Iniciativas para você se inspirar e ver mais filmes feitos por mulheres

#52filmsbywomen, Teste de Bechdel, Valkirias e muitas outras.

Sandrine Bonnaire e a diretora Agnès Varda no filme Os Renegados (1985).

As pautas das mulheres no cinema têm conquistado cada vez mais espaço na mídia. Filmes e séries com viés feminista, com direção e roteiro assinados por mulheres, vêm sendo valorizadas pelo público, ganhando prêmios e por consequência incentivando novas produções e chamando a atenção para a importância da representatividade no audiovisual.

Para continuar estimulando o cinema feito por mulheres, reuni algumas iniciativas para quem quiser se aproximar da pluralidade desse cinema, trazendo um olhar mais consciente e crítico sobre a representação feminina nos filmes e séries.

Magaly Solier em La Teta Asustada (2009), dirigido por Claudia Llosa.

Ok, por onde começar?

Dê preferência por filmes ou séries dirigidas, produzidas, escritas por mulheres ou que tenham personagens femininas interessantes para além dos estereótipos. Abra espaço para cineastas e personagens negras, lésbicas, bissexuais, não-binárias, fora da América do Norte ou do Oeste Europeu. Para quem curte um desafio, estas duas propostas podem ajudar:

  1. #52filmsbywomen se trata de uma ação muito simples: assistir durante um ano, pelo menos uma vez por semana, um filme que seja dirigido por mulher. Aproveite para sair da bolha, inclusive da hollywoodiana, e conhecer outras histórias, países e culturas.
  2. O desafio A Year With Women, criado em 2015 pela americana Marya E. Gates, propõe assistir durante um ano apenas filmes que sejam dirigidos, co-dirigidos, escritos ou co-escritos por mulheres. Parece radical mas não vai doer nada. Seu ano pode começar agora em junho mesmo e terminar em junho do ano seguinte.
Shabnam Toloui em Women Without Men (2009) dirigido por Shirin Neshat, Shoja Azari.

Quais escolher?

  1. A internet tá cheia de listas must-watch. Estas são algumas que eu adoro:
    - 100 melhores filmes dirigidos por mulheres no século XXI (Delirium Nerd)
    - 100 filmes dirigidos por mulheres que você provavelmente não viu (Mulher no Cinema)
    - Lista no Letterboxd para o desafio #52filmsbywomen (Cine Suffragette)
    - Filmes e séries na Netflix dirigidos ou protagonizados por mulheres (Mulher no Cinema)
    - Grandes performances femininas (Mubi)
    - 100 melhores filmes feministas de todos os tempos (Time Out)
  2. O The Rotten Apples avisa se o filme ou série está vinculada a alguma pessoa da equipe acusada de má conduta sexual. Maçãs frescas para o filme livre de acusações e maçãs podres para o que não. Se é possível separar a obra do artista ou se assediador na equipe é motivo para boicotar o filme, é você quem vai decidir.
  3. O Teste de Bechdel surgiu a partir de uma tirinha feita pela cartunista americana Alisson Bechdel chamada The Rule (1985), que propõe seguir a regra de só assistir a filmes que tenham ao menos duas personagens mulheres nomeadas, que conversem entre si sobre algo além de homens. Não acredito que o teste deva ser um medidor do que assistir ou não, mas sim uma ferramenta para se conscientizar sobre a representação das mulheres.
The Rule (1985), tirinha da cartunista Alisson Bechdel.

Quero mais!

Além das séries, filmes ficcionais e documentários, tem também muito conteúdo exclusivo produzido por mulheres que amplia a discussão sobre a presença feminina no audiovisual.

  1. Podcast Feito Por Elas. Realizado por críticas de cinema e acadêmicas, o podcast propõe discutir o cinema feito por mulheres. Nos episódios elas analisam obras de diretoras do mundo todo e entrevistam cineastas brasileiras. Recomendo os episódios sobre Chantal Akerman, Alice Guy, Maya Deren e Laís Bodansky.
  2. Podcast As Mathildas. Os episódios discutem a representação das mulheres no audiovisual. Tem episódio sobre pornografia, representatividade lésbica, bissexual e de mulheres negras e gordas e muitos outros assuntos interessantíssimos.
  3. Podcast Her Head in Films. Para quem se aventura a ouvir conteúdo em inglês, esse podcast é bem interessante. A Caitlin escolhe um filme e divide suas impressões pessoais e subjetivas durante os episódios. Vagabond, da Agnès Varda, é o meu preferido.
  4. Canal Hysteria. É um canal no YouTube feito todo por mulheres. Tem curtas-metragens, entrevistas, séries… uma infinidade de produção audiovisual nacional com viés feminista.
  5. Mulher no Cinema. O site que celebra o trabalho de mulheres na tela, faz listas com os lançamentos de filmes e séries dirigidas por elas, divulga notícias e entrevistas e publica críticas e pesquisas acerca do cinema protagonizado por mulheres.
  6. Valkirias. O site sobre cultura pop também tem a equipe toda feminina. Elas analisam, comentam e discutem música, cinema, tv, literatura e games a partir de uma perspectiva feminista.
  7. Cine Suffragette. Os textos publicados aqui no Medium mesmo, têm foco nos filmes sobre feminismo e feitos por mulheres, abordando também a representação das atrizes desde o cinema mudo até os últimos lançamentos. Meu texto sobre Alice Guy Blaché está publicado lá.
  8. Aqui na minha página já escrevi sobre os filmes A Hora da Estrela (1985), de Suzana Amaral e News From Home (1977), da Chantal Akerman e também sobre a série Las Chicas del Cable (2017 — ).

Tem mais dicas? Conhece outros conteúdos e plataformas que valorizem o trabalho feito por mulheres no audiovisual? Coloca aí nos comentários, vamos espalhar essas ideias e incentivar outras pessoas a consumir mais conteúdos.