Os últimos dias de NaNo são os piores: sobre prazos, metas e adicção em cafeína

Em primeiro lugar, eu peço desculpas por ter demorado tanto para postar esse texto. Ele estava há dias parado aqui e eu não terminei de escrevê-lo por falta de vergonha na cara mesmo. Dito isso, vamos para o nosso último post do mês de novembro:

Apesar de estar encarando um fim de semestre bem cruel e cheio de trabalhos na faculdade, eu estava bastante adiantada no NaNo na primeira quinzena de novembro e a principal razão para isso foi o fato de eu ter planejado em outubro toda a história que escreveria durante esse mês (planners 1 x 0 pantsers).

O objetivo do NaNoWriMo é que você escreva 50 mil palavras até dia o 30 desse mês cheio de loucuras e correria que é novembro e para isso você precisa produzir uma média de 1667 palavras por dia (o site do Nano inclusive gera um gráfico comparando a sua wordcount com a média de palavras que você deveria ter escrito até então se quiser ter 50 mil no último dia do mês, para você ter uma ideia de quão atrasado e fodido você está). No entanto, logo no primeiro dia de novembro eu escrevi quase 5 mil palavras e três dias depois já tinha dobrado esse número. Aí mesmo que eu tenha escrito quase nada no dia 7, compensei escrevendo 4 mil palavras no dia 9 e eu estava me sentindo a última bolacha do pacote com todo esse progresso. Eu, que nunca acreditei que conseguiria escrever o suficiente em um mês vencer o NaNo, estive acima da meta diária todos os dias do mês até então.

Mas aí chegou o dia 10 eu não escrevi uma palavra sequer. E em uma semana, a meta tinha me dado um olé.

Na vida, eu sou o jogador e a wordcount é a bola

Ver a minha wordcount estagnada e os meus sonhos de acabar o NaNoWriMo se afastando não foi fácil. O sonho de completar o desafio, que antes me parecia tão próximo, estava me escapando pelos dedos e isso me desmotivou muito num primeiro momento. Depois de quatro dias sem escrever, eu consegui me convencer a dar um gás na minha história porque faltava muito pouquinho para ela acabar — e com isso eu não só acabei a minha história (como você pode ver aqui), mas fiquei a pouco mais de mil palavras distante de não estar mais atrasada. Só mil palavras. Depois disso foi só uma questão de me esforçar um pouquinho todos os dias e pronto: desde o dia 22 de novembro, eu não estou mais atrasada com a minha wordcount.

Não vou dizer que foi tão fácil quanto nos primeiros dias porque não foi e não é assim com ninguém, os últimos dias do NaNo são mais sofridos do que os primeiros. Mas isso não significa que você não vai sobreviver a eles.

Na última semana, eu acordei cedo em dia de prova da faculdade para escrever ao invés de estudar (você pode ver no que isso deu aqui), eu entrei pros Cafeinólotras Anônimos e dormi em cima do computador mais vezes do que eu gostaria de admitir na tentativa desesperada de ter 50 mil palavras escritas até segunda feira.

E eu sobrevivi. Então a lição da tia Gabi de hoje é essa, NaNoLoucos:

Eu sei que não tá fácil. Eu sei que a sua bunda dói de passar tanto tempo sentado e que seu pulso vai acabar o mês com uma bela lesão por esforço repetitivo para você mostrar pro seu ortopedista na semana que vem. Eu sei que você acha que não vai dar para completar o desafio, e talvez não dê mesmo e não tem problema nenhum nisso. Mas você já chegou tão perto.

São só mais dois dias, meu caro leitor. Só mais um fim de semana de comprometimento, depois você está livre para comer panettone, cantar músicas natalinas ou visitar o tio da piada do pavê. A partir do dia 1º de dezembro, você faz o que quiser com os seus dias. Mas hoje você deveria estar escrevendo.

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