Quem tem medo de virar cientista de dados (3/3)

Esse texto é a parte final da trilogia “Quem tem medo de virar cientista de dados?”

Jessica Temporal
Jan 29 · 6 min read
"Preciso de experiência para conseguir um trabalho, preciso de trabalho para conseguir experiência. — Uma história sem fim" — tradução livre.

Depois de ler sobre a fase do “Será que eu vou conseguir?” e a fase do “Vale a pena mesmo começar a trabalhar numa área totalmente nova para mim?”, começa a cair a ficha de que não é apenas o currículo matador com formação exemplar que vai te ajudar a achar aquela vaga de Cientista de Dados que parece ter sido feita sob medida para você. Mas, ainda assim você precisa mostrar que tem competência para estar naquele cargo e confiança para encarar os desafios de cabeça erguida! A dúvida que abala até o mais confiante dos especialistas, é ainda pior para quem está mudando de área: o famoso caso de “Com tanta gente brilhante aplicando para vaga, com anos de experiência, por que diabos vão querer me contratar?”.

3.1 Por que vão me contratar pra fazer isso sendo que eu não tenho formação nisso?

Ciência de Dados e a área de TI em geral se importa mais se você sabe fazer as coisas. Na ciência de dados em particular, até hoje não existe, por exemplo, uma faculdade que você entre e saia dela Cientista de Dados, isso é uma grande vantagem para quem quer fazer parte desse mundo. Isso não quer dizer que você não encontre cursos presenciais com foco em ciência de dados, por exemplo, o oferece vários cursos durante o ano em cidades diferentes, todos eles com muita mão na massa e professores de mercado te ensinando desde o bê-a-bá da ciência de dados até conceitos mais avançados como deep learning. Mesmo com certificados e reconhecimento da indústria, cursos assim ainda não são uma formação formal no bom e velho sentido de “fazer uma faculdade”. Vale salientar que esse cenário de falta de cursos formais está mudando e é importante ficar de olho no aparecimento de cursos em formatos mais tradicionais que estão surgindo por aí.

O por exemplo, não acha que cursos formais combinam com ele. Isso é uma opinião pessoal e é importante lembrar que cada pessoa absorve conhecimento de um jeito diferente. Esse autoconhecimento deve ser levado em consideração na sua busca por conhecimento técnico, afinal temos pouco tempo e muito a aprender.

O ponto principal a se levar em consideração na busca por emprego é o mercado. O mercado de vagas de ciência de dados ainda é relativamente recente no Brasil e, portanto, passa por constantes mudanças e está muito aquecido. Todas as empresas querem colocar sua bandeira na era dos dados. E isso é muito bom para quem está a procura de emprego nessa área: tem gente querendo contratar e, no caso do nosso brasilzão, não tem gente suficiente com o conhecimento técnico para isso. Aproveite!

3.2 Como eu vou conseguir provar que eu sei isso?

Aí que está o pulo do gato! Vivemos numa época muito legal de código, projetos e dados abertos! Para tirar proveito disso, sugiro que comece a colocar seus experimentos no GitHub. Lá é uma rede social que você pode criar repositórios para guardar e expor seu código para outras pessoas, então não sinta vergonha de estar aprendendo e compartilhe à vontade.

Lá no GitHub você também encontra vários projetos de código aberto, que aceitam contribuições de qualquer pessoa como, por exemplo, o Serenata de Amor, cujo repositório com código pode ser encontrado aqui.

Se você ainda está engatinhando no mundo da programação e do git, uma outra plataforma legal e, talvez mais amigável de participar, seja a Kaggle, ela é uma plataforma de desafios de Ciência de Dados, onde você pode ganhar até prêmios em dinheiro. A comunidade construída no Kaggle adora compartilhar seus conhecimentos e códigos, você pode encontrar muitas aplicações e até alguns tutoriais para iniciantes que ficam bonitos no currículo.

Estude e aplique os conceitos e os métodos que estiver estudando. Dê palestras em eventos de comunidade. Faça tutoriais e ministre esses tutoriais para os colegas. Nem todos os lugares tem coragem de contratar alguém que não é da área. Ok, a maioria dos lugares não tem essa coragem. As pessoas têm receio, muitas vezes por não conhecerem nada da sua área ou simplesmente por saberem lidar melhor com pessoas mais parecidas com elas mesmas. Não deixe isso te desanimar! Se você colocar em prática todo conhecimento que está adquirindo seja batendo cabeça ou nos cursos, isso vai ajudar a criar respaldo em relação ao que você sabe.

Lembre-se sempre que você tem com o que contribuir. Por isso, é muito importante explicar também todas suas experiências (mesmo na área antiga) claramente, nunca imagine que a pessoa saiba que matérias você teve na sua graduação, por exemplo, ou o tipo de trabalho que teve que desempenhar. Nesse ponto é melhor pecar pelo excesso, no pior dos casos a pessoa vai ver algo que ela já sabe, mas é muito mais provável que ela veja coisas que não sabia sobre suas experiências.

3.3 Será que vale a pena pra eles me contratarem?

Com certeza! Você tem o que agregar! Entretanto, não podemos sempre contar com a boa vontade e até mesmo competência dos outros para o nosso futuro. Então, o melhor a ser feito é trabalhar bastante em mostrar os seus diferenciais. Foque nas suas experiências passadas e como você acredita que elas possam te ajudar nessa nova área. Construa no seu currículo ou na sua carta de motivação uma narrativa que mostre os seus pontos fortes e como eles estarão a favor de quem te contratar mesmo eles não sendo habilidades específicas da ciência em si.

Faça cursos e coloque em prática no seu dia-a-dia o que aprendeu, desde trabalhos de escola até utilizar técnicas de ciência de dados para resolver um problema no seu emprego atual. Se você conseguir aplicar o que aprendeu, vai dar mais segurança ao seu discurso de “Eu sei ciência de dados!”.

3.4 Como eu vou competir com o pessoal que faz isso?

Focando nos seus diferenciais e estudando muito! Aquilo que te faz diferente das pessoas que já estão na área, como já falamos antes, é o que agrega mais valor à você enquanto profissional. O objetivo não é ser melhor que ninguém, até porque isso é relativo, e sim ser diferente! Lembre-se que seus pontos fortes envolvem coisas como novas formas de pensar e de se organizar.

Já parou pra pensar como as habilidades que você usa todo dia vão te ajudar a executar bem o seu trabalho do futuro?! Escreva suas habilidades num papel e veja como encaixá-las em contextos diferentes do seu atual essa é chave que você precisa. Um diferencial clássico que se aplica à mim e que continua me ajudando até hoje é que eu me formei num curso que é uma mistura de faculdade de biológicas com faculdade de exatas então, desde o início da minha formação, eu fui treinada para desenvolver um perfil híbrido de pessoa que entende duas áreas e isso me ajuda a destrinchar conceitos técnicos para pessoas de todos os níveis de conhecimento.


Todos aqui do mudamos de área em algum momento, a Letícia deixou de ser Oceanógrafa, o Gustavo deixou de ser Economista e eu já tive meu tempo como Desenvolvedora. E mesmo assim, a ciência de dados sempre foi algo constante para a gente desde estudos no tempo livre, quanto conceitos que aplicamos no trabalho por causa desse conhecimento.

Por fim, recomendo a leitura de um super texto que inspirou o Gustavo nos primeiros momentos em que ele considerou a mudança de área, o texto De oceanógrafa para programadora da que o fez acreditar que ele conseguiria sim mudar de área. E se você gostar de ler livros, recomendo que leia o livro “Faça acontecer” da Sheryl Sandberg. Em uma das passagens do livro a Sheryl nos dá um conselho sobre mudança de empregos que eu pretendo seguir sempre: “Escolha a empresa que te oferecer maior espaço para crescimento”. Essas empresas são apelidadas no livro como foguetes e eu acredito que são nos foguetes que encontramos maior satisfação pois sempre há muito para fazer e muito o que aprender.

Vamos ficando por aqui com a principal recomendação de nos espelharmos nessas pessoas maravilhosas como a Letícia, a Sheryl e o Gustavo que mudaram de carreira e se tornaram inspiração para mim!

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O primeiro podcast brasileiro sobre ciência de dados

Thanks to Leticia Portella

Jessica Temporal

Written by

Data Scientist. Loves to write beautiful code and technical posts. Co-host @ Pizza de Dados pizzadedados.com Pronouns: she/her/hers

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