Um exército de Doutores desempregados

Ou: Porque eu acho que o MEC precisa evoluir ou acabar!

Leia Também: A produção de Imbecis nas Universidades

Sim, se você é Doutor ou PósDoc no Brasil, em 2016, provavelmente está se identificando com essa imagem. E eu também estou!

Antes de mais nada, quero explicar que este texto é um mashup de outro artigo, publicado originalmente no BrasilPost, que eu estou republicando para fazer minhas próprias considerações. Portanto, sendo uma obra de construção colaborativa, convido-os a realizarem, vocês mesmos, suas próprias considerações.


O que me motivou a reconstruir e republicar esse artigo?

Quem sou eu?

Meu nome é Renatho Siqueira. Sou Profissional de Marketing, Consultor Empresarial, Mentor e Professor de Pós Graduação e MBA em Marketing, Comunicação, Estratégia e Comportamento do Consumidor.

Sou formado em Marketing, Pós Graduado em Gestão Estratégica do Marketing Digital, MBA em Administração do Marketing e Comunicação Empresarial, e atualmente estou cursando o Mestrado Profissional em Novas Tecnologias Digitais na Educação, na UniCarioca.

Possuo mais de 20 anos de experiência em docência, começando com aulas de informática em cursos livres de Certificação Linux Conectiva e Windows NT. É, eu tenho uma história bem divertida…

Durante minha vida profissional, vi muita coisa acontecer. Abandonei a área de TI porque o nível de prostituição na área tinha alcançado níveis alarmantes. Projetei (com êxito considerável, me orgulho em admitir) minha carreira em direção à uma transição estratégica, que foi muito bem sucedida. Hoje, trabalho com aquilo que amo e não me arrependo da minha trajetória.

E por que resolvi reeditar e republicar esse artigo?

Primeiro, vamos falar do “Mercado Acadêmico” (alguns puristas acadêmicos que eu conheço sentiriam náuseas ao ler as palavras “Mercado” e “Academia” na mesma frase 🙄)…

Para um profissional de Educação com a minha trajetória acadêmica e na minha posição, o passo ÓBVIO seria o Mestrado. E por que? Simples: porque para dar aulas na GRADUAÇÃO eu preciso ser Mestre (Normas do MEC). Mas para dar aulas na Pós-Graduação, que é um nível ACIMA da graduação, eu "só preciso" ser especialista. Faz muito sentido, né? Pois é. Não faz. Mas essa é apenas UMA das razões para eu defender a extinção ou reestruturação do MEC. Eu passei 3 anos tentando, sem sucesso, fazer um Mestrado Profissional. Até que a UniCarioca me abriu as portas.

Sonho de consumo: Mestrado Profissional em Administração do IBMEC. Linha de Pesquisa: Comportamento do Consumidor ❤️

Optei pelo Mestrado Profissional por não ter muita “paciência” para o “teatro acadêmico”. Quero produzir algo ÚTIL, não apenas uma dissertação de mestrado que só serve para estampar as páginas de alguma revista de qualis baixo. Quero usar meu conhecimento e expertise para ajudar meu país e minha sociedade. Romântico? Talvez. Mas é isso que busco. Sou um renegado. Uma ovelha negra. Um sonhador que busca, ainda que de forma inglória, mostrar que é possível fazer aquilo em que acreditamos, mesmo contra todas as possibilidades. Leva mais tempo, é fato. Mas o gostinho é inigualável! 😉

Eu me recuso a seguir o rebanho! Quem define minha trajetória sou EU!

Eu tive a oportunidade de entrar para o Mestrado Profissional, mas isso não significa que a minha vida ficará melhor a partir de agora. A vida das ovelhas negras não é exatamente fácil! Por outro lado, não apenas por isso, muita gente não consegue uma oportunidade no Mestrado porque, no Rio de Janeiro (não sei no resto do Brasil), sem Q.I. (Quem Indique) ou sem que você seja um "fantoche ideológico" você NÃO FAZ MESTRADO. Ponto.

O que é Qualis?
Qualis é o conjunto de procedimentos utilizados pela Capes para estratificação da qualidade da produção intelectual dos programas de pós-graduação. Na verdade, trata-se de uma classificação questionável e indireta, visto que não avalia a qualidade das pesquisas ou dos artigos produzidos e sim dos periódicos científicos em que eles são publicados.
Fonte: PósGraduando
Tem quem consiga? Sim. Afinal de contas, alguém tem que ganhar na loteria, certo? 🤔

Já ouvi todo tipo de excrescência nessa minha busca por uma oportunidade, antes de conseguir entrar na UniCarioca. Já me sugeriram mentir para agradar os Coordenadores dos cursos. Já tentaram me vender uma venda casada (a POSSIBILIDADE de ser aprovado no Mestrado se antes eu fizesse o MBA sobre o mesmo tema do Mestrado, obviamente, na mesma instituição e sem garantias de aprovação posterior no Mestrado…). Já ouvi pessoas dizerem que precisarei ficar um ano bajulando orientadores, na busca de oportunidades. Já me disseram que eu NUNCA conseguiria entrar para o Mestrado, porque “eu não tenho o perfil”… Já teve gente que disse que “eu não conseguirei entrar no Mestrado lendo Baumann…”. E esses mesmos “Doutores” —a grande maioria deles, sustentados com o dinheiro dos MEUS IMPOSTOS — se acham no direito de criticar o preconceito… A hipocrisia acadêmica — assim como sua corrupção — é hilariante.

"Você aprova esse meu artigo medíocre aqui que eu aprovo três dissertações de merda dos seus orientados…"

Aí, partimos para o Mercado de trabalho. Atualmente, sou Professor Titular de uma instituição de ensino superior do Rio de Janeiro. Me orgulho MUITO de fazer parte dela. Além disso, dou aula em algumas outras instituições de ensino, na Região Sudeste.

Para um cara como eu, Professor de corpo e alma, é frustrante perceber que a cada ano, em cada turma, os alunos chegam à Pós Graduação com uma qualidade acadêmica INFERIOR a do ano anterior. Em 2012, quase 40% dos alunos chegavam ao ensino superior em estado de analfabetismo funcional. Eu posso AFIRMAR que este número está em franco crescimento na Pós Graduação também. Alunos que pretendem ser chamados de “Especializandos” e que mal conseguem elaborar uma argumentação digna de alunos de Segundo Grau da década de 90!

Ah, eu não vou nem citar as coisas que vejo em redes sociais… Se for falar da quantidade exorbitante de comentários estapafúrdios que eu vejo, feitos por pessoas SUPOSTAMENTE pós-graduadas, a depressão bate FORTE!
Mas, infelizmente, estamos num jogo de soma zero. Não, se a soma fosse Zero, eu estaria feliz. A soma tá dando negativo há MUITO tempo!

Você tem acompanhado os anúncios de ofertas de emprego e estágio? Não?

Sabe porque os cursos de Pós Graduação e MBA viraram commodities? Porque o mercado, de forma completamente irresponsável, criou a falácia de que profissionais Pós graduados são mais bem remunerados. Isso é MENTIRA! As empresas precisam de profissionais que apresentem RESULTADOS!

Sem resultados, não importa se você é formado na Estácio e Pós Graduado na AVM ou se é formado na PUC e Pós Graduado na FGV. Sem resultados, VOCÊ RODA!
Seu grau acadêmico - ou a "grife" do seu diploma - não são sinônimos de capacidade profissional!
‘Geração do diploma’ lota faculdades, mas decepciona empresários

Por outro lado, selecionar um candidato é um processo CARO e DEMORADO. Então, logicamente, é mais “cômodo” para as empresas de “recrutamento e seleção” escolherem pessoas com o maior nível acadêmico possível. Afinal, se a empresa contratante não está disposta a pagar por um processo seletivo qualitativo, os selecionadores vão focar em questões objetivas, facilmente verificáveis, como tempo de experiência na função e grau acadêmico, por exemplo. A má notícia é que, por causa disso, o mercado de recrutamento e seleção já está seriamente ameaçado. E se você trabalha na área, sugiro que comece a buscar uma carreira alternativa:

Encontrar "o cara certo" está se tornando uma tarefa cada dia mais difícil. Por isso, está sendo cada vez mais importante automatizar o RH.

Resumindo…

Bem, em resumo, a situação atual entre Academia e Mercado é a seguinte:

  • As instituições de ensino superior estão botando TODO MUNDO PRA DENTRO. Afinal de contas, Educação é um negócio, como qualquer outro, e portanto, precisa de clientes. Nessa equação, infelizmente, todos perdem: O professor finge que ensina, o aluno finge que aprende, a Instituição finge que o curso tem qualidade (se escondendo atrás da "Nota do MEC", que é uma falácia…), e o mercado finge que acredita. E a caravana passa, apesar do latido dos cães…
  • Como não há mais uma "seleção adequada" (Não, não há. Nas Universidades do Rio de Janeiro, basta uma nota MEDÍOCRE no ENEM e pagar a inscrição que você tá dentro) então muitos ANALFABETOS FUNCIONAIS entram na Universidade. É verdade que poucos saem, mas isso é outro papo.
Um adendo: Eu só conheço UMA instituição de ensino na qual os Coordenadores recusam alunos quando percebem que eles não tem condições de seguir no curso, e onde os Coordenadores REALMENTE entrevistam qualitativamente os candidatos. E eu tenho ORGULHO de ser funcionário dessa instituição!
Se todo mundo entra na instituição onde você pretende estudar, talvez você precise procurar outra instituição!
  • Como a oferta de mão de obra com nível "superior" aumenta, esse nível deixa de ser um diferencial, tornando-se, portando, obrigatório. Obviamente, os salários sofrem o impacto dessa commoditização. Se eu tenho muita oferta de determinado recurso disponível, o valor dessa oferta diminui. TUDO NA NATUREZA É ASSIM. Não culpe o capitalismo.
  • Reprovar alunos? Nada disso. Os professores são quase PROIBIDOS de reprovar alunos. Não fica bonito para o MEC uma Universidade com alto índice de reprovação, porque isso deixaria FLAGRANTE que TODA a educação de base está errada e precisa ser revista. E isso é TUDO QUE O MEC NÃO PODE ADMITIR: que o currículo proposto por eles é de doutrinação, não de qualificação. Duvida? Dá uma olhada no material didático que seu filho recebe na escola pública!
Nova História Crítica: Mario Furley Schimidt (Para alunos de 5a a 8a série)
  • Já que o mercado está infestado por graduados, como você se diferencia, na busca por melhores salários? Isso mesmo: fazendo Pós Graduação.
  • Mas, se todos fazem Pós Graduação para ganharem mais o que acontece? ISSO MESMO: a pós graduação se torna commodity e, automaticamente, mais uma vez, veremos pessoas Pós Graduadas ganhando R$1000,00 mais Vale Transporte… Isso SE conseguirem emprego.
  • As Universidades ofertam cursos de Pós Graduação aos montes. De todos os tipos para todos os gostos e bolsos. Por quê? Porque a Universidade tem contas para pagar. Simples assim. A Educação é um serviço/produto. E como tal, tem que ser mercantilizada. Só que, daqui a pouco, o mercado vai começar a ter problemas para selecionar mão de obra, já que "todo mundo" vai ter pós graduação Lato Sensu. Adivinhem qual será o próximo passo?
Uma barrinha de cereal para aqueles que disseram: "Mestrado"! Isso mesmo: [ModoFuturólogo = ON] Em breve, MUITO BREVE, veremos instituições de ensino ofertando Mestrados Profissionais com "Admissão Facilitada" e "Preços Flexíveis", quiçá, na modalidade EAD!
  • Isso vai se repetir no Doutorado e Pós Doutorado… Sim, vai. Pode demorar. Sim, é verdade. Mas vai.
Em oito anos, número de mestres e doutores cresce mais de 300% no Brasil
O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), organização social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, lançou nesta terça-feira (5) a publicação Mestres e doutores 2015: Estudos da Demografia da Base Técnico-Científica Brasileira. De acordo com o estudo, o número de programas de mestrado e doutorado mais que triplicou entre 1996 e 2014 — os mestrados tiveram expansão de 305% e os doutorados, de 310%. O aumento no número de títulos concedidos nesse período foi ainda maior, com um crescimento de 379% entre os mestres e 486% entre os doutores.
Seria cômico, se não fosse a realidade dos atuais acadêmicos!
  • Em breve, você terá Pós Doutores dirigindo Uber no mercado para ganhar uma renda extra capaz de sustentar uma família com um padrão mínimo de conforto e dignidade. (História REAL… Já peguei Uber com um motorista que era DOUTORANDO…)

Com essa lista, eu entro no texto do BrasilPost que fala sobre a atual (02/2016) situação dos Mestres, Doutores e Pós Doutores no Brasil.


Um exército de Doutores desempregados

A crise está se fazendo presente em inúmeros segmentos da sociedade e do mercado. E a Academia não é uma instituição privilegiada (Ainda bem, afinal, eles são sustentados com o dinheiro dos NOSSOS IMPOSTOS, e o retorno à sociedade é pífio, quando existente). Vamos contar uma história bem ilustrativa, para que entendam em que ponto a Ciência brasileira se insere nessa crise. Ao personagem, dou o nome de Renato. Obviamente, é uma história generalista, que jamais pode ser aplicada a todos, mas CERTAMENTE a uma ENORME PARCELA dos acadêmicos. Você verá muitos amigos seus na pele do Renato. Talvez, você mesmo.

1 — No começo dos anos 2000, principalmente a partir de 2005, novas universidades começam a surgir e o número de vagas, inclusive nas já existentes, aumenta vertiginosamente. A estrutura também melhora, e as taxas de evasão de cursos de Ciência básica (Física, Química, Biologia e Matemática, por exemplo) caem. Renato, então, ingressa em um desses cursos. Que fique claro: Renato não é aluno de escola pública, porque, NO GERAL, alunos de escolas públicas NÃO CONSEGUEM SER APROVADOS EM UNIVERSIDADES PÚBLICAS!

2 — Renato, que entrou em 2005 e se formou em 2009 passou o período da faculdade desconhecendo o mercado de trabalho do seu curso fora do meio acadêmico. Ao seu lado, muitos colegas que passaram quatro anos sem saber nem o que estavam fazendo. Para Renato, não havia outra solução a não ser lecionar em escolas ou tentar o Mestrado, que oferecia bolsa de pesquisa de R$ 1.100,00. Mas, para isso, teria que passar por uma difícil e concorrida seleção. Até que, com o aumento do número de programas e bolsas de pós-graduação, ele viu então que aquilo não era tão difícil assim. Em 2010, torna-se mestrando.

Nota Pessoal: Aqui percebemos o primeiro erro da história. As Universidades públicas estão se tornando ambientes PARASITÁRIOS, onde estão sendo formados (ou melhor, doutrinados) alunos sem o menor contato com a realidade social e econômica do Brasil. Os alunos, em sua esmagadora maioria filhos da Classe Média-Alta (vulgo "Filhinhos de Papai") que poderiam pagar para estudar ONDE QUISESSEM, mas conseguiram tirar as vagas de um filho de empregada doméstica (já que no Brasil, o pobre paga — CARO — para o filho do rico estudar. Mas isso é assunto para outro post). Esses alunos não precisam trabalhar. Logo, não se importam com o que está acontecendo no mercado. Eles têm, em sua maioria, pais e mães que podem pagar por suas despesas, então, qualquer situação econômica lhes será favorável. Não existe crise para quem tem as contas pagas pelos pais!

3 — Enquanto seu amigo funcionário público, que passou num concurso público de nível MÉDIO, com salário base de R$9.000,00 mais gratificações, já está dando entrada para comprar um carro, Renato usa sua bolsa para pagar seus pequenos gastos pessoais, além de sua pesquisa sem financiamento externo. (Coisas do Brasil: Funcionários públicos de nível MÉDIO ganhando quase R$10.000,00 enquanto Professores Doutores ganham pouco mais de R$8.000,00)

Em dois anos, Renato tenta produzir alguns artigos para enriquecer o currículo. Tem planos para publicar cinco, mas publica um, em revista de qualis baixo. Em paralelo, entra num forte estresse para entregar sua dissertação e passar pelo forte crivo da banca, que pode reprová-lo. Será? Na semana de sua defesa, um dos seus colegas também é aprovado, mas com um projeto medíocre e mal conduzido, que, apesar de criticado, foi encaminhado pela banca porque reprovações não são interessantes para a avaliação de conceito do Programa.

Normas do MEC

4 — Já Mestre, Renato publica mais um artigo e entra no Doutorado, em 2012. Foi mais difícil que o Mestrado, porém mais fácil do que teria sido anos atrás, por conta do bom número de bolsas disponível. Boa parte daqueles colegas medianos desiste da vida acadêmica (louvado seja Darwin), mas aquele dito cujo sem perfil de cientista de alto nível também é aprovado. Afinal, ter bolsas desocupadas não é interessante, porque senão o Programa é obrigado a devolvê-las.

Normas do MEC

5 — Sua bolsa de R$ 2.500,00 já ajuda um pouco sua condição financeira, enquanto aquele colega funcionário público conta sobre sua primeira casa própria. Além disso, o amigo já contribui com o INSS, tem estabilidade, 13º salário, plano de saúde, cartão alimentação, entre outros benefícios. Renato não: tem só a bolsa e um abraço. E o abraço é opcional…

Normas do MEC

Mas, tudo bem, é um investimento em longo prazo. Logo, ele tentará um concurso para ser professor universitário, com iniciais de cerca de R$9.000,00. Ele se esforça, publica artigos, dá aulas, redige a Tese, defende e é aprovado. O colega mediano faz um terço disso, mas também alcança o título.

Normas do MEC

6 — Eis que, em 2016, Doutor Renato se depara com uma grave crise financeira. Cortes profundos no orçamento, principalmente no Ministério da Educação, tornam escassas as vagas como docente. Concursos em cidades remotas do interior, antes com dois, cinco concorrentes no máximo, contam hoje com 30, 50, 80… A solução então é caminhar urgentemente para um Pós-Doutorado, com bolsa de R$ 4.100,00, metade do que ganha seu amigo funcionário público de nível médio, mas ok, dá um caldo bom, ainda que continue sem "direitos trabalhistas". Pouco tempo atrás, as bolsas sobravam, e os convites eram feitos pelo próprio professor. Hoje, ele enfrenta uma seleção com 30. Ele passa, o outro colega já fica pelo caminho, assim como centenas espalhados pelo País. O que eles estão fazendo agora?

O resumo da história é… Temos um exército de graduados analfabetos funcionais e de "Especialistas" e "Mestres" que não merecem o título. Em um pelotão menor, mas ainda numeroso, Doutores cujo diploma só serve para enfeitar a parede.
Bilhões de reais gastos para investir e manter um grupo cujo retorno científico é pífio para o País. Entretanto, esse não é o pior cenário.

Alarmante é ver um outro exército de Renatos, esse qualificado, com boas produções, só que desempregado e enfrentando a maior dificuldade financeira de suas vidas. Alguns há anos em bolsas de Pós-Doutorado, sem saberem se essas podem ser cortadas no ano seguinte. Se forem, nenhum mísero centavo de seguro desemprego. Na rua, ponto. Outros abandonando de uma vez a carreira Científico-Acadêmica para tentar os já escassos concursos públicos em outras áreas (afinal, o pessoal de nível médio, que estudou um terço ou menos — média de 2 a 4 anos para passar num bom concurso — do que o Renato, tá ganhando mais e com a vida em dia) ou mesmo para iniciar algum negócio próprio (que provavelmente vai quebrar), entre outras alternativas (como o Uber).


Ao passo que o governo acertou na criação de novas universidades, programas e bolsas de pós-graduação nestes últimos 14 anos, a gestão desse material humano e financeiro foi bastante descontrolada. Quantidade exacerbada de cursos criados sem demanda profissional, falta de política de cargos e carreiras para o cientista brasileiro, recursos transportados para um programa de intercâmbio que não exigia praticamente nenhum produto de um aluno de graduação (sobre Ciência Sem Fronteiras, teremos um post exclusivo), critérios de avaliação bem distantes da realidade das melhores universidades do mundo, além de uma série de outros absurdos.

Teremos cerca de dez ou vinte anos pela frente para que essa curva entre oportunidades e demanda volte a estabilizar. Não tenho dúvidas de que alcançaremos isso. Mas, até lá, cabe a pergunta. O que faremos com os novos Renatos que ainda surgem a cada vestibular?


Agora eu convido você, que leu esse texto, a compartilhar com a gente um pouco da sua experiência. Você, que dedicou anos da sua vida à sua carreira acadêmica, fez faculdade, Pós, MBA, Mestrado, etc… Como está sendo sua experiência? Se arrepende de ter tomado alguma decisão acadêmica?

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Obrigado

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Renatho Siqueira

Consultor de Marketing e Comunicação em Meios Digitais

Professor de Pós Graduação e MBA

CRA-RJ: 03–01398 / SinproRJ: 61.884–5

renatho@renatho.com.br / www.renatho.com.br

(21) 99959–0800 / (21) 98231–5231

“Marketing é satisfazer as necessidades do cliente.” — Kotler

“Marketing é tão básico que não pode ser considerado uma função isolada. É o negócio inteiro, cujo resultado final depende do ponto de vista do cliente.” — Drucker