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        <title><![CDATA[Editora Saber Criativo - Medium]]></title>
        <description><![CDATA[Uma editora que publica conteúdo teológico criado por pensadores brasileiros e latino-americanos. - Medium]]></description>
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            <title>Editora Saber Criativo - Medium</title>
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            <title><![CDATA[Apocalipse nos trópicos (Resenha)]]></title>
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            <category><![CDATA[apocalipse-nos-trópicos]]></category>
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            <category><![CDATA[petra-costa]]></category>
            <category><![CDATA[fundamentalismo]]></category>
            <category><![CDATA[extrema-direita]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Regina Fernandes Sanches]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 21 Jul 2025 12:37:17 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-07-21T12:37:17.611Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Luis Carvalho - (Teólogo, Professor e Mestre em Filosofia)</p><p>Assisti ao tão esperado documentário de Petra Costa, intitulado <em>Apocalipse nos Trópicos</em>, que aborda a relação entre a extrema-direita brasileira e os evangélicos fundamentalistas. Um dos protagonistas é o empresário cristão e líder do ministério Vitória em Cristo, Silas Malafaia.</p><p>Petra Costa foi muito feliz na escolha do título, já que a palavra “apocalipse”, em sua raiz semântica, significa “revelação” ou “descoberta do que está oculto”. E é exatamente isso que o documentário realiza com grande maestria, ao evidenciar a relação que foi se estabelecendo, ao longo dos anos, entre o cristianismo fundamentalista e a extrema-direita no Brasil.</p><p>A relação entre a igreja cristã e a política é antiga, mas, durante um período no Brasil, havia um certo distanciamento entre esses dois campos. Com o crescimento da classe média, o acesso massificado aos bens de consumo, a entrada de jovens nas universidades e outras transformações sociais e políticas, setores das igrejas cristãs passaram a atuar de forma mais intensa na política.</p><p>O documentário, por meio da figura de Silas Malafaia, traça um paralelo entre religião e política, tendo como exemplo o pregador norte-americano Billy Graham, que esteve envolvido em questões políticas por décadas. Graham já abordava temas como o envolvimento de evangélicos na política e o combate ao comunismo — visto como o grande inimigo do cristianismo.</p><p>A partir da primeira década do século XXI, Malafaia começa a mudar seu enfoque teológico — inicialmente pentecostal — para uma ênfase na chamada <em>Teologia do Domínio</em>. Essa corrente defende que os cristãos devem dominar sete áreas da sociedade, sendo as mais relevantes: política, cultura e economia. Assim, passou-se a fortalecer a chamada “bancada evangélica”, por meio de pautas em defesa da família, dos valores cristãos, da liberdade de expressão e do liberalismo de mercado.</p><p>A eleição de Jair Bolsonaro e seu mandato são abordados no documentário, sempre destacando a influência do “povo evangélico” — nas palavras de Malafaia — na pressão por cumprimento dos acordos previamente estabelecidos. Foi cultivado um sentimento entre os evangélicos fundamentalistas de que Bolsonaro seria o “ungido de Deus”, o salvador do Brasil frente à ameaça comunista, conduzindo o país à prosperidade.</p><p>Além do combate ao inimigo imaginário do comunismo, construiu-se a ideia de uma conspiração contra a igreja de Deus e seu representante — o presidente da República. Nesse contexto, as datas cívicas durante o governo Bolsonaro foram celebradas com um tom beligerante, sempre insinuando que militares e o povo poderiam “tomar o poder” caso os prognósticos dos “profetas da política” fossem contrariados.</p><p>As eleições presidenciais e os atos de 8 de janeiro também são abordados no documentário, com foco na atuação de grupos fundamentalistas cristãos alinhados à extrema-direita e seu envolvimento na tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.</p><p>O documentário pretende traçar uma analogia entre diferentes concepções do livro bíblico <em>Apocalipse</em> e a política brasileira, com ênfase no grupo cristão fundamentalista que apoiou a extrema-direita, tendo em Jair Bolsonaro seu referencial político e em Silas Malafaia seu referencial teológico. Por essa razão, vozes dissonantes receberam menos atenção.</p><p>Ao final, Petra Costa menciona que cerca de 70% dos evangélicos apoiaram Bolsonaro, enquanto uma minoria não aderiu ao bolsonarismo.</p><p>O documentário cumpre com êxito o objetivo de expor essa aliança — perigosa? — entre extrema-direita, fanatismo religioso e setores da sociedade. No entanto, a dinâmica que estrutura essa relação é mais complexa do que aparenta. Existem diversos elementos subjacentes que a atravessam.</p><p>No interior das igrejas evangélicas, líderes e membros que não aderiram ao bolsonarismo como sinal de manifestação divina sofreram perseguição. Muitos, movidos pelo ódio ao Partido dos Trabalhadores (PT), passaram a apoiar pautas da extrema-direita de forma acrítica, sem as devidas ponderações. Como grande parte das igrejas sustenta uma teologia simplista e maniqueísta (bem <em>versus</em> mal), a equação tornou-se fácil de ser assimilada.</p><p>Desde o impeachment de Dilma Rousseff, grupos progressistas evangélicos tentam se organizar para protestar, inclusive contra a bancada evangélica. O documentário menciona essa movimentação, mas de forma periférica, já que seu foco principal é o fundamentalismo religioso e sua interseção com a extrema-direita.</p><p>Talvez por representarem uma minoria (cerca de 30%), os evangélicos progressistas não tenham obtido protagonismo na narrativa — afinal, a força dos fundamentalistas é significativamente maior.</p><p>Outro ponto que se destaca é a percepção apurada de Petra Costa sobre a realidade da maioria das igrejas evangélicas. Muitos líderes são despreparados teologicamente e reforçam discursos pautados no senso comum. Diante desse vazio teológico e da falta de formação, o discurso de Silas Malafaia encontrou terreno fértil para se espalhar, ao antagonizar valores evangélicos e comunismo. Esse antagonismo reforça a mentalidade maniqueísta presente na maioria das igrejas e alimenta o ódio direcionado ao PT.</p><p>Em uma cena emblemática, uma mulher evangélica é entrevistada e afirma, sem hesitação, que votaria em Bolsonaro. Apesar de gostar de Lula, ela considera que o partido dele atenta contra a igreja. Já sua filha, ainda em idade escolar, diz apoiar Lula, mas não concordar com pautas que, segundo a mãe, seriam contrárias aos valores evangélicos. A cena parece querer mostrar que a educação pode ser uma ferramenta eficaz contra armadilhas simplistas.</p><p>Petra Costa foi muito feliz ao mostrar a aliança extremista que percorreu púlpitos por todo o Brasil e seduziu corações e mentes de fiéis das mais diversas denominações. Também mostrou como muitos, levados pela ignorância e pela dissonância cognitiva entre ficção e realidade, aderiram à tentativa violenta de abolição do Estado de Direito — tudo em nome da fé.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=a027031c650e" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/sabercriativo-com-br/apocalipse-nos-tr%C3%B3picos-resenha-a027031c650e">Apocalipse nos trópicos (Resenha)</a> was originally published in <a href="https://medium.com/sabercriativo-com-br">Editora Saber Criativo</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Caminhos teológicos para se pensar a política atual]]></title>
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            <category><![CDATA[brasil]]></category>
            <category><![CDATA[governo]]></category>
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            <category><![CDATA[teologia]]></category>
            <category><![CDATA[taxação]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Regina Fernandes Sanches]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 15 Jul 2025 12:08:30 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2025-07-21T12:01:25.568Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Luis Carvalho — Teólogo</p><p>Nos últimos dias, boa parte dos brasileiros ficou surpresa com a carta do presidente estadunidense Donald Trump, a respeito da taxação de produtos brasileiros nos Estados Unidos em 50%. Os motivos alegados para a medida foram a suposta perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro e uma espécie de retaliação ao governo brasileiro por sua aproximação aos BRICS.</p><p>Ao analisar friamente a questão, não se pode perder de vista algumas atitudes e declarações do presidente Trump nesse seu retorno à Casa Branca. Em ocasiões anteriores, Trump falou em anexar o Canadá, tomou medidas contra o México e realizou ataques ao Irã com aeronaves extremamente poderosas. Além disso, comporta-se como um déspota, como se fosse detentor de um poder quase divino. O que legitimaria essa postura?</p><p>Uma das teses que ajudam a compreender essa questão está na teologia aplicada por grupos de extrema-direita com ideologia “cristã”, conhecida como Teologia do Domínio. Essa vertente deve ser entendida como a ideia de dominar povos e nações em nome de Deus, impondo valores, normas e conceitos político-sociais como se estes expressassem uma espécie de desígnio sagrado.</p><p>Na perspectiva da Teologia do Domínio, os Estados Unidos seriam a nação escolhida por Deus para libertar os povos oprimidos por regimes locais e por potências como China e Rússia, por exemplo. A ideia de progresso, livre mercado e empreendedorismo é amplamente reverberada no Brasil, tanto por setores da extrema-direita política quanto por igrejas e pastores que adotam esse modelo como base teológica.</p><p>O grupo que se autodenomina patriota, liberal e de direita não vê contradição em defender a taxação dos produtos brasileiros no exterior e, ao mesmo tempo, ser contra a taxação dos ricos no Brasil. Tampouco vê problema em um presidente de outro país querer intervir em questões de soberania nacional para privilegiar pessoas que estão sendo julgadas judicialmente — contanto que os beneficiados pertençam ao seu grupo político. Tudo isso passa a ser naturalizado.</p><p>De fato, há uma espécie de bricolagem religiosa que, à primeira vista, é difícil de compreender. Em uma das manifestações contra o governo atual, um cinegrafista registrou imagens de três pessoas com bandeiras distintas em uma mesma manifestação “patriótica”. As bandeiras eram do Brasil, de Israel e dos Estados Unidos. Como entender essa equação?</p><p>A bandeira do Brasil representa a nação em que se vive. Já as bandeiras de Israel e dos Estados Unidos representariam, segundo essa lógica religiosa, os povos escolhidos por Deus para abençoar a humanidade por meio do capitalismo neoliberal e da economia de mercado. Atualmente, os Estados Unidos são vistos por esses grupos como a maior representação desse sistema, por serem considerados uma nação protestante.</p><p>Trump, nesse caso, é apresentado como uma espécie de messias: alguém escolhido por Deus para iniciar uma nova era — uma era de submissão dos povos periféricos, proteção aos aliados e perseguição aos inimigos políticos, algo que, de forma semelhante, aconteceu com os reis de Israel em tempos passados.</p><p>Quais seriam os caminhos teológicos para se pensar a política?</p><p>A proposta teológica para refletir sobre as questões econômicas já existe há algumas décadas, mas hoje requer a habilidade de dialogar com elementos religiosos, culturais, políticos e econômicos. O que demanda um esforço teológico plural.</p><p>Primeiramente, é necessário haver uma crítica constante à ideologia de mercado e à fetichização da economia como desejo — questão que perpassa até mesmo por elementos da psicanálise. Identificar riqueza, mercado e outros aspectos do capitalismo como sinais da “bênção de Deus” ou de sua aprovação é um equívoco grave.</p><p>Em segundo lugar, a libertação da teologia deve caminhar pari passu com a valorização do “chão da vida”. Uma teologia cristã comprometida deve ter como paradigma a caminhada de Jesus de Nazaré, que, por meio de um ministério contextualizado, buscou conferir dignidade às pessoas. Curiosamente, seu ministério foi bem-sucedido na Galileia (periferia), mas rejeitado em Jerusalém (centro político-religioso).</p><p>Valorizar o Brasil, lutar para que o paradigma agrário-exportador dê lugar ao desenvolvimento tecnológico, à industrialização e à melhor distribuição de renda é uma tarefa que deveria mobilizar tanto lideranças religiosas quanto os autodenominados patriotas. Lutar contra a subserviência aos “faraós modernos” é a missão à qual o verdadeiro povo de Deus deve se dedicar.</p><p>Outra tarefa teológica importante para refletir sobre a economia diz respeito aos chamados “novos lugares” teológicos — ou seja, relaciona-se com novos diálogos e sujeitos emergentes neste mundo globalizado. Assim como a teologia deve considerar a diversidade de manifestações divinas, ela também deve contemplar os novos sujeitos econômicos, como nações emergentes, de modo que parcerias e relações mais justas possam ser estabelecidas.</p><p>Nesse contexto, há espaço para se pensar uma teologia com foco nas produções latino-americanas, em contraposição ao eixo dominante do Hemisfério Norte. Essa é uma tarefa urgente, necessária para livrar as igrejas brasileiras do “engodo teológico”. Por que não pensar uma teologia brasileira, a partir do Brasil? Até quando continuaremos dependendo de referenciais que não expressam a nossa realidade?</p><p>Independentemente das confissões (reformadas, pentecostais, congregacionais), as teologias devem abandonar a falsa neutralidade e se posicionar de maneira concreta, a partir de um lugar específico e em compromisso com ele. Na prática, a chamada “neutralidade teológica” frequentemente resulta em apoio aos poderosos e negação dos mais vulneráveis.</p><p>O caminho é árduo e exigirá novos esforços de todas as partes. Contudo, o mais importante é frisar que está em curso uma disputa que opõe, de um lado, a defesa do Brasil como nação soberana e abençoada por Deus e, de outro, o imperialismo moderno de inspiração faraônica.</p><p>Que possamos encarar essa missão com coragem e piedade.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=aa2ab347d7cb" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/sabercriativo-com-br/caminhos-teol%C3%B3gicos-para-se-pensar-a-pol%C3%ADtica-atual-aa2ab347d7cb">Caminhos teológicos para se pensar a política atual</a> was originally published in <a href="https://medium.com/sabercriativo-com-br">Editora Saber Criativo</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Calvino, calvinismo e política]]></title>
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            <category><![CDATA[evangélicos]]></category>
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            <category><![CDATA[presbiterianismo]]></category>
            <category><![CDATA[cristianismo]]></category>
            <category><![CDATA[calvino]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Regina Fernandes Sanches]]></dc:creator>
            <pubDate>Sat, 05 Oct 2024 11:35:12 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-10-05T11:35:12.818Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Prof. Paulo Roberto Pedrozo</p><p>Os filólogos nos explicam que em épocas arcaicas ἐλευθερία [eleutería], que significa “liberdade” na língua grega, remetia à condição do homem em idade adulta em oposição ao “escravo” e à “criança”, que na língua grega são designados pelo mesmo termo, παιδός [paidós]. Nesse caso, notamos que a primeira acepção de liberdade estava relacionada com a autonomia do indivíduo em sentido literal, pois, naquele contexto histórico, apenas o homem adulto tinha condições tanto físicas quanto racionais de exercer suas escolhas no âmbito de sua vivência social, já que aspectos filosóficos não eram presumíveis nessa época.</p><p>No judaísmo antigo, que é a matriz do cristianismo primitivo, a discussão sobre a liberdade remete à liberdade da Lei, no caso, compreendida por judeus e cristãos do Mundo Antigo como a Torah (Pentateuco para os cristãos), na qual Yahweh, o deus único que se revelou aos judeus, manifesta sua vontade ao povo judeu, que tem uma aliança com ele. O versículo da autoria do apóstolo Paulo citado na epígrafe aponta para a liberdade do cristão em vista da Lei que foi dada como pacto entre Deus e o povo judeu, mas não permanece como exigência para a vida cristã.</p><p>Ainda no Mundo Antigo, no contexto grego da pólis, que se desenvolve em período concomitante ao do desenvolvimento do judaísmo antigo, o significado de “liberdade” seria refletido a partir de seu sentido filosófico, e, em época posterior, ao longo do Medievo, a discussão se manteria nessa perspectiva no mundo cristão com o surgimento da Patrística e da Escolástica, no qual o termo seria abordado no sentido teológico, propriamente dito.</p><p>Assim, ao longo da Idade Média, a discussão sobre a liberdade não remetia mais à autonomia individual em sentido concreto nem à submissão a um código legal em sentido literal, mas aos âmbitos simbólico e metafísico em que se pode compreendê-la, isto é, tanto Filosofia quanto Teologia são investigações que se propõe a penetrar a aparência das coisas para entendê-las em si mesmas e por isso, por princípio, desconfiam que, apesar de um aspecto exterior de liberdade, o que há, de fato, é escravidão, manipulação, alienação ou qualquer outro elemento que comprometa a existência da verdadeira liberdade, que é plena. Por esse motivo pensadores como Agostinho de Hipona, por exemplo, buscaram a proposição de uma definição para o conceito “liberdade”, durante a Alta Idade Média, e, no pensamento escolástico, destaca-se Guilherme de Ockham que continuou a debater sobre as proposições da liberdade na Idade Média Tardia, introduzindo o nominalismo que seria tão caro ao reformador Martinho Lutero.</p><p>No século XVI, durante o Renascimento, volta a acontecer a discussão sobre sua interpretação da lei judaica na Nova Aliança, retomando principalmente a argumentação do apóstolo Paulo, grande referencial da Reforma Protestante, tanto luterana quanto calvinista. Sobre esse tema repousa boa parte do debate realizado pelos reformadores Martinho Lutero e João Calvino, conforme veremos na obra de Paulo Roberto, à qual este prefácio pertence.</p><p>Na época moderna, o marxismo denunciou que a estrutura social oculta a alienação dos seres humanos, que sem perceber, abrem mão da liberdade por estarem envoltos numa ilusão alienante que lhes escraviza em meio a um processo que combina caprichosamente elementos concretos e simbólicos que promovem a opressão dos trabalhadores para enriquecimento dos ociosos detentores dos meios de produção.</p><p>Em período contemporâneo, além de permanecermos, sobretudo, com a preocupação tendo em vista a crítica marxista, que provocou às chamadas pautas identitárias, também acrescenta-se o medo de que a tecnologia nos prive de qualquer autonomia que nos resta, pois tanto as estratégias de marketing quanto o assustador poder de manipulação dos algoritmos que operam nas redes sociais e a recém-surgida inteligência artificial claramente têm como objetivo privar-nos do uso da razão em troca de, ora efetivamente dinheiro, ora engajamento nas redes sociais, mas em todos os momentos, em troca de algo que consta como essência de nosso próprio ser, seja pela nossa força de trabalho, transformada no capitalismo em dinheiro, dado em troca de bens de consumo, ou nossa audiência e envolvimento emocional, que, nesse caso, corresponde às nossas emoções, e, em muitos casos, por capricho, são tocadas aqueles nossos sentimentos mais incontroláveis.</p><p>Diante desse brevíssimo resumo, percebemos a relevância da discussão sobre o significado da liberdade em todas as épocas, o que poderia ser expandido amplamente, se o escritor desse prefácio fosse um filósofo de formação. Todavia, aqui há mais importância em perguntar: — o que diz a Teologia sobre o tema?; do que em continuar a apontar a importância da discussão sobre a liberdade, cujo alto valor deve seres humanos evidente para todos a essa altura da história da humanidade.</p><p>Como presbiterianos, parte de nossa identidade está relacionada com a doutrina da predestinação. Na nossa sociedade há uma discussão popular e famigerada que opõe dois teólogos que estão influenciados pela mesma matriz de pensamento calvinista, isto é, o próprio João Calvino e o calvinista holandês Jacob Arminius. Essa discussão sobre a predestinação, de um lado, contra o livre-arbítrio, de outro, não é levada a sério na academia, mas persiste em despertar a curiosidade do povo evangélico e uma atitude importante de nossa parte como cristãos reformados é responder com seriedade as perguntas feitas pela sociedade.</p><p>É bem aí que entra a importância da obra de Paulo Roberto, pois ele apresenta a discussão sobre a liberdade a partir dos reformadores, dando ênfase ao pensamento de João Calvino, mas passando por outros, como Martin Lutero e Thomas Müntzer […] — (p. 9–13).</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*C-SXJf2k3BUZA7aR4bPilQ.png" /></figure><h4><a href="https://www.editorasabercriativo.com.br/fides-et-ratio-paulo-roberto-pedrozo-rocha"><strong>ACESSE A OBRA AQUI</strong></a></h4><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=a066e9f51172" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/sabercriativo-com-br/calvino-calvinismo-e-pol%C3%ADtica-a066e9f51172">Calvino, calvinismo e política</a> was originally published in <a href="https://medium.com/sabercriativo-com-br">Editora Saber Criativo</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[COMENTÁRIO BÍBLICO]]></title>
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            <category><![CDATA[apóstolo-paulo]]></category>
            <category><![CDATA[comentários-bíblicos]]></category>
            <category><![CDATA[filipenses]]></category>
            <category><![CDATA[novo-testamento]]></category>
            <category><![CDATA[cartas-paulinas]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Regina Fernandes Sanches]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 30 Sep 2024 21:55:09 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-09-30T21:59:45.975Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Tessalonicenses e Filipenses</p><p>Autor: Júlio Zabatiero</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/540/1*e3UJ0uyCHsOgXgEIF_O8Jg.png" /></figure><p><a href="https://www.editorasabercriativo.com.br/comentario-a-tessalonicenses-e-filipenses-julio-zabatiero"><strong>ACESSE AQUI A OBRA</strong></a></p><p>Tessalônica era uma cidade importante e próspera que manteve sua cultura grega mesmo sob a dominação romana, cujo status como cidade livre era garantido por sua lealdade a Roma, expressa de diversas formas, particularmente através do culto imperial. Boring sintetiza a situação do culto imperial à época de Paulo: “dentro desta variedade sincrética, a presença e importância do culto ao imperador, associado com a deusa Roma era clara na Tessalônica do primeiro século, fundamentando a ‘paz e segurança’ da cidade (ver sobre 5,3).</p><p>Uma inscrição do tempo de Augusto (27 a.C. — 14 d.C.) Kaisaros Naos (Templo de César), documenta a existência de um templo de César. As moedas da cidade eram impressas com a efígie de César substituindo a figura de Zeus. O culto a César envolvia não apenas sacrifícios a, e pelo imperador, mas também muitos eventos cívicos e dias festivos. O culto não foi imposto pelos romanos, mas iniciado e encorajado por cidadãos locais, um movimento autóctone e não uma imposição estrangeira, autoritária.”3 A hesitação em participar de tais celebrações comunitárias só podia ser interpretada como a não preocupação com o bem-estar da cidade e não passaria desapercebida. Ademais, tal afastamento seria uma afronta às relações de patronato que permeavam o relacionamento social nas cidades romanas, gerando inevitavelmente uma reação forte (e não legal) das pessoas que tenham se considerado ofendidas.</p><p>Uma cidade com cerca de 60.000–100.000 habitantes, marcada pela diversidade religiosa, com a presença de uma pequena colônia judaica, orgulhosa de seu status como cidade livre, era um espaço de tensão para uma pequena comunidade de seguidores do evangelho do Messias Jesus — tanto em sua relação com a colônia judaica, como em sua relação com a população em geral. Não é à toa que a perseguição e os problemas com os ‘de fora’ formam um dos temas centrais da correspondência paulina com os tessalonicenses. (p. 12)</p><p>MAIS…</p><p><a href="https://www.editorasabercriativo.com.br/comentario-a-tessalonicenses-e-filipenses-julio-zabatiero"><strong>ACESSE AQUI</strong></a></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=1b36c51d8522" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/sabercriativo-com-br/coment%C3%A1rio-b%C3%ADblico-1b36c51d8522">COMENTÁRIO BÍBLICO</a> was originally published in <a href="https://medium.com/sabercriativo-com-br">Editora Saber Criativo</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[E o Deus falante nos fala]]></title>
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            <category><![CDATA[cristianismo]]></category>
            <category><![CDATA[biblia]]></category>
            <category><![CDATA[ancestralidade]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Regina Fernandes Sanches]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 06 May 2024 10:11:23 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-05-06T10:11:23.275Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>A Bíblia e as sabedorias ancestrais</p><p>Regina Fernandes</p><p>A Bíblia é uma fortaleza e Deus nos fala através dela nas diversas leituras, seja crítica, ortodoxa, popular ou libertadora. É Deus quem escolhe o modo como nos fala e não o humano.</p><p>Ismael Conchacala, indígena Wiwa (Colômbia) descreve, com base na sabedoria do seu povo, uma das mais belas relações possíveis com as Escrituras:</p><blockquote><em>consideramos a Bíblia como uma idosa a quem ouvimos. Ela tem a palavra em nossas conversas. Em outras palavras, a voz de Deus é balbuciada por uma idosa. Ao mesmo tempo, as palavras de nossos anciãos devem sentar-se ao redor do fogo com ela. (CONCHACALA, In: SANCHES, PURI, RIBEIRO, 2022, p. 152)</em></blockquote><p>Assim como na tradição hebraica a relação com as Escrituras se dava através da sabedoria, de igual forma, não podemos dispensar nossos diversos saberes, inclusive esses ancestrais mencionados por Conchacala, para ouvir a revelação divina que ela nos conta. Devemos ver os patriarcas aos apóstolos como aqueles anciãos e anciãs Wiwa que em volta da fogueira conversam sobre as ações de Deus e as narram aos mais jovens. É dessa forma que a humanidade foi chamada, pelo próprio Deus, a participar da construção do seu conhecimento, ouvindo a sua palavra humildemente e com sabedoria. Há várias maneiras de se ler e interpretar a revelação bíblica, os métodos hermenêuticos ocidentais são uma delas, mas não pode ser reduzida a eles, sob risco de não conseguirmos ouvir o que Deus quer nos falar por inteiro.</p><p>Outro erro grave seria a extrema individualização da Revelação, prática comum nas leituras bíblicas cristãs modernas e contemporâneas ocidentais, em um enquadramento bastante oportunista à cultura individualista moderna. Nas culturas em que as vivências são naturalmente comunitárias, conforme descreve Isaías Hitohã, da etnia Pataxó:</p><blockquote>“Para nós, a vida não acontece independentemente, mas na interdependência, precisamos de Deus, do outro e de toda criação.” (HITOHÃ, In: SANCHES, PURI, RIBEIRO, 2022, p. 117).</blockquote><p>Muito mais próximas das sociedades bíblicas, esses povos têm certamente uma compreensão mais vivencial e participativa do conteúdo bíblico, como uma espécie de fusão de horizontes. O mesmo aponta Júlio Macuva, teólogo africano, sobre a teologia africana:</p><blockquote>pois o fazer teológico desde o contexto é acima de tudo um esforço hermenêutico das comunidades de fé no continente. Os cristãos africanos são chamados a interpretar e a compreender as Escrituras a partir de sua realidade histórica concreta, porque o Deus vivo que ao tornar-se humano entrou na história de toda humanidade (não de um povo especial), é o mesmo que chama os homens e mulheres em África a voltarem sua atenção para a sua revelação (ESTENDAR, In: JOÃO; BUENO, 2019, p. 83)</blockquote><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=f5e5a24f7dbe" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/sabercriativo-com-br/e-o-deus-falante-nos-fala-f5e5a24f7dbe">E o Deus falante nos fala</a> was originally published in <a href="https://medium.com/sabercriativo-com-br">Editora Saber Criativo</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Sempre tive medo de dançar…]]></title>
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            <category><![CDATA[filosofia]]></category>
            <category><![CDATA[vento]]></category>
            <category><![CDATA[romance]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Regina Fernandes Sanches]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 22 Mar 2024 11:43:07 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-03-22T11:43:07.794Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/746/0*FdwuuGtqq9GN8tBx" /></figure><p>Nunca consegui acompanhar o ritmo. As pernas travam, eu perco os passos e me sinto, para ser sincero, inadequado e ridículo. É um verdadeiro constrangimento. Eu olho as pessoas ao redor e me pergunto: como elas conseguem balançar seus corpos com estilo sem que se sintam incomodadas? Elas dançam como se ninguém estivesse observando. Sentem-se livres. Sempre apreciei a dança e essa liberdade, mas nunca pude dançar. Quando tento, sinto que todos estão focados em meus passos e rindo. Não sei se elas estão apenas felizes ou se o motivo da alegria são a inaptidão e o desjeito. Não, pode ser que elas não estejam nem sequer olhando. Acho que o holofote está em mim e, talvez, tenho dado muita atenção ao meu umbigo — ou, pelo contrário, pode ser que eu esteja olhando muito para o umbigo dos outros, não dando a atenção correta aos meus próprios passos.</p><p>A dança é uma expressão e uma arte. As pessoas expressam seus sentimentos e manifestam suas vitalidades dizendo e afirmando, através dela, que estão vivas. Para alguns, dançar é tudo. Os passos têm sentido. Parece que todos sabem o que estão fazendo. Esperam o ritmo dizer o que precisam fazer em seguida, antecipam e aguardam o que está por vir, e o corpo obedece sincrônica e harmoniosamente ao ritmo, conferindo confiança e suavidade aos dançarinos. Gostaria de sentir essa elasticidade do corpo; sentir essa liberdade correndo nas veias, guiando os meus passos, dominando meus impulsos, deixando delineados no ar os movimentos, enquanto se respira a própria música.</p><p>Acho que minha predileção pela dança vem da paixão que minha mãe tinha por essa arte, pois ela, sim, foi uma dançarina. Expressar-se com paixão na dança foi sua distinção na vida, sua marca. Embora haja muitos dançarinos por aí, os seus passos eram únicos, expressavam-se com vigor, não importava o ritmo, ela estava pronta, era alegria e era dor, um completo esvaziamento de si que a fazia plena e eterna. É o que consigo lembrar. Talvez, por isso, nos últimos tempos, tenho buscado essa expressão, para tentar aproximar-me da sua presença, lutando contra o esquecimento. Mas o que fazer e como encontrar a paixão quando ela parece desaparecer nos eventos da vida e quando você ainda não descobriu o seu propósito e, talvez, já tenha desistido de encontrá-lo?</p><p>P. H. MARTINS</p><p><a href="https://www.editorasabercriativo.com.br/o-caminho-do-vento-p-h-martins">O Caminho do Vento - P. H. Martins</a></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=f733ea9f037e" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/sabercriativo-com-br/sempre-tive-medo-de-dan%C3%A7ar-f733ea9f037e">Sempre tive medo de dançar…</a> was originally published in <a href="https://medium.com/sabercriativo-com-br">Editora Saber Criativo</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[(SIS) Temáticas Teológicas]]></title>
            <link>https://medium.com/sabercriativo-com-br/sis-tem%C3%A1ticas-teol%C3%B3gicas-59eb9839c1c1?source=rss----5f07da3cea1f---4</link>
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            <category><![CDATA[teologia-sistemática]]></category>
            <category><![CDATA[teologia-latino-americana]]></category>
            <category><![CDATA[teologia]]></category>
            <category><![CDATA[cristianismo]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Regina Fernandes Sanches]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 04 Mar 2024 11:41:13 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-03-04T11:41:13.501Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Na primeira parte do livro faço uma introdução à Teologia para esclarecer como a entendo, partindo dos estudos, dos diálogos, das observações que tenho realizado ao longo da vida. Teologia, na abordagem da obra, é sempre um ato segundo, primeiro vem a vida, a fé, o contato com as Escrituras, o desejo de conhecer a Deus e os diálogos desse percurso. Ela sempre sucede o movimento como ideia elaborada, mas é também parte dele como busca e diálogo. Após essa discussão, introduzo o assunto da Trindade, abrangendo vários aspectos a partir das releituras da tradição cristã. O tema da criação, trato especialmente a partir da realidade Latino-Americana, pois é um assunto que conhecemos bem e temos muito o que falar, visando principalmente a construção de ecoteologias. Sobre a humanidade, o tratamento é desde o tempo contemporâneo, outra localização possível da teóloga e do teólogo, visando pensar as questões antropológicas postas por nosso tempo.</p><p>Essa obra é mais uma proposta de reflexão teológica, quem sabe um “pontapé teológico”, aquele primeiro chute no futebol, quando a bola começa a rolar nos pés dos jogadores no início do jogo. Pode ser acolhida também como um conjunto de aulas em que se dialoga e se discute, possibilitando a quem a lê, pensar, discernir, avançar nas reflexões, criar e fazer Teologia.</p><p><strong>A teologia resulta do esforço do pensamento humano sobre Deu</strong>s,</p><p>seja ela na forma conceitual e ordenada do modelo ocidental, seja na forma das narrativas, sabedorias e oralidades das culturas ancestrais e da religiosidade popular, ou na forma híbrida das teologias latino-americanas, africanas, asiáticas etc. Como “labor” humano a teologia sempre está situada nas culturas e situações históricas e demarcada por elas. Essa não é uma condição exclusiva da teologia, mas de todo conhecimento humano. Nós não somente produzimos diferentes conhecimentos, mas conhecemos de modo diferente, diversificado, e não há como dizer que a percepção da realidade de um povo é superior a de outros povos somente porque ele utiliza métodos diferentes por eles mesmos produzidos.</p><p><a href="https://www.editorasabercriativo.com.br/pre-venda-sis-tematicas-teologicas-sobre-teologia-deus-e-criacao-regina-fernandes">Mais…</a></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*VsGOOUFNTwkNuyTF308XlQ.png" /></figure><h4><a href="https://www.editorasabercriativo.com.br/pre-venda-sis-tematicas-teologicas-sobre-teologia-deus-e-criacao-regina-fernandes">CONHEÇA A OBRA</a></h4><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=59eb9839c1c1" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/sabercriativo-com-br/sis-tem%C3%A1ticas-teol%C3%B3gicas-59eb9839c1c1">(SIS) Temáticas Teológicas</a> was originally published in <a href="https://medium.com/sabercriativo-com-br">Editora Saber Criativo</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[O ADVENTO]]></title>
            <link>https://medium.com/sabercriativo-com-br/o-advento-c712922d7486?source=rss----5f07da3cea1f---4</link>
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            <category><![CDATA[advento]]></category>
            <category><![CDATA[jesus]]></category>
            <category><![CDATA[natal]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Regina Fernandes Sanches]]></dc:creator>
            <pubDate>Sun, 10 Dec 2023 12:50:50 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2023-12-10T12:50:50.067Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/259/1*7mTE0emeP6Dm6gYJLEM8gg.png" /></figure><p>Livro <a href="https://www.editorasabercriativo.com.br/buscar?q=PREGANDO">PREGANDO O EVANGELHO</a></p><p>Assim surgiu “Advento”: em sua avançada idade, o sacerdote Zacarias e sua esposa Isabel se tornam pais de uma criança — a grande alegria da sua velhice, a superação do desgosto particular de sua vida. Mas o nascimento desta criança significa, simultaneamente, muito mais do que o nascimento de “seu” filho. Embutido na história da família, inicia-se novamente mais um ato da história da salvação, exteriormente insignificante, como quantas vezes na Bíblia. Mas aqui, agora, acontece verdadeiramente o lançamento fundamental de um novo início na história de nossa salvação. Esta criança, que acabou de nascer, será o precursor daquela outra criança, por meio da qual todos os acontecimentos mundiais passarão por uma reviravolta. Esta criancinha João será o arauto da criança que nascerá no Natal, será a pessoa que tornará pública a iminente vinda de Deus. Esta criancinha João, que acabou de nascer, que ainda é criança de peito, criança indefesa e dependente como toda criança, já agora é o sinal vivo de Deus para a graça que surge para salvar o mundo. Esta criança, nascida de seres humanos, é fiança, é garantia de que o próprio Deus está diante da nossa porta, de que sua salvação irromperá poderosamente para todo o mundo!</p><p>Por este motivo, o pai se chama “Zacarias”, e a criancinha, “João”. João significa “Deus é gracioso”. Isabel, a mãe, determina isso categoricamente em substituição ao seu marido, que se encontra acometido de mudez, e o próprio Zacarias o confirma logo a seguir: “João é o seu nome”. Os pais nem embarcam numa discussão diante da objeção de vizinhos e parentes. É óbvio que, segundo a tradição e os costumes da época, a criança deveria receber o nome de seu pai ou de um parente próximo. E “Zacarias” seria deveras um nome apropriado: “Deus se lembra”, “o Senhor se lembra”, pois, por intermédio desta criancinha, Deus se lembrou exatamente do sofrimento de Zacarias e atende aos anseios do seu povo. Este seria o nome correto e, ao mesmo tempo, venerável, pleno de tradição sacerdotal. Neste nome não se encontra nenhuma mácula. Sobre os anciãos, seu pai e sua mãe, é relatado expressamente que “eram justos diante de Deus, vivendo irrepreensivelmente em todos os preceitos e mandamentos do Senhor”</p><p>(Lucas 1.6). Algo melhor nem pode ser dito sobre ambos, e um nome mais puro nem existe em Israel.</p><p>Mas se o Advento realmente está para acontecer, se Deus está se aproximando, então nem mesmo o melhor que a fé humana tem a oferecer ainda não é o suficiente. Então não pode ser mais um nome que se volta ao passado, que indica para o passado, ainda que este seja puro como uma flor e sem defeitos. Então, só pode ser um nome que indica diretamente e radiante para a frente, que seja como um dedo esticado a indicar para o que Deus planejou e irá realizar. “João”, “Deus é gracioso”, “Deus será gracioso”. Portanto, é assim que a criança deve ser chamada. Se lhe fosse dado o nome do pai, Zacarias, então isso significaria: Que legal, ganhamos uma criancinha, Deus se lembrou de nós! Que legal! Mas tudo ficaria conforme o que fora bom até agora: o serviço bem organizado no templo, a realização dos rituais sagrados como queimar o incenso e executar os sacrifícios. Assim Deus pensa em nós: Ele nos presenteou com uma criancinha!</p><p>Mas se a criancinha, obedecendo à ordem do anjo, se chamar “João”, então ela será muito mais do que já era bom, então Deus será gracioso e seu olhar se voltará para a frente. Deus será gracioso para muito além do que já se vivenciara por parte dele até então. De agora em diante deve ser dito: Graças a Deus por interferir ele profundamente na marcha deste mundo desnorteado e em sua interminável história de sangue e violência. Doravante será tudo bem diferente! Nada mais será como nos tempos idos. Surgirá algo novo sob o sol, algo que colocará até mesmo a tradição piedosa do sacerdócio de Zacarias na sombra: “Deus será gracioso”, “João”. O que significa “graça”? Graça é o que vem bem lá de cima e bem de fora para a nossa salvação. Graça é o que não recebe nenhuma participação de nossa parte, nenhum incremento de nossa parte. Graça é o que a pessoa nunca tem em suas mãos, mas que Deus, sozinho e exclusivamente ele, tem em suas mãos. Graça é o puro presente de Deus. Depende somente de Deus, da sua vontade e do seu agrado, fechar ele seu coração para nós ou abri-lo para nós, depende somente de Deus derramar seu amor até os confins da terra e até o final dos tempos, depende somente dele derramar sua graça sobre todas as pessoas.</p><p>“João”, “Deus será gracioso”. Ele está agora na iminência de abrir a sua mão. Por isso é Advento, pois sua graça está a caminho até nós! O que a mãe Isabel fez ao defender este nome foi uma pequena atitude de obediência à ordem do anjo: “… a quem darás o nome de João”., e o pai Zacarias repete este gesto de obediência ao escrever o nome desta criança sobre uma tabuinha, e, a partir destes pequenos gestos de obediência, a maré do Advento divino se espraia até nós, até todas as pessoas. “Agora vós precisais deixar-vos presentear”, diz esta hora. Agora é hora de abrir totalmente as mãos e os corações! Se Deus concede a sua graça, então ele exige que doravante a graça seja levada a sério, seja aceita, seja recebida. Se Deus concede graça, então ele reivindica das pessoas que cada qual se deixe presentear, sabendo que só existe uma única forma de retribuir ao presente: tomado de felicidade, balbuciar um “obrigado”!</p><p>Como isto é difícil para muitos de nós! Sabemos muito bem como é complicado para nós trocar presentes no dia de Natal! Como é desagradável receber um belo presente de uma pessoa, da qual nem nos havíamos lembrado nesta época! A gente até sente a necessidade de sair correndo até uma casa comercial para comprar algo para retribuir o presente recebido, só para não estar ali como uma pessoa unilateralmente presenteada.</p><p>Mas agora está aí “João”, “Deus é gracioso”: finalmente acabou este constrangimento da retribuição; agora se trata de algo demáxima e rigorosa unilateralidade! Agora é assim: tu, criatura, deves saber que tua única e verdadeira ajuda consiste em que eu te presenteie com meu presente celestial, com minha graça! Eu, o próprio Deus, apresso-me em te socorrer, em te libertar! E não faço isso por seres uma criatura tão querida, digna de ser amada. Não, se o faço é unicamente por causa do meu compadecimento diante do abandono e da necessidade de salvação deste mundo humano tresloucado. E aí tu não podes entrar com tua própria colaboração que, aliás, nenhum valor possui, senão aceitar o que te dou de graça, e lembrar-te sempre disto: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga ao seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao Senhor e não te esqueças de nenhum só de seus benefícios. Ele é que perdoa todas as tuas iniquidades; quem sara todas as tuas enfermidades; quem da cova redime a tua vida e te coroa de graça e misericórdia” (Salmo 103.1–4).</p><p>Tudo isto significa o nome “João”, esta história da graça única e transformadora do mundo. Agora Deus estende suas mãos para o nosso mundo, ele se apressa em vir ao nosso encontro e faz tudo isto apesar de o ser humano ser notoriamente um fracasso em suas tentativas de galgar aos céus e de querer continuar agindo assim. O ser humano quer conquistar os céus, tomar posse dele, quer merecê-lo, quer dominar sobre Deus. Para tanto, constrói torres e templos e faz a fumaça dos sacrifícios elevar-se às alturas. Mas por ter chegado a hora de “João”, do “Deus é gracioso”, toda tentativa de o ser humano chegar até os céus acabou por aí. Agora acontece o movimento contrário: Deus quer descer até os seres humanos, quer participar desta confusão, das dificuldades, do vexame e da culpa do mundo. Ele quer descer até as mais profundas esferas do ser humano desamparado, entrar em sua sepultura e conviver com sua morte.</p><p>Realiza-se, assim, no recanto daquelas pessoas humildes, na persistente obstinação do sacerdote Zacarias e de sua esposa Isabel de acatarem o nome “João”, o milagre comprovativo de que Deus é gracioso. O milagre da fé adventícia se dá com o fato de duas pessoas começarem a dizer sim para este Deus gracioso e que se aproxima delas e de todas as pessoas com determinação. Aqui acontece o que muitas pessoas não conseguem realizar: que a pessoa se deixa ajudar sem contrapartida de sua parte. Precisamos registrar esta fé adventícia como milagre operado pelo próprio Deus, por meio do seu Espírito Santo, como milagre do seu agir único e exclusivo. Este milagre não é em nada menor do que quando um paralítico volta a saltitar, um cego volta a enxergar, um mudo começa a cantar ou um morto ressuscita. Duas pessoas dizem sim para a graça de Deus. Duas pessoas foram conduzidas pela porta estreita para dentro daquele recinto em que se realizará o Natal. Um camelo passou pelo fundo da agulha. “João é o seu nome”.</p><p>E não bastasse este milagre, a ele se junta ainda este outro milagre: a boca emudecida do pai Zacarias se abre para um cântico de louvor, que na liturgia da Igreja leva o nome latino “benedictus”, entoado na Igreja da nova aliança até o fim dos tempos. O cântico de louvor de Zacarias ao Deus que “visitou e redimiu o seu povo”. Como uma mariposa, que circula em torno da luz, assim o cântico de louvor de Zacarias gravita em volta da palavra luminosa “misericórdia”. E as pessoas, que se defrontam com a mãe e o pai idosos, ficam perplexas e começam a perguntar: “Que virá a ser, pois, este menino?” E Zacarias, há pouco ainda emudecido, esclarece então com clareza profética qual será o futuro desta criança recém-nascida: “Tu, menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor, preparando-lhe o caminho”.</p><p>Assim, com o nome João, inicia-se a vinda de Deus ao nosso encontro. Deus não assombra e não atemoriza. Ele vem de forma tão modesta e frágil como uma criança pequena, que recebe um nome. Ele quer “alumiar os que jazem nas trevas e na sombra da morte”, “e dirigir nossos pés pelo caminho da paz”. Amém.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=c712922d7486" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/sabercriativo-com-br/o-advento-c712922d7486">O ADVENTO</a> was originally published in <a href="https://medium.com/sabercriativo-com-br">Editora Saber Criativo</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[A TEOLOGIA E A VIDA]]></title>
            <link>https://medium.com/sabercriativo-com-br/a-teologia-e-a-vida-c6ff894e313c?source=rss----5f07da3cea1f---4</link>
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            <category><![CDATA[vida]]></category>
            <category><![CDATA[africana]]></category>
            <category><![CDATA[teologia]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Regina Fernandes Sanches]]></dc:creator>
            <pubDate>Sun, 19 Nov 2023 11:25:25 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2023-11-19T11:25:25.072Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*ofHwZ2smHb4mL-WBmvKZwA.png" /></figure><p>Gil Nsilu Estefani André</p><p>A noção da vida como algo sagrado e dádiva divina, de fato, não tem apenas a sua origem na cultura africana, mas também na Bíblia onde ela é apresentada como um presente de Deus para ser desfrutada, compartilhada e devolvida a Ele — “É um dom de Deus que inclui todas as bênçãos vinculadas à sua presença e à sua ação na história humana.” A relação entre a Teologia e a vida é uma questão missiológica, tanto o Antigo como o Novo Testamento a colocam no âmbito da missão de Deus na perspectiva da esperança pela sua restauração.</p><p>A mensagem do Antigo Testamento consiste na proclamação da vinda do Messias como aquele que trará paz no mundo. O Novo Testamento, por sua vez, descreve a realização da mensagem do Antigo Testamento, ou seja, o cumprimento das profecias através da encarnação de Jesus Cristo. Padilla afirma que o “Messias prometido veio na pessoa de Jesus e que com ele se iniciou a era da shalom, a era da paz que é a plenitude da vida, vida em abundância – vida eterna.” De fato, “Quando fazemos teologia em um contexto em que a vida é procurada como o dom sagrado por excelência, as palavras de Jesus em relação à vida não podem passar despercebidas.”</p><p>A fala de Jesus em João 10.10b: “Eu vim para trazer a vida, e a trago em abundância”, descreve a perspectiva profética consumada quanto ao Antigo Testamento: escatológica presente/futuro, e missionária: quanto à vinda do Messias. A vida em abundância que Cristo traz é a comunhão do humano com Deus, sua salvação e a vida eterna, mas também a comunhão da criação. De acordo com João, a salvação, ou a vida em abundância que Jesus trouxe, não é parcial, como muitos ensinam, da alma somente na forma de uma escatologia futura, ao contrário, é histórica e integral. A vida, também, é a experiência de uma escatologia presente, em abundância por meio da paz que Jesus oferece. Essa paz abarca toda realidade do ser humano que tem Cristo. Ele não transforma apenas o interior do ser humano, senão também o seu exterior. A paz de Cristo não está reduzida apenas ao coração, mas à toda sua realidade.</p><p>É a partir dessa concepção que a Teologia africana se assume como teologia da vida, pois busca aplicar a mensagem de Cristo como libertação, não apenas do pecado espiritual, mas também do pecado estrutural e suas consequências. Sua preocupação é com a luta contra os “processos que excluem pessoas, matando-as espiritual, emocional e socialmente” para a transformação dessa situação. Trata-se de uma teologia que visa relacionar diretamente as Escrituras com a realidade e, no caso africano, esse último aspecto envolve as observações culturais e históricas. Ela busca tratar a cultura como elemento fundamental do contexto do qual a comunitariedade é um dos principais aspectos no modo de vida africano.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*xusno2s9_Tl6yf9y8-jSCA.png" /><figcaption><a href="https://www.editorasabercriativo.com.br/teologia-africana-em-dialogo-com-a-teologia-latinoamericana-emiliano-jamba-gil-andre-julio-macuva-jose-malua"><strong>CONHEÇA A OBRA</strong></a></figcaption></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=c6ff894e313c" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/sabercriativo-com-br/a-teologia-e-a-vida-c6ff894e313c">A TEOLOGIA E A VIDA</a> was originally published in <a href="https://medium.com/sabercriativo-com-br">Editora Saber Criativo</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[Jesus e o reconhecimento da voz das mulheres]]></title>
            <link>https://medium.com/sabercriativo-com-br/jesus-e-o-reconhecimento-da-voz-das-mulheres-a2f17af29a47?source=rss----5f07da3cea1f---4</link>
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            <category><![CDATA[church]]></category>
            <category><![CDATA[jesus-cristo]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Regina Fernandes Sanches]]></dc:creator>
            <pubDate>Sat, 11 Nov 2023 09:55:26 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2023-11-11T09:55:26.076Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*dVcequUweT1Apjl-h2EHjA.png" /></figure><p><em>Lucia Mariotti</em></p><p>Antes de abrirmos o Evangelho precisamos ter presente que os textos bíblicos foram escritos por homens que refletiam sob a ótica masculina. Utilizaram uma linguagem genérica, sexista, escondendo a presença e a voz das mulheres e, da mesma forma, por séculos, os exegetas prosseguiram impondo esse mesmo olhar.</p><p><strong>1.1 A mulher na sociedade de Jesus</strong></p><p>A sociedade no tempo de Jesus mantinha as mulheres silenciosas e quase invisíveis, subjugadas primeiramente ao pai, depois ao marido e, se viúva, aos filhos ou ao pai ou irmãos. Além disso, o marido tinha o direito de repudiar a esposa a qualquer momento (cf. Dt 24,1) Segundo PAGOLA (2019a, p. 256–259) o inconsciente coletivo alimentava uma visão negativa da mulher embasada pelo poema da criação segundo o qual a mulher foi criada para ser auxiliar do homem, porém se transformou em causa da desobediência e da expulsão do paraíso (Gn 2,4–3,24). Para o povo judeu, a mulher era vista como um perigo. Sensual, tentadora, desordenada, inútil era alguém em quem não se podia confiar e, por isso, devia ser mantida sob controle. Sua função era ter filhos e servir ao marido ou a outro de quem seja propriedade. Devia também ser por eles protegida em razão de sua vulnerabilidade. Por isso, para todos era “bom” que ela ficasse em casa cuidando de sua reputação para não envergonhar a família.</p><p>As regras de pureza legal condicionavam esse controle (cf. Lv 15,19–30). A mulher era tida como fonte de impureza durante a menstruação e, por deixar correr o sangue vital, impura também após o parto. Sendo assim, tudo o que ela tocava, se tornava impuro, contaminado. Isso justificava a sua exclusão do sacerdócio ou mesmo da participação no culto e do acesso às áreas sagradas do Templo, nas quais somente homens podiam entrar. Sua presença não era necessária no Templo, nem mesmo nas grandes festas como a Páscoa, Pentecostes e das Tendas. Os homens recitavam diariamente o <em>Shema’</em>, a profissão de fé de Israel; mas ela não era exigida das mulheres. Igualmente não lhes era permitido estudar a Torá, porque tudo o que se referia à relação com Deus pertencia ao mundo dos homens. Ditos rabínicos posteriores ao tempo de Jesus nos dão uma mostra desta exclusão: “Quem ensina à sua filha a Torá, ensina-lhe a libertinagem, pois ela fará mau uso do que aprendeu”; “Antes sejam queimadas as palavras da Torá do que confiadas a uma mulher” (cf. PAGOLA, 2019a, p. 259).</p><p>Presença secundária em todos os ritos, somente nas celebrações domésticas a mulher podia participar, acendendo as velas, fazendo algumas orações e sendo responsável por alguns detalhes da festa do sábado. Uma das orações diárias recitada pelos homens nos dá uma ideia do que acabamos de afirmar: “Bendito sejas, Senhor, porque não me criastes pagão, nem me fizestes mulher e nem ignorante”. O historiador judeu Flávio Josefo resume o que na sociedade do tempo de Jesus era institucionalizado: “Segundo a Torá, a mulher é inferior ao homem em tudo” (FLÁVIO JOSEFO, Contra Apião II, 201, <em>Apud</em> PAGOLA, 2019a, p. 257).</p><p>A casa era o lugar da mulher; nela cumpria seus deveres como moer o trigo, cozinhar, tecer, cuidar dos filhos e do marido ao qual chamava de <em>ba’alí</em>, “meu senhor”, e de quem devia lavar o rosto, as mãos e os pés, além de satisfazê-lo sexualmente e dar-lhe filhos homens. As mulheres só podiam sair de casa acompanhada por um homem: pai, irmão ou marido, mantendo-se caladas e com a cabeça coberta por um véu; não tinham o direito de participar de banquetes e seu testemunho não era válido em julgamentos. Se fora de casa as mulheres não existiam, dentro dela podiam ser respeitadas por serem mães e por cuidarem do clima familiar, é o que parece com base na literatura rabínica posterior (cf. PAGOLA, 2019b, p. 257–258).</p><p><strong>1.2. Jesus: um novo olhar</strong></p><p>Jesus cresceu nesse ambiente. No entanto, os Evangelhos narram que ele andava sempre acompanhado por um grupo de mulheres. Seus nomes também ficaram registrados: Maria Madalena, Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Suzana além de várias outras (cf. Lc 8,1–3). Elas não o abandonaram nem mesmo no caminho do calvário (cf. Lc 23, 27–31) e na hora de sua morte (cf. Mc 15, 40–41). Ele quis que as primeiras testemunhas de sua ressurreição fossem as mulheres. Em geral, aquelas que se aproximavam dele eram marginalizadas, doentes, viúvas, sozinhas, repudiadas, de má fama ou consideradas prostitutas. Somente Lucas fala que algumas mulheres o sustentavam economicamente (Lc 8,3). Vários pesquisadores (cf. PAGOLA, 2019 a nota 12, p. 260) são concordes que a afirmação pode ser uma antecipação do que ele escreveu nos Atos dos Apóstolos (17,4–12) sobre a conversão de algumas mulheres da alta sociedade.</p><p>Mulheres que saiam de casa acompanhando homens eram consideradas “fáceis” especialmente se não estivessem com seus esposos. Jesus não as despreza. Ao contrário, ele as acolhe, segundo o relato do banquete na casa do fariseu (cf. Lc 7,36–50). Mulheres presentes em banquetes poderiam ser prostitutas dos bordéis de propriedade de cobradores de impostos, contratadas para jantares ou festas, daí se entende o porquê do nervosismo de Simão nesse texto de Lucas (cf. PAGOLA, 2019 a, p. 260–261). Mas Jesus não se importa com as suspeitas; não discrimina, não expulsa, nem condena a mulher que durante o banquete se aproximou dele, lavou e perfumou seus pés. Para ele, aquela refeição era uma amostra do banquete do Reino, onde os últimos serão os primeiros, o que podemos reescrever, sob a ótima feminina, as últimas serão as primeiras, tendo em conta as suas palavras: “As prostitutas vos precederão no Reino do Céu” (Mt 21,31).</p><p>Ao comentar o confronto entre Jesus, a mulher e o fariseu, José Tolentino Mendonça (2018, p. 20–30) faz notar que Lucas descreve refeições, tanto no Evangelho como no livro dos Atos dos Apóstolos, como momentos coletivos e não restritos a duas ou três pessoas, e que era costume deixar as portas abertas durante os banquetes. Lucas concentra o drama em torno dos três personagens. Diferente de outros textos lucanos, nos quais as mulheres são nominadas, neste a mulher é apresentada como uma “pecadora” (Lc 7,37) conhecida na cidade; entra e sai da casa silenciosamente. Ela nada fala, mas usa uma linguagem plástica: o pranto, os cabelos, o beijo, o perfume…, o toque mais eloquente do que palavras. O pranto, ali substituto da água da hospitalidade, significa, na tradição bíblica (cf. 1Sm 1,10; Lm 1,16) reconhecimento das próprias debilidades e insuficiências; consciência da dependência divina e um pedido de proteção e “descobrir o cabelo diante de um homem estranho era considerado, para uma mulher, uma grande desonra” (MENDONÇA, 2018, p. 29). A qualidade penitencial do gesto transforma a pecadora intrusa em perdoada e reveladora coadjuvante de Jesus, Aquele que é perdão, o próprio Deus; a autenticidade da mulher permite que Jesus se revele. O Verbo fala, interpreta o choro, o perfume, o toque e lhe dá palavras na discussão com o fariseu interpelado a “ver” (Lc 7,44) de outra forma, para além da aparência, dos julgamentos, do rótulo “pecadora”. Nesse episódio, o fariseu preso a premissas, representa a concepção religiosa vigente, a pureza legal, o patriarcalismo; mas “Jesus não parece interessado em salvaguardar as devidas distâncias espaciais em relação à mulher e permite que ela o toque” (MENDONÇA, 2018, p. 101); atua de acordo com a sua verdade, com o que ele é e com o que a mulher é: amada, filha, irmã, querida por Deus, digna de respeito.</p><p>Igualmente na contramão da cultura, Jesus exalta a dignidade da mulher, mas não pelo motivo de ser mãe, mostrando que, mais do que a maternidade, a mulher, assim como o homem, tem a capacidade de escutar a palavra de Deus, a mensagem do Reino e nisso está a sua grandeza (Lc 11,27–28). Ela também pode fazer experiência de Deus, da mesma forma que o homem. Ilustrativo é o texto da visita à Marta e Maria (cf. Lc 10,38–42), oportunidade na qual Jesus corrige a visão de que a mulher devia ficar confinada em casa, cuidando das tarefas domésticas: “Maria escolheu a melhor parte que não lhe será tirada” (Lc 10,41b). Para Jesus, a mulher também tinha o direito de sentar-se para ouvir e interpretar a Palavra de Deus, como sujeito ativo, pensante. Jesus era um homem livre de todos os estereótipos, visto que não encontramos nele nenhuma expressão depreciativa ou preconceituosa direcionada às mulheres, o que era comum naquela sociedade. Nesse sentido, é notório que em todo o Evangelho, frente ao código de pureza, nada comenta, não discute sobre superioridade ou inferioridade entre homem e mulher; olha para as mulheres com compaixão, amor, amizade e nunca com suspeição, desprezo ou como tentadora e causa de pecado. Ao contrário, adverte aos homens que, ao se justificar, culpabilizavam as mulheres: “Todo aquele que olha para uma mulher desejando-a, já cometeu adultério em seu coração” (Mt 5,28). A sedução era considerada pecado grave, ao passo que, desproporcionalmente, não o era a luxúria, o desejo masculino. É nesse contexto que Jesus aponta a responsabilidade dos homens em relação às mulheres (cf. PAGOLA. 2019 a, p. 262).</p><p>Frente os critérios de moralidade, desiguais para julgar homem e mulher, o quarto evangelho nos apresenta uma narrativa localizada entre duas declarações: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba” (Jo 7,37) e “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12). Na narrativa em que a luz do mundo ilumina a verdade e a fonte da vida sacia os sedentos de justiça, Jesus desbanca um grupo de homens armados com pedras no ato de julgar e condenar à morte uma mulher pega em flagrante de adultério (cf. Jo 8,1–8), nada se diz sobre o homem que com ela estava. Conforme a lei ela devia ser apedrejada: era um caso de desonra da família da mulher. No entanto a lei proibia o homem de ter relações sexuais com a esposa de outro; era ele que não deveria desejar o que a outro pertence (cf. Ex 20,14–17). Quer dizer que o verdadeiro culpado nesse caso é o homem e não a mulher vítima e cúmplice. A lei mostra que são eles os responsáveis por tudo o que acontece na sociedade, inclusos os adultérios. Mas eles jogavam a culpa nas mulheres e as castigavam por isso até morte. Os escribas e fariseus armam uma cilada para Jesus, querem a sua opinião sobre o caso. Claramente estavam manipulando a lei e usando a mulher para acusar Jesus. Ele, em primeiro lugar fez silêncio e calmamente escreve no chão. Por que ele fez silêncio? Todos os homens estavam com a palavra, menos a mulher que julgavam. Nervosos, querem uma resposta. Jesus conhece a hipocrisia daqueles homens e deixa os acusadores sem palavras: “Quem não tiver pecado, atire a primeira pedra” (Jo 8,7b). Mudou o alvo, Jesus os induz a raciocinar e a examinarem a si mesmos tendo presente o que a lei exige deles e não da mulher. Envergonhados, vão soltando as pedras e indo embora sem dizer nada, a começar pelos mais velhos, aqueles que conheciam a lei, sabiam, mas negavam que a responsabilidade era do homem. Eles eram os condenados segundo a lei por isso não lhes restou outra coisa senão silenciar e desistir levar a diante a pena de morte.</p><p>A mulher permanece diante de Jesus e ele olha para ela levantando os olhos, atitude de quem não domina. Ele poderia ter ficado em pé e olhado a mulher de cima para baixo…com o olhar cheio de ternura, pergunta: “Ninguém te condenou?” E ela responde “Ninguém, Senhor”. A mulher fala, quebra o silêncio, imaginamos que desfazendo o nó que tinha na garganta. E Jesus fala o que os homens não puderam ouvir: “Nem eu te condeno…”. Jesus não condena a mulher que ousou sair de casa. Não era de condenação que a mulher necessitava, mas de justiça, misericórdia, perdão e um caminho de vida. E é tudo isso que Jesus lhe oferece.</p><p>As narrativas, tanto nos evangelhos sinóticos quanto em João, são uma amostra de que Jesus torna visível a vida das mulheres; de que ele consegue perceber suas angústias, ler seus silêncios. Ele lhes dá voz ao fazê-las protagonistas de muitas de suas parábolas. Deus é o Pastor que procura a ovelha perdida como a mulher que perdeu a sua moeda e que varre a casa até encontrá-la, e encontrando, se alegra: duas metáforas que mostra como é o amor de Deus. Utilizando os mesmos termos nas duas parábolas, Jesus inaugura uma nova linguagem e rompe com os esquemas e imagens de Deus enquanto figura masculina; convidando a falar quem era silenciada, vivendo escondida e subjugada.</p><p>O Evangelho escrito e anunciado como uma novidade, trouxe uma boa notícia para as mulheres que puderam também ser discípulas seguidoras do mestre Jesus, com liberdade de falar e de serem ouvidas. Essa notícia impactante foi de encontro a uma mentalidade corrente na sociedade judaica e greco-romana, nas quais foram sendo formadas as primeiras comunidades cristãs. Nessas culturas, profundamente machistas, os pensadores cristãos, isto é, os Santos Padres, interpretaram os textos bíblicos e deixaram transparecer a mentalidade vigente em relação à mulher, contribuindo para justificar a sua submissão ao homem. Veremos agora como as primeiras interpretações do Evangelho, escritas pelos filósofos ou teólogos cristãos, mostram certa contradição entre o anúncio da pessoa e da mensagem de Jesus, que valorizava as mulheres, e a força da cultura que teimava em interditar a participação feminina, silenciando a voz da mulher dentro e fora de casa.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*1hElDBs08oFB6JlcPjSe_A.png" /><figcaption><a href="https://www.editorasabercriativo.com.br/discipulado-entre-iguais-autor-as-ivenise-santinon-lucy-mariotti-e-edelcio-ottaviani">https://www.editorasabercriativo.com.br/discipulado-entre-iguais-autor-as-ivenise-santinon-lucy-mariotti-e-edelcio-ottaviani</a></figcaption></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=a2f17af29a47" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/sabercriativo-com-br/jesus-e-o-reconhecimento-da-voz-das-mulheres-a2f17af29a47">Jesus e o reconhecimento da voz das mulheres</a> was originally published in <a href="https://medium.com/sabercriativo-com-br">Editora Saber Criativo</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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