Olá vocês,

Antes do esperado temos o quarto lançamento :O espero que estejam curtindo ler assim como está sendo bom pra mim como aspirante a escritor.

Temos uma novidade, essa semana teremos dois, sim DOIS, lançamentos, estou tentando aprimorar a escrita e deixar a história mais envolvente, conto com seus comentários, não vou me alongar muito entãaaao… corre lá ;)

Se essa é a sua primeira vez aqui clique nos links abaixo dos capítulos anteriores pra acompanhar com a gente essa história o/


Capítulo 1 — A não vida

  1. Rotina
  2. A não vida
  3. A ruiva
  4. O setenta e dois
  5. O jardim
  6. Contato

O setenta e dois

O setenta e dois é um sobrado esquecido no fim do beco que costumava ser branco antes que a ação do tempo removesse grandes lascas de tinta espalhando-as por todo o jardim. Um dos poucos lugares onde consigo realmente pensar sem me perder no cotidiano da vida lá fora, não sei se é o cheiro sutil de madeira envelhecida levemente embolorada, ou se o que me acalma é o som que o vento faz nas muitas frestas, mas é como se aqui eu pudesse respirar.

Um pequeno muro de pedras brutas é o que separa o quintal da frente do resto do mundo e mesmo que o portão de ferro corroído esteja sempre aberto ninguém nunca vem aqui.

Umas poucas árvores, grandes trechos de grama alta e a maior infestação de ervas daninhas da região até chegarmos à beira da escada da frente. Os degraus estão gastos e acredito que rangeriam se você pisasse neles, eu gosto de imaginar assim quando subo, aquele barulho característico de coisas velhas, no alto deles um pequeno patamar coberto que talvez servisse muito bem em uma tarde quente, gosto de olhar o vento nas copas das árvores. As janelas foram seladas com tábuas, algumas já se soltaram há tempos deixando o ambiente mais claro durante o dia, talvez tenham sido removidas pelo vento.

Os móveis permaneceram na casa e uma grande parte ainda tem os lençóis cobrindo, não que sirvam pra alguma coisa agora, é divertido, porém, pensar o tipo de vida que existia aqui, a cozinha intacta ainda preserva parte da louça no escorredor em cima da pia e os buracos que os ratos fizeram nos armários me fazem achar que eles devem estar cheios.

A poeira uniforme sobre as coisas sempre me faz pensar que quem quer que habitasse esse cômodo era alguém organizado e limpo, mesmo quando olho o chão de perto não vejo nem sombra de outra coisa além da poeira comum e marcas das patinhas dos bichos que passam por aqui, talvez uma mãe gentil que os acordasse com o cheiro de omeletes com bacon e um copo de suco de laranja espremido na hora, talvez ela secasse as mãos no avental para segurar o rosto de quem despertasse cedo o suficiente e descesse para encontra-lá, talvez eles até ganhassem um beijo e um sorriso.

A sala de jantar cruzando o hall para o lado oposto da casa tinha uma longa mesa com seis cadeiras todas simetricamente dispostas, mas ainda não consegui descobrir quantas pessoas viviam aqui, seguindo aos fundos estão um banheiro e a sala de estudos com longas prateleiras cheias de livros, me perco olhando seus títulos e imaginando toda a sorte de palavras e sabedoria que guardam, bem no centro sobre um enorme tapete há uma poltrona que pelas marcas foi incessantemente utilizada, ainda havia um livro com um marca-página pelo meio na mesinha do lado, seu título era ‘Além da Vida’ talvez fosse um livro de auto-ajuda, sempre achei um título meio genérico.

O segundo andar no topo da escada guardava uma suíte do lado direito, um banheiro e mais dois quartos, ambos com as portas trancadas, no teto do corredor tem uma corda que imagino ser da escada do sótão em formato de torre que é visível até mesmo da praça, a suíte não tem muita coisa, só um grande colchão encostado na parede, talvez os móveis daqui tenham sido os únicos à serem levados, o banheiro esta com as gavetas entre-abertas e sem nada dentro, gostaria de saber como eram as coisas antes, me pergunto se eles viajavam muito, se reclamavam de portas emperradas, se acordavam cedo pra buscar o pão e se riam ao ver a jovem saindo de casa com os cabelos desgrenhados e uma torrada na boca, se ajudavam o senhor a atravessar a rua, se sentavam naquele banco da praça olhando o salgueiro nas tardes de outono e se alguma vez uma menina ruiva dos olhos diferentes olhou pra eles e sorriu. O que eles diriam à ela?

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