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Editora Canhoto
É um pelo outro
Enchente na Rua Benedito Hipólito, no Centro do Rio de Janeiro, em novembro de 1951 por autor desconhecido.

Recentemente esse vídeo de um carioca revoltado com o Rio de Janeiro apareceu aqui no Twitter e desde então venho pensando muito nele. Vai aqui o vídeo e, após o link, a transcrição da fala do cidadão.

E esses telejornais ficam falando assim “e a chuva castiga os cariocas… São Pedro…” e aí fica esse negocinho de olimpíada, Sérgio Cabral com aquela cara de Tartaruga Touché falando que o Rio é cidade maravilhosa, isso é um engodo. Isso aqui é uma cidade governada por milícia, traficante e vagabundo. Meu carro, com o IPVA em dia, tá enchendo d'água. Cadê…


Biker Couple, 1961, pelo Dennis Hopper

É sobre esse som poderoso que nos invade sem que possamos evitar. Machuca, incomoda, arde, é o som que nasce, que todos que existem já passaram e que nos transporta para um eu que consideramos não sermos mais. Um miado eterno que, quando passa, continua ecoando nas nossas cabeças, que talvez nunca tenha parado de fato. Um jeito de não ouvir é seguir nos afastando até um ponto em que não se saiba mais se o choro parou de ser chorado ou se apenas ele não nos alcança mais. Se dermos um passo atrás voltamos a ouvi-lo. Mas existe um…


Foto por Elizabeth Lies no Unsplash

Judith me disse que tenho que pôr um fim nisso tudo. É no que penso enquanto subo e depois desço os pequenos montes da estrada que cruza os canaviais.

Quando chego à pequena casa, as crianças circulam o carro. O tocam como se fosse uma máquina de outro mundo mas, de mim, fazem pouco caso. Apenas olham pra bolsa negra no banco do carona.

Maria me espera escorada na porta, as mãos nas cadeiras. É mais nova que a Judith e já leva o quinto na barriga. Dou-lhe um abraço.

Falta pouco, Marieta. Hoje tem picada pra você também.

Ela…


Da videodança por Avi Mazliah

Oi.

Oi, ei, não tinha te visto aí.

Eu vi quando você subiu e achei mesmo que você nem tinha me visto, mas daí você sentou aqui.

Não tinha visto mesmo, sentei aqui por costume. Coincidência mesmo.

Também peguei o costume de sentar aqui no mais alto.

No primeiro mais alto da esquerda.

Sempre nesse, né. Mas não sabia que você pegava esse ônibus.

Eu não pego. É que hoje eu tô indo ali na Liberdade e resolvi pegar o elétrico.

Você tá morando aqui em Higienópolis?

Tô, naquele apartamento do meu pai, que ele alugava, lembra?

Eu nunca fui…


Catherine Deneuve por Walter Carone em 1963

Galera, li um texto aqui de uma colunista da Folha, Marilis Pereira Jorge o nome dela, e me senti bastante representado, acho que é bem por aí mesmo.

Porque é isso que a gente vem falando aqui né, agora não é a nossa vez mais de falar mas quando uma mulher, feminista pelo jeito, levanta a lebre acho que já dá pra começarmos a falar mais com as pessoas sobre essas questões que estamos discutindo aqui no grupo.

Como eu sei que muito de vocês não vão nem clicar no link (se fosse gif da Anitta vocês clicavam 100% né)…


Foto por Justin Luebke no Unsplash

Eu leio o livro de um escritor que morreu no ano em que nasci. Morreu aos 50 no mesmo ano em que nasci. E eu sinto como se fosse a sequência dele aqui na terra. Sinto como se fosse a continuação de quem ele foi mesmo sabendo que eu não sou um grande mestre da arte do conto, como ele foi, mas também sem saber se um dia o serei. Ele também não sabia, eu penso.

Me sinto um idiota por estar lendo a tradução do seus poemas para a minha língua sendo que eu poderia lê-lo no original. Penso…


Foto por Thewörldisyours

Em 1961 o escritor catalão Manuel de Pedrolo redatava Acte de Violència, uma das mais representativas de suas mais de cem obras publicadas. Digo redatar porque o livro seria lançado somente anos mais tarde, quando já acabada a ditadura franquista. O motivo da censura é claro: com sua trama distópica, Acte de Violència descreve como, do dia para a noite, os moradores de uma grande cidade iniciam voluntariamente, sem qualquer tipo de comando supremo, uma greve geral inusitada contra o governo central, trancando-se em suas casas e deixando vazias ruas, fábricas, mercados, lojas e escolas. …


Do vídeo feito pelo repórter fotográfico André Coelho

Quando a gente saiu da República, já meio atrasado pra rodoviária, óbvio que não dava pra saber que ia acabar assim.

De ônibus foram mais de doze horas, nas paradas a gente descia pra fumar um cigarro pros dois e tomar um café com leite cada.

É bonito porque chega ali onde os eixos se cruzam mesmo, a rodoviária de Brasília é o lugar mais lindo da cidade, a catedral é bonita até, mas é ruim porque é igreja. …


Imagem por Ciro Miguel

Morais, o burocrata, acorda às seis da manhã, toma o ônibus e para no suco-podre-nos-fundos-do-trabalho
torrada Petrópolis e suco de laranja
média e depois um cigarro ainda a tempo de passar o crachá às oito horas na catraca que lhe rouba silenciosamente os minutos
Já terminou de validar o relatório?
afunda-se nas folhas de papel riscadas a lápis buscando as minúcias de sua vida nos erros dos outros
Os documentos apresentados não estão em conformidade com as exigências da Receita Federal
desce às doze horas para ir comer no quilo-mais-barato-perto-da-firma
linguiça arroz maluco batatinha e churrasco na promoção
mais um cigarro e um café tão ruim que…


Half of the people can be part right all of the time. Some of the people can be all right part of the time. But all of the people can’t be all right all of the time.
Abraham Lincoln

Em fevereiro deste ano aconteceu a história perfeita no litoral argentino. Na praia de Santa Teresita os banhistas retiraram do mar um filhote de golfinho-franciscana — espécie em risco de extinção — e, no irrefreável impulso de tirar selfies com o bicho, acabaram por matá-lo. Ele não aguentou tanto tempo fora d’água, morreu desidratado, e seu corpo foi abandonado na praia…

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É um pelo outro

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