<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:cc="http://cyber.law.harvard.edu/rss/creativeCommonsRssModule.html">
    <channel>
        <title><![CDATA[As crônicas de uma Lady quase adulta - Medium]]></title>
        <description><![CDATA[Meu dia-a-dia. - Medium]]></description>
        <link>https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta?source=rss----36785b9ac1d---4</link>
        <image>
            <url>https://cdn-images-1.medium.com/proxy/1*TGH72Nnw24QL3iV9IOm4VA.png</url>
            <title>As crônicas de uma Lady quase adulta - Medium</title>
            <link>https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta?source=rss----36785b9ac1d---4</link>
        </image>
        <generator>Medium</generator>
        <lastBuildDate>Sun, 24 May 2026 01:33:37 GMT</lastBuildDate>
        <atom:link href="https://medium.com/feed/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta" rel="self" type="application/rss+xml"/>
        <webMaster><![CDATA[yourfriends@medium.com]]></webMaster>
        <atom:link href="http://medium.superfeedr.com" rel="hub"/>
        <item>
            <title><![CDATA[A lupa do meu avô]]></title>
            <link>https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta/a-lupa-do-meu-av%C3%B4-df780c262c92?source=rss----36785b9ac1d---4</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/df780c262c92</guid>
            <category><![CDATA[amcestralidade]]></category>
            <category><![CDATA[profissão]]></category>
            <category><![CDATA[familia]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Dayane Kelly]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 24 Jun 2020 00:45:54 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-06-24T00:45:54.702Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Meu pai trabalhou por muito tempo consertando eletrodomésticos. Trabalhou para fora e depois criou o “próprio negócio”. Coisas que eu lembro da época? A forma como meu pai tirava o excesso de solda da ponta do ferro e a lupa quebrada.</p><p>No primeiro período da faculdade de design de moda, na cadeira de Tecnologia Têxtil, a professora trouxe uma lupa. Interessante. Havia uma parte dela com medições de mm. Amei a lupa, resolvi que um dia procuraria e compraria. Algo nela me era muito familiar.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/277/1*Pu_-o7vEMbnHBpa77q_pOw@2x.jpeg" /></figure><p>Hoje meu pai me ligou e não vi. Retornei meia hora depois. Conversava com ele enquanto escovava os dentes e pedia notícias da minha mãe. Do nada, resolvi comentar da conversa com meu tio avô e que ele nunca havia me contado a profissão do pai dele. Ele diz: “é, meu pai trabalhava contando fios. Aquela lupa que tenho, era a que ele usava”. E resolve encerrar a ligação porque estava cuidando de algo na cozinha.</p><p>Se a lupa do meu avô tanto serviu para contar fios nos tecidos quanto para verificar a numeração escrita nos componentes eletrônicos das TVs que meu pai consertava, não serei eu que me limitarei a só uma função na vida. Tudo que meus olhos puderem enxergar, vou lutar para fazer.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=df780c262c92" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta/a-lupa-do-meu-av%C3%B4-df780c262c92">A lupa do meu avô</a> was originally published in <a href="https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta">As crônicas de uma Lady quase adulta</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Carta a minha neta]]></title>
            <link>https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta/carta-a-minha-neta-dc0fc04c2f2a?source=rss----36785b9ac1d---4</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/dc0fc04c2f2a</guid>
            <category><![CDATA[tricô]]></category>
            <category><![CDATA[familia]]></category>
            <category><![CDATA[ancestralidade]]></category>
            <category><![CDATA[trabalho-manual]]></category>
            <category><![CDATA[depressão]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Dayane Kelly]]></dc:creator>
            <pubDate>Sun, 21 Jun 2020 22:08:55 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-06-21T22:07:50.320Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>Ou a qualquer pessoa que esteja procurando mais informações sobre seus ancestrais e tem a mim como trilha desse caminho</h4><p>Hoje conversei com meu tio avó. Por causa da pandemia, ele me fez uma encomenda de máscaras para mandar pelos Correios para o Pará, onde um dos netos dele está hospitalizado. Ele pediu para bordar nomes em cada máscara.</p><p>Pela primeira vez meu tio avó falou com tantas informações sobre meu avô (irmão dele). Bem, meu avó morreu quando meu pai tinha uns 16, 17 anos, então eu nunca o conheci. As informações que sempre me falavam dele era: seu avô teve diabetes muito cedo, morreu por causa disso e sua avó nunca o perdoou por tê-la internada em um hospício. Nada de bom, nada de relevante, nada que um dia eu pudesse dizer a frase clichê de: &quot;puxei o meu avô nisso!&quot;.</p><p>Hoje eu descobri que ele adquiriu diabetes aos 21 ou 23 anos e teve que se aposentar. A doença foi muito grave nele, pois ele amputou o dedo, o pé e depois a perna nesse processo. Mas antes disso, meu avó trabalhou em uma fábrica de tecidos que existia em Camaragibe. Ele era do setor de qualidade. E meu tio avô falou que quando esqueciam de colocar as etiquetas aos produtos, ele ia lá, olhava e tocava no tecido e dizia de que ele era feito (meio louco pensando na produção atual e variedades possíveis). Será que foi isso que puxei dele sem saber?</p><p>Minha avó tinha problemas mentais não regulares (chamarei assim porque não sei como chamar) e fugia de casa e pulava muros durante as crises. Eu não sabia de nenhuma dessas histórias. Soube já depois de grande que ela tinha sido internada em um hospício e a família nunca explicou o porquê. Pelo que me lembro, ela me falou que a família do meu avó sempre quis se livrar dela e por isso fizeram isso.</p><p>Pulando esses fatores psicológicos que ainda geraria uma grande história, temos as habilidades manuais de minha avó. Depois que eu aprendi a costurar sozinha e comecei a costurar para fora, meu pai comentou que minha avó costurou em uma época da vida. Aí me veio na cabeça a leve memória de um móvel com uma máquina verde que minha avó nunca nos deixou tocar. Essa máquina foi dada pela minha tia quando minha avó morreu e eu não consegui recuperar :(</p><p>O que eu lembro dela fazendo eram tapetes em ponto cruz. Um que me lembro bem era enorme e tinham padrões de abacaxi. Foi aí quando minha mãe me explicou que existiam as &quot;desenhistas&quot; e as &quot;enchedoras&quot;. As desenhistas fazia todo o padrão de desenho da peça (podemos chamar de line art) e depois colocavam as que só sabiam fazer a cruz para encher com cores especificas cada espaço. Uma novata na técnica sempre ficava responsável em encher as barras das tapeçarias.</p><p>Hoje minha tia me contou que pagavam muito bem por esses tapetes. Eram gringos que encomendavam as peças às fábricas e elas arrumavam artesãs para produzir. Então a fábrica mandava a tela e as lãs, as mulheres bordavam tudo e mandavam de volta à fábrica que colocava um forro embaixo e mandava para a entrega. Será que minha avó fez parte do Sindicato dos Artesãos? Será que eu conseguiria achar um dos tapetes feitos por ela? O de abacaxi que ainda fica na minha memória?</p><p>Não tenho nenhuma lembrança de minha avó me ensinando qualquer técnica manual que seja, mas lembro de ficar quietinha do lados das mulheres trabalhando e observar como a agulha fazia as cruzes. Muitos anos depois, quando passei a trabalhar e ter dinheiro, comprei etamine e linha de bordado e comecei a praticar o ponto cruz sozinha. Minha avó já havia morrido muito tempo atrás e minha mãe não tinha paciência ensinando. Acho que foi minha primeira técnica manual aprendida. E a partir daí, as outras coisas vieram assim, nesse processo meio solitário de autodidatismo.</p><p>Hoje em dia estou aprendendo tricô e… sempre que faço algo novo, fico imaginando como seria se minha avó estivesse viva. Eu correria na casa dela e falaria: &quot;Vovó, olha o que eu aprendi! Vou fazer um casaco para a senhora&quot;. Não sei se ela diria que eu estou fazendo tudo errado e me ensinaria a técnica dela (nem sei se ela sabia tricô) ou se ela encheria o peito de orgulho e me abraçaria, elogiando meu início. Sinto falta dos domingos na casa dela, jogando dominó, lendo seus livros deitada no chão de cimento queimado ou me escondendo debaixo da cama dela para chorar sozinha.</p><p>Só queria mais respostas sobre o meu passado e sobre o que minha família construiu de história nesse mundo. Bem, agora sei que o trabalho da minha avó deve estar fora do Brasil, enfeitando a casa de alguém. Eu só não queria sentir que estou construindo essa história sozinha, que eu sou pioneira nessas artes manuais na família.</p><p>Ser pioneira e desbravar o mundo é gostoso mas é solitário demais. E não sei se quero fazer esse trajeto sozinha.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=dc0fc04c2f2a" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta/carta-a-minha-neta-dc0fc04c2f2a">Carta a minha neta</a> was originally published in <a href="https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta">As crônicas de uma Lady quase adulta</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Não quero mais relações]]></title>
            <link>https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta/n%C3%A3o-quero-mais-rela%C3%A7%C3%B5es-e9b2697f2642?source=rss----36785b9ac1d---4</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/e9b2697f2642</guid>
            <dc:creator><![CDATA[Dayane Kelly]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 07 Apr 2020 10:21:15 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-04-07T10:21:15.092Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Já se passaram vários dias de quarentena. Como eu me sinto? Mal, claro. Estou trancada dentro de casa. Normalmente passo o dia todo fora, trabalhando ou estudando. Só chego para dormir. E quando fico o dia todo em casa, isso está muito relacionado a minha depressão. Acho que meu corpo entendeu que isso é uma via de mão dupla, então por eu estar sempre em casa, preciso ficar depressiva.</p><p>Sobre estar depressiva, não é necessário esse esforço todo da quarentena. O dia a dia normal já me deixa depressiva. Conviver com pessoas me deixa depressiva. O problema de estar depressiva agora é: todo mundo está em casa junto. Minha mãe, meu pai, meus irmãos. Então eles ficam me catucando psicologicamente falando. Olham-me estranho, perguntam o tempo todo se estou bem, me tratam de uma forma diferente, passam o dia tentando chamar minha atenção. É difícil lidar com pessoas nesses dias.</p><p>Quando a quarentena passar, acho que vou procurar uma nova psicóloga e começar uma terapia do zero. Acredito que minha vida mudou demais e já não me reconheço em mim. Não quero mais ver as pessoas que eu via ou tinha contato. Não quero me colocar em situação de ter relações com as pessoas. Quero que minha vida pareça bastante com minha sala de aula: eu sempre sozinha e cada um com seus grupos. Eu fazendo trabalhos sozinha, sem amigos para conversar no intervalo ou durante a aula.</p><p>Quero lidar sozinha com minhas crises e problemas. Não quero mais ter relações sexuais. Não quero romance. Não quero amizades nem conversas no WhatsApp. Quero só ir à faculdade, depois ir ao trabalho e chegar a casa e dormir. Não compartilhar nada. Quando você compartilha, isso machuca. Para que dividir com alguém que lhe dói algo relacionado a estupro, abuso ou assédio? Ninguém está nem aí para sua dor. E vão ter filmes que tratam disso, livros que tratam disso, amigos que vão falar disso sem nem se tocar o quanto te afeta. E você vai passar dias se achando um nojo e achando que não merece amor.</p><p>Será que existe isso de merecer amor? Ninguém merece essa merda porque essa merda nunca é boa. Eu tenho dedo podre ou todos os homens são podres? Por que eles terminam e me fodem mas aparecem quando querem porque sentem alguma necessidade que só eu posso suprir na vida deles? Mandam-me sumir da vida deles mas ficam me seguindo em redes sociais e curtindo minhas coisas para chamar atenção. São agressivos e abusivos comigo e depois me procuram para desabafar ou pedir conselhos porque acham que eu sou boa nisso. Eu sou boa para tudo menos ser amada de verdade. Ligam-me porque só eu sou a «deusa do sexo». Que sexo? Aquele que não consigo fazer hoje em dia sem passar dias mal? Aquele que não me dá mais nenhum prazer?</p><p>Tenho novas prioridades. Terminar minha faculdade e voltar a morar sozinha. Reconstruir toda minha vida novamente. Morar em um lugar que nunca mais alguém me visite. E a vida ajuda nisso, porque nos torna tão ocupados que não temos tempo para os outros. Não quero mais costurar para fora. Não vou aceitar mais encomendas. Quero continuar costurando, mas só por hobby. Nada de ter que lidar com pessoas desconhecidas e tal. Vou voltar a pintar para expressar o que sinto. E quero ficar sozinha.</p><p>Bem, acho que quero agradecer a todos que passaram pela minha vida (quase todos, não agradeço aos homens que acabaram comigo). Foi bom e espero que eu tenha sido útil mas acabou. Cansei disso de ter que atender pessoas, responder mensagens… No momento que mais preciso de carinho ou ajuda, as pessoas estão ocupadas ou dormindo. E não é culpa delas. Mas preciso então fazer sozinha. E já dá um puta trabalho cuidar de mim e da doença, não me sobra tempo de estar disponível ao outro. Então essa é uma declaração egoista minha assumindo que serei egoista porque não aguento mais ser «disponível».</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=e9b2697f2642" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta/n%C3%A3o-quero-mais-rela%C3%A7%C3%B5es-e9b2697f2642">Não quero mais relações</a> was originally published in <a href="https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta">As crônicas de uma Lady quase adulta</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[36 perguntas que farão você se apaixonar por qualquer um (parte 1)]]></title>
            <link>https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta/36-perguntas-que-far%C3%A3o-voc%C3%AA-se-apaixonar-por-qualquer-um-727dd27a966e?source=rss----36785b9ac1d---4</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/727dd27a966e</guid>
            <dc:creator><![CDATA[Dayane Kelly]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 11 Nov 2019 02:02:42 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2019-11-12T18:03:36.505Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Eu achei interessante esse experimento feito em 1997 e resolvi que responderia essas perguntas aqui, como forma de criar um contexto de intimidade com meu leitor.</p><blockquote>1. Se pudesse escolher qualquer pessoa no mundo, quem convidaria para jantar?</blockquote><p>Pensei em tantas possibilidades e em nenhuma ao mesmo tempo. Mas acho que pelas minhas dificuldades de interagir com outras pessoas ao comer, convidaria alguém que eu tenho muita intimidade e que eu já me sinto à vontade comendo com ela. Então a resposta seria meu namorado.</p><blockquote>2. Gostaria de ser famoso? De que forma?</blockquote><p>Queria sim. Gostaria de ser famosa por algo importante na minha profissão. Sempre quis fazer algo muito positivo para o mundo de forma geral, na minha área profissional.</p><blockquote>3. Antes de fazer uma ligação telefônica, você ensaia o que vai falar? Por quê?</blockquote><p>Às vezes. Principalmente quando fiz uma besteira e quero pedir desculpas a alguém. Ou quando tenho medo de nessa ligação, fazer uma besteira. Ou quando me sinto intimidada pela pessoa. Passo muito por isso quando ligo para o meu namorado. Eu sinto falta dele e penso muito em ligar, mas só lembro o quanto ele odeia falar no telefone e no fim a conversa fica uma bosta.</p><blockquote>4. Para você, como seria um dia perfeito?</blockquote><p>As primeiras coisas que vieram na minha cabeça foram: fazer algo produtivo como pintar ou costurar, criando algo novo e ir até o rio que meus cachorros tomam banho. Mas em todos esses momentos me vejo sozinha. Acho que meu dia perfeito seria estar sozinha, tanto de presença física quanto em relação às cobranças do nosso dia-a-dia. Poder fazer tudo sem se preocupar com alguém ou algo. Ter o mundo ali, só para mim.</p><blockquote>5. Quando foi a última vez que cantou sozinho? E para outra pessoa?</blockquote><p>Acho que a última vez que cantei sozinha foi há dois meses. Coloquei uns karaokês para tocar em casa e cantei. E na última vez que cantei com pessoas foi na final da série C, na casa do tio do meu namorado. Mas não cantei para uma pessoa em específico. A última fez que cantei PARA OUTRA PESSOA, meio que dedicado a ela, foi para meu namorado. Mas ele não lembra porque estava dormindo.</p><blockquote>6. Se pudesse viver até os 90 anos e ter o corpo ou a mente de alguém de 30 durante os últimos 60 anos de sua vida, qual das duas opções escolheria?</blockquote><p>Bem, meu corpo já é cheio de dores e bem desgastado pela forma que o trato, então claramente gostaria de manter um corpo jovem até o fim da vida, pois acredito que isso vá me afetar bem mais no futuro. E também porque dizem que sua cabeça amadurece mais com os anos. Então ter uma mente madura pela idade e um corpo com disposição, seria uma ótima deixa para projetos legais.</p><blockquote>7. Tem uma intuição secreta de como vai morrer?</blockquote><p>Não. E penso nisso de morte muitas vezes. Sonho com isso mais do que eu gostaria, até. Todo mundo na minha família morreu de uma forma bem diferente, e de certa forma, jovens de idade. Então já pensei se eu estivesse no lugar daquelas pessoas tão próximas à mim e morresse daquele jeito. Penso muito em me matar também. Mas gostaria de que fosse de uma forma que não aparentasse exatamente um suicidio, para que minha mãe não sofresse tanto. Então sempre pensei em possibilidades em que tudo parecesse um acidente. Já orei muito para ir dormir e não acordar mais.</p><blockquote>8. Diga três coisas que acredita ter em comum com seu interlocutor.</blockquote><p>Bem, como não conheço você e nem sei porque você está lendo isso aqui, fica mais difícil responder isso, mas vou chutar uns palpites. Acho que se você leu algum dos meus textos anteriores e continua lendo esse aqui, é bem possível que você sinta algo das coisas que descrevo aqui. Nas minhas estatísticas, meu texto mais lido era sobre querer morrer. Acho que muitas das pessoas que leem aqui querem isso ou querem muito que algo ruim morra na vida delas. Então a primeira coisa seria o desejo de que algo acabe, sendo sua própria vida ou algum problema/doença grave. Acho que você que lê também é tão emotivo quanto eu. E terceiro, gosta de ler.</p><blockquote>9. Por quais aspectos de sua vida você se sente mais agradecido?</blockquote><p>Não sei. Acho que esse não é o melhor momento para eu pensar nessa pergunta. Estou em meio a uma crise em que eu não consigo tomar banho, minha cachorra me mordeu na boca e eu só consegui chorar de rejeição e me sinto o pior lixo da terra. Mas fico grata por Pat e por Maria, duas costureiras e professoras que me escutaram e me ajudaram com o problema da barra do vestido azul. Valeu ae.</p><blockquote>10. Se pudesse mudar algo em como foi educado, o que seria?</blockquote><p>Bem, na necessidade de sempre satisfazer as outras pessoas, de sempre ser o melhor para todo mundo. Meus pais sempre me ensinaram a dar meu melhor. Mas além disso, de certa forma, eles cobravam de mim uma filha perfeita em todos os sentidos. Hoje em dia não consigo me desgarrar disso e sinto a necessidade de ser: a melhor AMIGA, a melhor NAMORADA, a melhor ALUNA, a melhor PROFISSIONAL. Bem, isso não me ajuda em nada a ser melhor, e coloca um peso nas minhas costas que eu não precisava estar carregando. E me machuca demais não ser a melhor, e nem é por mim. Sempre na minha cabeça parece que estou desapontando a pessoa do outro lado por não ser a melhor. E odeio desapontar as pessoas.</p><blockquote>11. Use quatro minutos para contar a seu companheiro a história de sua vida com todo o detalhe possível.</blockquote><p>Bem, nasci. Meu pai conta que não tinha dinheiro para comprar meu leite. E teve que pedir emprestado a amigos. Amigos esses que até hoje me contam essa história e dizem que eu devo ter muito orgulho do meu pai porque ele me ama muito e fez tudo por mim. Sempre gostei muito de ler livros. Eu procurava bibliotecas para conseguir livros diferentes. Na minha cidade não tinha muito, e eu sempre fui meio tímida para me relacionar com pessoas em geral. Eu passava o dia na cama lendo. Tirava ótimas notas. Minha mãe diz que eu era muito birrenta quando pequena. Sofri uma tentativa de abuso aos 3 anos de idade, outro aos 5 e outro aos 8. Um deles foi do meu tio. Eu tinha medo de homens. Passei a me esconder e me vestir feito um menino por esse motivo. Eu queria muito estudar para crescer e se alguém na vida, e não via perspectiva de futuro na minha cidade. Passei no CEFET. Eu brigava todo dia com a minha mãe. O CEFET foi um mar de oportunidades para mim. Fiz atletismo e competi por dois anos. Fiz curso de francês, de modelo. Fiz peça de teatro. Mas também passei a sofrer em relação à comida. Não conseguia comer na frente de outras pessoas. Nem conseguia comprar comida lá nas barracas porque me sentia muito envergonhada e constrangida. Já comi dentro de banheiro porque a fome era muita. Já passei o dia todo sem comer, porque nunca achava um lugar vazio. Meus amigos me ajudavam o máximo que podiam. Foi no CEFET que descobri minha depressão. Tive meu primeiro namorado. E enfrentei alguns dos meus medos. Passei na Federal. Estudei Engenharia da Computação. Morei na Várzea. Dividi apartamento e morei sozinha. Minhas crises ficaram mais violentas. Já passei muito mal. Passei 3 dias com fome em cima de uma cama, vegetando. Fui parar no hospital. Tomei anti depressivos e remédios para dormir. Fiz terapia. Não conseguia fazer provas na faculdade pois tinha crises de pânico. Ligava para minha mãe, chorando como se alguém tivesse morrido, dizendo que não tinha forças para ir à prova. Desisti de ir à Federal porque o pânico era grande demais. Fiz dança de salão. Voltei a costurar. Resolvi mudar de curso e de universidade e agora faço Design de moda. Todo dia penso em me matar. E só queria um dia em que minha cabeça não doesse.</p><blockquote>12. Se amanhã, pudesse se levantar desfrutando de uma habilidade ou qualidade nova, qual seria?</blockquote><p>Bem, eu queria ver o futuro. As coisas que me machucam hoje, me machucam no presente. E por mais que eu saiba que no futuro tendem a melhorar, eu não sei como vão melhorar. Acho que se eu soubesse o quão melhor ficaria, com certezas, eu me sentiria mais tranquila para suportar a tristeza do hoje. O hoje doi muito. Não consegui comer no meio da rua me machuca demais. Não conseguir me sentir à vontade com as pessoas que eu gosto me dói demais. Eu sei que com esforço isso vai melhorar um dia. Mas acho que se eu visse isso acontecendo no futuro, ia se tornar mais real para mim. E aí eu teria mais forças para suportar o agora. Eu passei minha infância fazendo algo do tipo. Antes de dormir, eu pensava muito em algo que eu queria que acontecesse, em curto ou longo prazo. Lembro-me bem que queria muito casar e ter uma família, e aí pensava muito nisso antes de dormir. Tentava visualizar a casa onde eu iria morar, o que eu faria com o bebê, como seria com meu parceiro… até que eu enxergava isso de forma tão vívida que já parecia que eu estava vivendo aquilo. Era isso. Eu queria sentir de forma vívida, a cura da depressão.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=727dd27a966e" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta/36-perguntas-que-far%C3%A3o-voc%C3%AA-se-apaixonar-por-qualquer-um-727dd27a966e">36 perguntas que farão você se apaixonar por qualquer um (parte 1)</a> was originally published in <a href="https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta">As crônicas de uma Lady quase adulta</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[O último dia]]></title>
            <link>https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta/o-%C3%BAltimo-dia-d9d5b623623a?source=rss----36785b9ac1d---4</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/d9d5b623623a</guid>
            <dc:creator><![CDATA[Dayane Kelly]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 02 Sep 2019 12:46:27 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2019-09-02T12:46:27.014Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Ah, se hoje fosse meu último dia, morreria com fome. Um pouco cansada também. Cheia de tecidos em casa que não tiveram uso. E umas máquinas meio velhas e meio novas.</p><p>Eu só estou cansada demais para dar um sorriso de graça ou para aguentar as irritações da vida. Agora estou escondida no buraco entre a porta e o armário da faculdade. Mal me cabe, mas é tão aconchegante. Nem consegui comer algo, apesar da fome. Só dá vontade de chorar.</p><p>Falando em chorar, me segurei muito para não chorar ontem no hospital. Eu agradeci por estar com minha tia-avó sem o restante da família presente. Ela nem me reconhece. E pensar que antes disso ela queria me ver e eu não fui. E ela nem me reconhece depois do AVC.</p><p>Eu tive medo de ir ao hospital. Aconteceu algo parecido com a minha avó. Ela estava mal. Painho falou: vá visitar sua avó porque pode ser sua última chance. Eu fui. E foi minha última vez a vê-la. Acho que ela estava se segurando para ver os netos, e só depois partir. Eu não queria ter que passar por isso de novo. Minha última visita ser a aprovação para a morte dela. Eu não queria estar chorando aqui onde um monte de gente pode ver. Mas estou cansada demais. Cansada demais.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=d9d5b623623a" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta/o-%C3%BAltimo-dia-d9d5b623623a">O último dia</a> was originally published in <a href="https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta">As crônicas de uma Lady quase adulta</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Hoje]]></title>
            <link>https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta/hoje-109e75347a59?source=rss----36785b9ac1d---4</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/109e75347a59</guid>
            <category><![CDATA[depressão]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Dayane Kelly]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 21 May 2019 05:13:53 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2019-05-21T05:13:53.879Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Olá, eu me chamo Dayane Kelly. Hoje morri um pouco por dentro. Hoje abri mão da minha verdade. Do que eu acreditava como certo. Hoje decidi por alguém e não por mim. Hoje decidi que vou voltar ao psiquiatra e vou permitir que ele me dope de remédios. Hoje, eu só quero que o dia acabe. Hoje eu choro e não consigo dormir. Hoje eu vejo que meu futuro é vegetar mas fingir que vive bem, porque isso é melhor do que se matar. Hoje eu só queria ter forças ou ajuda para fazer diferente mas eu não aguento mais as pancadas da vida. Então vai ser assim mesmo.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=109e75347a59" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta/hoje-109e75347a59">Hoje</a> was originally published in <a href="https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta">As crônicas de uma Lady quase adulta</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Feliz dia para quem?]]></title>
            <link>https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta/feliz-dia-para-quem-528175bdf30d?source=rss----36785b9ac1d---4</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/528175bdf30d</guid>
            <category><![CDATA[depressão]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Dayane Kelly]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 08 Mar 2019 14:23:10 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2019-03-08T14:23:10.148Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Foi complicado de novo levantar hoje. Fora todas as vezes que despertei sem querer durante o sono. E apesar de todos os pensamentos estranhos e confusos na cabeça, eu até que descansei. Mas só não queria estar aqui agora.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/767/1*DE1TxIn9bNLP1SMEOfrEgA@2x.jpeg" /></figure><p>Um amigo recomendou um banho frio. Sabia que odeio banhos? Ah, tenho pavor de tanta coisa. Tenho pavor de ficar parada no tempo. Mas também não aguento mais andar. Hoje é um péssimo dia para ouvir felicitações.</p><p>Cada um possui uma luta própria. E eu queria não ter que viver a minha. E por mais que eu tente ou finja ser forte, tudo que eu mais desejo é que me deixem ser fraca em paz.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=528175bdf30d" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta/feliz-dia-para-quem-528175bdf30d">Feliz dia para quem?</a> was originally published in <a href="https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta">As crônicas de uma Lady quase adulta</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Saudades do que não foi]]></title>
            <link>https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta/saudades-do-que-n%C3%A3o-foi-fc5381c4e129?source=rss----36785b9ac1d---4</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/fc5381c4e129</guid>
            <category><![CDATA[saudade]]></category>
            <category><![CDATA[depressão]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Dayane Kelly]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 07 Mar 2019 17:15:40 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2019-03-07T17:15:40.333Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Um sentimento nostálgico que está acompanhando de uma história. E quando não há uma história como pano de fundo? Como se sente saudades do que não existiu?</p><p>Ah, minha cabeça dói tanto. E o peito aperta, como se ele se escondesse do que há por vir. E os pulmões não conseguem puxar o ar, como se temessem fazer barulho ao encher e acabar chamando a atenção de alguém. O resto do corpo treme, pela perda de controle. Eu sinto que poderia morrer agora. Não! Eu sinto a real necessidade de morrer agora.</p><p>Queria um lugar para ir. Só ficar lá esperando o tempo passar. Até o momento em que eu ouvisse vozes, e novamente conseguisse conversar comigo mesma. Foi horrível comer hoje, deu ânsia de vômito. E até costurar não fez muito sentido. Eu sinto saudades de alguém e nem sei ao menos quem possa ser.</p><p>Eu queria não ter uma casa para voltar hoje. Queria não ter pessoas especiais que se preocupam comigo. Porque acho que assim seria mais fácil. Desistir, me perder, acabar. Queria beber até vomitar e chorar ao mesmo tempo. Queria não sentir.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=fc5381c4e129" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta/saudades-do-que-n%C3%A3o-foi-fc5381c4e129">Saudades do que não foi</a> was originally published in <a href="https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta">As crônicas de uma Lady quase adulta</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Perdi um amigo]]></title>
            <link>https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta/perdi-um-amigo-2d79cdfd1227?source=rss----36785b9ac1d---4</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/2d79cdfd1227</guid>
            <category><![CDATA[amigos]]></category>
            <category><![CDATA[vida]]></category>
            <category><![CDATA[amizade]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Dayane Kelly]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 21 Nov 2018 16:51:45 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2018-11-21T18:25:32.274Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Hoje, acho que perdi um amigo. Não sei se isso é algo bom. Acho que ganhei algo nessa perda. Então deve ter sido um resultado positivo. Não sei, estou confusa.</p><p>Quem já perdeu amigos? Por causa da distância, de uma discussão sem sentido, da falta de tempo… Durante o processo de mudanças, acabamos mudando nossa rotina e nossas relações. E certas coisas chegam ao fim.</p><p>Foi muito triste quando perdi meu melhor amigo. Eu o perdi para o amor. Ele se apaixonou por mim. E eu não conseguia vê-lo além da relação que tínhamos. Ler sua despedida e saber que nunca mais poderia falar com ele arrancou um pedaço do meu coração.</p><p>Houve um grande amigo que eu perdi para a mentira. Nós éramos tão sinceros um com o outro. Mas havia um pecado seu que ele não conseguia me confessar. Que ele não permitiu que lhe ajudasse a procurar ajuda. Quando vimos, a relação estava destruída.</p><p>Estava relendo uns textos meus e nele indicava que Lucas havia curtido. Lucas nunca mais leu ou curtiu meus textos. Na verdade, nunca mais ele fará. Eu perdi ele para a morte. Um assalto. Ele levou uma facada no crânio. Quando descobri a morte dele, era o dia da missa de sétimo dia.</p><p>É, acho que ainda vou perder uns bons amigos.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=2d79cdfd1227" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta/perdi-um-amigo-2d79cdfd1227">Perdi um amigo</a> was originally published in <a href="https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta">As crônicas de uma Lady quase adulta</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Você já conversou sobre abuso?]]></title>
            <link>https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta/voc%C3%AA-j%C3%A1-conversou-sobre-abuso-32e6f789baaa?source=rss----36785b9ac1d---4</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/32e6f789baaa</guid>
            <category><![CDATA[vida]]></category>
            <category><![CDATA[abuso-sexual]]></category>
            <category><![CDATA[depressão]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Dayane Kelly]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 19 Nov 2018 12:56:48 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2018-11-19T15:38:51.968Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>… o agressor sabe escolher a vítima certa, aquela que não vai abrir a boca.</h4><p>Oi, tudo bom? Eu me chamo Dayane e hoje vamos conversar sobre um lado obscuro da minha vida. Hoje você lerá a coisa mais sincera e dolorosa que poderia partir de mim. E saberá que há dias em que isso me atinge como um turbilhão de dor.</p><p>Abuso. Esse texto acabará focando em abuso sexual porque foi o que mais sofri. Mas há varias formas de abuso e todas elas machucam muito. Então vamos fazer um pacto de que seremos mais atentos com os outros e com nós mesmo a partir de hoje? :)</p><p>Durante minha infância, sofri 3 tentativas de abuso. Foram fases diferentes da minha vida. Um aos 3 anos, outro aos 5 anos e outro aos 8. Um deles partiu de alguém da minha família. Em todos os casos eu reagi e fugi de alguma forma. Eu não me calei.</p><p>Sobre mudanças na minha vida… ah, perdi o contato que tinha com meu pai e com meus tios. Todo mundo tinha medo que eu pensasse algo errado ou que eu me sentisse desconfortável. Eu tinha medo de qualquer homem na rua. Meu pai não deixava eu sair sozinha de casa. Eu passei a me vestir bem mal. A lista de alterações do dia a dia é gigante.</p><p>Há uma história que explica muito bem como eu me sentia:</p><p>Eu tinha uns 13 anos e frequentava a mesma igreja que meus pais. Houve um evangelismo e todo dia havia culto. Nesse período eu fiquei amiga de um primo de um amigo da minha família. Ele é e sempre foi um cara super legal. Conversávamos sempre. No último culto, enquanto meu pai e o primo dele guardavam o som, ele pediu para falar comigo. Disse que gostava muito de mim, que eu era bem legal e que queria ficar comigo. Ele foi um dos caras mais respeitosos que passaram por mim. No momento que escutei tudo aquilo, não consegui responder. Eu só consegui correr, com o máximo de forças que possuía nas pernas. Só consegui encarar esse menino de novo aos 20 anos. Todos os meus amigos possuíam uma paixonite ou um namorico com essa idade, era meio que o início de uma experiência que todos estavam passando. Eu só possuía medo.</p><p>Há algo que quase ninguém sabe. Nem minha família sabe. Mas sim, eu sofri abuso sexual. Aos 19/20 anos, não lembro a idade em exato. E tentei esquecer esse fato por muito tempo. Até que houve um momento que varias meninas começaram a acusar um cara por abuso e tal. E foi quando revi a foto e o nome do meu abusador. Nunca denunciei, nunca nem consegui colocar para fora. Eu me calei.</p><p>Eu tive uma relação com um cara, um tempo atrás, e conversando sobre homens que tentam se aproveitar de mulheres na dança, ele me disse: ah, os caras sabem com quem vão tentar algo porque ele sabe que elas nunca vão abrir a boca. E eu fiquei assustada. Nunca tinha pensado nisso. “Mas eu era tão falante, sempre me expus tanto… não era quieta ou tímida. Por que estava sendo escolhida?”.</p><p>Essa relação não terminou bem. E eu descobri que foi por ter ficado calada em relação a ela. E percebi que aquele cara estava fazendo o mesmo que os abusadores mas para outro fim ao invés de abuso sexual. Ele estava comigo porque sabia que eu não falaria nada.</p><p>Eu li exatamente isso em um texto sobre o suicídio de uma moça. Eles escolhem a vítima certa, a que vai se calar. E isso me deixou tão mal. Mal por estar calada sobre a minha situação, mal por todos que sofreram esses abusos calados. Por que temos que ficar calados? Por que não falamos sobre isso de forma aberta? Por que associamos isso com algo feio e que deve ser falado baixinho e só em ambientes bem específicos?</p><p>Eu não quero que alguém morra porque eu me calei. Eu não quero que outra pessoa sofra com isso porque eu me calei. Eu não quero tomar uma decisão ruim para minha vida porque eu não tive coragem de falar. Eu não quero um dia morrer sem ter feito algo para mudar isso.</p><p>O ruim sempre está para acontecer. Muitas vezes não podemos evitar. Eu não pude evitar tantas situações traumatizantes em minha vida. Mas foi só quando eu me calei que deixei que ele tomasse conta de mim.</p><p>E você, vai continuar calado?</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=32e6f789baaa" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta/voc%C3%AA-j%C3%A1-conversou-sobre-abuso-32e6f789baaa">Você já conversou sobre abuso?</a> was originally published in <a href="https://medium.com/as-cr%C3%B4nicas-de-uma-lady-quase-adulta">As crônicas de uma Lady quase adulta</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
    </channel>
</rss>