fêmea brava
Mar 7, 2018 · 3 min read

noutro dia, enquanto estava reunida com um grupo de mulheres feministas, um homem, filósofo, nos abordou e perguntou: já que o objetivo do feminismo é a igualdade de gênero, por que vocês, ao invés de lutarem contra o machismo, não lutam pela igualdade entre os sexos? eu estou há um tempo pra falar sobre isso, e queria fazer dois comentários principais.

1. o feminismo não é a luta pela igualdade entre os sexos, mas, sim, a luta pela libertação das mulheres. pela emancipação, pela autonomia. a diferença entre essas duas premissas está justamente no fato de que os homens já têm tudo. eles são autônomos, eles têm agência, eles têm liberdade, eles são emancipados e eles têm consciência de classe. nós não queremos nos tornar homens. não queremos disputar com homens. não queremos relação nenhuma com essa classe que, historicamente, nos oprimiu e subjugou. nós queremos parar de morrer por sermos mulheres. queremos parar de apanhar. nós queremos poder decidir sobre nossos corpos, nossas vidas, nossos futuros, sem a imposição de uma sociedade que nos cerceia o direito de ir e vir, de falar, de escolher. uma sociedade que nos faz acreditar que somos fracas, ou fortes; dóceis ou rebeldes; boas ou más; donas de casa ou putas, produzindo dois estereótipos possíveis onde nos encaixar— ambos baseados na feminilidade e na subserviência aos homens — e dizendo assim: você só vai sobreviver se “optar” pelo primeiro: sua única chance de sobreviver é dormindo na mesma cama e tendo os filhos do seu opressor. é contra essa sociedade que o feminismo luta. o feminismo luta pelo fim do patriarcado e pela libertação de todas as mulheres.

2. a gente tende a chamar as situações, e pessoas que perpetram tais situações, onde, obviamente, há hostilidade por diferença de gênero, de “machistas”. o “machismo” não é o nosso principal inimigo, não é contra ele que estamos lutando; tampouco ele é o oposto de feminismo. o feminismo é um movimento social — uma abreviação esquisita de “Movimento de Libertação de Mulheres”; o machismo é o braço cultural da misoginia. misoginia é ódio a mulheres, pregado e perpetuado pela sociedade patriarcal. ou seja, o machismo é a parte que podemos ver do iceberg da misoginia. por isso se tornou tão “feio” ser chamado de “machista”. porque ninguém quer — — ser visto — — como alguém que agride mulheres, ou que silencia mulheres. mas se essa é a parte que mais podemos ver, é a parte que mais podemos denunciar, então, é a parte que mais podemos combater. acontece que acabar com o machismo não significa acabar com a misoginia. o ódio a mulheres é o que sustenta a política do patriarcado. é o que sustenta toda a sociedade. é o que sustenta o capitalismo, a família, a igreja. o machismo é o que identificamos em música, no amigo babaca, na indústria cinematográfica. podemos combatê-lo, e, não se iludam, vamos. mas, acabar com ele não é acabar com a misoginia. o fim da misoginia só se dá com o fim do patriarcado.


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