<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:cc="http://cyber.law.harvard.edu/rss/creativeCommonsRssModule.html">
    <channel>
        <title><![CDATA[Stories by Rodrigo Santiago on Medium]]></title>
        <description><![CDATA[Stories by Rodrigo Santiago on Medium]]></description>
        <link>https://medium.com/@poucasebobas?source=rss-55b7f3619533------2</link>
        <image>
            <url>https://cdn-images-1.medium.com/fit/c/150/150/2*D_Hr6vJ2P769bHvIvgGnkg.jpeg</url>
            <title>Stories by Rodrigo Santiago on Medium</title>
            <link>https://medium.com/@poucasebobas?source=rss-55b7f3619533------2</link>
        </image>
        <generator>Medium</generator>
        <lastBuildDate>Sun, 24 May 2026 02:28:14 GMT</lastBuildDate>
        <atom:link href="https://medium.com/@poucasebobas/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/>
        <webMaster><![CDATA[yourfriends@medium.com]]></webMaster>
        <atom:link href="http://medium.superfeedr.com" rel="hub"/>
        <item>
            <title><![CDATA[Sabotagem]]></title>
            <link>https://medium.com/@poucasebobas/sabotagem-ead02ce19164?source=rss-55b7f3619533------2</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/ead02ce19164</guid>
            <category><![CDATA[esquete]]></category>
            <category><![CDATA[humor]]></category>
            <category><![CDATA[textos-curtos]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Rodrigo Santiago]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 14 Jun 2022 15:20:06 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2022-06-20T22:16:55.838Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*RsaGSvGz1FXBV5nXjVJbzA.jpeg" /></figure><p>Salão completamente escuro. O único foco de luz é em Pedro, que conversa com sua própria voz ecoando pelo salão.</p><p>- Subconsciente? Tá por aí?</p><p>- Fala, Pedrinho.</p><p>- Tô indo malhar.</p><p>- Pode ir.</p><p>- Como assim? Não vai dizer nada?</p><p>- Ué, vai lá e dá teu melhor, campeão.</p><p>- Campeão?! E cadê a desculpinha esfarrapada?</p><p>- Desculpa é pros fracos. Você é um vencedor.</p><p>- Ô sub, não tô te entendendo. Ontem eu espirrei e tu falou que eu ainda tava gripado.</p><p>- Tá, mas foi só uma friagem. Então partiu treino.</p><p>- Antes de ontem tu falou que ia passar aquele jogo lá… quem era mesmo?</p><p>- Olha aí, nem tu lembra. Devia ser jogo do Vasco.</p><p>- E a reunião de condomínio? E a declaração do imposto de renda? E o batizado da sobrinha do chefe?</p><p>- Pedrinho, você mesmo falou: tudo desculpinha esfarrapada. Quer continuar se enganando, amigo?</p><p>- Quem me engana é você, cacete!</p><p>- Calma, meu guerreiro. Eu falava o que você QUERIA ouvir. Mas daqui pra frente só falo o que você PRECISA.</p><p>- Agora lascou mesmo.</p><p>- Entendo tua raiva. Sair da zona de conforto é doloroso, mas a pior dor que existe é a dor de…</p><p>(Pedrinho interrompe)</p><p>- Olha, Sub, que é que tá rolando aqui, hein? A vida inteira me sabotando e agora esse papo coach de tik-tok?</p><p>- Pedrinho, só tô querendo o nosso melhor, ser mais equilibrado.</p><p>- E desde quando subconsciente é racional assim? Tua função é me ajudar a tomar decisões com base no que tá gravado aí, no meu histórico.</p><p>- No nosso.</p><p>- Tá, tu entendeu. Só tô dizendo que você sempre me influenciou a ficar no sofá, e agora tá quase me vendendo shake de Whey.</p><p>- O nome disso é evolução. Todos nós vamos sair melhores dessa pandemia.</p><p>- Não, não, não, chega.</p><p>- Pô, Pedrinho, tenta se colocar no meu lugar. O que você diria pra mim?</p><p>- Sei lá, eu preciso pensar.</p><p>- Você pensa demais. Pega leve que hoje é segunda.</p><p>- Gostei disso, hein!</p><p>- Puta merda. Falei demais.</p><p>- Não, cê falou tudo. Hoje é segunda, amanhã eu começo.</p><p>(Voz do subconsciente suspira, decepcionada)</p><p>- Falando em segunda, bota aí na ESPN pra rever os gols do Vasco. Acho que sobrou cerveja do fim de semana.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=ead02ce19164" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Tatuagem de Palhaço]]></title>
            <link>https://medium.com/revista-in-comoda/tatuagem-de-palha%C3%A7o-e5c307bf2dd6?source=rss-55b7f3619533------2</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/e5c307bf2dd6</guid>
            <category><![CDATA[humor]]></category>
            <category><![CDATA[comédia]]></category>
            <category><![CDATA[contos-breves]]></category>
            <category><![CDATA[contos-curtos]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Rodrigo Santiago]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 09 Jan 2019 16:32:48 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2022-06-14T15:42:14.812Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h3>Tatuagem de palhaço</h3><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*y8kMEWfmCffC_fNFsHMKRQ.jpeg" /></figure><p>Blitz policial na estrada. Carro se aproxima até parar. Motorista abaixa o vidro e um policial fala com tom autoritário:</p><p>— Documento do veículo e habilitação.</p><p>— Só um minuto.</p><p>Quando o motorista estende o braço pra entregar os documentos, o policial percebe que ele tem uma tatuagem do Tiririca no braço.</p><p>— O senhor desce do carro, faz favor.</p><p>— Algum problema?</p><p>O policial responde apenas chamando com a mão. Desconfiado, o motorista abre a porta do carro. Antes de sair totalmente, ele leva uma coronhada na cabeça e vai ao chão.</p><p>— Que porra é essa?</p><p>Enfurecido, o policial levanta o motorista pela gola da camisa e aponta para a tatuagem do Tiririca:</p><p>— Eu é que pergunto! Que porra é essa?</p><p>— É só uma tatuagem.</p><p>O policial dá um soco no estômago do motorista. Depois continua:</p><p>— Tatuagem de palhaço, você quis dizer, né?</p><p>— Mas é o Tiririca!</p><p>— Foda-se, Tiririca também é palhaço!</p><p>— Senhor, pelo amor de Deus! Eu sei que tem esse história de quem tatua palhaço já matou policial, mas eu juro que nunca matei uma mosca!</p><p>— Claro que não matou. Dá pra ver na sua cara de trouxa.</p><p>— Então por que essa violência?</p><p>Policial fica calado. Depois, com insegurança, faz uma confidência:</p><p>— Eu tenho trauma de palhaço.</p><p>Ainda se recuperando do soco, motorista fica surpreso. Então pergunta:</p><p>— Até do Tiririca?</p><p>— De qualquer um! Tiririca, Carequinha, Patati, Patatá, Bozo…</p><p>— Bozo do SBT?</p><p>— Não, do PSL.</p><p>— Entendo. E esse trauma de palhaço, como começou?</p><p>— Eu tinha 5 anos. Fui ao circo com meus pais e me perdi no meio da multidão. Aí um palhaço me sequestrou e me manteve preso no camarim durante décadas.</p><p>— Nossa, que horror!</p><p>— Sim, ele era terrível. Vivia botando aquelas almofadas de pêido pra eu sentar. Sem falar daquele girassol gigante que borrifava água… ele sempre me acordava com um jato molhando minha cara.</p><p>— E como foi que você escapou?</p><p>— A única coisa boa nessa vida de circo é que a gente aprende uns truques de mágica. Abrir algemas foi um deles.</p><p>— Pô, legal. Ensina aí como faz.</p><p>— Claro.</p><p>Policial coloca as algemas nos punhos do motorista.</p><p>— Tá. E agora?</p><p>— E agora você cala a boca e entra na viatura.</p><p>— Como assim?</p><p>— Eu falei cala a boca!</p><p>Policial dá outra coronhada no motorista, que se levanta e entra na viatura. Dentro do carro, o policial continua:</p><p>— Pensou que eu não ia te reconhecer, Tirulipa?</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=e5c307bf2dd6" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/revista-in-comoda/tatuagem-de-palha%C3%A7o-e5c307bf2dd6">Tatuagem de Palhaço</a> was originally published in <a href="https://medium.com/revista-in-comoda">Revista in-Cômoda</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Joãozinho]]></title>
            <link>https://medium.com/revista-in-comoda/jo%C3%A3ozinho-52aedace823?source=rss-55b7f3619533------2</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/52aedace823</guid>
            <category><![CDATA[contos]]></category>
            <category><![CDATA[humor]]></category>
            <category><![CDATA[contos-curtos]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Rodrigo Santiago]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 08 Aug 2018 17:13:38 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2018-08-12T18:13:25.334Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/750/1*_6fD2DbtNuX5BKGw90wH3w.jpeg" /></figure><p>Joãozinho, o eterno palhaço da turma. Quem nunca ouviu uma história dele?Quem não lembra sua irreverência, seu raciocínio rápido, as respostas a<a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>iadas pra pro<a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>essora? E na hora de tirar onda, coitados dos colegas: não tinham a menor chance contra Joãozinho.</p><p>Tirava sempre um apelido certeiro da manga. E nem dava bola para os que ganhava. É, já dava pra notar que aquele moleque tinha talento pra comédia. Aí o tempo passou e não deu outra: Joãozinho virou a nova sensação do humor. Um renomado pro<a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>issional de standup, com apresentações lotadas toda semana pelo Brasil. Sim, tudo ia de vento em pompa na carreira de Joãozinho. Seu canal no youtube se tornara um <a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>enômeno mundial. E mesmo antes disso, já andava com tudo que é celebridade: de Eri Johnson a Pelé. <a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">F</a>requentava as <a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>estas mais descoladas e, volta e meia, ainda aparecia em algum programa de TV.</p><p>Mas um dia Joãozinho resolveu abandonar os palcos. E toda a popularidade à sua volta. No início ninguém entendeu nada. Até ele gravar um vídeo explicando tudo. Durante um jantar de <a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>amília, como era de costume, Joãozinho divertia todo mundo com suas piadas. Após uma delas, seu pai riu tanto que acabou se engasgando com um caroço de pitomba. Com um <a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>im trágico, o velho literalmente morreu de rir. E desde então, Joãozinho nunca se perdoou pelo que aconteceu. O trauma <a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>ez com que ele criasse uma verdadeira aversão a piadas. Nunca mais sorriu. Nem <a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>ez ninguém sorrir. Só de pensar nisso já lhe batia um sentimento de culpa. Tinha medo que seu humor pudesse <a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">machucar</a> mais alguém que amava.</p><p>Daí pra mudar de carreira <a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>oi um pulo. O agora amargo Joãozinho logo trocaria as hilárias apresentações pela rotina do escritório. Os roteiros cômicos pelas planilhas de Excel. É, todo mundo se adapta. E com Joãozinho não <a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>oi diferente. O ex-humorista até que se saiu bem como estatístico. Passou a ser <a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>eliz naquela vida sem muitos riscos. Ou pelo menos tentou se convencer disso. Mal sabia que sua estabilidade estava por um <a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>io.</p><p>A empresa havia contratado um novo diretor que, para surpresa de Joãozinho, era um de seus amigos do tempo de escola. Bom…amigos, pero no mucho. Baltazar era um dos alunos que mais so<a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>riam com a língua <a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>erina de Joãozinho. Pra piorar, não sabia reagir a provocações. Era tímido, sem muito traquejo. E agora, o cara que Joãozinho sempre escolhia como alvo de suas brincadeiras se tornara seu che<a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>e. Uma vez, depois de uma exaustiva reunião, Baltazar pediu que Joãozinho <a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>icasse na sala. Os dois relembraram juntos várias memórias de in<a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>ância. E claro: uma hora o assunto ia chegar nas piadas:</p><p>— E aquele apelido que você me deu na aula de educação <a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>ísica? Como era mesmo?</p><p>— Nossa, nem lembro mais.</p><p>Mas quem apanha não esquece. Então Baltazar insistiu:</p><p>— Claro que lembra! O Colégio inteiro lembra até hoje.</p><p>Joãozinho <a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>icou ainda mais sério. Pensou em contar a história de seu pai, <a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>alar sobre o ódio às piadas. Mas limitou-se a tentar desconversar:</p><p>— <a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">F</a>az muito tempo. Vamos deixar pra lá.</p><p>Baltazar dá um longo suspiro. Agora visivelmente irritado, resolve coagir seu <a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>uncionário:</p><p>— É uma ordem, Joãozinho. Você não tem escolha. Ou conta o apelido ou tá <a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>ora. Bora, desembucha.</p><p>Com um olhar insano de quem surta, Joãozinho repetiu o apelido várias vezes:</p><p>— Pitombinhaaaaaaaaaaa!!!! Pitombinha, pitombinha, pitombinha!</p><p>Baltazar se assustou. Aquele colega zombeteiro do tempo de escola parecia ter despertado. Enquanto gritava o apelido, Joãozinho imitava uma pinça com o polegar e o indicador entre as pernas, debochando o minúsculo pênis do chefe. O problema é que, além de ser um apelido humilhante, a palavra Pitombinha também trazia à tona a triste lembrança da morte do pai de Joãozinho. Não por coincidência: foi tudo planejado por Baltazar.</p><p>Porém, a rancorosa vingança surtiu e<a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>eito contrário. O <a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>ato de Joãozinho conseguir <a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>azer piada com uma lembrança tão dolorosa o libertou. Imaginou seu velho rindo da cara de Baltazar pelado na aula de educação física. Aliviado, Joãozinho voltou a sorrir. E agora, a culpa pela morte do pai <a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>oi embora junto com o ódio pelas piadas.</p><p>Joãozinho en<a href="https://br.search.yahoo.com/search?p=MasterChef%20Brasil&amp;fr=fp-tts&amp;fr2=ps">f</a>im voltou aos palcos. Nem precisa dizer quanto material essa história rendeu. Como ele mesmo conta em seu novo show, segundo as estatísticas, até o evento mais improvável tem chance de acontecer. Inclusive o Pitombinha virar seu chefe.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=52aedace823" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/revista-in-comoda/jo%C3%A3ozinho-52aedace823">Joãozinho</a> was originally published in <a href="https://medium.com/revista-in-comoda">Revista in-Cômoda</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Vacina da Popularidade]]></title>
            <link>https://medium.com/revista-in-comoda/vacina-da-popularidade-a76a37ccd6ef?source=rss-55b7f3619533------2</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/a76a37ccd6ef</guid>
            <dc:creator><![CDATA[Rodrigo Santiago]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 10 May 2018 20:59:39 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2018-05-13T22:32:01.565Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/400/1*eqZRhcZLapxA-LTBpCuBVA.jpeg" /></figure><p>No palácio do Jaburu, deitado em seu caixão, Temer vê um telejornal. A notícia é sobre uma nova gripe que vem se espalhando pelo país:</p><p>— Até agora, o vírus já fez mais de duas mil e quinhentas vítimas em todo o Brasil… e a população está superlotando os postos de saúde em busca da vacina…</p><p>Temer revira os olhos, com desdém. Muda de canal. Em outro noticiário, vê uma notícia sobre sua popularidade:</p><p>— De acordo com a pesquisa, 97% dos brasileiros estão insatisfeitos com o atual governo. E esse número não para de crescer…</p><p>O presidente aumenta o volume da TV e se senta no caixão, agora com a testa franzida. Preocupado, ele pega o celular e liga para o chefe de sua assessoria:</p><p>— Gadelha, sou eu. Saporra tá grampeada não, né?</p><p>— Relaxa, presidente. Tá limpo.</p><p>— Quero a equipe toda reunida na minha sala. Vocês têm dez minutos.</p><p>Temer desliga a ligação. Num ataque de fúria, arremessa o celular contra a TV. Minutos depois, na sala principal do palácio do Jaburu, conversa com a equipe de assessores andando de um lado pro outro:</p><p>- Eu tirei esse país de merda da crise, liberei a porra do FGTS inativo, botei metade do PT na cadeia… inclusive o chefe do bando… e sabe como é que o povo retribui?</p><p>— Com panelaço? — pergunta um assessor desavisado.</p><p>— Cala a boca que a pergunta foi retórica, ô idiota — responde Temer. Em seguida, continua:</p><p>— O povo retribui com 3% de aprovação. Pode uma coisa dessa?</p><p>Os assessores balançam a cabeça, decepcionados. Menos o desavisado:</p><p>— É, seu Temer. O brasileiro tá que nem o senhor com a reforma da Previdência: só reprovação.</p><p>Temer sai do sério com o comentário:</p><p>— Como é?! Ô Gadelha, quem contratou esse palhaço, hein? Tire imediatamente ele dessa sala!</p><p>— Calma, presidente. O menino é bom. Confia em mim.</p><p>Fulminando o jovem assessor com o olhar, Temer se recompõe. E continua:</p><p>— Bom, como eu dizia, apenas 3% dos brasileiros votariam em mim.</p><p>O jovem assessor pega uma calculadora e interrompe:</p><p>— Vamo lá: 3% de 210 milhões dá mais de 6 milhões. É grande essa Família Adams, né, presidente?</p><p>— Quê? —- Pergunta Temer. O jovem assessor continua:</p><p>— E outra, 6 milhões de habitantes é como se o senhor fosse apoiado por metade de São Paulo. Se bem que eles elegeram o Alckmin e o Dória, né? Ô vanta.</p><p>— Gadelha, manda prender esse merda agora por desacato à autoridade!</p><p>— Relaxa, Michel. O menino pensa esquisito, mas é bom. E o senhor pediu que eu convocasse os estrategistas mais picas, não foi?</p><p>— Pedi.</p><p>— Então. Ele é o pica dos picas.</p><p>Com uma expressão confiante, o jovem assessor dá uma piscada de olho para o presidente.</p><p>— Ele é muito é um escroto debochado!</p><p>— Vai dar certo, presidente. Confia em mim — reforça Gadelha.</p><p>Temer pega um caderninho surrado. Dá uma batida na capa pra tirar a poeira e entrega o caderno ao chefe de sua assessoria:</p><p>— Gadelha, eu anotei aqui umas ideias de como aumentar minha popularidade. E gostaria que sua equipe fizesse o mesmo.</p><p>O caderninho empoeirado passa de mão em mão, até chegar ao jovem assessor. Quando ele abre o caderno, começa a espirrar. Nesse momento Temer recorda a matéria sobre a nova gripe. A lembrança das pessoas lotando os postos de saúde em busca da vacina veio à tona, junto com uma ideia:</p><p>— E se a gente criasse uma vacina da aprovação? — Pergunta Temer.</p><p>— Isso é mais uma pergunta retórica ou é pra responder mesmo? — Ironiza o jovem assessor. Mas Temer está tão deslumbrado com sua ideia que nem dá ouvidos:</p><p>— A gente troca a vacina da nova gripe pela vacina da aprovação. Aí o país inteiro ficaria do meu lado.</p><p>— Mas presidente, como é que a gente produz essa vacina? — Pergunta Gadelha.</p><p>— Basta um pouquinho de DNA de algum babão do presidente e pronto. Já era — Brinca o jovem assessor.</p><p>— Temer vai até o Gadelha e morde seu pescoço. Depois, passa a mão no sangue escorrendo pelos seus dentes e diz:</p><p>— Bem pensado, garoto.</p><p>Alguns meses depois dali, Temer liga a TV no noticiário:</p><p>— Reviravolta impressionante. A aprovação do governo de Michel Temer cresce radicalmente, e o candidato lidera com sobra as eleições de 2018. Segundos as pesquisas, os pontos mais elogiados pela população foram a superação da crise, a liberação do FGTS e a prisão do ex-presidente Lula.</p><p>Eufórico, Temer liga para o chefe de sua assessoria:</p><p>— Gadelha, sou eu. Cê tava certo. O menino é bom mesmo.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=a76a37ccd6ef" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/revista-in-comoda/vacina-da-popularidade-a76a37ccd6ef">Vacina da Popularidade</a> was originally published in <a href="https://medium.com/revista-in-comoda">Revista in-Cômoda</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[O dragão que cuspia flor]]></title>
            <link>https://medium.com/revista-in-comoda/o-drag%C3%A3o-que-cuspia-flor-8128c3a6e1ee?source=rss-55b7f3619533------2</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/8128c3a6e1ee</guid>
            <category><![CDATA[contos]]></category>
            <category><![CDATA[contos-curtos]]></category>
            <category><![CDATA[contos-breves]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Rodrigo Santiago]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 18 Apr 2018 17:39:28 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2018-04-18T17:41:13.121Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*jBKpS6AryNwT95JLN0Kq-w.jpeg" /></figure><p>Sou um dragão igual um monte que tem por aí. Tenho asa de dragão. Tenho escama de dragão. Tenho rabo de dragão. Mas pra muita gente eu sou um alienígena. Eu mesmo me pergunto se não vim de outro planeta. Afinal, onde já se viu um dragão que cospe flor?</p><p>É claro que isso atrapalha minha vida. Uma vez levei flores pra Marcela, a menina mais bonita da escola. O problema é que eu não sabia que ela é alérgica a flores. Foram dezessete espirros. Eu contei. Fiquei com tanta vergonha que deu até vontade de chorar. Mas como eu só tinha um lenço, dei pra Marcela assoar o nariz.</p><p>Tudo piorou no dia que eu fui ao banheiro e as tochas se apagaram. Se fosse outro dragão, cuspia uma chaminha e pronto: clareava tudo. Mas eu tive que me virar na escuridão, aí voltei pra aula todo molhado. Desde então eu me tornei a piada da escola: <em>ele não brinca com fogo, mas faz xixi na calça.</em></p><p>Só lembram de mim em ocasiões românticas: Dia dos namorados, jantar de noivado, casamento. Às vezes também nos velórios. Tudo isso, adivinha só: culpa das minhas flores. Pra lutar na guerra, que é bom, nunca me chamam.</p><p>E não era pra menos: espalhar pétala não fere ninguém. No máximo faz alguém espirrar, que nem a Marcela.</p><p>Meu sonho era aparecer nos livros de história, igual meus ancestrais. Ou ser tatuado no braço de algum bravo guerreiro. Na verdade, eu sempre quis ser respeitado como qualquer outro dragão. Até descobrir que isso era possível mesmo sendo diferente.</p><p>Tudo aconteceu no velório do pai da Marcela. Ela chorava baixinho enquanto olhava pra ele, rodeado pelas minhas flores. Quando uma lágrima de Marcela caiu sobre as flores, inexplicavelmente elas exalaram uma névoa que tomou conta do velório. Era um perfume doce, suave, e muito agradável. E de repente, para espanto de todos ali, o pai da Marcela se levantou.</p><p>A notícia do milagre se espalhou tão rápido como o aroma das minhas flores. E aquele dragão de quem antes todos riam, agora tinha uma legião de seguidores. Minha fama chegou aos lugares mais distantes. Ganhei até o título de <em>Sir </em>da coroa, recebendo medalhas e a espada real<em> </em>numa pomposa cerimônia que reuniu todo o reino. Mais do que mortos, eu despertava comoção por onde quer que passasse.</p><p>Perdi as contas de quantas vidas eu fiz renascer: plebeus, nobres, hereges, soldados, ladrões e até traidores da coroa. Não importava de quem fosse o velório. Nem de quem fossem as lágrimas. Se me chamassem eu estava lá, pronto para desafiar a morte. E foi exatamente por isso que me tornei uma ameaça.</p><p>O reino estava em guerra. E nosso exército avançava triunfante sobre o inimigo. Graças às minhas flores, misturadas com as lágrimas de mães, pais, filhos e viúvas, fiz centenas de soldados mortos voltarem ao campo de batalha, garantindo uma enorme vantagem numérica pro nosso lado. Mas nem tudo são flores. Ainda mais numa guerra.</p><p>Mais cedo ou mais tarde o inimigo também ia querer ter seus mortos de volta. E isso aconteceu bem antes do que o reino imaginava. Assim que eu fui sequestrado, a vantagem passou pro lado de lá. Preocupada com a segurança do reino, a decisão da coroa foi unânime: eu virei seu inimigo número um. Agora eu precisava pensar rápido numa maneira de escapar, antes que o exército inimigo também se voltasse contra mim.</p><p>Coube ao líder dos dragões a missão de me exterminar. Ele deveria fazer isso no dia seguinte à minha sentença, nas primeiras horas da manhã. Isso até ele saber o risco que seu povo corria com a minha morte. Consegui convencê-lo de que eu realmente era um alienígena do planeta Zaigon. E que, se ele me queimasse com seu fogo, minhas flores exalariam uma névoa venenosa, matando todos que a respirassem.</p><p>Minha mentira deu certo e eu consegui escapar. Pena que o ingênuo líder dos dragões não teve a mesma sorte. Ninguém acreditou na história absurda que ele contou, e o coitado acabou sendo decapitado por não cumprir sua missão. Hoje eu fico pensando se ele tem alguém pra chorar sua morte. Outra dúvida que não sai da minha cabeça: já pensou se a minha mentira cola? Será que os dois exércitos dobrariam os joelhos ao grande rei-dragão cuspidor de flor? Será que assim a paz finalmente reinaria? Talvez. Mas não nesse planeta.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=8128c3a6e1ee" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/revista-in-comoda/o-drag%C3%A3o-que-cuspia-flor-8128c3a6e1ee">O dragão que cuspia flor</a> was originally published in <a href="https://medium.com/revista-in-comoda">Revista in-Cômoda</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Uber Coaching]]></title>
            <link>https://medium.com/revista-in-comoda/uber-coaching-9cb708007da6?source=rss-55b7f3619533------2</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/9cb708007da6</guid>
            <category><![CDATA[contos-curtos]]></category>
            <category><![CDATA[contos-breves]]></category>
            <category><![CDATA[contos]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Rodrigo Santiago]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 03 Apr 2018 20:55:06 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2018-04-05T15:52:53.013Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/620/1*BA8P8zzQMRh7iz6lA1jfig.jpeg" /></figure><p>Depois de conferir a placa do Uber, passageiro abre a porta do carro e entra. O motorista pergunta:</p><p>— Roberto?</p><p>— Sou eu.</p><p>— Vai pro centro?</p><p>— Isso. E pode pisar que eu tô atrasado.</p><p>— Ok. É trabalho?</p><p>— É.</p><p>— Mas o verdadeiro líder tem que ser pontual no trabalho, Roberto.</p><p>O passageiro se incomoda com o comentário.</p><p>— Como assim?</p><p>— Cê faz o quê, Roberto?</p><p>— Sou assistente de almoxarifado.</p><p>— Huuuuum. E você é um bom assistente de almoxarifado?</p><p>— Acho que sim.</p><p>— E por que ainda é assistente?</p><p>— Ah, sei lá. Acho que eu nunca fui reconhecido.</p><p>— Roberto, o verdadeiro líder nunca põe a culpa do seu fracasso no outro.</p><p>— Tá certo.</p><p>— E o que você faz pra se tornar o melhor assistente de almoxarifado?</p><p>— Eu tento melhorar, ué. Igual todo mundo faz.</p><p>— Primeiro que você não é todo mundo. E se fizer o mesmo que outros assistentes, como é que você vai se destacar?</p><p>— Boa pergunta.</p><p>Silêncio no carro. Após alguns segundos, o motorista continua:</p><p>— Aceita uma ballinha?</p><p>— Claro.</p><p>— Tem de laranja, café e morango. Prefere qual?</p><p>— Qualquer uma.</p><p>— Pensa melhor, Roberto. O verdadeiro líder nunca foge da decisão.</p><p>— Fala sério. É só uma balinha.</p><p>— Roberto, se você não consegue escolher uma balinha, como é que vai decidir sobre… sobre… o que é que um assistente de almoxarifado faz mesmo?</p><p>— Deixa pra lá. Ó, pode virar aí à esquerda.</p><p>— Aqui tá dando pra direita. Não é pra seguir o GPS?</p><p>— Não, não. É melhor pelo caminho que eu conheço.</p><p>— Você prefere ficar na zona de conforto, né, Roberto?</p><p>— Zona é essa merda de trânsito parado!</p><p>O motorista se cala com a irritação do passageiro. Depois volta:</p><p>— O verdadeiro líder sempre busca novos caminhos. Afinal, é o desafio que nos faz cresc…</p><p>— Chega! Para esse carro, vou descer aqui.</p><p>— Que é isso, Roberto?</p><p>— Cansei desse papinho corporativo. Desisto!</p><p>— Jamais diga isso! O verdadeiro líder nunca desiste!</p><p>— Ah é? Então me diz uma coisa. Por que você desistiu de ser Coach pra virar motorista de Uber?</p><p>— Eu nunca desisti.</p><p>— Não?</p><p>— Eu era motorista de van. Mas o verdadeiro líder está sempre evoluindo.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=9cb708007da6" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/revista-in-comoda/uber-coaching-9cb708007da6">Uber Coaching</a> was originally published in <a href="https://medium.com/revista-in-comoda">Revista in-Cômoda</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Haja coração]]></title>
            <link>https://medium.com/revista-in-comoda/haja-cora%C3%A7%C3%A3o-d05e0cbbe24e?source=rss-55b7f3619533------2</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/d05e0cbbe24e</guid>
            <category><![CDATA[contos-breves]]></category>
            <category><![CDATA[humor]]></category>
            <category><![CDATA[contos-curtos]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Rodrigo Santiago]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 08 Mar 2018 21:01:21 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2018-03-09T13:41:05.327Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*7lsoxyGUSSebWcm-cq7tMQ.jpeg" /></figure><p>Consultório. Médico está usando um notebook. Paciente abre a porta.</p><p>— Bom dia, doutor.</p><p>— Tudo bem?</p><p>— Tranquilo. Só um leve desconforto no peito.</p><p>— Bom, vamo lá saber como tá esse coração.</p><p>Médico se aproxima do paciente. Encosta o estetoscópio no peito dele e comenta o que está ouvindo:</p><p>— Batimentos ok, tá?</p><p>— Humhum.</p><p>— Não tem arritmia.</p><p>— Certo.</p><p>— Não tem sopro.</p><p>— Beleza.</p><p>— Mas tem caxirola.</p><p>— Caxirola?!</p><p>— É aquele chocalho do Carlinhos Brown.</p><p>— Como assim, doutor?</p><p>Médico franze a testa, curioso.</p><p>— Opa. Ouvi um Afoxé também.</p><p>— Que papo é esse?</p><p>— Pshhhhhiu! Tô tentando ouvir.</p><p>— Ouvir o quê?</p><p>— Como é mesmo o nome daquela cantora… com voz de cabrita?</p><p>— Shakira.</p><p>— Shakira! Essa mesmo.</p><p>— Eu só quero saber por que…</p><p>Com o estetoscópio na mão, o médico começa a dançar funk.</p><p>— O senhor tá rebolando, doutor?</p><p>O médico volta a si. Depois responde:</p><p>— Desculpa. É que entrou um batidão pesado e eu me empolguei.</p><p>— Tá, mas só me explica por que…</p><p>— Pshhhhhhiu! Pera aí. Agora tá rolando um som meio indígena, meio gringo.</p><p>— Ai, meu Deus!</p><p>— É uma mistura de Patachó com sotaque alemão.</p><p>— Só tá piorando, doutor!</p><p>— Agora tô ouvindo um jogador chorando. Acho que é o Davi Luís.</p><p>— É grave, doutor?</p><p>— É agudo. Voz fininha, sofrida.</p><p>— Tô falando do problema no coração.</p><p>— Ah, relaxa. É só um leve quadro de ansiedade pós-traumática.</p><p>— E isso tem cura?</p><p>— Olha, na maioria dos casos, sim. A chance de ser permanente é mínima.</p><p>— Qual?</p><p>— A mesma do Brasil levar 7 a 1 da Alemanha.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=d05e0cbbe24e" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/revista-in-comoda/haja-cora%C3%A7%C3%A3o-d05e0cbbe24e">Haja coração</a> was originally published in <a href="https://medium.com/revista-in-comoda">Revista in-Cômoda</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Onde passar uma chuva]]></title>
            <link>https://medium.com/revista-in-comoda/onde-passar-uma-chuva-bb40e324f775?source=rss-55b7f3619533------2</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/bb40e324f775</guid>
            <dc:creator><![CDATA[Rodrigo Santiago]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 01 Feb 2018 15:15:11 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2018-02-02T12:02:27.737Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/800/1*6WkbKaUFah_5_cHx3E8muw.jpeg" /></figure><p>Qual o melhor lugar pra passar uma chuva?</p><p>Alguns acham que é no alto da serra, tomando um bom vinho enquanto se contempla o horizonte envolto pela neblina. Outros preferem o mar. Vento forte dá onda grande. Românticos dirão que é debaixo da coberta. Nos braços de quem se ama. Pra mim é dentro do carro.</p><p>Cada escolha tem seu motivo. Explico agora o meu.</p><p>Já pensou no pior lugar pra passar uma chuva? É, nesse caso a resposta é unânime: embaixo de uma árvore. Todo mundo sabe que árvore atrai raio, e embaixo dela, você está totalmente exposto. Não tem nenhuma borracha pra isolar a descarga elétrica.</p><p>Pensando no pior lugar, repito sem medo:</p><p>o melhor lugar pra passar uma chuva é dentro do carro.</p><p>Lá você está 100% protegido: tem borracha nos pneus, tem borracha nas portas, tem borracha no capô, no escambau. Agora imagina na serra: sua única chance de escapar é se estiver com botas de borracha. Na praia, então, só se resolver surfar de neoprene (borracha). E olhe lá! Namoro embaixo da coberta? Bom, considerando que você use camisinha (borracha), o máximo que dá pra se proteger é de uma DST ou de uma gravidez indesejada.</p><p>Mas tem sempre os do contra, né?</p><p>Então vamos supor que você prefira passar uma chuva embaixo da árvore.</p><p>Aí de duas uma: ou você procura uma árvore que já levou o primeiro raio, ou corre pra debaixo de uma seringueira (a árvore da borracha). Ah, e só por precaução, melhor ir de bota, neoprene e camisinha.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=bb40e324f775" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/revista-in-comoda/onde-passar-uma-chuva-bb40e324f775">Onde passar uma chuva</a> was originally published in <a href="https://medium.com/revista-in-comoda">Revista in-Cômoda</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Professor]]></title>
            <link>https://medium.com/revista-in-comoda/professor-35bfac6ad6a1?source=rss-55b7f3619533------2</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/35bfac6ad6a1</guid>
            <dc:creator><![CDATA[Rodrigo Santiago]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 25 Jan 2018 16:28:44 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2018-04-17T12:14:14.324Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*tohLyQilj1hm4vhv96QLZA.jpeg" /></figure><p>Vestiário. Time de futebol comemora a vitória fazendo um samba. O clima é de festa: jogadores bebem cerveja e dançam com Marias-chuteiras. De repente, vestindo um moletom de treinador, chega o Professor Pasquale dando bronca:</p><p>— Posso saber por que essa farra?</p><p>O samba para. Os jogadores se olham, confusos. Um deles responde:</p><p>— Ué, professor. Nosso time acabou de ser campeão. 3 a 0, fora o baile. Não era pra comemorar?</p><p>— E foi 3 a 0 na casa deles, hein? Deu até pena a ver a cara de choro da torcida.</p><p>— Quem vai chorar agora é o cavaco. Simbora, Oliveira.</p><p>O samba recomeça e as Marias-chuteiras voltam a dançar. Professor Pasquale dá um soco no armário, assustando todo mundo com o barulho. Depois, fala ainda mais alto:</p><p>— Alguém pode me explicar o que aconteceu lá no campo?</p><p>— Goleada nossa?</p><p>— Vexame deles?</p><p>— Sabe o que é vexame, Everardo? Vexame é aquela entrevista que vocês deram.</p><p>— Como assim, professor?</p><p>— “Nós lutou pelo título”? “A gente jogamos com raça”? Nossa defesa foi a menas vazada”?… porra, cês tão querendo me derrubar?</p><p>Os jogadores escutam o sermão de cabeça baixa, envergonhados. Pasquale pega uma prancheta e mostra uns exercícios desenhados.</p><p>— Quantas vezes a gente treinou concordância, conjugação verbal, ortografia, aí vocês me aprontam uma dessas?</p><p>— Mas professor, o título é nosso! Por que tanta raiva?</p><p>— Explica como é esse por que, Everardo: é junto? Separado? Tem acento? Não tem acento?</p><p>— Aí depende, professor. Se chegar cedo tem assento. Se não, tem que ver o jogo em pé mesmo.</p><p>— Tá vendo? É por isso!</p><p>— Calma, professor. Que é que a gente faz pra melhorar então?</p><p>— Leitura! Muita leitura. Aliás, cês tão lendo alguma coisa?</p><p>Jogador mostra uma Bíblia pro técnico e responde:</p><p>— Eu tô lendo a palavra, professor. O problema é que a palavra tem um monte de palavra, uns nome difícil. Daí eu não entendo nada.</p><p>— Ah, professor, e desde quando jogador tem que ler pra se dar bem?</p><p>— Claro que tem! Olha o Neymar, por exemplo. Não leu o contrato com o Barcelona, se enrolou todo, e agora tá aí fugindo do fisco.</p><p>— Mas ele não leu porque tava em espanhol.</p><p>— Presta atenção, rapá! Espanhol é igual português, só muda o sotaque.</p><p>Decepcionado com o que ouve, Professor Pasquale dá um suspiro. Depois, fala apontando para uma das Marias-chuteiras:</p><p>— Pensa comigo: vai que ela aparece dizendo que tá grávida? E aí? Ninguém vai querer ler o teste de DNA?</p><p>Nessa hora, os jogadores olham desconfiados para as duas belas garotas. Elas se levantam e vão embora do vestiário. Uma delas comenta:</p><p>— Estraga prazer!</p><p>Professor Pasquale continua:</p><p>— Pessoal, não precisa entrar na Academia Brasileira de Letras não. Só quero o mínimo de cuidado. Será que é impossível dar uma entrevista sem falar nenhuma bobagem?</p><p>— Aí o senhor já quer demais, né professor? — responde Felipe Melo.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=35bfac6ad6a1" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/revista-in-comoda/professor-35bfac6ad6a1">Professor</a> was originally published in <a href="https://medium.com/revista-in-comoda">Revista in-Cômoda</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Copo]]></title>
            <link>https://medium.com/@poucasebobas/copo-9f9c798af190?source=rss-55b7f3619533------2</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/9f9c798af190</guid>
            <category><![CDATA[contos-breves]]></category>
            <category><![CDATA[contos-curtos]]></category>
            <category><![CDATA[contos]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Rodrigo Santiago]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 17 Jan 2018 19:44:03 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2018-01-25T16:37:57.449Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*eZeD0_aweBV2D1FHy-0SdA.jpeg" /></figure><p>Fátima era viúva. Aníbal, seu marido e alcoólatra inveterado, morrera de cirrose há 2 anos. Numa certa noite, enquanto assistia TV, tomou um susto tão grande que quase foi encontrar o marido no além: viu um copo sobre a mesa da sala se mexer. No dia seguinte, comentou o acontecido com a vizinha:</p><p>— Pois foi, mulher. Eu quase caí dura quando vi aquele copo se mexendo.</p><p>— Ai, me arrepio só de pensar!</p><p>— Será que era o Aníbal querendo me dizer alguma coisa?</p><p>— Duvido! Aquele lá só se soltava quando bebia.</p><p>Fátima ficou enciumada com a suposta intimidade da vizinha com seu finado marido.</p><p>— Tu nunca foste com a cara dele, né, Estela?</p><p>— Que história! Ele é que nunca foi com a minha.</p><p>Naquele momento, a expressão de Fátima mudou. Teve uma ideia:</p><p>— Bom, já tenho um jeito de saber.</p><p>Mal chegou em casa, Fátima pôs sobre a mesa uma garrafa do uísque preferido de Aníbal junto com uma foto de Estela. E entre os dois objetos, no centro da mesa, posicionou o copo que havia se mexido. Decidiu sentar no sofá e esperar. Pegou no sono ali mesmo.</p><p>Quando acordou, o susto: viu o copo bem perto da garrafa de uísque, portanto, bem longe da foto da vizinha. Apesar dos calafrios, Fátima sentiu-se aliviada pela escolha de sua alma-gêmea-penada.</p><p>A viúva então repetiu o teste no dia seguinte: uísque num lado, foto da vizinha no outro, e o copo no meio. Esperou horas no sofá e nada. Dormiu de novo. Na manhã seguinte, percebeu algo estranho: o volume de uísque na garrafa estava levemente menor, enquanto que o copo se afastara um pouco da garrafa. Fátima ficou intrigada. E noite após noite realizou o mesmo teste.</p><p>Com o tempo, percebeu que, à medida que o uísque ia diminuindo na garrafa, mais próximo o copo ficava da foto da vizinha. Até que um dia viu o inevitável: a garrafa completamente seca, e o copo colado na foto de Estela. Fátima ficou arrasada. Semanas depois, pegando o elevador, deu de cara com a vizinha sonsa.</p><p>— E aí, amiga? Descobriu o que é que o Aníbal queria dizer?</p><p>Fátima descobriu a queda de seu marido pela vizinha. Mas jamais daria esse gostinho a ela. Respondeu com ironia:</p><p>— Até agora nada. Aquele lá só se soltava quando bebia.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=9f9c798af190" width="1" height="1" alt="">]]></content:encoded>
        </item>
    </channel>
</rss>