Taqtalkies #3: Flavio Mello

Meu primeiro contato real com Flavio Mello foi um aceno à distância numa esfizzaria logo depois de ter entrado na Taqtile. Depois disso, alguns encontros aqui e ali na empresa e mais recentemente, um pedacinho de design sprint em conjunto. Minha impressão, desses breves encontros, é de uma pessoa tranquila, pragmática e na dele. Não faz muito alvoroço e sempre está se hidratando, seja com água flavorizada ou chá. Esse talk mostra um pouco desses aspectos. O que se perde, no entanto, é sua voz característica, pausada e nítida uma das coisas mais marcantes de Flavio.

Flavio, o que você faz na Taqtile?

Eu faço várias coisas diferentes aqui na Taqtile. Resumindo acho que seria ajudar a equipe de operações com o que for preciso para melhorar a área, os projetos, e o atendimento aos clientes.

Quais foram suas outras experiências de trabalho?

Poucas. Antes de vir para a Taqtile eu cheguei a estagiar em uma startup que era uma publisher de jogos para celular. Acabou não dando muito certo e eu vim para cá no final do meu último ano da faculdade.

O que a maioria das pessoas não sabe sobre você?

  • O meu nome não tem acento;
  • A minha família inteira fez engenharia;
  • Pode não parecer, mas eu já pratiquei muito esporte. Gostava de qualquer tipo de esporte, mas adorava mesmo esporte coletivos. Parei de treinar handball quando comecei o último ano da faculdade;

Como você explicaria sua filosofia de vida básica?

Acredito que todo conhecimento é valioso. Por mais desconexo que possa parecer com a nossa vida no dia a dia ou com a carreira profissional, tudo o que a gente aprende se torna uma nova ferramenta/analogia que pode ser usada no futuro. No pior dos casos, o aprendizado ajudou a expandir a sua mente, o que já é muito precioso.

O que no seu cotidiano você é melhor do que qualquer outra pessoa? Qual seu segredo?

Eu tenho uma memória de longo prazo muito boa. O segredo até eu gostaria de saber pois nem eu consigo controlar o que eu lembro e o que esqueço…

Qual qualidade você julga ser a mais imprescindível para ser um bom profissional?

Acho que a motivação de sempre fazer um bom trabalho e se aprimorar. Passamos boa parte de nossos dias trabalhando e a expectativa é que passemos boa parte de nossas vidas envolvidos com trabalho. Se for para dedicar tanto tempo assim, que seja bem feito, algo que de uma maneira ou outra você se orgulhe de ter participado / produzido. Essa motivação pode ter outras fontes também além do “orgulho” pessoal. Pode ser, por exemplo, vinda de uma vontade de fazer um trabalho melhor para ajudar aqueles que estão à nossa volta, as próximas gerações, grupos sociais desfavorecidos, etc. Independente do que gera a motivação, acredito que sem essa força condutora, estamos de certa maneira fadados à mediocridade.

O que você gosta de fazer no seu tempo livre?

No dia a dia? Sair para jantar ou fazer algum programa cultural com a [minha namorada] Mayra, brincar com os meus sobrinhos, tomar uma cerveja com os amigos da escola, almoços em família no final de semana. Basicamente, estar com as pessoas queridas e que me fazem bem.

Qual história que sua família sempre conta sobre você?

Quando eu tinha uns 3 anos, os meus pais foram viajar com os meus irmãos para o exterior e eu fiquei em SP. Só que eu adorava assistir os meus irmãos jogando videogame. Então eles gravaram um VHS com os meus irmãos jogando e deixaram aqui para alguém colocar na TV e deixar um controle de videogame nas minhas mãos. Funcionou perfeitamente.

O que é verdade sobre você hoje que faria seu eu de 8 anos chorar?

Eu praticamente não jogo mais videogames, e isso foi uma opção que fiz.

Como você irá salvar o mundo?

Acho que salvar é uma palavra muito forte. Pouquíssimas pessoas na história tiveram esse poder todo. A gente fala muito de melhoria contínua, e acho que esse é um caso que se encaixa bem. O mundo não vai ser salvo de uma tacada só. Se eu conseguir melhorar ou até salvar o dia de alguém, ou influenciar uma nova pessoa a ter esse tipo de postura, a tendência é que o mundo se torne um lugar um pouquinho melhor a cada dia. É uma maratona e não um tiro. O importante é manter a derivada positiva…

Se você soubesse que iria morrer daqui um ano, o que você faria e como gostaria de ser lembrado?

Provavelmente passar mais tempo com quem eu gosto. Dividir mais alguns bons momentos com eles. Gostaria de ser lembrado como uma pessoa que tornou a vida daqueles à minha volta melhor. Seja um aprendizado valioso, uma memória gostosa, um exemplo que eu dei, etc

Alguns o descreveriam como "presidente". Eis a prova.

Uma palavra que melhor descreve como você trabalha.

Passional.

Além do seu computador e telefone, que gadget você não consegue viver sem?

Câmera digital para registrar bons momentos e viagens.

Que apps, softwares, ferramentas você não consegue viver sem?

  • Pocket — Tenho usado muito para salvar artigos para ler nesses micro-momentos de ócio, ao menos eles se tornam um pouco mais úteis
  • Pocketcasts — que escuto todo dia no carro vindo para a Taqtile (aceito sugestões de novos podcasts);
  • Splitwise — que uso para controlar as finanças da casa;
  • Wunderlist — que fiz uma integração para atualizar automaticamente os endereços dos restaurantes que a Mayra pesquisa;
  • Google Sheets — para ter na nuvem qualquer tipo de informação que quero ter acesso fácil;
  • Google Now — beira o assustador o quão bem eles recomendam as coisas.

O que é seu atalho para ganhar tempo ou life hack?

iFood para aqueles dias que chego mais tarde ou muito cansado. Podcasts para diminuir a inutilidade do tempo no trânsito.

Qual é seu to-do favorito?

Lavar louça. É só colocar uma música ou um podcast que vai bem rápido.

Quais são seus filmes favoritos?

O que você está lendo atualmente? Um romance, história em quadrinho, website, revista? Ou algo que você recomendaria?

Confesso que preciso voltar a ler mais livros inteiros. Tenho lido mais matérias sobre assuntos diversos. Serve áudio? Tem o podcast More Perfect da Radiolab, que conta alguns casos importantes da suprema corte dos EUA. Escutei a 1a temporada e é excelente! Acabaram de voltar a publicar episódios novos. Vale à pena acompanhar.

Quais são os três livros que mais te inspiraram? Por quê?

O que você ouve enquanto trabalha? Tem uma playlist preferida? Talvez rádio? Ou você prefere silêncio?

Se fosse resumir seria musicas tipo AlphaFM como Earth Wind & Fire, America, Hall & Oates. Mas na verdade varia muito. Tem dia que prefiro Jazz. Tem dia que algo um pouco mais acelerado e instrumental como Liquid Tension também ajuda a concentrar. Escuto também versões das trilhas sonoras de jogos da minha infância.

Música tem uma associação muito forte com a memória para mim. Então vai depender muito do humor e do contexto. Ultimamente tenho ido atrás de umas músicas da Motown.

Como você recarrega as energias? O que você faz para esquecer do trabalho?

No dia a dia é estando com as pessoas queridas. Mas o que recarrega mesmo as energias é viajar. Cansa o corpo, mas descansa a mente. Quando consigo, gosto de ir para praia ou pra São Carlos, são lugares onde passava as férias quando era menor e ajudam a descansar.

Quais seus maiores medos?

De me arrepender das minhas escolhas e não ter mais como corrigir.

Quais são seus pequenos objetivos na vida?

Aprender a cozinhar melhor do que faço hoje. Aprender Japonês. Voltar a estudar.

Se você pudesse tentar qualquer outro emprego por um dia, qual seria?

Talvez professor, acho nobre o ato de ensinar. Acho que sou bom em traçar analogias para ajudar a explicar conceitos. Talvez mais para professor de colégio do que faculdade. As exatas sofrem muito preconceito quando na verdade o que acontece é que os professores são despreparados e não ajudam muito a cativar o interesse nas pessoas.

Quais coisas te deixam bastante triste?

Quando sinto que fiz mal a alguém.

Profissionalmente, quando sinto que estou fazendo um péssimo trabalho, que estou perdido e não encontro a direção certa e as coisas não saem do lugar. Ou então quando sinto que meu trabalho não é reconhecido, ou que as pessoas não se importam com as outras e/ou comigo.

Quais coisas te fazem realmente feliz?

Diversas coisas. Quando crio algo que me dá orgulho; quando sinto que fiz bem a alguém, quando sinto que estou fazendo algo muito bem; quando sinto que aprendi algo novo e interessante.

Pelo que você se sente mais grato?

De ter tido as oportunidades que tive na vida.

O que você gosta menos sobre você?

Ainda não aprendi a dizer não e a priorizar melhor as coisas. Tento fazer mais do que consigo, acabo me enrolando e a situação fica pior que se tivesse barrado no início. Isso acontece tanto profissionalmente quanto pessoalmente.

O que você pensa que as pessoas pensam sobre você?

Que sou muito mal humorado, bravo e pessimista.

Flavio por Jaqueline Morais, designer da Taqtile.

O que você gostaria que todo mundo soubesse sobre você?

Não sou tão assim. Em diversos aspectos sou uma pessoa feliz e de bem com a vida. Talvez eu faça um mal trabalho em transparecer as razões e o raciocínio por trás de algumas ações que tomo. Aí parece que foi simplesmente por mal humor…

Qual foi uma das coisas mais assustadoras que você já fez?

Ir viajar para fazer intercâmbio. Por mais que soubesse de toda a rede de apoio que existe, na hora de embarcar dá um frio na barriga grande.

Se valer coisa no futuro, daqui a um mês vou passear de balão no meio do Mianmar. Pra quem tem medo de altura isso é bem assustador…

Que conquista você está mais orgulhoso de ter realizado?

Acho que as mais recentes são sempre as mais lembradas. Ter saído de casa para dividir um apartamento com a Mayra acho que foi uma conquista muito grande.

Profissionalmente foi a área de Operações, sei que ainda temos uma longa jornada pela frente, mas ter participado do início da área, e ver a evolução da área e das pessoas é algo bonito.

Qual a melhor decisão que já fez?

Mudar de opção na Poli. Quando entrei queria fazer outro tipo de engenharia, mudei de idéia nas primeiras aulas de computação. Acho que sou muito mais feliz nessa área.

Qual a coisa mais estúpida que você fez?

Deploy na 6a à noite. Jamais faça um deploy de 6a à noite…

Qual a melhor viagem que você já fez? Por quê?

Não consigo escolher uma só. Fazendo uma lista curta aqui acho que consigo separar 3, tirando os intercâmbios.

  • Em 98 fui para a Disney com todos os meus primos, tios e a minha avó. Sempre convivi muito com os meus primos e foi um período muito gostoso.
  • Em 2007 fui para a Itália com meus pais e todos os irmãos. Foi a última viagem que fizemos assim. Cresci viajando com eles e, de certa forma, essa foi um fechamento dessa era.
  • Em 2014 fui para o sudeste asiático com a Mayra. É uma dinâmica bem diferente das outras viagens que fiz. E o lugar não era algo que estava muito na minha mente ir. Fui muito bem surpreendido pela cultura e beleza dos lugares que visitamos

O que você considera o melhor investimento que você já fez — pode ser financeiro, emocional, educacional, qualquer um — para chegar onde você está hoje? E por “chegar onde você está hoje” não é necessariamente como um profissional, mas como um humano.

No modo geral, o tempo investido em estudar/aprender coisas novas. Mais pontual acho que seriam os 2 intercâmbios que eu fiz. Acho que, cada um de sua maneira, tiveram um papel muito importante na minha formação como pessoa. Esse tipo de experiência propicia uma jornada de autoconhecimento mais profunda, na minha opinião.

Quem na sua vida mais te influenciou? Como ela(e) fez isso?

Sem a menor dúvida os meus 3 irmãos. Além de todos ensinamentos, sempre estabeleceram um padrão muito alto para eu alcançar. Admiro muito eles.

Qual é a “coisa” que você acreditou por um longo tempo que hoje concluiu que é errada ou mudou de opinião?

Eu acreditava que absorvendo os problemas e blindando a equipe das adversidades eu estava ajudando as pessoas. Hoje vejo que o caminho não é bem esse. Entendo que errei nesse sentido e preciso fazer um papel melhor.

Se você tivesse uma máquina do tempo/espaço e pudesse viajar para qualquer lugar e tempo, para onde e porque você iria para esse lugar?

Iria para o passado, apostaria muito dinheiro que os Cubs vão vencer a World Series de 2016, ficaria milionário e seria prefeito de Hill Valley.

Brincadeira…

Iria para algum lugar no futuro. Considerando que “qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível de mágica”, o que será que vão criar que é tão estranho para nós que sequer conseguimos conceber?

Qual é a coisa que você gastou muito dinheiro, porém não se arrepende?

Viagens. Acho que conhecer outros lugares do mundo, outras culturas e paisagens é uma das melhores coisas da vida. Ajuda a abrir a cabeça e expandir os seus horizontes também.

Qual seu maior fracasso? Como você lidou com ele?

A primeira pessoa da minha equipe que eu tive que demitir. Na época senti muito como um fracasso pessoal não ter conseguido capacitar melhor a pessoa e trazer ela para dentro da cultura da empresa.

Para lidar com isso, tenho procurado atuar em 2 caminhos. Um é tentar entender melhor as pessoas para poder ajudar a buscar formas de alinhar os desejos delas com os da área empresa. A outra é procurar entender que me responsabilizar completamente pelas outras pessoas é, de certa maneira, diminuir elas. Cada um tem seus próprios anseios e desejos nessa vida e não cabe a mim julgar ou moldar as pessoas. O meu papel é mais de um facilitador e indicar os caminhos que funcionaram de acordo com a minha experiência.

O que você acha ser muito óbvio para você que não é tão óbvio para as outras pessoas?

A vida é feita de escolhas, todos os dias, e escolhas sempre envolvem trocas. Estamos abrindo mão de algo para conseguir outra coisa. Sempre. Acho que algumas acabam tomando decisões no piloto automático sem pensar em o que elas pretendem ganhar com isso e, mais importante, do que elas estão abrindo mão.

Qual o melhor conselho que já recebeu?

Se eu não confiar em mim mesmo, quem vai?

Se alguém te pedisse um conselho aleatório, o que você diria?

Vontade de ganhar todo mundo tem, é fácil. Para vencer tem que ter vontade de treinar, se preparar.

Ainda não leu o primeiro e o segundo episódio do TaqTalkies?

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