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        <title><![CDATA[Pirata Cultural - Medium]]></title>
        <description><![CDATA[Somos pessoas que se alimentam de conhecimento e têm vontade de mostrá-lo para quem quiser ler. Nosso impulso é gerar debate e reflexão, diferente da visão da grande mídia. Ser pirata é ser questionador e estar na linha de frente das novas ideias. - Medium]]></description>
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            <title>Pirata Cultural - Medium</title>
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            <title><![CDATA[Live hoje às 20h sobre Romantismo no Instagram]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Denise Maliska]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 14 Jul 2020 17:29:56 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-07-14T17:29:56.831Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>Não percam hoje no perfil da <a href="https://medium.com/u/29792e09e8e2">Beca Casal</a> no Instagram</h4><p>Beca Casal: Nascida em Campo Grande/MS, Beca Casal escreve poesias e romances desde a adolescência e, atualmente, está em processo de produção de um livro e contos de romance. É co-fundadora do coletivo campograndense de literatura Um Tinteiro, e faz parte da Equipe de Poetas da Fazia Poesia, o maior portal de poesia do Medium Brasil.</p><p>Deni Maliska: Nascida no Rio de Janeiro, mora há 8 anos em Porto Alegre. Começou a publicar suas poesias através do Medium desde o final de 2017 e hoje já escreve para perfis como <a href="https://medium.com/u/5f2db43d0ee3">Revista Subjetiva</a> e <a href="https://medium.com/u/6d3591bf9b75">New Order</a>. Também possui um trabalho com poesia e poledance no Instagram:@denimaliska.</p><p>Hoje o foco da live será sobre o romantismo na poesia, além das declamações de poemas de ambas, será tratado sobre esse aspecto dentro de seus processos, suas impressões e como o romantismo consegue possuir um papel principal na literatura.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*MF5qr5lWysAuwyESqXnutA.jpeg" /></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=571cc4e769ce" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/pirata-cultural/live-hoje-%C3%A0s-20h-sobre-romantismo-no-instagram-571cc4e769ce">Live hoje às 20h sobre Romantismo no Instagram</a> was originally published in <a href="https://medium.com/pirata-cultural">Pirata Cultural</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[Olá Pirata!]]></title>
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            <category><![CDATA[politica]]></category>
            <category><![CDATA[literatura]]></category>
            <category><![CDATA[poesia]]></category>
            <category><![CDATA[sociopolitical]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Denise Maliska]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 10 Jul 2020 19:58:24 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-07-10T19:58:24.563Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Começamos nossa news divulgando a live de uma de nossas editoras, a <a href="https://medium.com/u/3d6bd1ee40f2">Deni Maliska</a> no instagram sobre poesia erótica e o corpo dentro da literatura.</p><h3>Vai ser às 22h no seu Ig:@denimaliska</h3><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/720/1*AZZbEy_L1jgwiBt08xanXw.jpeg" /></figure><h4>Últimos textos</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/589/1*DYUXtleUnYNyCXHnltAauw.jpeg" /></figure><p><a href="https://medium.com/pirata-cultural/em-tempos-de-agonia-me-agarro-ao-caos-b030d98dbf9f">Em tempos de agonia, me agarro ao caos</a> por <a href="https://medium.com/u/34edbeddf8dc">A Poetisa Das Constelações</a></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/576/1*ZevPnL8ObtlTGNQaYJ4afA.jpeg" /></figure><p><a href="https://medium.com/pirata-cultural/o-di%C3%A1logo-de-antonius-block-com-a-morte-o-s%C3%A9timo-selo-ff0f45f987ef">O diálogo de Antonius Block com a Morte — O Sétimo Selo</a> por <a href="https://medium.com/u/7dfe04bc6ea2">Bruno Oliveira</a></p><p>Confiram nossos conteúdos, sigam também nosso Instagram da Pirata Cultural!</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=4a06f9d6a85f" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/pirata-cultural/ol%C3%A1-pirata-4a06f9d6a85f">Olá Pirata!</a> was originally published in <a href="https://medium.com/pirata-cultural">Pirata Cultural</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Em tempos de agonia, me agarro ao caos]]></title>
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            <category><![CDATA[cotidiano]]></category>
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            <category><![CDATA[poesia]]></category>
            <category><![CDATA[filosofia]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[A Poetisa Das Constelações]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 10 Jun 2020 19:55:42 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-06-10T19:55:42.314Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/654/1*h5PcjqWQY32Ft2DnOEkPdA.jpeg" /><figcaption>“Alegoria do Triunfo de Vênus” de Agnolo Bronzino.</figcaption></figure><p>Em tempos de agonia, me agarro ao caos… Pelo menos momentaneamente. Quero poder sentir como é viver fugindo dessas falsas ordens que nos impõem todos os dias, essa promessa de progresso que vendem e propagam pra gente até aceitarmos sem questionar.</p><p>Ultimamente tenho pensado de mais no futuro. Parece fazer parte de crescer: Ter que se preparar para coisas instáveis e imprevisíveis, perceber que nesse mundo a gente na verdade está sozinho mesmo. Ultimamente eu tenho me limitado, me delimitado da maneira para caber nas expectativas das outras pessoas… Pessoas que julgam me amar, que dizem estarem ao meu lado. E eu só tenho me colocado em cercas confortáveis e belas para evitar o conflito e para não alimentar o caos.</p><p>Mas a linha entre o caos e a beleza é bastante tênue. Existe momentos que há beleza no caos, assim como existe momentos que a beleza e o caos parecem a mesma coisa. A beleza defini-se em sua finitude, o caos em sua infinitude. A beleza é algo que um dia pode morrer e o caos é o vazio que, porém, um dia gerou a beleza do universo, segundo a mitologia.</p><p>Sinto a minha cabeça à venda. Sempre me dizem o que comer, o que vestir, o que fazer, o que gostar. Quem dá mais? Quem dá mais? “É para o seu bem”, “É para o seu futuro”, “É para o seu sucesso”. E aos poucos a gente vai se acostumando a escutar todas essas vozes de fora e a sufocar a nossa própria, começamos a duvidar dos nossos princípios e acha-los errados. Vamos esquecendo de pensar, de viver e de falar, isso tudo nos torna feios e mudos até que a vida perca o seu sentido em si.</p><p>Já eu me sinto no Limbo, em algum lugar entre a beleza e o caos. Todas as noites, isso fica martelando na minha cabeça: algo me dizendo que estou no lugar errado e no tempo errado. O pior é que não há “Muletas mentais”, rotas de fuga da realidade ou máscaras que me ajude a me sentir bem.</p><p>Pareço uma ingrata, mas é que eu não consigo me contentar com esse sopro de vida. É muito raso, é muito rápido, é muito ínfimo… Por isso, todas as noites sinto essa agonia e me entrego ao caos, assim eu posso ser eu mesma e sentir o que eu quero sentir, mesmo que momentaneamente. Ainda aguardo o dia em que a beleza e o caos farão parte da minha vida para além de momentos breves de liberdade interna.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/318/1*fwojE36p_TXsgDb6QHld5g.jpeg" /><figcaption>Ismael Nery</figcaption></figure><p><em>Gostou desse texto? Deixe suas palmas aqui (elas vão de 1 a 50).</em> <strong>Siga a Pirata Cultural </strong><a href="https://medium.us19.list-manage.com/track/click?u=60a0b40be1eb553a29405147c&amp;id=5ef8728251&amp;e=205340582a"><strong>aqui</strong></a><strong> no Medium e acompanhe os autores!</strong> Se quiser escrever com a gente, só clicar<a href="https://medium.us19.list-manage.com/track/click?u=60a0b40be1eb553a29405147c&amp;id=452a2c07a7&amp;e=205340582a"> aqui</a>.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=b030d98dbf9f" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/pirata-cultural/em-tempos-de-agonia-me-agarro-ao-caos-b030d98dbf9f">Em tempos de agonia, me agarro ao caos</a> was originally published in <a href="https://medium.com/pirata-cultural">Pirata Cultural</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Uma despedida, Pirata Cultural]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Redação Pirata Cultural]]></dc:creator>
            <pubDate>Sun, 03 May 2020 22:22:05 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-05-05T20:25:07.744Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Essa publicação está no ar desde 2017, surgiu como proposta editorial de dois estudantes de publicidade ávidos por contar histórias e ter suas próprias experiências.</p><p>Deu certo. Como escritores e editores eu, <a href="https://medium.com/u/d4206a966a53">Antonia Moreira</a> e <a href="https://medium.com/u/4f45e949ec85">Giovana Romanelli de Carvalho</a> aprendemos muito, com autores vindos de todo o país que acreditaram em escrever sobre cultura e sociedade no Medium.</p><p>Tivemos textos excelentes, que “hitaram”, e também pudemos ter contato com ideias novas. Desde 2018 nos mantemos mais longes daqui e eu, Antonia, assumo de vez o encerramento da publicação Pirata Cultural.</p><p>Não temos, no momento, condições de continuar publicando aqui e, embora tenhamos conseguido uma base de leitores fiel, entendemos que esse processo editorial se acabou. E o que ficará salvo nesse banco da dados é uma fotografia do pensamento emergente brasileiro.</p><p>Um obrigada a todes que escreveram.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=8ff0819cb75d" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/pirata-cultural/uma-despedida-pirata-cultural-8ff0819cb75d">Uma despedida, Pirata Cultural</a> was originally published in <a href="https://medium.com/pirata-cultural">Pirata Cultural</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[O diálogo de Antonius Block com a Morte — O Sétimo Selo]]></title>
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            <category><![CDATA[o-sétimo-selo]]></category>
            <category><![CDATA[morte]]></category>
            <category><![CDATA[max-von-sydow]]></category>
            <category><![CDATA[ingmar-bergman]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Bruno Oliveira]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 13 Apr 2020 19:26:03 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-04-13T19:26:02.995Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h3>O diálogo de Antonius Block com a Morte — O Sétimo Selo</h3><p>Max von Sydow foi derrotado pela Morte, definitivamente. O famoso ator sueco que atuou em diversas produções, inclusive em Game of Thrones, morreu em 2020, ficou imortalizado por seus papéis em O Exorcista e principalmente nos filmes de Ingmar, como o Sétimo Selo.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*mzSUBQ2EG7L17evF" /></figure><p><strong><em>Sinopse do filme O Sétimo Selo — </em></strong><em>Suécia, Idade Média. Um cavaleiro, após as cruzadas, embora tenha lutado pela cristandade, tem dúvidas sobre a existência de Deus. A peste devasta o país, e, em meio ao ambiente de pessoas condenada à fogueira, acusadas de bruxaria, ao invés de se encontrar com Deus, se depara com a morte em carne e osso. O cavaleiro, para ganhar tempo, desafia a morte para uma partida de xadrez, com quem mantém profundos diálogos sobre o sentido da vida.</em></p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FYknL-BWzSwY&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DYknL-BWzSwY&amp;image=http%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FYknL-BWzSwY%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/feb8699590cd6792ccf3c4db29650bf5/href">https://medium.com/media/feb8699590cd6792ccf3c4db29650bf5/href</a></iframe><p>O sétimo selo tem alguns dos diálogos mais memoráveis da história do cinema, e é justamente de Antonius Block (personagem de Sydow) com a morte. Será que alguns anos depois, a conversa foi exatamente assim? Vejamos duas partes desses diálogos:</p><p><strong>1ª Cena — Encontro com a morte.</strong></p><blockquote>[Cavaleiro] Quem é você?<br>[A morte] Sou a morte.<br>[Cavaleiro] Veio me buscar?<br>[A morte] Ando com você há muito tempo.<br>[Cavaleiro] Eu sei.<br>[A morte] Está preparado?<br>[Cavaleiro] Meu corpo está, mas eu, não.<br>[A MORTE AVANÇA]<br>[Cavaleiro] Espere!<br>[A morte] Está bem, mas não posso adiar.<br>[Cavaleiro] Você joga xadrez?<br>[A morte] Como sabe?<br>[Cavaleiro] Eu já vi nas pinturas.<br>[A morte] Posso dizer que jogo muito bem.<br>[Cavaleiro] Não é mais esperto do que eu.<br>[A morte] Por que quer jogar comigo?<br>[Cavaleiro] Isto é problema meu<br>[A morte] Está bem.<br>[Cavaleiro] Se eu vencer, viverei. Se for xeque-mate, me deixará em paz.[Sorteando a cor das peças diz]: Jogue com as pretas.<br>[A morte] Bem apropriado, não acha?</blockquote><p>Em meio a uma sociedade devastada pela peste, o nosso cavaleiro tenta entender o sentido da vida (e da morte) através da racionalidade (e daí vem o simbolismo do jogo de xadrez). No final, esses questionamentos o leva até o ponto central sobre espiritualidade e religiosidade, ele tenta buscar ajuda em Deus decadente, que já não vem. A existência do divino, ou até mesmo do diabo, parece não fazer mais tanto sentido, aparecem apenas na forma de charlatões e a peste assume apenas a perspectiva de opressão.</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FZTmcBbkU0kw%3Ffeature%3Doembed&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DZTmcBbkU0kw&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FZTmcBbkU0kw%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/588ca92cd187a285a44c9a09d4d0167d/href">https://medium.com/media/588ca92cd187a285a44c9a09d4d0167d/href</a></iframe><p><strong>3ª Cena — Confissão. Encontro com a morte em uma capela.</strong></p><blockquote>[Cavaleiro] Quero confessar com sinceridade, mas meu coração está vazio. O vazio é um espelho que reflete no meu rosto. Vejo minha própria imagem e sinto repugnância e medo. Pela indiferença ao próximo, fui rejeitado por ele. Vivo num mundo assombrado, fechado em minhas fantasias.<br>[A morte] [DISFARÇADA] Agora quer morrer?<br>[Cavaleiro] Sim, eu quero.<br>[A morte] E pelo que espera?<br>[Cavaleiro] Pelo conhecimento.<br>[A morte] Quer garantias?<br>[Cavaleiro] Chame como quiser. É tão inconcebível tentar compreender Deus? Por que Ele se esconde em promessas e milagres que não vemos? Como podemos ter fé se não temos fé em nós mesmos? O que acontecerá com aqueles que não querem ter fé ou não tem? Por que não posso tirá-lo de dentro de mim? Por que Ele vive em mim de uma forma humilhante apesar de amaldiçoá-lo e tentar tirá-lo do meu coração? Por que, apesar de Ele ser uma falsa promessa eu não consigo ficar livre? Você me ouviu?<br>[A morte] Sim, ouvi. (A morte se vira, para não ser reconhecida).<br>[Cavaleiro] Quero conhecimento, não fé ou presunção. Quero que Deus estenda as mãos para mim, que mostre seu rosto, que fale comigo. Mas Ele fica em silêncio. Eu O chamo no escuro, mas parece que ninguém me ouve.<br>[A morte] Talvez não haja ninguém.<br>[Cavaleiro] A vida é um horror. Ninguém consegue conviver com a morte e na ignorância de tudo.<br>[A morte] As pessoas quase nunca pensam na morte.<br>[Cavaleiro] Mas um dia na vida terão de olhar para a escuridão.<br>[A morte] Sim, um dia.<br>[Cavaleiro] Eu entendo. Temos de imaginar como é o medo e chamar esta imagem de Deus.<br>[A morte] Está nervoso.<br>[Cavaleiro] A morte me visitou esta manhã. Jogamos xadrez. Ganhei tempo para resolver uma questão urgente.<br>[A morte] Que questão?<br>[Cavaleiro] Minha vida tem sido de eternas buscas, caçadas, atos, conversas sem sentido ou ligações. Uma vida sem sentido. Não falo isto com amargura ou reprovação como fazem as pessoas que vivem assim. Quero usar o pouco tempo que tenho para fazer algo bom.<br>[A morte] Por isso jogou xadrez com a morte?<br>[Cavaleiro] Ela tem táticas inteligentes, mas até hoje não perdi para ninguém.<br>[A morte] Como vencerá a morte no seu jogo?<br>[Cavaleiro] Tenho uma jogada com o bispo e o cavalo que ela não conhece. Quebrarei sua defesa.<br>[A morte] [MOSTRANDO SUA VERDADEIRA FACE] Lembrarei disto.<br>[Cavaleiro] Você é um traidor e me enganou. Mas nos encontraremos de novo, e eu acharei uma saída.<br>[A morte] Nos encontraremos e continuaremos nosso jogo.<br>[A MORTE SAI]<br>[Cavaleiro] Esta é a minha mão. Posso mexê-la. O sangue pulsa nela. O sol está alto no céu e eu, e eu, Antonius Block, jogo xadrez com a morte.</blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/720/0*kGX08n0tTDjMXnP9.jpeg" /><figcaption>A morte veste-se de preto (e escolhe as peças pretas também)</figcaption></figure><p>No fundo, o cavaleiro sabe que não pode vencer a morte, ela é inevitável. Mas mostra que pode encará-la de frente, sem ter medo de reconhecer o sofrimento e a própria condição finita de nossa vida. Independente de religião ou da intervenção de qualquer Deus — o indivíduo reconhece a sua solidão em um mundo em que o espiritual se recusa a surgir, a morte já não é mais sobrenatural, ela está na sua frente e é corpórea. <a href="https://medium.com/neworder/uma-perspectiva-pessoal-da-morte-ea1c0b7b38fe">A vida só tem sentido, ainda que mínimo, porque um dia ela termina</a>.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*B2XOXlYmBdwly4tU.jpeg" /></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=ff0f45f987ef" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/pirata-cultural/o-di%C3%A1logo-de-antonius-block-com-a-morte-o-s%C3%A9timo-selo-ff0f45f987ef">O diálogo de Antonius Block com a Morte — O Sétimo Selo</a> was originally published in <a href="https://medium.com/pirata-cultural">Pirata Cultural</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Carregar a Própria Mudança]]></title>
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            <category><![CDATA[crônicas]]></category>
            <category><![CDATA[medium-brasil]]></category>
            <category><![CDATA[espiritualidade]]></category>
            <category><![CDATA[autoconhecimento]]></category>
            <category><![CDATA[filosofia]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Ander Simões]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 31 Mar 2020 18:36:44 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2021-08-24T04:10:56.937Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*C0R6jePdb6u6XnLa119BaA.jpeg" /><figcaption>Photo by Rithikha Rajamohan on Unsplash</figcaption></figure><p>É necessário compreender que a nossa história de vida molda o que somos. Não se pode fugir de si mesmo. <strong>Fugir de si mesmo é uma violência.</strong></p><p>É preciso olhar para nossa história com carinho. Reconhecer nossas dores e as embalar no colo. Ter consciência de que a nossa trajetória de vida nos conduziu ao ponto onde nos encontramos agora. Isso não é apregoar o caráter fatídico de <em>“se assim sou, assim serei!”</em>. Não, não é isso. Devemos buscar constantemente a transformação daqueles aspectos que carecem de uma evolução. Os defeitos, a forma de se posicionar ante a vida, os pensamentos, as atitudes e ações, precisam ser medidas racionalmente para se poder chegar à conclusão do que e o quê é necessário transformar. Mas a transformação não pode ocorrer de forma que viole o que se é, que viole aquilo que foi construído ao longo de uma trajetória de vida, mediante nossas experiências, aprendizados, erros, traumas, dores…</p><p>Algumas das respostas para nossa forma de se posicionar no mundo e responder às situações da vida, podem ser encontradas ainda na infância, através de um processo consciente de retomada das feridas não cicatrizadas; não para as fazer doer ainda mais (embora seja inevitável dar-se de encontro com essas dores), mas para problematizar tais questões, compreender suas origens e o quanto elas correspondem à nossa forma de ver e se posicionar no mundo. O problema, é que na maior parte das vezes é muito difícil acessar questões tão longínquas para se tomar uma reflexão consciente e direcionada que nos auxilie na reformulação daquilo que somos. Caso seja possível o acesso consciente destas questões, através de processos e mecanismos externos que objetivem o voltar-se para dentro, ótimo! Caso não exista essa possibilidade de forma plena e consciente, devemos ao menos tentar nos “olhar de fora”, muitas vezes com o auxílio de um olhar alheio para transformar aquilo que já não serve mais. <strong>Às vezes precisamos de um “olhar de fora” para que possamos enxergar a nós mesmos.</strong></p><p>Existem diversos caminhos que nos apontam para o descobrimento das origens do que encontra-se arraigado e manifesto no íntimo do Ser e projetado no mundo através de nossas palavras, pensamentos e atitudes; cabe a cada um e cada uma descobrir e escolher qual melhor caminho que lhe sirva então.</p><p>A causa do sofrimento, na maior parte das vezes, deve-se ao fato de olharmos para o passado atribuindo um peso a mais àquilo que se tem para carregar. Assim fica difícil de suportar! Devemos tomar consciência de todos os nós que nos afligem e que teimam em não desatar, mas não se apegar ao sofrimento pelo que passou. O resultado da busca incessante pelo novo, conduzirá ao percorrer de um outro caminho, porém, desde que se permita desvencilhar-se de todas as amarras que aprisionam ao passado.</p><p>Para se deixar conduzir pela trilha ainda não percorrida, é necessário a libertação de todas as prisões, do corpo e da mente, sem medo de dar as mãos ao Invisível e se deixar levar pela nova estrada. Assim como as palavras só se fazem manifestar quando postas para fora de si, o mesmo acontece com a mudança daquilo que se almeja. Para atribuir novo significado a nossa existência, para se pôr em um novo caminho a seguir, é necessário que o corpo se ponha por inteiro nessa nova estrada. Mas não apenas isso. É necessário que os primeiros movimentos do corpo sejam de deslocamento, não de inércia, através da ação de prostrar-se ao chão.</p><p><strong>O peso da história vivida e da trajetória até então, acompanhará todos os nossos passos, e disso não há como fugir. Portanto, é necessário que se aprenda a carregar o peso, pois ele é inerente ao seu portador e portadora. </strong>O que não se pode é apegar-se a ele a tal ponto, que o mesmo torne-se demasiadamente pesado, fazendo-nos sucumbir ao chão. Não atribuamos demasiado peso às circunstâncias que apertam o peito! Não façamos tempestade do que pode ser apenas garoa fina!</p><p>O entendimento da própria história e das circunstâncias que propiciaram a moldura de um jeito característico de ser, não traz como benefício apenas a transformação para um melhor convívio para consigo; traz também a possibilidade de ser um canal potencializador da mudança que se almeja na sociedade, no mundo. A transformação, digo, evolução, reverbera no jeito de olhar o mundo, as pessoas, os acontecimentos… A evolução refletida no olhar ilumina uma nova consciência. A evolução do Ser e manifesta no estar, ilumina as relações e os atos de se dar… para se dar, doar.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=6aaea05692cb" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/pirata-cultural/carregar-a-pr%C3%B3pria-mudan%C3%A7a-6aaea05692cb">Carregar a Própria Mudança</a> was originally published in <a href="https://medium.com/pirata-cultural">Pirata Cultural</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Aline]]></title>
            <link>https://medium.com/pirata-cultural/aline-c4813f8d961a?source=rss----da190bbf0a28---4</link>
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            <category><![CDATA[lgbt]]></category>
            <category><![CDATA[lgbtq]]></category>
            <category><![CDATA[transgender]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Antonia Moreira]]></dc:creator>
            <pubDate>Sun, 29 Mar 2020 03:12:39 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-03-29T03:12:16.131Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p><strong>Aline</strong></p><p>Desde o primeiro momento que a vi, Aline sempre tinha uma história para contar e as contava sempre olhando profundamente no olho. Ela não parecia ter aquela necessidade que muitos de nós temos de desviar o olhar e tomar um fôlego para continuar conversando.</p><p>O negócio dela era olho no olho. Nos encontramos em um ônibus, a caminho da Universidade. Aline me contou sobre como foi expulsa de casa por sua avó e do pouco que sua mãe fez para impedir.</p><p>Eu a perdoei hoje, ela diz. Entendo que ela não foi a pior naquela história toda, e afinal, o que somos nós senão seres que podem perdoar? Voltei pra casa depois de tê-las mostrado que não iria para a rua me prostituir, que não seria estatística. Somos uma geração que quer mais, sabe? A gente não vai se contentar com pouco, eu canto é sobre isso.</p><p>Ao me falar sobre seus objetivos e projetos, Aline saca da bolsa um celular, coloca pequenos fones pretos e abre o SoundCloud. Ouça, me diz. Dos fones saem uma música um tanto barulhenta. É uma demo ainda, tá? Ela canta sobre a energia feminina que habita nos corpos e como isso é tão poderoso e único.</p><p>Quero fortalecer outras como eu, como nós, entende? Me sinto viva ao cantar, ao transmitir o que tantas de nós passam.</p><p>Aline fala com uma calma e leveza, é um projeto, ela me afirma. A gente tem um projeto de poder, de vida.</p><p>Me lembro de um artigo que li há pouco tempo, tratava da construção dos termos “travesti” e “transexual” na literatura científica a partir do século XIX. Esses nomes foram dados a partir da criação dos seres mentalmente instáveis, perigosos e doentes. Antes, porém, a história era outra. Houve um tempo que o corpo que carregava signos femininos e masculinos era venerado, era místico e despertava a curiosidade.</p><p>Quem cagou tudo foi a igreja, me diz Aline quando falo sobre esse texto. Sim, o cristiano colocou tudo o que não estava em uma caixinha bem definida, o que é homem e mulher, como o demônio, e assim nasceram as demônias. Mulher de pau, homem de buceta, seres criados pelo próprio Diabo.</p><p>E como o cristianismo opera? Como faz essas coisas místicas virarem demoníacas? Foi aí que entendi o conceito de episteme, palavra que já tinha ouvido mas nunca pegado sua completude. É uma mudança de pensamento, é algo difícil de imaginar estando no aqui, agora, enquanto nosso pensamento é moldado de uma certa forma.</p><p>Mas até a forma de pensar é construída, não é natural.</p><p>Aline ri. Nada é.</p><p>Como pode ser viver em outra forma de pensar? Outra forma de ver o mundo? Como é viver outro paradigma? Me recordo da música de Aline que ouvi há pouco, o que ela fala… é outra episteme. Ela está pensando fora dos moldes de nosso tempo.</p><p>No artigo, fala-se que o processo de demonização das coisas levou séculos. Somos, então, uma peça na mudança da episteme. Algum dia nos estudarão. Imaginei humanos futuristas apontando pra uma foto em museu.</p><p>Foram aquelas lá, aquelas travestis que começaram tudo. Tudo!</p><p>A gente ri, nosso trabalho está apenas começando.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=c4813f8d961a" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/pirata-cultural/aline-c4813f8d961a">Aline</a> was originally published in <a href="https://medium.com/pirata-cultural">Pirata Cultural</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Castelo de Madeira]]></title>
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            <category><![CDATA[pirata-cultural]]></category>
            <category><![CDATA[literatura]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Matheus Carvalho]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 23 Mar 2020 23:01:43 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-03-23T23:01:43.002Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p>Em minhas Torres faço a vigília.</p><p>Em minhas muralhas sou proteção.</p><p>Aguento todas as batalhas,</p><p>Reino sozinho.</p><p>Os súditos eu nunca tive.</p><p>As guerras vem e vão,</p><p>Os tratados de paz, não.</p><p>Sou meu próprio conselho de ministros.</p><p>Se vou a guerra,</p><p>Sou cavalaria.</p><p>A verdade é que o castelo,</p><p>Forte, imponente e intransponível</p><p>É madeira.</p><p>Queima todas as noites e me faz um rei sem coroa, reconstruindo das cinzas um castelo de orgulho.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=f3fa52a4e0ad" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/pirata-cultural/castelo-de-madeira-f3fa52a4e0ad">Castelo de Madeira</a> was originally published in <a href="https://medium.com/pirata-cultural">Pirata Cultural</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[O Fio de Ariadne — O homem e o labirinto incógnito do mundo.]]></title>
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            <category><![CDATA[reflexao]]></category>
            <category><![CDATA[sociedade]]></category>
            <category><![CDATA[brasil]]></category>
            <category><![CDATA[português]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Alberto Luiz]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 23 Mar 2020 23:01:37 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-03-23T23:01:37.738Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h3>O Fio de Ariadne — O homem e o labirinto incógnito do mundo.</h3><blockquote>No desvio de algum rincão do universo inundado pelo fogo de inumeráveis sistemas solares, houve uma vez um planeta no qual os animais inteligentes inventaram o conhecimento. Este foi o minuto mais soberbo e mais mentiroso da história universal, mas foi apenas um minuto. Depois de alguns suspiros da natureza, o planeta congelou-se e os animais inteligentes tiveram de morrer. <br> — Friedrich Nietzsche¹</blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*Dc0I5TZofF8mr15Q.jpg" /><figcaption><strong>L’acronimo ARIADNE, che sta per Advanced Research Infrastructure for Archaeological Dataset Networking in Europe</strong></figcaption></figure><p>Oconhecimento humano é antropomórfico. Observamos o mundo e para além dele as luzes reluzentes de outros mundos distantes, e, ao mesmo tempo que investigamos, expressamos o desejo herdado por nossos ancestrais na savana: <em>curvar tudo que estiver ao nosso alcance, torna-lo à nossa imagem e semelhança.</em> Nietzsche já havia diagnosticado a gênese do desejo de converter o desconhecido em deuses, e o cotidiano em homens através da cultura.</p><p>Há uma tautologia nessa reflexão é verdade: <em>Todo pensamento do homem é pensamento de homem.</em> Não podemos pensar para além da própria contigência da espécie. Como Também suspeitou Schopenhauer: <em>o limite do mundo para o homem é o limite dos sentidos. </em>E por Conseguinte:<em> o limite dos sentidos se expressa no rudmento da linguagem.</em> Essas duas ferramentas estão em uma profunda dialética entre o ímpeto de conhecer e o mistério irredutível do mundo. O mundo se apresenta como um labirinto que abriga o inominável, o mistério, o indescritível. É diante da vastidão dos fenômenos que desenvolvemos ferramentas e métodos para nos guiar dentro desse labirinto antes insondável; Na ponta desse <em>Fio de Ariadne</em> encontramos a filosofia, a base racional e metodológica que nutre a ciência e com o passar dos milenio revelaria como elas são imprescindíveis para o êxito de explorar o labirinto.</p><blockquote>Há 70 mil anos, os organismos pertencentes à especie Homo Sapiens começaram a formar estruturas ainda mais elaboradas chamadas culturas. O desenvolvimento subsequente dessas culturas humanas é denominada historia. — Yuval Harari²</blockquote><p>Estava a alguns dias limpando minha pequena biblioteca e me deparei com dois exemplares de distintos autores e temas não diretamente ligados, mas no grande esquema das coisas conectados como partes do fio que vai se estendendo da “porta” ao centro do desconhecido. Duas breves historias, dois projetos de divulgação cientifica que conectam o passado e abre indicadores para o futuro que me chamaram atenção e me fizeram pensar sobre esse fio que nos direciona em um movimento dialético de passado e presente.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*ch79cZx7MyzzE6BJ.jpg" /><figcaption><strong>(Art by Henry Bugalho, 30 de mai. de 2016) <em>Sapiens — Uma Breve História da Humanidade</em></strong></figcaption></figure><p><em>Sapiens — Uma Breve História da Humanidade</em>, do historiador israelense Yuval Noah Harari e <em>Uma Breve História do Tempo: do Big Bang aos Buracos Negros</em>, do Professor <em>Stephen Hawking </em>pontuam ao que me parece uma bela síntese mesmo que de áreas diferentes do conhecimento reconstituem a luz da racionalidade e do método o caminho pelo que nos era desconhecido.</p><blockquote>A resposta mais comum é que a nossa linguagem é incrivelmente versátil. Podemos conectar uma série limitada de sons e sinais para produzir um número infinito de frases, cada uma delas com um significado diferente. Podemos, assim, consimir, armazenar e comunicar uma quantidade extraordinaria de informações sobre o mundo à nossa volta. — Yuval Harari</blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*jBCWySehwE0pRtQA.jpg" /><figcaption><strong>Uma Breve História Do Tempo by <em>Stephen Hawking</em></strong></figcaption></figure><p>Não é novidade que a instabilidade faz parte da história do planeta. Seja por fenômenos naturais, seja por fenômenos políticos a humanidade experimentou até hoje, menos momentos de paz e estabilidade do que momentos de caos e incerteza. E, hoje sabemos que esses fenômenos hostis são interpretados quase que corriqueiramente como sombras caóticas e indecifráveis. A metáfora do labirinto cabe como uma luva para essa sensação mística que remonta a ira divina, ou as conspirações subterrâneas que ronda o imaginário dos povos.</p><p>Teseu precisa entrar nesse labirinto e desbrava-lo. As probabilidades estavam conspirando contra ele, e o seu êxito era improvável. O que seria de um único homem contra os corredores escuros do grande labirinto de Creta, e além dos caminhos controversos do labirinto, o herói deveria enfrentar o monstro faminto que habitava o centro da estrutura. Em meio a incerteza percebemos que Teseu não é o real herói do mito. Quem possibilita o êxito é Ariadne. Ela tece um fio, e esse fio é o guia por entre os corredores do labirinto. Aqui como uma metáfora para nosso tempo: <em>a ciência é nosso fio de Ariadne.</em></p><blockquote>A maioria das pessoas acharia um tanto ridicula a imagem de nosso universo como uma torre infinita de tartarugas, mas por que acreditamos saber mais do que isso? O que sabemos sobre o universo, e como sabemos? de onde ele veio e para onde está indo? O universo teve um começo? Se teve, o que aconteceu antes? Qual a natureza do tempo? Um dia ele vai chegar ao fim? Podemos voltar no tempo? Avanços recentes na física, em parte possibilitados por novas tecnologias fantásticas, sugerem respostas a algumas dessas questões tão antigas. <br>— Stephen Hawking³</blockquote><p>Se nossa caminhada como espécie em direção ao desconhecido iniciou com nossa <em>arvore cognitiva. </em>Esse passo cognitivo nos arrancou da insignificância e anonimato para a escada vertical de superação de outros hominídeos e das próprias limitações. Dominamos o fogo, controlamos a agricultura, desenvolvemos métodos mais eficazes de conservação de alimentos e de proteção. A hostilidade do mundo sempre esteve a nossa porta, mas através de nossos signos e símbolos conseguimos driblar com eficiência esses problemas. Harari desenha com maestria a evolução da sociedade e as ferramentas cognitivas desenvolvidas para um controle mais efetivo da roda da fortuna: religiões, contratos sócias, estado, leis, direitos e outras entidades abstratas que tomaram forma com o desbravar do labirinto escuro do mundo.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/466/0*-BVo6E431tNKZb8c.jpg" /><figcaption><a href="https://www.amazon.com/Odsan-Gallery-Tile-Design-Burne-Jones/dp/B01GG4P6SO">Theseus and The Minotaur in The Labyrinth — Edward Burne-Jones</a></figcaption></figure><p>O nosso passado aponta para o presente, pra o refinamento de novas técnicas que sejam suficientes para superação não de problemas naturais do planeta, mas para minimizar os estragos do nosso próprio abuso sobre a savana que um dia nos acolheu como meros hominídeos sem muito o que dizer. Hoje os olhos do desbravador do labirinto se acostumou com a escuridão que o cerca, ele tem uma tocha na mão, e quanto mais ele adentra nos corredores, mas próximo ele sente a urgência de combater o inimigo que o aguarda por entre as paredes escuras. Teseu tinha o minotauro, nós temos outra entidade para combater. Ela não tem forma definida, não tem um timbre vocal reconhecido, ele não porta armas físicas ou é alguma forma animal antropomórfica. O nosso maior inimigo está habitando os discursos e as mentes de alguns entre nós que não acreditam que chegamos onde chegamos na superação de inúmeras dificuldades internas e externas através deste Fio de Ariadne que conhecemos como ciência, ou visse versa.</p><p>Dada a atualidade do tema conseguimos com muita infelicidade ouvir os sons dessa criatura grotesca que se alimenta da mediocridade e da ignorância. Em meio a pandemia do Novo Corona Virus, e de milhares de pessoas infectadas, desenvolvendo a Covid-19 doença que ataca o sistema respiratório, ainda entre os velórios das vítimas e as ações dos governos em conter a pandemia o monstro do labirinto grita, ura contra o conhecimento que guia o aventureiro. A ignorância é um monstro terrível. Ele não escolhe idade, ele não escolhe raça ou muito menos classe econômica, ele se alimenta e prolifera onde a mediocridade é dogma e a lógica e o conhecimento é pornográfico.</p><p>Entretanto em alguma hora o monstro se depara com os fatos do mundo e não o sabe processar ele está perdido no próprio labirinto, ele teme dar um passo. Ele prefere urrar para confundir, mas a realidade hostil do mundo tem seu papel de segregar os que estão prontos para o embate do monstro louco que tem se alimentado da pouca massa cinzenta de seus infectados. Chega um momento, e o momento é chegado que o fio mostra mais uma vez seu poder, e seu pape.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1008/0*BYPLeBppgoyTiGRP.jpg" /><figcaption><a href="https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2020/03/18/bolsonaro-reune-ministros-e-anuncia-medidas-para-a-crise-da-covid-19.ghtml">Bolsonaro reúne ministros e anuncia medidas para a crise da Covid-19</a></figcaption></figure><p>O final do mito de Teseu e Ariadne nós conhecemos bem, ele destrói o monstro e com auxílio do Fio, sai do labirinto carregando a cabeça do monstro. Essa metáfora deseja ter conotações proféticas.</p><h3>Gostou desse texto? Deixe suas palmas aqui (elas vão de 1 a 50).</h3><blockquote>¹ — NIETZSCHE, F. W. <strong>Sobre verdades e mentiras no sentido extra-moral</strong> (Obras incompletas). Tradução e notas de Rubens Rodrigues Torres filho. São Paulo: Abril Cultural, 1983.<br>²— Yuval Noah Harari (2011) <strong>Sapiens — Uma Breve História da Humanidade</strong>. 29a Edição. Editora Harper.<br>³ — Stephen W. Hawking. <strong>BREVE HISTÓRIA DO TEMPO</strong>. DO “<strong>BIG BANG” AOS BURACOS NEGROS</strong>. Introdução de Carl Sagan. Tradução de Ribeiro da Fonseca.</blockquote><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=6a4f575f40ee" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/pirata-cultural/o-fio-de-ariadne-o-homem-e-o-labirinto-inc%C3%B3gnito-do-mundo-6a4f575f40ee">O Fio de Ariadne — O homem e o labirinto incógnito do mundo.</a> was originally published in <a href="https://medium.com/pirata-cultural">Pirata Cultural</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Outro]]></title>
            <link>https://medium.com/pirata-cultural/outro-2cf9acfcb851?source=rss----da190bbf0a28---4</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/2cf9acfcb851</guid>
            <category><![CDATA[poetry]]></category>
            <category><![CDATA[poesia-brasileira]]></category>
            <category><![CDATA[poesia]]></category>
            <category><![CDATA[sonhos]]></category>
            <category><![CDATA[poesía]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Tales Pinto]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 23 Mar 2020 23:01:29 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-03-23T23:01:29.031Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*AUnlRIaRFWjRA-Ve9g0sAQ.jpeg" /></figure><p>Faço chover nos meus olhos<br>Faço molhar todo o chão<br>Faço piscar os meus lagos<br>Faço parar o pulmão</p><p>Faço nessas várzeas<br>um sangue feito de fim<br>Faço calmar essas náuseas<br>com o filtro do rim</p><p>Se os milhares de seres em mim<br>Soubessem como eu sonho<br>Teriam fugido assim<br>que eu nasci — eu suponho</p><blockquote>Se você gostou, deixe seu aplausos! Você pode dar de 1 a 50 aplausos clicando nas mãozinhas no final do texto ou ao lado dele. Quanto mais aplausos, mais as histórias voam.</blockquote><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=2cf9acfcb851" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/pirata-cultural/outro-2cf9acfcb851">Outro</a> was originally published in <a href="https://medium.com/pirata-cultural">Pirata Cultural</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
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