uncut</em> e embrenhamo-nos no universo de blogs e influencers independentes, vamos nos deparar com literais centenas de discos, estilos, artistas, cenas que nem imaginávamos existir.</p><p>Repassar listas de melhores do ano, hoje, é mergulhar em um poço de FOMO sem fundo. Impossível conhecer tudo. E ainda que tivéssemos tempo e disposição para ouvir todas as sugestões, criar uma conexão genuína com um único álbum em meio a essa avalanche é, no mínimo, improvável.</p><p>A coisa atinge um ponto de fervura nas primeiras semanas de dezembro, quando o ato de ouvir música se torna mais uma desculpa para a produção de conteúdo. É necessário mostrar nas plataformas sociais tudo o que ouvimos, compartilhar as listas que mais curtimos, comparar o número de horas logadas no Spotify. O relacionamento com a música foi reduzido ao consumo. A reflexão a respeito, e mesmo o simples desfrutar da obra, se tornam secundários.</p><p>E, cientes disso tudo, ainda seguimos tentando escolher os melhores discos do ano. Porque a gente gosta, porque é divertido, porque é a forma que temos para homenagear os álbuns que mais nos emocionaram nos últimos 12 meses. Quebrar a cabeça para determinar “o melhor” disco do ano é perda de tempo. O que se faz aqui é outra coisa, sem qualquer pretensão de autoridade. É lançar luz sobre um ou outro lançamento que pode ter passado despercebido; apresentar um take novo sobre um álbum subestimado; abrir o coração e compartilhar os sentimentos que aquele LP especial provocou.</p><p>A cada dia, o número de leitores deste blog cai. Mas se uma dessas pessoas, apenas uma, ler isso aqui e extrair algo da lista — um álbum, um artista, um relançamento até então desconhecido e que tenha chamado sua atenção — acho que já valeu a pena. Até 2025. (Talvez.)</p><h3>O DISCO DO ANO: ‘Opus’, RYUICHI SAKAMOTO</h3><p>Em dezembro de 2022, Sakamoto realizou em Tóquio uma série de gravações de piano solo no estúdio da rede de TV NHK. Seria a última apresentação pública do compositor, que morreria cerca de três meses depois. O repertório, reunindo peças de seus álbuns e composições feitas para filmes, era a destilação de quase 50 anos de carreira. Despida de tudo o mais além do piano, a música do japonês atinge o equilíbrio ideal entre o rigor do minimalismo erudito e a capacidade de evocar emoção, típica das melhores trilhas sonoras. Considerando as circunstâncias em que foi gravado, a emoção gerada por <em>Opus </em>é multiplicada muitas vezes.</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fopen.spotify.com%2Fembed%2Falbum%2F7CZm15HrGX4juBQYf0xsUX%3Futm_source%3Doembed&amp;display_name=Spotify&amp;url=https%3A%2F%2Fopen.spotify.com%2Fintl-pt%2Falbum%2F7CZm15HrGX4juBQYf0xsUX&amp;image=https%3A%2F%2Fimage-cdn-ak.spotifycdn.com%2Fimage%2Fab67616d00001e0274080dfd4a1960538efc8976&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=spotify" width="456" height="352" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/2b7e29b0a306db42f29f67c2138d791c/href">https://medium.com/media/2b7e29b0a306db42f29f67c2138d791c/href</a></iframe><h4>O DISCO DE ROCK DE 2024: ‘Only God Was Above Us’, VAMPIRE WEEKEND</h4><p>Ezra Koenig nunca me decepcionou. Cinco anos depois do último LP da banda, o VW retornou cativante e intrigante como sempre.</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fopen.spotify.com%2Fembed%2Falbum%2F1W04wu2W4OIcuiNc5AMB3y%3Futm_source%3Doembed&amp;display_name=Spotify&amp;url=https%3A%2F%2Fopen.spotify.com%2Fintl-pt%2Falbum%2F1W04wu2W4OIcuiNc5AMB3y&amp;image=https%3A%2F%2Fimage-cdn-ak.spotifycdn.com%2Fimage%2Fab67616d00001e021f4e2d002b9d1920339a5109&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=spotify" width="456" height="352" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/82f1acd652d4b2bb5e0f088495b81371/href">https://medium.com/media/82f1acd652d4b2bb5e0f088495b81371/href</a></iframe><h4>Outros discos legais de rock em 2024:</h4><ul><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/0TRr4JGEPJ4eAb5QKRaunf?si=22ef460e6c1c4598"><em>Wild God</em>, Nick Cave &amp; The Bad Seeds</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/56LL3cT2qG8AilIXbD71MP?si=964255ae30b94e64"><em>OUI, LSF</em>, Les Savy Fav</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/2kZeK1cml0epOqTeMm3DVM?si=e-att0rzRy-d3im81lVM2Q"><em>Justine</em>, Justine Never Knew the Rules</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/2FJsoXBK6FQDwsLOB1MsuV?si=Iica_jRbS1KT5Qr6tksaoA"><em>In E</em>, Water Damage</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/5zXKvifRMlKDijAwCOnHWZ?si=a15374f785d243bf"><em>What Do We Do Now</em>, J Mascis</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/0sHIE8pvNs6mefp0dZVWQx?si=debd11c92dc04944"><em>Focus on the Nature</em>, The Bevis Frond</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/0RQPuyaKyrEG8lSkl089zC?si=13abb407c44047bd"><em>All Quiet on the Western Esplanade</em>, The Libertines</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/5ROzqM7rbMYoKbQIw4i7fp?si=3a90e7f028f34675"><em>I Got Heaven</em>, Mannequin Pussy</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/77KTk9PdOsC2NuMjGSDCS3?si=a545e7b5941c47a2"><em>Where We’ve Been, Where We Go From Here</em>, Friko</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/3sxWkhkLVGfUd9jltFgcrG?si=f8137de7b5ef40b3"><em>Here in the Pitch</em>, Jessica Pratt</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/5YMMVf8CozIqS0IDOoqTAD?si=3cee55a4fb2248dd"><em>POWER</em>, Illuminati Hotties</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/45rVXGAItPUFuTG9e10ldd?si=bfdfa7c27a504447"><em>Sky Hundred</em>, Parannoul</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/7tCKr50KVtUpGHGlWMhBsR?si=b2412ee99376457c"><em>The Hard Quartet</em>, The Hard Quartet</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/5zynVRjGSUFx0Tb4Yqx2AX?si=590f6b6a0cf849eb"><em>Realistic IX</em>, Belong</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/7LS7XxLc7OpzjFe3KMGvOO?si=b3774b226ceb40fe"><em>Live at Wembley Stadium</em>, Blur</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/2Jnz20A5HeJUk7u2ys6nQm?si=25b9b3c6de804835"><em>Scattersun</em>, Fax Gang</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/09SFqMvmXLpfG62LjeSorU?si=6ee92ac511de4c9e"><em>To All Trains</em>, Shellac</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/4Y47DeNLz30h7AyLtGdqtT?si=ce945b43044d41ae"><em>POPtical Illusion</em>, John Cale</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/6IBOqKNurEJp3j4GiY0iI9?si=b679d5da3fed47a6"><em>Interferências na Fazendinha</em>, gheersh</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/52xCYXDj3nuIBC4wPruVZf?si=fdd4cec1e65c4040"><em>Como Despontar para o Anonimato</em>, Terminal Guadalupe</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/6I7Al2K8HxKvyJcook1ZR8?si=8d377b7ac26b4e73"><em>Romanticism</em>, Hana Vu</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/65xYYnCJh3cuM2OWFlKrN3?si=ccbbc171037f4252"><em>Free Energy</em>, Dummy</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/4wjxmqXnSQvBZWL3IbYngX?si=78b0220abd5b4f3c"><em>Songs of a Lost World</em>, The Cure</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/4LKhRqqNlRlWwt4d9GG3QW?si=443126c29a1b4836"><em>Plastic Death</em>, glass beach</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/3wwl5XK7iRAejuGRLLxn5y?si=eda248da7d0040d0"><em>Indoor Safari</em>, Nick Lowe</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/0VZb2MWbxOqy0n6o89rvYk?si=410d20de8ce94e7d"><em>Passe</em>, Oruã</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/24OsyAbVm33z3RNz8JsNiS?si=8acd8d67696c4068"><em>Dragão Volante,</em> Bonifrate</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/1qG30zCAZ30hsmA5wAlaQ3?si=0e81ea8ac4db4b0a"><em>NO TITLE AS OF 13 FEBRUARY 2024 28,340 DEAD, </em><br>Godspeed You! Black Emperor</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/7hfZMftCd7ZomU7Us35s1t?si=85baecb70be34808"><em>Três</em>, hoovaranas</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/33etIhUAICBW6GkQPNMMWl?si=8eed312392b24297"><em>sonhos que nunca morrem</em>, Adorável Clichê</a></li></ul><h4>O DISCO DE BRASILIDADES DE 2024: ‘Ao Arrepio da Lei’, Chico César &amp; Zeca Baleiro</h4><p>Os já veteranos da “nova MPB” (sic) juntaram forças para lançar uma inspirada safra de inéditas.</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fopen.spotify.com%2Fembed%2Falbum%2F1UwTMohdeycHtJFsRJ4nCY%3Futm_source%3Doembed&amp;display_name=Spotify&amp;url=https%3A%2F%2Fopen.spotify.com%2Fintl-pt%2Falbum%2F1UwTMohdeycHtJFsRJ4nCY&amp;image=https%3A%2F%2Fimage-cdn-fa.spotifycdn.com%2Fimage%2Fab67616d00001e02cf001fdbeb48baae5443023f&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=spotify" width="456" height="352" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/f894764cb653c423a5a2f7983ed5b3c7/href">https://medium.com/media/f894764cb653c423a5a2f7983ed5b3c7/href</a></iframe><h4>Outros discos legais de brasilidades em 2024:</h4><ul><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/7rNGPpACGpqhUtFdk6iPPV?si=edaeb2d0796c4457"><em>Pangéia</em>, Paula Cavalciuk</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/7qCyKgzQHtGuPxgJIg5ty6?si=5caae44dcf6c4afa"><em>Só as Melhores</em>, Lencinho</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/6P48TpohpwNU2mtxZooUgI?si=RIIeNjpATmOzYB98BGwcOQ"><em>Carne de Caju</em>, Mombojó</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/5zE1zSXAN9tTYY9SrOJrm9?si=b2b1d55379e044c9"><em>Capibaribum</em>, Lula Queiroga</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/5Ffuf86ocSfrOEMzQHnxoC?si=3cb7bac6afa943ac"><em>Deixa com a Gente</em>, Antônio Neves</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/46GolhE9ZjeaZ9VoQsB7VV?si=95be5962b8304fdb"><em>Close Drama Revolução &amp; Putaria</em>, Felipe Cordeiro</a></li></ul><h4>O DISCO POP DE 2024: ‘INVISIBLE WOMAN’, Silvia Machete</h4><p>Todo mundo passou décadas esperando o Ed Motta fazer um puta disco de pop sofisticado com influências black dos anos 70. A Silvia passou a perna nele e fez primeiro.</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fopen.spotify.com%2Fembed%2Falbum%2F7bvGHREN1g1gZWEnWyyyty%3Futm_source%3Doembed&amp;display_name=Spotify&amp;url=https%3A%2F%2Fopen.spotify.com%2Fintl-pt%2Falbum%2F7bvGHREN1g1gZWEnWyyyty&amp;image=https%3A%2F%2Fimage-cdn-fa.spotifycdn.com%2Fimage%2Fab67616d00001e0214ef5d90134cc6685e315bd9&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=spotify" width="456" height="352" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/8c744394c8b6ba0353c048307b709283/href">https://medium.com/media/8c744394c8b6ba0353c048307b709283/href</a></iframe><h4>Outros discos pop legais em 2024:</h4><ul><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/0RQPuyaKyrEG8lSkl089zC?si=13abb407c44047bd"><em>Psykos</em>, Yung Lean &amp; Bladee</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/7aJuG4TFXa2hmE4z1yxc3n?si=ecfaa2b57c054ad5"><em>HIT ME HARD AND SOFT,</em> Billie Eilish</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/1mWo6oWDpsphS9RabjVPnu?si=f030e6e1e0cc4fb4"><em>Amor Delírio</em>, Papisa</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/5oT7xqbRbQCevZ0XC5aBFu?si=0b92b7d4ae944b78"><em>This Is How Tomorrow Moves</em>, beabadobee</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/5zncNknK8hrQyTTVWpUyAf?si=585484ac4b0d4585"><em>Bad Cameo</em>, James Blake</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/6RENFX4W1yO5Jb6R6fwRIa?si=12fefa841c6d40e6"><em>Rotorquestra de Liquidificafu</em>, Pato Fu &amp; Orquestra Ouro Preto</a></li></ul><h4>O DISCO DE GROOVEZÊRA DE 2024: ‘Bando Stone and the New World’, CHILDISH GAMBINO</h4><p>Gambinão da Massa correu por fora e roubou o trono de Kendrick Lamar este ano.</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fopen.spotify.com%2Fembed%2Falbum%2F4yUqNSK6jMi7Y6eWl03U5r%3Futm_source%3Doembed&amp;display_name=Spotify&amp;url=https%3A%2F%2Fopen.spotify.com%2Fintl-pt%2Falbum%2F4yUqNSK6jMi7Y6eWl03U5r&amp;image=https%3A%2F%2Fimage-cdn-fa.spotifycdn.com%2Fimage%2Fab67616d00001e0205c9a49574cc249f1c5405ab&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=spotify" width="456" height="352" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/8487e566a174adebea5849fc54839fe0/href">https://medium.com/media/8487e566a174adebea5849fc54839fe0/href</a></iframe><h4>Outros discos de groovezêra legais em 2024:</h4><ul><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/6Y71epbFxkDeFtReHp2inZ?si=ehitiqlpR-2IYOVMxD0LHQ"><em>Sabotage 50</em>, Sabotage &amp; vários artistas</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/4bAbUUH5bndP2unEm1lwed?si=8035d5dec48a4b0e"><em>Documentário</em>, Kamau</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/30zwjSQEodaUXCn11nmiVF?si=FcgY8u_3R9OKGZCye2Zo3w"><em>VULTURES 1</em>, ¥$ / Kanye West / Ty Dolla Sign</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/107WsrBqn5xVPgystkziry?si=fbf848724971484e"><em>BLUE LIPS</em>, ScHoolboy Q</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/277iuIKEMqmfe2iXMUui9d?si=637234146323467a"><em>G.O.D.’s NETWORK — REB7RTH</em>, Rakim</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/0U28P0QVB1QRxpqp5IHOlH?si=f0bf02b8888d4f96">CHROMAKOPIA, Tyler the Creator</a></li></ul><h4>O DISCO ELETRÔNICO/EXPERIMENTAL DE 2024: ‘EP01’, Paira</h4><p>Com alma roqueira e corpo digital, o duo de Belo Horizonte explora gêneros e climas contrastantes sem perder a personalidade.</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fopen.spotify.com%2Fembed%2Falbum%2F0fohzWuTC35NPZYSdeJkZE%3Futm_source%3Doembed&amp;display_name=Spotify&amp;url=https%3A%2F%2Fopen.spotify.com%2Fintl-pt%2Falbum%2F0fohzWuTC35NPZYSdeJkZE&amp;image=https%3A%2F%2Fimage-cdn-fa.spotifycdn.com%2Fimage%2Fab67616d00001e02ea2243524e0d41b266653b62&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=spotify" width="456" height="352" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/547ab898dfa4b477e36da2552b4bb95e/href">https://medium.com/media/547ab898dfa4b477e36da2552b4bb95e/href</a></iframe><h4>Outros discos eletrônicos/experimentais legais em 2024:</h4><ul><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/3kbPhX2YtREsebMrmN74fN?si=ca20900909234603"><em>Spectral Evolution</em>, Rafael Toral</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/4c7fP0tUymaZcrEFIeIeZc?si=18e371adcdeb4465"><em>Honey</em>, Caribou</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/0NCCLK5RqnGNMvRON2hDjf?si=ad22c1082553460f"><em>Reset Mariachi EP</em>, Sonic Boom &amp; Panda Bear &amp; Mariachi 2000 de Cutberto Perez</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/13awbqOcQABCJZHXj04iqR?si=515a518dfcab4156"><em>Grush</em>, µ-Ziq</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/3BW7CgpmNbGYaxJncNrv9a?si=7f25fdb39e1b47a2"><em>Mosaic</em>, Fennesz</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/66eDTjUSAkI9CL1WlXSlHa?si=f7e34ddb28dc4070"><em>DEB RMX</em>, Juçara Marçal &amp; vários</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/2NHhf3qtcoVPDEb03G8RFv?si=f82f425371b64508"><em>Challengers (Original Score),</em> Trent Reznor &amp; Atticus Ross</a></li></ul><h4>O DISCO DE JAZZ/IMPROV/ERUDITO DE 2024: ‘Milton + Esperanza’, Milton Nascimento &amp; Esperanza Spalding</h4><p>Bituca se aposentou dos palcos, mas em estúdio, escudado pela baixista/vocalista Esperanza, apresenta fôlego e vontade de continuar em evolução.</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fopen.spotify.com%2Fembed%2Falbum%2F6lVRgFz4vQ3qoNT2nJfsar%3Futm_source%3Doembed&amp;display_name=Spotify&amp;url=https%3A%2F%2Fopen.spotify.com%2Fintl-pt%2Falbum%2F6lVRgFz4vQ3qoNT2nJfsar&amp;image=https%3A%2F%2Fimage-cdn-ak.spotifycdn.com%2Fimage%2Fab67616d00001e0279825dda8c48d7aa9438b400&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=spotify" width="456" height="352" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/bcdd5fd0be1f2fe8374e95f8e1387fa9/href">https://medium.com/media/bcdd5fd0be1f2fe8374e95f8e1387fa9/href</a></iframe><h4>Outros discos legais de jazz/improv/erudito de 2024:</h4><ul><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/6cJiZZ7UY17LUagOrBSnLd?si=hrnDqEmbTvCi_c_vB0Md-A"><em>Tributo a Elvin Jones</em>, Alfredo Dias Gomes</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/5EOmS6QX7WJq1041EcadSR?si=M8VfwwX0QeCJW3Ic3I_FBg"><em>Phillip Glass Solo</em>, Phillip Glass</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/6hjgspe4lt2y1hiRyCtSHp?si=ff5267f2effe4cbb"><em>The Room</em>, Fabiano do Nascimento &amp; Sam Gendel</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/5zMdCuMOOewJquA1lx4w04?si=8d26a504c1164edf"><em>Pra Você, Ilsa</em>, Hermeto Paschoal</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/4rdMTFqPBz2yHp0m8XN2oV?si=1cbb6a773b644dda"><em>Terceiro Mundo</em>, Nômade Orquestra</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/25xR5Qi8e6fj2JfgoASd2c?si=Ep5VQn8cQNe7jziaHNTgHw"><em>Mascarada: Zé Keti por…</em>, Jards Macalé &amp; Sergio Krakowski Trio</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/76uRFV36QltxxdodwnCsW2?si=5f10e661618f480a"><em>Repescagem</em>, Quartabê</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/36cT6S2JKQLQWYRMXAe0SS?si=1601464b4ab64945"><em>Remembrance</em>, Chick Corea</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/3WVqaDFN9on8FYmBuKgdPe?si=b01bdb7a31f047d9"><em>Sunday Morning Put-On</em>, Andrew Bird &amp; Alan Hampton &amp; Ted Poor</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/6R5LUMUWQfeWcRGewFAxBA?si=d30e986280834462"><em>Outer Spaceways</em>, Kronos Quartet &amp; vários artistas</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/5zLoS74FHZwSy8AngCaqGO?si=c1bc2db8cee84ce0"><em>Maya Beiser X Terry Riley: In C</em>, Maya Beiser &amp; Terry Riley</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/77VpcoLff1MKzDPZQ4rSyu?si=888cf371bda943bc"><em>Grande-Terre</em>, Roy Hargrove</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/3NBhIanqLMEjpwhzLWqHsN?si=8a15e00a51994e6e"><em>The Way out of Easy</em>, Jeff Parker</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/3hewGriGKlgvZGvnZgR85A?si=522c3b20b9b04099"><em>The Messthetics &amp; James Brandon Lewis</em>, </a><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/3hewGriGKlgvZGvnZgR85A?si=522c3b20b9b04099">The Messthetics &amp; James Brandon Lewis</a></li><li><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/7vjv5HOSA8m7Hy64sitJG7?si=4bd6cae3998f4222"><em>Maria Esmeralda</em>, Thalin &amp; Cravinhos &amp; VCR Slim</a></li></ul><p>E olha a playlist aí. 7h39 de música pra animar o réveillon. Ou talvez não, dependendo da sua companhia e da opinião dos vizinhos.</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fopen.spotify.com%2Fembed%2Fplaylist%2F6DyV5Xpj1IzhjAUrSvViht%3Futm_source%3Doembed&amp;display_name=Spotify&amp;url=https%3A%2F%2Fopen.spotify.com%2Fplaylist%2F6DyV5Xpj1IzhjAUrSvViht&amp;image=https%3A%2F%2Fmosaic.scdn.co%2F300%2Fab67616d00001e02370c6f3bc48d9f2ecbdce22bab67616d00001e026b69348c3c4b6fe72fac4a65ab67616d00001e0277f92949832f6a32a2691cacab67616d00001e027b4f7f1dcef63ec88036f1de&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=spotify" width="456" height="352" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/75f3c14d6d97b02d7580122f73f73b35/href">https://medium.com/media/75f3c14d6d97b02d7580122f73f73b35/href</a></iframe><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=bfec7e4af66a" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/telhado-de-vidro/tdv-apresenta-os-78-melhores-%C3%A1lbuns-de-2024-bfec7e4af66a">TdV apresenta: OS 78 MELHORES ÁLBUNS de 2024</a> was originally published in <a href="https://medium.com/telhado-de-vidro">Telhado de Vidro</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Acontece na Romênia, acontece por aqui]]></title>
            <link>https://medium.com/telhado-de-vidro/acontece-na-rom%C3%AAnia-acontece-por-aqui-e5bb2abf540b?source=rss----2e35cdf018c7---4</link>
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            <category><![CDATA[plataformas]]></category>
            <category><![CDATA[cinema]]></category>
            <category><![CDATA[trabalho]]></category>
            <category><![CDATA[gig-economy]]></category>
            <category><![CDATA[liberalismo]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Marco Antonio Barbosa]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 23 Dec 2024 17:40:36 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-12-23T17:46:44.879Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>O melhor filme do ano é uma tragicomédia sobre trabalho precarizado em um país que trocou a repressão comunista pela opressão das plataformas</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*P8zPq_ANCGWiUMgh.png" /><figcaption>Angela e o celular: mídia social para escapar à pressão das plataformas</figcaption></figure><blockquote><strong><em>DORIS</em></strong><em>: Acabei de ler um estudo no avião, que diz que os romenos são o povo mais pobre da Europa. (</em>Pausa<em>.) Seis vezes mais do que a média europeia. Não sei se é sobre a União Europeia ou toda a Europa.</em></blockquote><blockquote><strong><em>ANGELA</em></strong><em>: Bem, acho que é sobre a UE. Caso contrário, os albaneses são mais pobres. (</em>Pausa<em>.) E mais primitivos.</em></blockquote><blockquote><strong><em>DORIS</em></strong><em>: Ah, sim. Claro.</em></blockquote><p>A Romênia tem um Produto Interno Bruto que deve bater perto de US$ 900 bilhões em 2024. Desde 2007, quando ingressou na União Europeia, é uma das economias que mais cresce no bloco. A <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_GDP_(PPP)_per_capita">relação PIB <em>per capita/</em>paridade de poder de compra</a> do país hoje é 104,4% mais favorável que a do Brasil. Entre 1995 e 2024, o <a href="https://www.heritage.org/index/pages/country-pages/romania">Índice de Liberdade Econômica na nação eslava aumentou de 42,9 para 64,4</a>, saindo do status de “reprimido” para “moderadamente livre”. No critério específico de “liberdade trabalhista”, os romenos estão acima da média mundial, “considerando vários aspectos das diretrizes legais e regulatórias do mercado de trabalho nacional, o que inclui regulações sobre salário mínimo (…) e limitações nas regras de contratação e de horas trabalhadas”.</p><p>O efeito prático dessa “liberdade” sobre a vida do povo da Romênia é o tema principal do filme <a href="https://mubi.com/pt/films/do-not-expect-too-much-from-the-end-of-the-world/trailer"><em>Não Espere Muito do Fim do Mundo, </em>produção de 2023 que pode ser vista via streaming na plataforma Mubi</a>. O fim de 2024 se aproxima e o longa dirigido por Radu Jude apareceu em várias listas de melhores do ano. <a href="https://www.metacritic.com/browse/movie/all/all/current-year/">Na verdade, de acordo com o Metacritic, foi o filme mais aclamado de 2024 pela crítica especializada no mundo!</a></p><p>O filme é excelente mesmo (assisti semana passada), mas não foi por seus muitos méritos artísticos que ele acabou virando pauta aqui. E sim por sua capacidade de sintetizar, de forma tragicômica, as angústias sociais criadas pelo capitalismo tardio e pela <a href="https://bartbarbosa.substack.com/p/o-homo-plataformus-chega-em-breve">plataformização radical do trabalho (e da vida).</a> As experiências narradas na fita se passam na Europa Central, mas poderiam se dar em qualquer canto do mundo. Inclusive no Brasil.</p><p>Algumas ressalvas se fazem necessárias aos interessados. Trata-se de um, aham, “filme de arte” com 2h43 minutos. Não há uma trama com começo-meio-fim, nem nomes conhecidos no elenco. A narrativa vai e volta no tempo. O estilo visual é uma verdadeira montanha-russa, alternando cenas em preto &amp; branco e cores, filtros de TikTok, câmera na mão, fotomontagem, reuniões virtuais, citações literárias escritas em cartelas. A sequência final é um take único, sem movimentos, com mais de meia hora. Radu Jude não apenas consegue imprimir coerência a essa bagunça; o diretor nunca perde de vista a clareza de sua mensagem, apesar da multiplicidade de temas abordados. Com isso, mesmo com a “falta de ação” no sentido convencional, os 163 minutos passam voando.</p><p>Apesar de falar de muitas coisas, <em>Não Espere Muito do Fim do Mundo </em>é acima de tudo uma parábola pós-moderna sobre trabalho precarizado. A protagonista Angela (Ilinca Manolache) é safa, inteligente e cheia de iniciativa. Essas características são exigidas ao extremo durante sua jornada diária, na qual ela se divide entre as frenéticas demandas de um <em>job </em>como assistente de produção de um documentário e viagens como motorista de Uber. Ela passa boa parte do filme dirigindo pra cima e pra baixo no (superagressivo e estressante) trânsito de Bucareste, lutando contra o cansaço.</p><p>Angela é um avatar da<em> gig economy</em> plataformizada &amp; transnacional. Seus empregadores são corporações baseadas fora da Romênia, que sugam todo o tempo livre dos “empreendedores” a seu serviço. A correria intensa não dá espaço à protagonista nem para dormir, quanto mais resolver questões pessoais (uma rápida transa com o namorado é resolvida dentro do carro mesmo). O rádio do veículo toca música (rap romeno e techno) sem parar, para mantê-la acordada.</p><p>A rotina de Angela é inserida no contexto de uma lógica globalizada que não respeita limites sociais, econômicos ou ambientais. O filme-dentro-do-filme no qual ela trabalha é um documentário sobre segurança do trabalho, encomendado por uma multinacional austríaca que explora a mão de obra barata (e pouco qualificada) da Romênia. Os patrões da matriz dão instruções desconexas em reuniões online. O diretor do filme morreu com a produção já em curso, mas <em>the show must go on</em>. No fim das contas, em troca de algumas centenas de euros, a poderosa empresa humilha mais uma vez um operário tornado paraplégico após um acidente. O longa também aborda, tangencialmente, <a href="https://www.rferl.org/a/romania-garbage-asia-european-union/31429822.html">as denúncias de envio clandestino de lixo enviado por outros países europeus ao território romeno.</a> Etc.</p><p>Em uma das cenas mais emblemáticas, Angela desabafa (dentro do carro, claro) com a representante da multinacional (a alemã Nina Voss, vista nas séries <em>Dark </em>e <em>Homeland</em>), durante uma visita-relâmpago a Bucareste. Aos problemas muito concretos enfrentados pelos romenos, a visitante gringa oferece soluções simples… e pouco factíveis. A postura da executiva sublinha a desconexão cínica dos bilionários a respeito das realidades impostas pelo capitalismo tardio.</p><blockquote><strong><em>ANGELA:</em></strong><em> É verdade que a sua empresa está destruindo a floresta romena para obter madeira? (…)</em></blockquote><blockquote><strong><em>DORIS</em></strong><em>: Acho que não, nunca ouvi falar nisso. Enfim, se isso acontece, é porque a Romênia permite. Se os romenos dissessem “não”, isso não aconteceria.</em></blockquote><p>Mas Angela tem direito a se vingar. Esmagada por Uber, Zoom e Whatsapp, a ironia é que ela usa a mídia social para expressar sua revolta. Usando um filtro facial inspirado nas feições do troll misógino Andrew Tate, ela se transforma em Bobita, um… troll misógino que satiriza o sexismo e a ignorância dos machos online. <a href="https://www.thedailybeast.com/obsessed/the-andrew-tate-loving-misogynist-in-do-not-expect-too-much-from-the-end-of-the-world/">A figura foi criada por Ilinca Manolache em 2021, virou sucesso na internet romena e acabou incorporada no roteiro </a>de <em>Não Espere Muito do Fim do Mundo. </em>É uma mais uma camada de comentário sobre o impacto das plataformas na vida cotidiana.</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.tiktok.com%2Fembed%2Fv2%2F7445370816079924502&amp;display_name=tiktok&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.tiktok.com%2F%40ilincamanolache6%2Fvideo%2F7445370816079924502%3Fembed_source%3D121374463%252C121468991%252C121439635%252C121433650%252C121404359%252C121477481%252C121351166%252C121492513%252C121487028%252C121331973%252C120811592%252C120810756%252C121493086%253Bnull%253Bembed_name%26refer%3Dembed%26referer_url%3Dcdn.iframe.ly%252Fapi%252Fiframe%253Fmedia%253D1%2526app%253D1%2526url%253Dhttps%25253A%25252F%25252Fwww.tiktok.com%25252F%252540ilincamanolache6%25252Fvideo%25252F7445370816079924502%2526key%253De27c740634285c9ddc20db64f73358dd%26referer_video_id%3D7445370816079924502&amp;image=https%3A%2F%2Fp16-pu-sign-no.tiktokcdn-eu.com%2Fobj%2Ftos-no1a-p-0037-no%2Fo4IjnIOAoU9iTfzTDLIfUpF5cYBDUAfkERIr6V%3Flk3s%3Db59d6b55%26x-expires%3D1735146000%26x-signature%3DTcVJE9QlanzcS2iLJtx%252BRNf5P%252F8%253D%26shp%3Db59d6b55%26shcp%3D-&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=tiktok" width="340" height="700" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/ae8b54def25a9026f598ac2dcd957f81/href">https://medium.com/media/ae8b54def25a9026f598ac2dcd957f81/href</a></iframe><p>A “liberdade econômica” na Romênia começou com a queda do ditador Nicolau Ceaușescu, em 1989 — depois de décadas de um regime considerado o mais autoritário da Cortina de Ferro. Privatizações e desregulamentações do mercado financeiro fizeram do país o principal destino de investimentos estrangeiros diretos na Europa Central. Com a menor carga tributária da União Europeia e uma moderna infraestrutura de telecomunicações, o país tornou-se um hub continental para empresas de tecnologia e montadoras de carros.</p><p>Em <em>Não Espere Muito do Fim do Mundo, </em>esses aparentes avanços ecoam no vazio deixado pelo fim do estado socialista. Desde a crise financeira global de 2008, o governo vem enxugando benefícios e programas de transferência de renda. A saudade dos tempos de ampla proteção social é implícita. Os personagens entrevistados para o documentário produzido por Angela são operários pobres, incapacitados por acidentes de trabalho. Uma das entrevistadas lamenta: o lixo no seu bairro não é coletado há meses. Outra diz contar com o cachê de 500 euros prometido pela participação no filme para pagar a conta de gás no inverno. “Ano passado, o aquecimento foi cortado por dois meses.”</p><p>(Isso não quer dizer que haja nostalgia pelo regime de Ceaușescu. Na sequência em que Angela transporta a manda-chuva vinda da Áustria, o carro passa <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Palace_of_the_Parliament">pelo Palácio do Parlamento de Bucareste, o terceiro maior edifício público do mundo. </a>A protagonista rosna: “Ceaușescu era um imbecil. Destruiu a Romênia.”)</p><p>Complexo em sua forma, <em>Não Espere Muito do Fim do Mundo </em>traz um conteúdo de apelo instantâneo. Com ironia cruel, Radu Jude desenha a realidade bem particular de seu país — que, “graças” às plataformas e ao caráter globalizado das práticas capitalistas, é refletida em qualquer país onde haja relações de trabalho predatórias. Especialmente naqueles onde o receituário neoliberal de desregulamentação e desmonte do estado melhoraram os números no papel, mas pioraram a vida dos pobres. Em cada cidade grande no mundo há outras Angelas correndo para cima e para baixo no trânsito louco e usando a mídia social para desabafar.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=e5bb2abf540b" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/telhado-de-vidro/acontece-na-rom%C3%AAnia-acontece-por-aqui-e5bb2abf540b">Acontece na Romênia, acontece por aqui</a> was originally published in <a href="https://medium.com/telhado-de-vidro">Telhado de Vidro</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[A convicção e o autoengano do jornalismo econômico]]></title>
            <link>https://medium.com/telhado-de-vidro/a-convic%C3%A7%C3%A3o-e-o-autoengano-do-jornalismo-econ%C3%B4mico-e72a9e780816?source=rss----2e35cdf018c7---4</link>
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            <category><![CDATA[imprensa-corporativa]]></category>
            <category><![CDATA[jornalismo]]></category>
            <category><![CDATA[liberalismo-econômico]]></category>
            <category><![CDATA[politica]]></category>
            <category><![CDATA[brasil]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Marco Antonio Barbosa]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 16 Dec 2024 13:36:30 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-12-16T13:36:30.693Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>O liberalismo tenta, há décadas, convencer o mundo de que está acima das ideologias. A grande imprensa sempre acredita nisso</h4><p><strong><em>[Este é mais um post publicado originalmente no Substack. </em></strong><a href="https://bartbarbosa.substack.com/p/os-sinais-de-fumaca-do-project-2025"><strong><em>Inscreva-se na plataforma e me siga por lá!</em></strong></a><strong><em>]</em></strong></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*ImcHSTnsqujsXjRy.jpeg" /><figcaption>Na foto, a rara imagem de uma repórter de economia de um grande jornal enfrentando o Fantasma do Comunismo™</figcaption></figure><p>Sinceramente, amizadinhas: eu pretendia mudar de tema nesta semana. Mas os jornalões brasileiros não deixaram. Se no post passado o assunto foi política (&amp; grande mídia), agora é impossível evitar a economia (&amp; grande mídia). E vejam bem. Não entendo coisa alguma de economia; entendo um pouco de jornalismo. Por isso, a minha dúvida — as pessoas que escrevem sobre economia nos jornais entendem de economia? E de jornalismo, elas entendem?</p><p>Pois na semana passada, rolou o anúncio oficial do <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2024-11/entenda-pacote-fiscal-de-r-70-bi-anunciado-por-haddad">conjunto de medidas tomadas pelo governo federal “com o objetivo de adequar a explosão de gastos públicos nos próximos anos e dar sobrevida ao arcabouço fiscal em vigor desde o ano passado”</a>. Traduzindo, o tal pacote de corte de gastos cobrado por Jeová &amp; o mundo desde antes da posse do atual presidente. O desequilíbrio nas contas estatais tem diminuído. O <a href="https://static.poder360.com.br/2024/12/Tesouro-apresentacao-out-2024.pdf">resultado fiscal de outubro</a> melhorou em relação ao mesmo mês de 2023. Ainda que o buraco — R$ 64,38 bilhões — permaneça enorme. As iniciativas do pacote anunciado por Haddad, agora em discussão no Congresso Nacional, podem gerar uma economia estimada em R$ 70 bilhões até 2026.</p><p>Não é nada, não é nada, já é coisa pra caramba, né? Em conjunto com <a href="https://g1.globo.com/economia/noticia/2024/12/03/pib-brasil-cresce-tanto-quanto-a-china-no-3deg-trimestre-e-so-fica-atras-de-indonesia-e-mexico-no-g20.ghtml">a aceleração da atividade econômica </a>e o <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/economia/audio/2024-10/brasil-cresce-em-empregos-e-tem-menor-taxa-de-desocupacao-em-dez-anos">recorde histórico de geração de empregos</a>, o pacote fiscal deveria elevar o otimismo do mercado e dos analistas do cenário macroeconômico. Aconteceu o inverso. Além de emprestar o megafone a qualquer um disposto a esculhambar o pacote, a imprensa se desdobrou para relativizar a boa fase.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*RE4z2W_lg02-YTaV.png" /></figure><p>A cobertura de economia dos grandes veículos é movida por uma convicção e por um autoengano. A convicção: o liberalismo é o único caminho para o desenvolvimento de um país. O autoengano: a economia é uma ciência exata, na qual a ideologia não tem lugar. No vácuo do pacote fiscal, essa convicção e esse autoengano desencadearam uma avalanche de críticas e moções de desconfiança voltadas à gestão econômica do governo Lula. E, ato contínuo, geram a condenação de qualquer medida que penda à esquerda, de um modo geral.</p><p>O maior feito do diabo foi ter convencido a humanidade de que ele não existe. <a href="https://www.theguardian.com/books/2016/apr/15/neoliberalism-ideology-problem-george-monbiot">O maior feito do liberalismo foi ter convencido a opinião pública de que ele NÃO é uma ideologia, e sim um modo “natural” e “objetivo” de interpretar a economia.</a></p><p>Enxugamento do estado. Cortes de investimentos públicos. Privatizações. Desregulamentações. Redução de impostos (para os ricos). Fé cega no santíssimo tripé macroeconômico. Essas medidas são vendidas pelos liberais como requisitos obrigatórios e inquestionáveis para o crescimento da economia. Os liberais vendem essas medidas, a imprensa as propagandeia, o mercado as compra.</p><p>Qualquer modelo desviante é imediatamente condenado e associado à irresponsabilidade fiscal. Dentro da filosofia liberal, o maior pecado do estado é gastar — já que a maior virtude do estado é honrar o pagamento de juros aos detentores de títulos da dívida pública. Cada centavo investido em saúde, educação, seguridade social é um centavo a menos para os rentistas.</p><p>E aí entra a parte do autoengano. Como única filosofia econômica “correta”, o liberalismo também se vende como isento de ideologia. Seu verniz técnico e objetivo refletiria os movimentos “naturais” da economia, em contraposição às intervenções “políticas” promovidas pelo estado. A imprensa embarca de caniço &amp; samburá nessa visão, tratando de legitimar as medidas liberais ao dar amplo espaço a elas e ao tratar seus oráculos como autoridades inquestionáveis. Todas essas medidas têm como consequência inevitável uma gestão econômica que tomba para a direita. Todas essas medidas dependem de decisões políticas invariavelmente ligadas à uma visão conservadora e direitista, pró-mercado, pró-capital e anti-trabalho. No fundo, anti-povo, já que é o povo quem paga a conta.</p><p>Mas a imprensa só lembra disso quando é conveniente.</p><p>Em sua coluna de 01/12 na <em>Folha de S.Paulo</em>, o sociólogo Celso Rocha de Barros opinou: <a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/celso-rocha-de-barros/2024/11/programa-de-haddad-vai-na-direcao-certa.shtml">“A proposta de Haddad (é) o compromisso possível entre o presidente que quer isentar mais de um lado e o Congresso que quer taxar menos do outro.” </a>O financeiro sempre está colado no social e vice-versa, do mesmo modo que o econômico está sempre amarrado ao político. E vice-versa. Rocha de Barros entende isso, o que se reflete em suas análises.</p><p>Infelizmente, Rocha de Barros é uma exceção dentro do jornalismo brasileiro em geral e dentro da <em>Folha</em>, em particular. O veículo paulistano soltou, meros minutos depois do pronunciamento de Haddad, <a href="https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2024/11/pacote-de-haddad-nao-traz-novidades-e-tem-potencial-fiscal-menor-dizem-economistas.shtml">uma repercussão abertamente crítica do pacote</a>, apurada junto a operadores do mercado financeiro. Nos dias subsequentes, expressões como “esquálido”, “decepcionante e desastroso”, “irresponsável”, “desencontrado”, “inepto”, “duro golpe nos pobres” foram usadas, em reportagens e colunas, para classificar o pacote. Isso apenas nos títulos.</p><p>O tiro de misericórdia foi dado foi pelo insuspeito (pois integrante do primeiro governo Lula) <a href="https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2024/12/governo-nao-entregou-solidez-fiscal-e-investidor-esta-desistindo-do-brasil-diz-marcos-lisboa.shtml">Marcos Lisboa. Em uma longa entrevista</a>, a figurinha carimbadíssima — não por acaso, também articulista da <em>Folha</em> — decretou, apocalíptico, que os investidores estão abandonando o Brasil e que o pacote é “tímido, (com) medidas mal desenhadas e impacto marginal”. A cremação se deu dois dias depois, na coluna da economista (?) norte-americana Deirdre Nansen McCloskey, uma vovô ancap que deu aula a Paulo Guedes em Chicago (!). <a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/deirdre-nansen-mccloskey/2024/12/a-gangue-de-trump.shtml">Ela encerra o texto assim: “Volte, Jair. E coloque novamente um liberal no comando da economia.”</a> O “Jair” é aquele mesmo.</p><p>No Rio de Janeiro, <em>O Globo</em> seguiu a toada, em passo mais moderado. “Quebra-galho fiscal”, “promessa que não entrega”, “reforça o isolamento da equipe econômica”, “dúvidas sobre a redução do risco fiscal” foram algumas das palavras destinadas ao embrulho de medidas do governo. “Com ou sem pacote, mercado apoiará adversário de Lula em 2026”, trombeteou um colunista. “Impacto insuficiente e cifras que não parecem críveis”, diz outra articulista (esta oriunda de um hypadíssimo escritório de gestão de ativos financeiros).</p><p>A curiosa obsessão do jornal da família Marinho com os bastidores de caserna também se manifestou. O <a href="https://www.terra.com.br/noticias/videos/em-meio-a-corte-de-gastos-marinha-posta-video-com-atuacao-de-militares-e-questiona-privilegios,5fb9c166de895891f20bf733536cc9eanhr5ub9v.html">tal vídeo da Marinha</a> com críticas ao pacote mereceu muita atenção da <a href="https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar/">setorista das Forças Armadas</a>, que o repercutiu em mais de uma nota.</p><p>Porém, mais curiosa ainda é a presença de um certo personagem da política sul-americana em ambos os jornais, em um paralelo irresistível à percebida irresponsabilidade fiscal do governo petista. Ao mesmo tempo que desancavam em uníssono Haddad &amp; Lula, <em>Folha</em> e <em>Globo</em> abriram espaço em suas páginas (virtuais e de papel) para <a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cr4x931xnzro">Javier Milei, o presidente da Argentina que vem conseguindo conter a hiperinflação em seu país às custas de imensos sacrifícios impostos à população mais pobre (que só aumenta).</a></p><p>A bola veio cantada lá da Inglaterra, pela revista <em>The Economist</em>. A vetusta bíblia do capitalismo liberal botou <a href="https://www.economist.com/the-americas/2024/11/28/javier-milei-free-market-revolutionary">Milei na capa de sua edição de 27 de novembro</a>. A entrevista, recheada de elogios aos “cortes brutais” feitos na estrutura estatal argentina e à “fé de Milei no livre mercado”, foi <a href="https://www.google.com/amp/s/www1.folha.uol.com.br/amp/mercado/2024/11/javier-milei-o-revolucionario-do-livre-mercado.shtml">traduzida e republicada pela <em>Folha</em> um dia depois</a>. A primeira menção aos duros impactos sociais resultantes da ~revolução~ ancap movida pelo mandatário portenho só vem no 13° parágrafo. O <em>Globo</em> aguentou esperar o fim de semana. Mas na segunda-feira, 02/12, tascou na página 2 um editorial com o título <a href="https://oglobo.globo.com/opiniao/editorial/coluna/2024/12/milei-da-licao-de-equilibrio-fiscal-para-o-continente.ghtml">“Milei dá lição de disciplina fiscal para o continente”</a>. Quem adivinhar o teor do artigo ganha um alfajor.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/354/0*NhPuZ2PUOl1ZWkq6.png" /><figcaption>A <em>Folha</em> conseguiu até inventar um Milei <strong><em>hecho en San Paolo</em></strong><em>.</em></figcaption></figure><p>Entre a demonização de Lula e a glorificação de Milei, a imprensa segue comprando o receituário liberal e o revendendo como única salvação possível para a economia. Talvez porque as consequências negativas dos ajustes liberais sempre sejam mais suaves para seus leitores de classe média do que para os pobres (que leem nada, ou só o que chega no WhatsApp, se tanto). Ou talvez porque os donos da imprensa não sofram consequência negativa alguma.</p><p>Então, respondendo às dúvidas lá de cima: as pessoas que escrevem sobre economia nos jornais e sites podem não saber de economia, ou de jornalismo. Mas sabem para quem estão escrevendo.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=e72a9e780816" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/telhado-de-vidro/a-convic%C3%A7%C3%A3o-e-o-autoengano-do-jornalismo-econ%C3%B4mico-e72a9e780816">A convicção e o autoengano do jornalismo econômico</a> was originally published in <a href="https://medium.com/telhado-de-vidro">Telhado de Vidro</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Precisamos do bolsonarismo normalizado… nas páginas policiais]]></title>
            <link>https://medium.com/telhado-de-vidro/precisamos-do-bolsonarismo-normalizado-nas-p%C3%A1ginas-policiais-5c4601df6d8a?source=rss----2e35cdf018c7---4</link>
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            <category><![CDATA[brasil]]></category>
            <category><![CDATA[politica]]></category>
            <category><![CDATA[golpe-de-estado]]></category>
            <category><![CDATA[bolsonaro]]></category>
            <category><![CDATA[jornalismo]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Marco Antonio Barbosa]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 02 Dec 2024 14:07:29 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-12-02T14:07:29.836Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>A grande imprensa deveria tirar Bolsonaro da editoria de política e trata-lo como ele merece. Em vez disso, reforça a narrativa do “mito” antissistema e alimenta a fé dos radicais</h4><p><strong><em>[Este é mais um post publicado originalmente no Substack. </em></strong><a href="https://bartbarbosa.substack.com/p/os-sinais-de-fumaca-do-project-2025"><strong><em>Inscreva-se na plataforma e me siga por lá!</em></strong></a><strong><em>. E leia também: </em></strong><a href="https://medium.com/telhado-de-vidro/o-dia-seguinte-ao-golpe-31a30c59f75d"><strong>O DIA SEGUINTE (ao golpe)</strong></a><strong>]</strong></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/918/0*vzkxULbmOSr0OeZU.jpeg" /></figure><p>Às 7h15 do dia 27 de novembro de 2024, o site <em>Poder 360</em> publicou uma matéria divulgando os resultados de uma projeção para a eleição presidencial de 2026, conduzida pelo instituto Paraná Pesquisas. O texto, intitulado “<a href="https://www.poder360.com.br/poder-pesquisas/bolsonaro-teria-376-contra-336-de-lula-se-eleicao-fosse-hoje/">Bolsonaro teria 37,6% contra 33,6% de Lula se eleição fosse hoje”</a>, destaca que “em eventual 2º turno, (…) Jair Bolsonaro teria 43,7% contra 41,9% de Luiz Inácio Lula da Silva”, apesar de fazer, já no subtítulo, a necessária ressalva sobre a inelegibilidade do capitão reformado do Exército.</p><p>A menção à data e horário exatos da publicação ajuda a contextualizar o bizarro timing da notícia. No dia anterior, todos os veículos do país <a href="https://www.poder360.com.br/poder-justica/leia-a-integra-com-as-884-paginas-do-inquerito-do-stf-sobre-golpe/">(inclusive o próprio <em>Poder 360</em></a><em>) </em>repercutiram o relatório da Polícia Federal sobre o inquérito acerca da conspiração liderada por Bolsonaro e um grupo de militares graduados para melar as eleições de 2022 e manter o presidente derrotado no Planalto. Se faltar disposição para encarar as 884 páginas do relatório (linkadas na matéria do <em>Poder 360</em>), pode consultar <a href="https://www.darkread.io/m0mx-LAGdjf1">esta conveniente linha do tempo da conspiração</a>, sintetizando as manobras apuradas pela PF.</p><p>Quer dizer, ninguém precisa consultar coisa alguma, nem inquérito, nem linha do tempo. Não há quem desconheça, há décadas, as intenções golpistas de Bolsonaro. Mesmo porque ele nunca as ocultou. O golpe frustrado de 2022 era uma bola cantadíssima, depois de anos de louvações à ditadura de 1964–1985, arengas incoerentes sobre as “quatro linhas da Constituição” (WTF!) e um trabalho intenso para desacreditar as urnas eletrônicas, a Justiça Eleitoral e o Supremo Tribunal Federal.</p><p>Ficam então as perguntas: <strong><em>por que c$#%&amp;* estamos lendo, às 7h15 do dia 27 de novembro de 2024, uma notícia sobre as perspectivas eleitorais de Jair Bolsonaro em 2026?! </em></strong>Por que a imprensa ainda insiste em tratar um criminoso confesso (e inelegível) como ator legítimo do cenário político?</p><p><a href="https://www.google.com/search?q=imprensa+normaliza+bolsonaro&amp;rlz=1C1GCCU_pt-BRBR1135BR1135&amp;oq=imprensa+normaliza+bolsonaro&amp;gs_lcrp=EgZjaHJvbWUyBggAEEUYOTIJCAEQIRgKGKABMgkIAhAhGAoYoAHSAQkxMTk0OWowajSoAgCwAgA&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8">A normalização, por parte da imprensa corporativa</a>, da extrema direita em geral e da figura de Bolsonaro em particular já rendeu <a href="http://www.realp.unb.br/jspui/handle/10482/4865">até estudos acadêmicos.</a> Ao manter o ex-presidente em constante evidência no cenário, os principais veículos jornalísticos estariam contribuindo para amenizar (aos olhos do público) seu radicalismo e minimizar suas constantes ameaças às instituições democráticas (incluindo, paradoxalmente, a própria imprensa). Isso desconsiderando veículos menores que abdicaram de qualquer sombra de imparcialidade e apoiam abertamente Bolsonaro. A ideia seria validar o capitão reformado como alternativa aceitável (e com apoio popular) à esquerda, a despeito de seus crimes confessos e inconfessos.</p><p>Essa cobertura “normalizante” se daria por vieses variados. <em>O Globo</em> instalou em seu portal web <a href="https://oglobo.globo.com/blogs/bela-megale">um par</a> de <a href="https://oglobo.globo.com/blogs/malu-gaspar">colunistas de política</a> que cumprem, galhardamente, o papel de assessoras de imprensa de Bolsonaro e de seu entorno — com um fluxo incessante de “informações exclusivas” fornecidas pelos próprios, publicadas acriticamente, sem qualquer ponderação. O <em>Estadão </em>se especializou em publicar<a href="https://www.estadao.com.br/opiniao/"> editoriais com títulos caça-cliques,</a> nos quais um “isentismo” ostensivo disfarça mal o antiesquerdismo crônico do vetusto jornal.</p><p>O caso da <em>Folha de S.Paulo </em>é mais complexo. Desde 2018, o grupo comandado pela bilionária família Frias tem dado um espaço cada vez maior às novas correntes direitistas em suas publicações. A intenção evidente é sinalizar ao <em>establishment</em> conservador (do qual o jornal é porta-voz) que, apesar dos pesares que pairam sobre a figura de seu líder, conviver em paz com o bolsonarismo é um caminho viável para a direita tradicional.</p><p>A cobertura do <a href="https://www1.folha.uol.com.br/blogs/evangelicos/">mundo das igrejas evangélicas</a> e do <a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/gustavo-alonso/">cenário da música sertaneja</a>, dois nichos importantes na base bolsonarista, hoje é destaque. Assim como as <a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfelipeponde/">colunas de opinião</a> engajadas na <a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/lygia-maria/">guerra cultural movida pela direita</a>, <a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/joel-pinheiro-da-fonseca/">comentaristas isentões</a> e questionamentos <a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2024/11/moraes-cita-moraes-44-vezes-e-acumula-mais-um-caso-em-que-e-personagem-e-juiz-ao-mesmo-tempo.shtml">frequentes à atuação do STF</a>. Essa guinada <em>alla destra </em>atingiu um ponto de fervura com a reeleição de Donald Trump nos EUA. O jornal deu amplo espaço para uma <a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2024/11/bolsonaro-diz-que-vitoria-de-trump-e-passo-importantissimo-para-volta-ao-planalto-e-cita-temer-vice.shtml">entrevista com Bolsonaro</a> — praticamente um triunfante pré-lançamento de campanha, com direito a especulação sobre o vice da chapa — e publicou um artigo de “opinião” assinado pelo ex-presidente, <a href="https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2024/11/aceitem-a-democracia.shtml">com o provocativo título de “Aceitem a democracia”.</a></p><p>(Tudo bem, <em>Folha</em>. A gente acredita que vocês acreditaram que o Jair seria capaz de escrever algo mais complexo que uma lista de compras.)</p><p>A verdadeira questão (cuestão): <strong><em>nada disso serve para normalizar Bolsonaro. </em></strong>Pelo contrário. O caudaloso noticiário sobre o golpista apenas reforça seu excepcionalismo, sua suposta postura antissistema e/ou os aspectos mais bizarros e tragicômicos de seu comportamento. Mesmo as manchetes destacando os “ataques à democracia” ganham um aspecto abstrato, levando para o mundo das ideias a realidade brutal de um golpe criminoso.</p><p>Em vez de normaliza-lo, tudo isso transforma-o no tal “mito” que seus partidários sempre citam. Cada menção a seu comportamento subversivo e fora dos padrões convencionais só alimenta o fascínio dos correligionários, e a crença na ideia de uma “perseguição” que deveria ser apenas policial, e não política.</p><p>Normalizar Bolsonaro <strong><em>de verdade</em></strong> seria mover a cobertura sobre ele e seus comparsas para as páginas de crime. Vejam o exemplo abaixo, retirado de uma matéria publicada pelo <em>UOL</em> (pertencente ao Grupo Folha).</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/543/0*-WN7UwsWEUClV_eS.png" /></figure><p>Dá para imaginar um tratamento semelhante dispensado a, por exemplo, um traficante de drogas ou a um assassino? “Operação da PM no Complexo da Maré abala o Comando Vermelho após otimismo com vitória sobre a milícia” — que tal essa manchete?</p><p>Outro exemplo rápido, extraído do <em>Estadão, </em>se vê na imagem abaixo.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/800/0*OXgFF8leM4bM1KWc.jpeg" /></figure><p>O que o articulista está sugerindo? Um deixa-disso generalizado, para evitar uma suposta “convulsão social”? Que os seguidores de Bolsonaro têm o poder de gerar uma guerra civil, e por isso seu líder é inimputável?</p><p>Mais uma, aí embaixo. Pense agora na seguinte manchete: “Fernandinho Beira-Mar admite fugir para o Paraguai para evitar prisão por tráfico e assassinato”. Seria aceitável?</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/712/0*GWTPWxEtognzW2Xq.png" /></figure><p>O antiesquerdismo atávico dos grandes grupos jornalísticos nos levou a esta situação. Para <em>Globo, Folha, Estadão </em>&amp;<em> </em>congêneres menos cotados, qualquer alternativa viável à direita é preferível à continuidade do PT no poder. Normal, pois esses grupos são controlados por algumas das famílias mais ricas do país, que não têm motivo algum para simpatizar com a esquerda.</p><p>Aí junta a fome com a vontade de comer. Tudo que se publica sobre Bolsonaro rende cliques e compartilhamentos. Convenientemente, ele também é hoje a única esperança da direita para um (cada vez mais provável) embate com Lula em 2026. O resultado é uma cobertura morde-e-assopra, que se mostra superficialmente indignada com o extremismo bolsonarista… e não consegue disfarçar seu fascínio pelo mesmo extremismo.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/710/0*23XI_Huh7TTT75xI.png" /><figcaption>Qualé, mermão. Moderado é o c******</figcaption></figure><p>Tirar Bolsonaro das manchetes é impossível. Ele e seus crimes sempre serão notícia. Mas precisam ser tratados como tal: crimes cometidos por um criminoso. Se o caso é de crime, o lugar certo para se ouvir “o outro lado” é no tribunal, não na imprensa.</p><p>Projeções de percentuais de voto publicados em hora imprópria, jornalismo (sic) declaratório, editoriais relativizando seus desmandos, notinhas “exclusivas” que não passam de assessoria de imprensa, ponderações “isentas” sobre a legitimidade das investigações, pensatas alucinadas imaginando convulsões, microfones abertos para o “outro lado” desqualificar a PF e o STF sem qualquer contextualização: nada disso é normalização. É a “excepcionalização” de Bolsonaro, na qual a grande mídia insiste. Mesmo tendo documentado tudo que se passou no país desde a eleição presidencial de 2018.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=5c4601df6d8a" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/telhado-de-vidro/precisamos-do-bolsonarismo-normalizado-nas-p%C3%A1ginas-policiais-5c4601df6d8a">Precisamos do bolsonarismo normalizado… nas páginas policiais</a> was originally published in <a href="https://medium.com/telhado-de-vidro">Telhado de Vidro</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Mercado brasileiro de carbono: antes tarde, antes tarde]]></title>
            <link>https://medium.com/telhado-de-vidro/mercado-brasileiro-de-carbono-antes-tarde-antes-tarde-1d91f56b1d81?source=rss----2e35cdf018c7---4</link>
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            <category><![CDATA[agronegócio]]></category>
            <category><![CDATA[sustentabilidade]]></category>
            <category><![CDATA[meio-ambiente]]></category>
            <category><![CDATA[esg]]></category>
            <category><![CDATA[mercado-de-carbono]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Marco Antonio Barbosa]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 25 Nov 2024 17:53:24 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-11-25T17:53:24.455Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>Com a regulamentação enfim aprovada pelo Congresso, os desafios à frente incluem a resistência do agronegócio, articulações complexas e o risco de bolhas especulativas</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*Umy31urVO3qXD6oa.png" /></figure><p><strong><em>(Este é mais um post publicado originalmente no Substack. </em></strong><a href="https://bartbarbosa.substack.com/p/os-sinais-de-fumaca-do-project-2025"><strong><em>Inscreva-se na plataforma e me siga por lá!</em></strong></a><strong><em>)</em></strong></p><p>O tema desta semana <a href="https://bartbarbosa.substack.com/p/os-sinais-de-fumaca-do-project-2025">é o mesmo da semana passada</a>. Mas o tom é diferente. Enquanto os Estados Unidos se prepararam para, a partir de janeiro, engatar uma ré nos esforços para mitigar a mudança climática, o Brasil acelerou na direção certa. A <a href="https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/161961">aprovação do Congresso Nacional ao projeto de lei que regulamenta o mercado brasileiro de carbono</a> é, enfim, uma notícia alvissareira em meio a tantos retrocessos.</p><blockquote>Vale aqui o aparte: se você está lendo este texto, provavelmente sabe o que é o mercado de créditos de carbono e sua importância para a transição energética e para o combate às mudanças climáticas. Se não sabe (e pelo amor de Jah, não é demérito algum não saber; o assunto é novo e cheio de particularidades), o ricamente ilustrado infográfico que segue abaixo, <a href="https://agenciadenoticias.bndes.gov.br/blogdodesenvolvimento/detalhe/Infografico-como-funcionam-os-mercados-de-carbono/">produzido pelo BNDES</a>, explica de modo bem prático a parada.</blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*IZ0HPbluse2Ne1xj.jpeg" /></figure><p>Quando eu comecei<a href="http://www.gruporeport.com.br/"> a trabalhar com sustentabilidade,</a> e lá se vão mais de 10 anos, especialistas já apontavam a necessidade de precificar — traduzir em termos de ganhos &amp; perdas financeiras — as iniciativas de impacto ambiental positivo. Enquanto não se pudesse calcular quanto as empresas lucrariam ao preservar o meio ambiente, não haveria adesão em massa à causa. No capitalismo, não há motivação mais eficaz que o lucro. O comércio de créditos de carbono é um caso concreto de precificação do investimento ambiental, conferindo valores monetários a quem polui menos e/ou trabalha para compensar a poluição que emite. <a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-48369790">Não é uma solução perfeita</a> e nem está <a href="https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/quais-as-vantagens-e-desvantagens-do-credito-de-carbono,5bb9d78448eb7810VgnVCM1000001b00320aRCRD">livre de questionamentos</a>, mas é algo que pode dar certo. Ênfase no “pode”.</p><p>O Projeto de Lei 182/2024 estava rolando em Brasília há quase 10 anos, apresentado originalmente como PL 2.148-A/2015. E mesmo naquela época, a iniciativa era meio tardia. O passo lento é característico de todo processo envolvendo a mudança climática. Afinal, as discussões sobre a precificação da redução de emissões de carbono se iniciaram em 1992, na hoje lendária <a href="https://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&amp;id=2303:catid=28&amp;Itemid">II Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (ou Rio-92 para os leigos</a>). Na época, a abordagem era mais fragmentada, envolvendo temas como o efeito estufa, o buraco na camada de ozônio e o aquecimento global. Todas essas coisas desagradáveis que hoje, reunidas, estão sob o chapéu (guarda-chuva?) da mudança climática.</p><p>Devagar, devagarinho, o negócio veio progredindo. Cinco anos se passaram até a quinta Conferência das Partes (COP5), que propôs o Protocolo de Kyoto, sugerindo metas formais de redução de emissões em escala global. Os mecanismos de funcionamento concreto do Protocolo só foram definidos em 2001. E tudo isso só passou a valer oficialmente em 2005.</p><p>O afã de atingir os objetivos gerou, no fim da década de 2000, o fenômeno conhecido como “a corrida do carbono de Kyoto”; puxado pela União Europeia, o mercado mundial de carbono movimentou em 2008 quase US$ 120 bilhões — vejam bem, <a href="https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2024/07/04/o-ano-em-que-o-mundo-quebrou-entenda-a-crise-financeira-de-2008.htm">isso em meio à maior crise financeira desde o crash de 1929.</a> Naturalmente, não iria durar. O excesso de oferta de créditos levou a um<a href="https://cepr.org/voxeu/columns/collapse-clean-development-mechanism-scheme-under-kyoto-protocol-and-its-spillover"> “pãnico” global que quebrou o mercado de carbono e, na prática, inviabilizou a implementação do Protocolo</a>. O documentário <em>A Corrida do Carbono</em> (2012) narra essa história, que mistura especulação à preocupação legítima com o meio ambiente.</p><p>Nos mais de 30 anos entre a Rio-92 e o momento atual, enquanto o mercado de carbono dava um passo à frente e dois para trás…</p><ul><li><a href="https://www.bbc.com/news/articles/c1dpnxnvv2go">…a temperatura global não parou de subir…</a></li><li><a href="https://www.climate.gov/news-features/understanding-climate/climate-change-global-sea-level">…junto com o nível dos oceanos…</a></li><li><a href="https://www.worldwildlife.org/pages/why-are-glaciers-and-sea-ice-melting">…as calotas polares seguiram derretendo rapidamente…</a></li><li><a href="https://science.nasa.gov/climate-change/extreme-weather/">…o número de eventos climáticos extremos veio se multiplicando…</a></li><li><a href="https://climateemergencydeclaration.org/climate-emergency-declarations-cover-15-million-citizens/">…assim como o número de localidades que declararam estado de emergência climática.</a></li></ul><p>O Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), a ser instituído (em etapas) nos próximos seis anos, parece muito bom. No papel, pelo menos. Com o objetivo explícito de oferecer “redução de tributos para produtos adequados à economia verde de baixo carbono”, a nova lei bota ordem em <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2024-07/mercado-voluntario-de-carbono-no-brasil-recua-em-2023#:~:text=Um%20estudo%20do%20Observat%C3%B3rio%20de,de%202021%2C%20recorde%20da%20s%C3%A9rie">um cenário que cresce ano a ano, mas ainda sofre com instabilidades e incertezas (financeiras, jurídicas, operacionais)</a>.</p><p>Para ser exato, não chega a “botar ordem”, e sim oferece caminhos para um ordenamento. <a href="https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=2384981&amp;filename=REDACAO%20FINAL%20PL%20182/2024%20(N%C2%BA%20Anterior:%20PL%202148/2015)">O texto do projeto de lei é complexo e detalhado</a>, e prevê (como sempre…) um prazo bem dilatado para ganhar diretrizes suplementares e mecanismos de regulamentação. Há áreas cinzas que podem gerar controvérsias, como questões de jurisdição para fiscalização dos projetos; é preciso haver uma sinergia bem afinada entre órgãos como o Ibama e os institutos estaduais de meio ambiente e a Comissão Nacional para Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (ConaREDD+), encarregada de sancionar os projetos de compensação de carbono.</p><p>Uma questão mais espinhosa é a <a href="https://ojoioeotrigo.com.br/2024/03/mercado-carbono-agronegocio/">conspícua ausência do agronegócio do texto final do PL.</a> A decisão de excluir do SBCE a “produção primária agropecuária, bem como os bens, benfeitorias e infraestrutura no interior de imóveis rurais a ela diretamente associados” foi, claro, costurada em acordo com a bancada ruralista. Dessa forma, a turma do #AgroÉPop está livre de cumprir requisitos de redução de emissões e outras exigências ligadas a compensações.</p><p>Mas o detalhe nada irrelevante é que o agro é responsável, <a href="https://oc.eco.br/wp-content/uploads/2023/10/SEEG_alimentares.pdf">de acordo com o Observatório do Clima, por mais de 70% das emissões brutas de carbono no país</a>. O Brasil ocupa a terceira posição no ranking mundial dos países que mais emitem por sistemas alimentares, atrás da China e Índia. Isso sem mencionar as tais “alterações do uso da terra”, nome bonito para <a href="https://www.dw.com/pt-br/brasil-perdeu-13-da-vegeta%C3%A7%C3%A3o-nativa-somente-nos-%C3%BAltimos-37-anos/a-62937040">desmatamento de florestas nativas para expansão de campos de pasto.</a> Um sistema de comércio de emissões que não inclua o agro terá sua eficácia muito comprometida.</p><p>Os proverbiais desafios &amp; oportunidades estão dados. O Brasil tem o potencial de se tornar o líder mundial na venda de créditos de carbono, e a criação do SBCE só eleva esse potencial. Mas o projeto de lei precisa sair do papel, de preferência em um prazo mais curto do que o previsto. Os mecanismos de regulação dos projetos e do ambiente comercial precisam considerar as lições do fracasso de Kyoto — dando meios para uma precificação correta, sem especulação, nem margem para gerar outra bolha como a de 2012. E é necessário incluir o agro no cenário, algo que, além dos óbvios benefícios ambientais, tornaria o mercado brasileiro ainda mais atrativo.</p><p>Tudo isso vai exigir cooperação intersetorial, legislação, negociação política, estratégia de negócios. São movimentos historicamente lentos. E a mudança climática só acelera. Assina logo, Lula.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*XsioGZ9D3t2fP2_M.jpeg" /><figcaption>Imagem meramente ilustrativa!</figcaption></figure><p><a href="https://medium.com/telhado-de-vidro/a-mudan%C3%A7a-clim%C3%A1tica-n%C3%A3o-tem-ideologia-d07be4e1fd9b"><em>Leia também</em>: <strong>A MUDANÇA CLIMÁTICA NÃO TEM IDEOLOGIA</strong></a></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=1d91f56b1d81" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/telhado-de-vidro/mercado-brasileiro-de-carbono-antes-tarde-antes-tarde-1d91f56b1d81">Mercado brasileiro de carbono: antes tarde, antes tarde</a> was originally published in <a href="https://medium.com/telhado-de-vidro">Telhado de Vidro</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Os sinais (de fumaça) do Project 2025]]></title>
            <link>https://medium.com/telhado-de-vidro/os-sinais-de-fuma%C3%A7a-do-project-2025-8988ce329e1f?source=rss----2e35cdf018c7---4</link>
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            <category><![CDATA[trump]]></category>
            <category><![CDATA[esg]]></category>
            <category><![CDATA[política]]></category>
            <category><![CDATA[mudança-climática]]></category>
            <category><![CDATA[sustentabilidade]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Marco Antonio Barbosa]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 19 Nov 2024 12:06:54 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-11-19T12:06:54.191Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>O segundo governo Donald Trump promete jogar mais gasolina na fogueira da mudança climática. E isso não é força de expressão</h4><p><strong><em>(Este é mais um post publicado originalmente no Substack. </em></strong><a href="https://bartbarbosa.substack.com/p/os-sinais-de-fumaca-do-project-2025"><strong><em>Inscreva-se na plataforma e me siga por lá!</em></strong></a><strong><em>)</em></strong></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/proxy/0*y0nKhIbe3PJ_VOz7.jpeg" /></figure><p>Desde que o mundo é mundo, os hemisférios têm estações invertidas. Quando é verão no Sul, é inverno no Norte. Quando faz frio em uma metade, tem calor na outra. Aprendi isso nas aulinhas de Estudos Sociais na 3ª série do primário, atual Ensino Fundamental. Essa verdade basal foi contrariada em 2024. Em junho, parecia ser verão nos dois hemisférios ao mesmo tempo, com recordes de temperatura registrados<a href="https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2024/09/18/inverno-2024-segundo-mais-quente-desde-1961.ghtml"> tanto na América do Sul</a> quanto na <a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2024-09/verao-de-2024-entra-para-historia-como-o-mais-quente-ja-registrado#:~:text=Ver%C3%A3o%20de%202024%20entra%20para%20a%20hist%C3%B3ria%20como%20o%20mais%20quente%20j%C3%A1%20registrado,-Temperaturas%20ultrapassaram%20recorde&amp;text=As%20temperaturas%20m%C3%A9dias%20globais%20durante,6)%20o%20observat%C3%B3rio%20europeu%20Copernicus.">Europa e na América do Norte</a>.</p><p>O calorão globalizado é só uma das consequências da <a href="https://history.aip.org/climate/timeline.htm">mudança climática que vem se intensificando desde o início da Revolução Industrial,</a> A se confirmarem as previsões dos cientistas, <a href="https://www.wfla.com/weather/climate-classroom/earths-hottest-weather-in-120000-years-its-just-getting-started/">2024 será o ano mais quente da história… de novo</a>. 2023 já tinha sido o ano mais quente. E antes, 2022. Vocês entenderam. Não adianta mais imaginar o que fazer para impedir a mudança. O foco agora é lidar com seus efeitos, que incluem não apenas<a href="https://wmo.int/topics/extreme-weather#:~:text=breaking%20390%2C000%20hectares.-,Overview,drought%2C%20tornadoes%20and%20tropical%20cyclones."> eventos climáticos extremos</a> e cada vez mais frequentes. Mas também com a piora concreta na vida cotidiana de bilhões de pessoas — <a href="https://wmo.int/media/news/africa-faces-disproportionate-burden-from-climate-change-and-adaptation-costs">pessoas pobres, em primeiro lugar.</a></p><p>E de que forma os Estados Unidos — o país que mais emite gases do efeito estufa per capita e o maior consumidor de bens industrializados do mundo — se comportam diante dessa realidade? <a href="https://www.bbc.com/news/articles/c5ygplyg09ro">Os Estados Unidos elegeram, em outubro de 2024 (mais uma vez), um presidente que desdenha da mudança climática, publicamente comprometido em apoiar a produção e o consumo de combustíveis fósseis</a>.</p><p>Como um dos motores da economia mundial, os EUA ditam muitos dos caminhos que o resto do mundo tomará no enfrentamento às mudanças climáticas. (<a href="https://english.mee.gov.cn/Resources/Reports/reports/202211/P020221110605466439270.pdf">O outro motor — mais potente que os EUA, aliás — é assunto para um segundo post.</a>) Para entender quais serão esses caminhos durante o segundo governo Donald Trump, eu me embrenhei no conteúdo de um <a href="https://www.heritage.org/press/project-2025-publishes-comprehensive-policy-guide-mandate-leadership-the-conservative-promise">documentinho chamado <em>2025 — Mandate for Leadership: the Conservative Promise.</em></a><em> </em>O PDF de 922 (!!!) páginas é um “manual prático” para a implementação do <a href="https://www.project2025.org/">Project 2025, um “movimento histórico, construído em conjunto por mais de 100 respeitadas organizações conservadoras, para derrubar o <em>Deep State</em> e devolver o governo ao povo”.</a></p><p>Trump buscou, mais de uma vez,<a href="https://www.theguardian.com/us-news/2024/oct/17/trump-team-project-2025-banned-staffers"> se dissociar publicamente do Project 2025</a> durante sua campanha. Mas a iniciativa, coordenada pelo think tank direitista <a href="https://www.heritage.org/">Heritage Foundation</a>, será, <a href="https://www.newsweek.com/maga-project-2025-agenda-1981975">na prática, a agenda cumprida pelo segundo governo do bilionário</a>. De forma a obter um levantamento bem objetivo, peguei o calhamaço e dei um CTRL+F em termos ligados à mudança climática e à sustentabilidade em geral — levando em conta que, entre suas diretrizes principais, o Project 2025 vai buscar “liberar a produção de energia nos EUA para reduzir preços”. Contabilizei quantas vezes o <em>Mandate for Leadership </em>cita esses termos e analisei o discurso e as propostas para os temas.</p><p>Apertem os cintos. E quem puder, ligue o ar condicionado.</p><h3>Como o 2º governo Trump vai tratar a emergência climática:</h3><ul><li><strong>Mudança climática (<em>climate change</em>): 55 menções no <em>Mandate for Leadership</em>. </strong>O documento afirma (p. 257) que, com sua “política extrema de mudanças climáticas e sua agenda contra combustíveis fósseis”, a administração Biden “piorou a insegurança alimentar global, aumentou os custos de energia, causou fome e violência política”. Mais diretamente ao ponto, a ideia é de que o governo dos EUA deve “cancelar todos os programas, agências e diretivas voltadas ao avanço do Acordo de Paris (…) e encerrar a colaboração com fundações progressivas, corporações, instituições internacionais e ONGs que advogam em nome do fanatismo climático” (p. 257–256). No plano econômico, o setor de mudança climática do Departamento do Tesouro deve ser eliminado, bem como “qualquer acordo climático que seja inimigo da prosperidade dos EUA” (p.708–709).<br>Outros trechos do documento enfatizam como “a ‘agenda esquerdista de engenharia social’ (aspas do original) (…) empoderou ativistas da mudança climática às custas dos trabalhadores dos EUA” (p. 286); que, em relação ao agronegócio, o governo deve colocar a produtividade e a acessibilidade financeira aos alimentos na frente de “questões secundárias” como a mudança climática (p. 293); e que a atual crise energética não foi criada por falta de recursos e sim por “políticas ‘verdes’ extremas”, que criaram uma “escassez artificial” de energia (p. 363–364).</li><li><strong>Combustíveis fósseis (<em>fossil fuels</em>): 14 menções. </strong>Os EUA devem “encerrar a guerra não-provocada aos combustíveis fósseis” (p. 286). Precisam “trabalhar com o México e com o Canadá (…) para reduzir a dependência de fontes distantes de combustíveis fósseis” (p. 184). E vão derrubar “requisitos de redução de consumo de combustíveis que nunca foram aprovados pelo Congresso e que não podem ser cumpridos pela maioria dos veículos movidos a gasolina” (p. 287). Aspectos ambientais como a mudança climática não devem ser consideradas como razões para deter projetos de extração de gás natural (p. 408).</li><li><strong>Carbono (<em>carbon</em>), como em “gestão” e/ou “captura” de carbono: 30 menções.</strong> As mudanças propostas começam com a extinção do Escritório de Gestão de Energia Fóssil e Carbono (FECM). Se for impossível, o órgão deve reassumir sua “missão de garantir a segurança energética por meio de combustíveis fósseis” (p. 377). Outros objetivos passam por encerrar o uso de programas de captura e estoque de carbono (p. 376), acabar com programas de subsídios à descarbonização (p. 377) e eliminar o Grupo de Trabalho Interdepartamental sobre o Custo Social do Carbono (p. 94).</li><li><strong>Renovável (<em>renewable</em>), como em “energia renovável”: 38 menções. </strong>Todos os programas de incentivo à produção de energias renováveis devem ser suspensos, assim como a “guerra ao petróleo e ao gás” (p. 365). Fontes renováveis integradas à rede nacional de distribuição “diminuem a confiabilidade do sistema” e devem ser limitadas (p. 401). Os investimentos em energias renováveis não devem ser justificados por seus “vagos benefícios sociais” (p. 406).</li><li><strong>Emissões (<em>emissions</em>): 23 menções. </strong>O governo Trump deve encerrar o Programa de Reporte de Emissões de Gases do Efeito Estufa para todas as fontes que já não sejam reguladas — pois representa um “peso inútil” para as empresas. O foco da gestão energética deve ser desviado da redução de emissões de carbono para a garantia do acesso à energia (p. 378).</li><li><strong>ESG: 37 menções. </strong>As políticas públicas voltadas ao meio ambiente, ao social e à governança só merecem desprezo dos Republicanos. “Políticas guiadas por interesses ideológicos estão dirigindo grandes quantias de dinheiro a grupos privilegiados e tornando a América dependente da energia fornecida por adversários como a China” (p. 363–364). Fundos de pensão governamentais deixarão de considerar aspectos ESG em seus investimentos (p. 606). O Congresso deve se opor a qualquer proposta de redefinição de propósitos de setores da economia em nome de fatores ESG (p. 832). Para encerrar qualquer dúvida, o documento cita a célebre frase de Milton Friedman na página 871: “A única responsabilidade social de uma empresa é a de aumentar seus lucros”.</li></ul><p>Nenhum desses direcionamentos parece muito surpreendente, ainda que seja chocante lê-los de forma tão explícita e detalhada. Para além de todo histórico de Trump e da direita norte-americana em relação à mudança climática, a campanha vitoriosa recebeu uma <a href="https://thehill.com/policy/energy-environment/4961820-oil-bigwigs-open-wallets-for-trump-after-billion-dollar-request/">bolada em doações da indústria de óleo e gás</a>. As <a href="https://www.usatoday.com/story/money/2024/11/06/trump-presidency-may-help-automakers/76097003007/">montadoras de automóveis nos EUA também</a> estão sorrindo de orelha a orelha com a vitória Republicana. (Mesmo que <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/trump-diz-que-elon-musk-vai-liderar-novo-departamento-de-eficiencia-do-governo/">o empresário mais beneficiado</a> seja conhecido por <a href="https://www.msn.com/en-us/money/companies/tesla-stock-rebounds-as-trump-taps-elon-musk-for-government-efficiency-role-analyst-hails-poker-move-for-ages-retail-holds-back/ar-AA1u1bud?ocid=finance-verthp-feeds">produzir carros elétricos</a>.)</p><p>Quando ainda se pensava em formas de evitar a mudança do clima, cientistas apontavam para os riscos da manutenção de <a href="https://archive.ipcc.ch/ipccreports/1992%20IPCC%20Supplement/IPCC_1990_and_1992_Assessments/English/ipcc_90_92_assessments_far_overview.pdf">um modelo econômico conhecido como <em>business-as-usual</em></a><em> — </em>no qual não haveria esforços coordenados para reduzir emissões e acelerar a transformação energética para combustíveis renováveis. O cenário implicaria, até 2050, em consequências catastróficas como aumentos significativos dos níveis dos oceanos, elevação de até 100% nos níveis de carbono na atmosfera e, claro, temperaturas globais cada vez mais altas.</p><p>O retorno de Trump à Casa Branca representa um passo além (aquém, na verdade) do <em>business-as-usual. </em>Representa a vitória de uma coalizão que despreza a sustentabilidade ambiental e social dos EUA e, por tabela, a sustentabilidade do resto do mundo. É improvável que a nova gestão consiga concretizar todas as propostas do Project 2025. Mesmo assim, <a href="https://edition.cnn.com/2024/11/06/politics/second-term-donald-trump/index.html">um governo Trump mais eficiente e desimpedido</a> deve promover um tremendo retrocesso nas políticas norte-americanas de preservação do meio ambiente. Isso sem considerar <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2024/11/argentina-retira-delegacao-da-cop-e-cresce-alerta-para-agenda-negacionista-de-milei.shtml">as iniciativas similares em outros países</a>, replicadas por governantes que se espelham no bilionário de tez alaranjada.</p><p>Em 2018, às vésperas da posse de Jair Bolsonaro, eu escrevi <a href="https://medium.com/telhado-de-vidro/a-mudan%C3%A7a-clim%C3%A1tica-n%C3%A3o-tem-ideologia-d07be4e1fd9b">um texto sobre os perigos de tratar questões ambientais com um viés ideológico</a>. Quando governantes (de direita) eleitos passam a olhar a preservação do meio ambiente como uma bandeira esquerdista, encontram uma justificativa ideal para não fazer coisa alguma, ou pior: desfazer o pouco que já foi feito. Vivemos essa história entre 2019 e 2022, período marcado pela <a href="https://infoamazonia.org/2022/10/28/imagens-satelite-desmatamento-amazonia-governo-bolsonaro/">leniência com a devastação</a> e pelo <a href="https://amazoniareal.com.br/fiscalizacao-ambiental/">desmonte dos órgãos públicos de proteção.</a></p><p>Pode ser tarde demais para contermos a mudança climática, mas ainda há tempo para mitigarmos seus piores impactos. E se a iniciativa não vem do Norte, cabe ao Sul tomar a dianteira. O Brasil vai sediar a <a href="https://www.gov.br/planalto/pt-br/agenda-internacional/missoes-internacionais/cop28/cop-30-no-brasil">Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025</a>. Somos uma potência global na geração de energia renovável e na produção de biocombustíveis. E temos a capacidade de puxar o esforço internacional de cooperação para acelerar a transição energética. O Project 2025 não precisa ser nosso projeto para 2025. Muito menos para a eleição de 2026.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=8988ce329e1f" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/telhado-de-vidro/os-sinais-de-fuma%C3%A7a-do-project-2025-8988ce329e1f">Os sinais (de fumaça) do Project 2025</a> was originally published in <a href="https://medium.com/telhado-de-vidro">Telhado de Vidro</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[NÃO é o identitarismo, estúpido]]></title>
            <link>https://medium.com/telhado-de-vidro/n%C3%A3o-%C3%A9-o-identitarismo-est%C3%BApido-a06bda942ead?source=rss----2e35cdf018c7---4</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/a06bda942ead</guid>
            <category><![CDATA[esquerda]]></category>
            <category><![CDATA[mídias-sociais]]></category>
            <category><![CDATA[identitarismo]]></category>
            <category><![CDATA[politica]]></category>
            <category><![CDATA[plataformas]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Marco Antonio Barbosa]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 12 Nov 2024 15:27:57 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-11-12T15:27:57.259Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>A “crise” na comunicação da esquerda é mais que uma crise: é um dilema estrutural. E as mídias sociais são o problema, não a solução</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/proxy/0*-6Ov0LNKoY0g7aUj.png" /><figcaption>Charge de Laerte para a Folha de S.Paulo, 07/11/2024</figcaption></figure><blockquote><strong>“É a economia, estúpido.” — </strong>frase cunhada pelo estrategista <a href="https://bipartisanpolicy.org/person/james-carville/">James Carville</a> como um dos lemas da campanha que levou Bill Clinton à vitória na eleição presidencial norte-americana de 1992. Referia-se à exploração insistente da incapacidade do governo George Bush (1989–1993) de reagir à recessão na economia dos EUA.</blockquote><blockquote><strong>“Todo o avanço — e barateamento, clássico-capitalisticamente falando — da tecnologia em ferramentas de produção de imagem / texto funcionou, com a passagem do tempo, como uma alavanca empoderadora das individualidades” — </strong><a href="https://www.facebook.com/kayo.iglesias/">Kayo Iglesias</a>, jornalista especializado em estratégia política e marketing eleitoral.</blockquote><p>Certas opiniões têm o poder de se tornarem fatos consumados. Depende de quem opina, depende de quantas vezes a opinião é repetida, depende de quem está repetindo a opinião, depende de quem ouve a opinião. Os brasileiros habituados a discutir política nas plataformas de mídia social certamente já leram alguma variação das seguinte frase:</p><p><em>“O identitarismo está matando a esquerda”</em></p><p>Gente de direita, de centro e de esquerda tem repetido essa opinião há anos, com tamanho afinco e com tanta repercussão, que de opinião passou a ser fato. Resumindo o fio da meada: a atual crise enfrentada pela esquerda se deve à prevalência, entre sua militância, de um tal “discurso identitário” fixado em discussões de gênero e etnia.</p><p>Essas falas se tornaram (teriam se tornado?) a principal preocupação de partidos, seus representantes eleitos e militantes, substituindo as tradicionais pautas econômicas, trabalhistas e sociais. E essas questões ~identitárias~ seriam rejeitadas pelo povão, que tem respondido a cada dois anos votando maciçamente em partidos de direita. <a href="https://noticias.uol.com.br/eleicoes/2024/10/27/eleicoes-consolidam-centrao-enfraquecem-pt-e-racham-direita-no-pais.htm">O magérrimo resultado de PT, PSOL, PDT (ainda é esquerda?) e outras legendas canhotas nas recentes eleições municipais</a> confirmaria a hipótese, completando a transição de opinião para fato.</p><p>Eu tenho muitas reservas em relação aos dados apresentados no parágrafo anterior. Antes de apresenta-las, vale um <em>disclaimer: </em>eu não entendo coisa alguma de política e este espaço não foi criado para falar de política. Mas entendo alguma coisa de comunicação. E comunicação é pauta aqui.</p><p>Para mim, a ~crise~ na comunicação da esquerda não é uma crise, se pensarmos na definição da palavra. Crise é um momento conjuntural agudo, temporário e excepcional dentro de um dado cenário. A esquerda não passa por uma crise. Os problemas atuais não são <em>conjunturais</em>, e sim <em>estruturais. </em>E esses problemas não se devem à insistência no ~identitarismo~, uma expressão vazia <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Identitarian_movement">originada na direita</a> e que virou mais um dos <a href="https://medium.com/telhado-de-vidro/a-cultura-do-cancelamento-%C3%A9-o-novo-politicamente-correto-15fac3ad220c">espantalhos usados pela própria direita para deslegitimar lutas e discussões movidas por grupos progressistas.</a></p><p>O ~identitarismo~ (<a href="https://blogdoims.com.br/ironia-por-pedro-telles-da-silveira/">e sim, continuarei a usar a expressão entre dois “~”</a>) pode estar em alta nas discussões movidas pela esquerda nos círculos acadêmicos e em intermináveis debates nas mídias sociais. Na vida cotidiana do brasileiro, especialmente daquele brasileiro que mal sabe da existência do X Twitter, é um não-assunto.</p><p><a href="https://medium.com/@marcoantoniobarbosa/a-queima-do-ipi-reduzido-c765a935a94b">Imagine a cidade de São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro</a> — que acaba de <a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/eleicoes/2024/noticia/2024/10/06/capitao-nelson-do-pl-e-reeleito-prefeito-de-sao-goncalo.ghtml">reeleger, em primeiro turno, um prefeito bolsonarista</a>. Imagine dois cidadãos são-gonçalenses sentados na aprazível Praça Luiz Palmier, discutindo as eleições. “É, não votei na esquerda porque o candidato não parava de falar em direitos reprodutivos, reparação histórica aos descendentes de escravizados e igualdade de oportunidades para transgêneros…” Esta cena nunca aconteceu, nunca acontecerá.</p><p>Quantas vezes já lemos por aí expressões como “A esquerda não sabe se comunicar nas redes”, “A direita domina o discurso nas mídias sociais” e variações sobre esses temas? A proposição deveria ser invertida:<em> </em><a href="https://medium.com/telhado-de-vidro/acreditar-em-kit-gay-v%C3%A1-l%C3%A1-mas-40-anos-de-contribui%C3%A7%C3%A3o-4a72c0c927b0"><em>as mídias sociais é que não servem para propagar as mensagens da esquerda</em>.</a></p><p>Não é do ~identitarismo~ ou de qualquer outra corrente ideológica a responsabilidade sobre a falta de alcance do ideário de esquerda nas plataformas. É, repito, uma questão estrutural. Num mundo no qual toda comunicação é mediada pelas plataformas, a esquerda sempre terá dificuldade para se expressar. Porque a esquerda fala para o coletivo, enquanto as plataformas só se importam com o indivíduo. Mais: a esquerda depende de consenso e tolerância, enquanto as plataformas lucram com o dissenso e a controvérsia.</p><p>Nos dias de hoje, as mídias sociais são, a um só tempo, a arena onde a opinião pública é debatida e a <em>própria opinião pública</em>. Emissores, receptores, mensagens e meios se confundem, influenciando o pensamento e o discurso dos atores sociais e reverberando para o mundo real, num feedback interminável.</p><p>Toda questão relevante é encampada pelas plataformas de mídia social; de modo complementar, toda questão discutida nas plataformas se torna relevante <em>justamente por ser discutida </em>nas mídias sociais. Essa correlação se tornou, com a chegada dos smartphones e da internet móvel rápida, o mais importante direcionador da comunicação humana contemporânea. É uma atualização da velha provocação filosófica sobre a árvore caindo na floresta. <em>Se um fato importante acontece e ninguém nas plataformas o repercute, esse fato é realmente importante?</em></p><p>WhatsApp, Twitter, Facebook, Instagram, <a href="https://bartbarbosa.substack.com/p/no-threads-todos-sao-protagonistas">Threads </a><em>et. al. </em>servem para falar <em>de</em> e <em>aos indivíduos</em>, transmitindo mensagens que apelam ao <em>irracional</em>. A esquerda patina nas plataformas porque busca falar à <em>coletividade</em>, transmitindo mensagens que exigem <em>reflexão</em>. Conceitos abstratos voltados ao coletivo — cidadania, tolerância, igualdade, direitos humanos, responsabilidades do poder público — simplesmente não conseguem competir com discursos formatados para inflamar opiniões e obter reações instintivas. <a href="https://piaui.folha.uol.com.br/como-os-algoritmos-hackeiam-mente-humana/">Que, como todos sabemos, são o conteúdo preferido dos algoritmos das plataformas</a>. E, não por acaso, especialidade dos influencers de direita.</p><p>Voltemos aos hipotéticos cidadãos de São Gonçalo apresentados lá em cima. <a href="https://medium.com/telhado-de-vidro/%C3%A9-%C3%A9-pra-ajudar-voc%C3%AAs-6d87d60e7ce3">Como tantos outros brasileiros periféricos, os são-gonçalenses sofrem com o descaso histórico do poder público e com a ausência da formação de uma consciência cidadã. </a>Quando essas pessoas usam seus smartphones, o que chama a atenção delas não são mensagens positivas sobre valores progressistas. Muito menos os tão demonizados discursos ~identitários~. <a href="https://bartbarbosa.substack.com/p/atualizando-mcluhan-hoje-o-emissor">Serão ataques, acusações e mentiras criadas para gerar engajamento e ganhar tração online</a>. Ou, mais recentemente, <a href="https://bartbarbosa.substack.com/p/o-coach-e-a-pos-politica-deu-match">promessas mágicas de riqueza e fartura por meio de “empreendedorismo” e “novos mindsets”</a>, voltados à exacerbação do individualismo.</p><p>De um lado, há o (muito real) mundo cão pintado pela direita, que faz todo o sentido para quem o vive na pele cotidianamente. De outro o blá-blá-blá dos coaches e influencers, que seduzem ao acenar com um empoderamento que o estado e a coletividade não podem prover. Diante disso, as mensagens progressistas parecem, na melhor das hipóteses, descoladas da realidade. Na pior, uma demonstração de hipocrisia politicamente correta.</p><p>Então não é a nova esquerda ~identitária~ quem está matando a velha esquerda ~social~ nas redes. O buraco é muito mais embaixo. <em>Toda </em>a esquerda está se afogando neste admirável pântano novo das <a href="https://bartbarbosa.substack.com/p/o-homo-plataformus-chega-em-breve">plataformas, construído para valorizar o ego e fragmentar o coletivo</a>. Por ser estrutural, o desafio parece ainda mais intransponível. A esquerda pode mudar seu discurso para competir em iguais condições com a nova direita plataformizada? Se sim, ainda poderá ser chamada de esquerda?</p><p>Gostaria de encerrar o texto com respostas. Mas, como já disse, não entendo coisa alguma de política.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/567/0*8iboH4J50ESiELBc.jpeg" /></figure><p>P.S.: <em>escrevi este post logo após o segundo turno das eleições municipais e o engavetei. De lá para cá, </em><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c629qwxpz6wo"><em>aconteceu um negócio meio chato lá nos Estados Unidos da América do Norte.</em></a><em> Tenho lido bastante material repercutindo a vitória de Trump: razões sociais, políticas e históricas que levaram os EUA a reelegê-lo. Pertinentemente a este post, o site </em><a href="https://www.theatlantic.com/newsletters/archive/2024/11/trump-voters-got-what-they-wanted/680564/?utm_source=copy-link&amp;utm_medium=social&amp;utm_campaign=share"><em>The Atlantic publicou um artigo muito interessante em 07/11, intitulado “Os eleitores de Trump conseguiram o que queriam”</em></a><em>. Traduzo abaixo alguns trechos que tangenciam os pontos do meu escrito:</em></p><blockquote>“No fim, a maioria dos eleitores americanos escolheu Trump porque queriam o que ele estava <strong><em>vendendo </em></strong>(grifo meu): um reality show non-stop de raiva e ressentimento (….) Desavenças raciais, insatisfação diante das atribulações da vida (…) e ressentimento dirigido às vis elites de cidades distantes não podem ser aplacados com políticas de habitação popular ou cortes nas taxas de juros.</blockquote><blockquote>Nenhum candidato pode oferecer propostas políticas e fatos a eleitores que não têm interesse real nessas coisas. Esses eleitores gostam das promessas de vingança social que escorrem de Trump, da retórica de machão, das soluções simplistas do tipo ‘Eu vou dar um jeito nisso’”.</blockquote><p><em>Esse é o tipo de comunicação política que interessa às plataformas de mídia social: raiva e ressentimento, vingança e soluções simplistas. A esquerda não tem como oferecer isso. Se tem, já deixou de ser esquerda.</em></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=a06bda942ead" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/telhado-de-vidro/n%C3%A3o-%C3%A9-o-identitarismo-est%C3%BApido-a06bda942ead">NÃO é o identitarismo, estúpido</a> was originally published in <a href="https://medium.com/telhado-de-vidro">Telhado de Vidro</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[Um oligarca em cima do muro]]></title>
            <link>https://medium.com/telhado-de-vidro/um-oligarca-em-cima-do-muro-9e4128e91632?source=rss----2e35cdf018c7---4</link>
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            <category><![CDATA[plataformas]]></category>
            <category><![CDATA[jeff-bezos]]></category>
            <category><![CDATA[jornalismo]]></category>
            <category><![CDATA[donald-trump]]></category>
            <category><![CDATA[politica]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Marco Antonio Barbosa]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 04 Nov 2024 18:22:27 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-11-04T18:22:27.313Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>Jeff Bezos impediu o ‘Washington Times’ de apoiar a candidatura de Kamala Harris. Na prática, isso equivale a um endosso envergonhado (ou cínico) a Donald Trump</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*tTcZ_HHvWy2za1v2.png" /><figcaption>Jeff Bezos em um momento de descontração.</figcaption></figure><p>A tradição da imprensa dos EUA de anunciar apoio público a candidatos à presidência é quase tão antiga quanto as próprias eleições presidenciais. Em 1860 (a 16ª disputa pela Casa Branca), o <em>The New York Times </em>inaugurava o conceito do <em>press endorsement </em>ao apontar, em um editorial, o Republicano Abraham Lincoln como o melhor postulante ao cargo, ressaltando sua “disposição conciliatória” e sua “tolerância”.</p><p><a href="https://www.nytimes.com/interactive/2016/09/23/opinion/presidential-endorsement-timeline.html">Mantendo o costume secular</a>, o mais respeitado jornal dos EUA publicou em setembro último sua carta de apoio a Kamala Harris, rotulando a candidata Democrata como “a única escolha patriótica”. E tudo bem. O endosso público (que não significa engajamento na campanha endossada) é coerente com a visão norte-americana do papel da imprensa dentro de uma democracia liberal (“liberal” no sentido político). Os veículos assumem a responsabilidade de apontar qual candidato serviria melhor ao povo, de acordo com sua linha editorial e seus princípios jornalísticos.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/626/0*SdWR6Bjx2d3f6rL2.png" /><figcaption>Trecho do editorial do <em>NYT </em>em apoio a Lincoln, 11/10/1860.</figcaption></figure><p>A ideia pode parecer meio bizarra para os brasileiros. <a href="https://acervo.oglobo.globo.com/rio-de-historias/inspirado-nos-eua-novo-jornalismo-ganha-forca-nas-redacoes-cariocas-8926588">Desde a modernização da imprensa local</a>, caiu em desuso o ato de apoiar oficialmente políticos em campanha. Extraoficialmente, decerto, a história é outra.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/812/0*yiiUy_1mI1OKwVFH.png" /><figcaption>Notaram algo em comum?</figcaption></figure><p>Voltando aos EUA: junto ao <em>Times, </em>dezenas de veículos nacionais e locais também publicaram seus editoriais de indicação (<a href="https://en.wikipedia.org/wiki/News_media_endorsements_in_the_2024_United_States_presidential_election">há uma lista sucinta aqui</a>). Na relação, uma ausência conspícua: o <em>The Washington Post, </em>principal diário da capital e competidor n°1 do <em>NYT</em> entre os impressos de circulação nacional. A última vez que o <em>WP </em>deixou de publicar um editorial de apoio tinha sido em 1988 (George Bush pai vs. Michael Dukakis).</p><p>A decisão de não endossar candidato algum veio diretamente do dono do <em>WP, </em>Jeff Bezos, que, não sei se vocês sabem, também é proprietário de <a href="http://www.amazon.com/">uma modesta plataforma de comércio on-line.</a> A equipe de opinião do jornal tinha preparado um editorial indicando Kamala. Na semana passada, Bezos ordenou não apenas que o texto fosse arquivado; também instruiu o diretor de redação Will Lewis a anunciar que o <em>Post </em>não mais faria anúncios públicos de apoio dali em diante. Os bastidores da manobra estão narrados <a href="https://www.nytimes.com/2024/10/27/business/media/washington-post-president-endorsement.html">neste relato do <em>New York Times.</em></a></p><p>Acontece que a eleição presidencial de 2024 não é qualquer eleição presidencial. Os EUA estão diante de uma encruzilhada existencial, talvez a mais crucial desde a Guerra Civil (1861–1865). Donald Trump não faz segredo de suas intenções de desmantelar as instituições democráticas do país e de aprofundar suas veleidades ditatoriais. É um daqueles momentos em que não há como ficar em cima do muro. Apoiar nenhum dos dois equivale, na prática, a um voto silencioso — talvez envergonhado, provavelmente apenas cínico — em Trump.</p><p>E trata-se de uma questão existencial ainda mais literal para a própria imprensa. O ex-presidente derrotado em 2020 <a href="https://www.npr.org/2024/10/22/nx-s1-5161480/trump-media-threats-abc-cbs-60-minutes-journalists">prometeu mandar prender repórteres e editores e fechar emissoras de TV que o desagradem</a>, se reeleito. Por isso mesmo, dos mais de 150 veículos contabilizados pela Wikipedia na lista citada acima, apenas 15 declararam apoio aberto a Trump.</p><p>A amarelada histórica do <em>Washington Post</em> teve repercussões imediatas e pesadas. <a href="https://www.washingtonpost.com/opinions/2024/10/25/post-columnist-no-endorsement-2024-trump-harris/">Dezenove colunistas do jornal publicaram uma carta conjunta, rotulando a decisão de Bezos como “um erro terrível”</a>. Outros membros graduados da redação pediram demissão. Figuras importantes na história do jornal, como <a href="https://www.salon.com/2024/10/26/surprising-and-disappointing-woodward-and-bernstein-respond-to-bezos-blocking-wapo-endorsement/">Carl Bernstein e Bob Woodward</a> (é, os caras de Watergate), se declararam “surpresos e desapontados”. E em menos de uma semana, <a href="https://www.npr.org/2024/10/28/nx-s1-5168416/washington-post-bezos-endorsement-president-cancellations-resignations">o veículo perdeu mais de 200 mil assinantes.</a> Confrontado com essas consequências, o chefão da Amazon <a href="https://www.washingtonpost.com/opinions/2024/10/28/jeff-bezos-washington-post-trust/">publicou em 28 de outubro um editorial</a> explicando suas razões. A emenda, claro, ficou pior que o soneto.</p><p>Em resumo, Bezos afirmou no texto que o povo americano não acredita mais na imprensa, e que deixar de endossar uma candidatura presidencial em 2024 é um passo para aumentar a credibilidade do jornalismo junto à sociedade. Ele se identifica como jornalista (e não como o segundo homem mais rico e controlador de um império multitentacular e com alcance global). E garante: “Nunca impus minha vontade sobre qualquer pessoa do <em>Washington Post </em>para favorecer meus próprios interesses”. (Esta declaração certamente foi incluída para rebater acusações de conflito de interesses, uma vez que <a href="https://www.theguardian.com/media/2024/oct/27/bezos-washington-post-non-endorsement-election">funcionários de uma das empresas de Bezos se encontraram com Trump algumas horas antes do fatídico anúncio do <em>WP</em></a>.)</p><p>Há muito que ler nas linhas da carta de Bezos. E mais ainda nas entrelinhas. Apesar de retratar-se como “jornalista”, o careca da Amazon é na verdade um oligarca plataformizado, como aponta corretamente o verbete com sua biografia na Wikipedia. (Lembra o caso brasileiro de Roberto Marinho, um dos empresários mais ricos da história do Brasil, que preferia ser chamado de “jornalista”.) Bezos comprou o <em>Washington Post</em> em 2013, interessado não em retorno financeiro e muito menos em transformar o diário em uma “voz confiável e independente” (palavras do editorial), mas sim na influência social e política a ser amealhada.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/516/0*oJvj2p6UMSzBsqE2.png" /></figure><p>Elon Musk, outro oligarca dono de plataforma, <a href="https://medium.com/telhado-de-vidro/top-10-li%C3%A7%C3%B5es-que-aprendemos-com-elon-musk-no-twitter-a860ec2c03ee">atualizou a manobra de Bezos nove anos depois, ao adquirir o Twitter. O interesse era o mesmo: exercer controle sobre a formação da opinião pública.</a> Em 2013, comprar um jornal já parecia um tanto incongruente; em 2022, óbvio que o alvo seria uma rede de mídia social.</p><p><a href="https://edition.cnn.com/2024/10/27/politics/big-tech-ceos-donald-trump-election/index.html">Para Musk, Bezos, Zuckerberg e outros bilionários da tecnologia</a>, um segundo mandato de Trump seria preferível a uma vitória de Kamala Harris. O Republicano vem acenando com promessas de (mais) desregulamentação de diversos setores e (novos) cortes de impostos para os mais ricos. <a href="https://capitalandmain.com/why-some-silicon-valley-billionaire-bros-want-trump-to-be-the-ceo-of-america">Musk, Peter Thiel, Mark Cuban e os irmãos Winklevoss já embarcaram de mala &amp; cuia na campanha de Trump.</a> Outros magnatas têm sido mais discretos, mas a preferência é inequívoca e 100% previsível.</p><p>Em sua cartinha passa-pano, Bezos ainda invoca o mito da imparcialidade jornalística para justificar seu apoio mudo a Trump. “Endossos a candidatos criam uma percepção de falta de independência. Encerrar a prática é uma decisão correta e baseada em princípios (…) Declinar apoio a um dos candidatos não será o suficiente para elevar muito a confiança do público no <em>Washington Post, </em>mas é um passo relevante na direção certa.”</p><p>Ora. Imparcialidade jornalística é uma coisa. “Isentismo” e “doisladismo” crônicos são outras, especialmente quando há tanto em jogo. A imparcialidade é uma prática que deve ser exercitada pelas redações dia a dia, e não um ideal platônico a ser lembrado em momentos convenientes. Reconhecer e discutir o perigo que Trump representa para os EUA (e para o mundo) também é jornalismo. Tirar o corpo fora é negar aos leitores do <em>Post </em>a verdade — e a verdade é o verdadeiro negócio do jornalismo, não uma isenção utópica, claramente motivada por interesses pessoais.</p><p>Bezos insiste em se classificar como jornalista, mas atuou como dono de plataforma ao intervir em seu próprio jornal. Proprietário do maior sistema de e-commerce do mundo e do maior serviço de <em>cloud computing </em>do planeta, o bilionário acredita ter poderes que superam os do presidente de qualquer país, incluindo os EUA. Nessa linha de raciocínio, ele pode se dar ao luxo de assumir a posição de “isento” em uma eleição. Como todo controlador de plataforma transnacional, acredita estar acima de questões “menores” — ainda que se trate de uma eleição decisiva para o futuro do mundo. E, ao mesmo tempo, tenta disfarçar (mal) suas preferências ideológicas. Ainda assim, as entrelinhas estão lá, para quem sabe lê-las.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/709/0*NleulSJ-WoiSEgGI.png" /><figcaption>Esse “right direction” aí teria sido um ato falho?</figcaption></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=9e4128e91632" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/telhado-de-vidro/um-oligarca-em-cima-do-muro-9e4128e91632">Um oligarca em cima do muro</a> was originally published in <a href="https://medium.com/telhado-de-vidro">Telhado de Vidro</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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