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        <title><![CDATA[Stories by Lucas Almeida De Sousa on Medium]]></title>
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            <title>Stories by Lucas Almeida De Sousa on Medium</title>
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            <title><![CDATA[AmarElo: História, amor, negritude e neo-samba]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Lucas Almeida De Sousa]]></dc:creator>
            <pubDate>Sat, 19 Dec 2020 19:24:44 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2023-06-14T01:56:44.240Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4><em>Novo projeto audiovisual do rapper Emicida mistura gêneros musicais, reconhecimento histórico e o navegar dentro de um novo estilo musical.</em></h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*nZmKnSzh1s5QwWYvjoxQZQ.jpeg" /><figcaption>reprodução/Netflix</figcaption></figure><p>A primeira vez que eu ouvi sobre o álbum <strong><em>AmarElo</em></strong> foi em uma roda de conversas da faculdade. De maneira curiosa, foi mais por Belchior do que pelo próprio Emicida. Na volta para casa de metrô naquele dia, eu escutei o disco por completo. Ao decorrer daquela semana, a música que leva o mesmo nome do álbum passou constantemente em forma de pensamentos pela minha cabeça. A música <strong><em>Sujeito de Sorte</em></strong> de Belchior, que está inserida dentro da música do rapper, tem sua mensagem singela durante seus mais de dois minutos. Emicida, por outro lado, destrinchou essa mensagem em uma música de mais de cinco minutos, trazendo dois grandes nomes que levam a bandeira da luta pela liberdade para ajudá-lo a espelhar essa mensagem.</p><p>Foi então que eu percebi, aqueles dizeres de Belchior que está inserido em seu álbum <strong><em>alucinacão</em></strong>, não batiam da mesma forma para todas as pessoas. A música singela que havia me tocado, chegou a Emicida em uma forma de manifestação artística com o nome de AmarElo. Já havia algum tempo que gostaria falar um pouco sobre ele, mas quando descobri que o documentário da Netflix estava sendo produzido, resolvi esperar. Para que assim pudesse ver a obra completa de uma forma geral.</p><p>Enfim ele chegou…</p><h3><strong>Prólogo: <em>Initium </em>para que o amanhã não seja só ontem com um novo nome</strong></h3><p>O projeto audiovisual <strong><em>AmarElo</em></strong> se inicia na música de mesmo nome. Antes de ser lançado oficialmente, Emicida lança o single junto de um clipe protagonizado pelo mesmo ao lado de Maju e Pablo Vittar. O que vemos logo após de apertar o play são cenas e imagens bem comuns de casas e o dia a dia de um brasileiro. Ao fundo ouvimos um áudio de Leandro Roque, nosso Emicida, fazendo um desabafo para um amigo próximo. Ao decorrer de mais de dois minutos, ele diz que não sente realizado como artista, filho e que ainda não encontrou seu lugar no mundo.</p><blockquote><em>“Minha cobrança espiritual nesse plano é muito absurda. Isso é uma doença e eu não aguento mais” -Emicida</em></blockquote><p>Quando ouvimos mais atentamente o áudio do Emicida junto das imagens percebemos qual é a mensagem. Apesar de parecer algo especifico, a situação que ele passou está mais presente nos lares brasileiros do que imaginamos. Assim a batida inicia no sample de Belchior. A música <strong><em>AmarElo</em></strong>, mistura a luta constante do povo brasileiro em conquistar o futuro que tanto almeja enquanto que cada um precisa lidar com seus próprios demônios. Ao decorrer da narrativa do clipe, que se encaixa perfeitamente com a letra, vemos histórias de pessoas dentro de uma comunidade que alcançaram seus objetivos assim como Leandro Roque.</p><p>Mesmo sendo uma música que diz essencialmente sobre cada um ter a sua luta e esperança de que tudo no final vai dar certo, Emicida não deixa de colocar pautas importantes como o racismo, a discriminação, a fé e religião, tornando a essência musical de AmarElo mais importante. Transformando o clipe e a música literalmente em um prólogo perfeito para o álbum. É isso que vamos encontrar dentro dele, mas qual seria a <em>principia </em>de tudo isso.</p><p>A palavra <strong><em>principia</em></strong> vem do Latim que significa começo, que também é o nome da primeira música do álbum. Em um panorama geral, a letra discorre sobre fé, sonhos, angustia e amor. Casando de maneira perfeita com a música anterior e com o contexto que estamos vendo. <strong><em>AmarElo</em></strong> é o empurro para a sua luta e <strong><em>principia</em></strong> mostra por onde você pode começar. Segundo Emicida, a estrutura do disco parte de um personagem que sonha em um mundo melhor onde todo mundo se ajuda.</p><blockquote><strong><em>“Principia é literalmente esse sonho. Por isso ela começa sem ritmo, etéreo. Com as vozes das mulheres da penha que remete a sua mãe ninando você” -</em>Emicida no documentário “AmarElo: É tudo para ontem”</strong></blockquote><p>A ideia deste sonho, curiosamente bate na porta do momento em que estamos agora. O ano de 2020 se encerra com mais de um milhão de mortes por Coronavirus em todo o mundo e Emicida em sua letra lúdica diz que tudo que temos é uns aos outros, a famosa solidariedade. Parece uma realidade muito distinta de se alcançar, quando na verdade, era apenas uma pequena parcela da população seguir as orientações da quarentena que ele seria realidade. O interessante é que o cantor Matheus Aleluia em entrevista para o documentário <strong><em>AmarElo: é tudo pra ontem</em></strong>, diz muito sobre o que estamos vivendo agora.</p><blockquote><strong><em>“…. Nós nascemos para viver incluido e não desassociado. A natureza tem suas leis e o homem é que tem moral. E o homem com a sua moral, vai se afastando o homem do próprio homem” -Matheus Aleluia</em></strong></blockquote><p>No final de <strong><em>principia</em></strong>, a música transforma a luta individual para aquilo que é e deveria ser a luta de todos. Ao mesmo tempo, temos uma mensagem emocionante de que precisamos nos agarrar em nossa fé e acreditar que tudo pode ficar melhor. Um sonho que poderia ser realidade.</p><blockquote><em>Aqui teria um clipe do Emicida falando sobre quando ele foi pra África, mas não achei o trecho na internet da vida, mas caso você ainda se mantém interessado no assunto, a minutagem do documentário na Netflix é 15:11 até 16:00</em></blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*U83W2uK12YNkT0EDHVnZNg.jpeg" /><figcaption>reprodução/Netflix</figcaption></figure><h3><strong>ATO I: Alegrias, astro-Rei, e Neo-samba</strong></h3><p>Este primeiro momento desta segunda parte acredito que tenha que falar um pouco sobre minha história. A segunda música que encontramos no álbum e a primeira a ser comentada no documentário é <strong><em>A ordem natural das coisas</em></strong>. Emicida começa a música falando como o Sol nasce em uma das comunidades da Zona Norte de São Paulo. “É literalmente você vendo o nascer do Sol da Sezefredo para o Jd. Fontalis. Como a Sezefredo é serra, os contornos das casas desaparece e fica apenas as estrelas do universo”. É estranho ouvir alguém famoso ou que tem uma certa repercussão falar sobre uma vista que você presenciou durante muito tempo. Foi o que aconteceu quando eu assisti o documentário <strong><em>AmarElo</em></strong>.</p><p>Durante dez anos morei na Sezefredo e muitos dos momentos mais felizes da minha vida foram naquele pedaço de terra. Assim como acontece com a Dona Maria que sai de casar sem ver a luz do Sol, acontecia com a minha família. Descer a serra todos os dias em meio a neblina para ir à escola, meu pai saindo de casa indo trabalhar na Zona Sul, vendo poucos amigos me vistiando em casa porque eu morava em lugar “complicado”. Escutar essa música me remete a muitos momentos que passei naquele lugar e certas paisagens e costumes que ele descreve durante a letra só podiam ser feitos por uma pessoa que morou por lá durante tanto tempo. Mas, o mais curioso é que eu nunca pensei que quando eu já estava chegando no meu colégio, o Sol aparecia. É um sentimento conflitante pensar que meus dias começavam e acabavam no escuro.</p><blockquote><em>“E o sol só vem depois. O sol só vem depois.</em></blockquote><blockquote><em>É o astro rei, ok, mas vem depois.</em></blockquote><blockquote><em>O sol só vem depois”</em></blockquote><p>Mas, eu não penso que isso tenha sido ruim para o meu desenvolvimento, muito pelo contrário. Foi o que me fez crescer e dessa forma, Emicida cria novamente um link muito forte entre uma música e outra. <strong><em>A ordem natural das coisas</em></strong><em> </em>é ele contando um pouco sobre a visão diária do seu dia a dia e <strong><em>Pequenas alegrias da vida adulta</em></strong><em> </em>é ele contando como você deve olhar mais atentamente para essas perspectivas. É nesse momento que Leandro Roque começa a dar início naquilo que ele nomeia de neo-samba.</p><blockquote><em>“ Antes do show começar um repórter me perguntou, ‘Mas porque o Theatro Municipal Emicida? ’ Porque não tem uma viga, uma ponte, rua que não tenha tido uma mão negra” -</em>Emicida no documentário AmarElo: É tudo pra ontem<em>.</em></blockquote><p>A frase acima dá início a jornada histórica correta sobre alguns pontos importantes da nossa grande cidade de São Paulo, ao som de<strong><em> Tebas, o escravo</em></strong>. Samba clássico em homenagem ao primeiro arquiteto de São Paulo com o mesmo nome. É importante o documentário <strong><em>AmarElo</em></strong> começar desta forma porque é neste ponto que entendemos que tudo começou nas mãos do povo negro e hoje nada mais pertence a eles.</p><p>O documentário <strong><em>é tudo pra ontem</em></strong><em> </em>tinha uma missão importante de não ser apenas relatos da construção de um show como vemos em outros álbuns. Por isso Emicida junto da sua produtora Laboratório Fantasma trouxe algo a mais que isso, o verdadeiro conhecimento. Durante uma hora e meia andamos pela história de São Paulo desvendando sobre a música, arquitetura, cultura, entre outros. O que tudo isso tinha em comum? Todos foram criados ou tiveram uma mão negra envolvida.</p><p>É quando ele reserva um pequeno tempo para falar um pouco sobre a história do samba. Desde pequenas lendas de como certos instrumentos foram criados até os grandes movimentos que influenciaram um pouco mais o nosso samba, como a semana de arte moderna de 1922 e o Brasil Real. Tudo isso percorrendo rodas antigas de samba e grandes clássicos, mostrando as raízes daquilo que seria um dos nossos maiores patrimônios históricos e por aquilo que somos tão reconhecidos (mesmo que seja de forma estereotipada)</p><blockquote><em>“O samba é o Brasil que deu certo.</em></blockquote><blockquote><em>E não há vitória possível para esse País</em></blockquote><blockquote><em>Distante do samba”</em></blockquote><p>É nesse momento que entendemos o grande respeito e carinho que Emicida tem em nossas raízes verdadeiramente brasileiras, mas ao mesmo tempo ele não quer sair de suas origens que é o rap. Foi então que ele trouxe novamente para o seu novo álbum o neo-samba. Deixando sempre claro que ele não foi o primeiro a explorar elementos parecidos, o neo-samba é a mistura de instrumentos clássicos do samba com batidas do rap. Dentro da letra vemos a mistura dos dois gêneros. O interessante é que esse gênero já existia desde a década de 90 e nunca foi melhor explorado.</p><h4><em>A música Pequenas alegrias da vida adulta </em>é uma forma de dizer para nos atentarmos aos pequenos detalhes como as nossas raízes, por exemplo. Assim como as singelas coisas no dia a dia de cada um faz a nossa felicidade, os detalhes dentro de nossas raízes, músicas e textos nos fazem ser quem somos.</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*nM6QYn8JpwPaxXyoxP4KUQ.jpeg" /><figcaption>reprodução/Netflix</figcaption></figure><h3><strong>ATO II: Amizades, paisagem, Cananéia e capa de jornais</strong></h3><p>As próximas músicas do disco e o discorrer do documentário, Emicida faz algumas homenagens importantes fluindo entre o seu rap e neo-samba. Mas, talvez a homenagem mais forte que temos dentro deste projeto audiovisual é para o grande baterista Wilson das Neves. Acompanhado pelos maiores nomes da música brasileira, Wilson possui onze discos durante toda a sua carreira. Através de linhas e batidas da bateria ele se conectou com Emicida há muito tempo atrás.</p><p>Segundo o rapper, quando comprava um disco de um cantor e gostava, automaticamente ele se tornava um guardião da boa música e Wilson das Neves era um deles. Em sua primeira oportunidade chamou o baterista para fazer um trabalho com ele e depois disso nunca mais se separaram. Quando passamos por essa história durante o documentário, talvez seja essa a parte mais emocionante dele. A forma singela e que ao mesmo tempo é poderosa que ele introduz seu grande <em>Abominável homem das neves</em> demonstra respeito e o carinho pelo baterista. Wilson das Neves faleceu dois anos antes de Emicida lançar o álbum. Por isso que a musica<strong><em> Quem tem um amigo tem tudo</em></strong> é a mais importante. Porque através de uma melodia de Wilson Das Neves, ele faz uma homenagem as amizades.</p><blockquote>“Que maravilha que é poder entregar flores a quem você admira enquanto ainda eles podem sentir o cheiro delas”</blockquote><p>Emicida apesar de estar mandando uma grande mensagem ao seu herói está falando para nós, o quanto admiramos nossas amizades a ponto de elas serem a nossa referência? Novamente, colocando minha voz em meio a essa homenagem para o projeto de um homem que tanto admiro digo: <strong>ele tem a mesma força de amigos que sempre andaram do meu lado. São eles que são nossa família, nossas raízes e são com eles que aprendemos tudo.</strong></p><p>Em <em>Cananéia, Iguape e Ilha comprida,</em> Emicida fala muito sobre a jornada e o clico da vida, se conectando de maneira singela com a música anterior. Ao discorrer dessas duas músicas no documentário, o rapper fala sobre como a horta e manusear plantas lhe ensinou tanto sobre a vida. Existem aquelas pessoas que te dão raízes para crescer e as ervas daninhas de jardim que ofuscam seu crescimento. Em paralelo, ele disserta sobre como o tempo é o seu grande aliado. Tudo isso sem perder o seu swing de neo-samba e rap. Em <strong><em>Paisagem e 9nha</em></strong>, Emicida faz uma grande carta romântica enquanto diz que tudo está em paz.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*VE-heWqi3IOQRR0KrOgKfw.jpeg" /><figcaption>Baterista Wilson das Neves Reprodução / VEJA</figcaption></figure><h3>ATO III: Ismália, eminência e a famosa negritude</h3><p>O segundo ato do documentário que carrega o nome de regar, se inicia com uma homenagem a Lélia Gonzalez. Emicida nos conta a história da pensadora e socióloga até chegar na grande figura que ela se tornou na luta do movimento negro aqui no Brasil. Segundo o rapper, é por causa dela que nós não falamos português e sim <strong>“pretoguês”.</strong> A forma que ele evoca as palavras inspiradas em Lélia e na história da luta do povo negro, demonstra um ar de raiva. O motivo está nos segundos seguintes, onde é nos mostrado vídeos de manifestações do povo negro na década de quarenta enquanto Emicida pronuncia:</p><blockquote>“Para muitos, Lélia foi a pioneira em falar sobre intersexioalidade, que é a sobreposição das idêntidades e como elas se relacionam com as estruturas de opressão. Algo que veio a se popularizar de fato <strong>recentemente em nossa realidade</strong>”</blockquote><p>Entre contextos históricos e ao som do tambor e berimbau, Emicida fala sobre como o movimento negro sempre esteve presente nos 450 anos de São Paulo, mas nunca foi aceito. Um momento é dedicado para exaltar a madrinha do rap Leci Brandão, que inclusive era sambista e foi uma das duas únicas mulheres a ingressarem dentro da câmara municipal de São Paulo. Voltando a resgatar o que foi dito lá em cima, a luta do povo negro e o samba nunca estiveram separados, é então que ele exalta por um momento a escola de Samba Quilombo, onde os maiores nomes do samba passaram por ali. É quando entendemos finalmente o porquê do Theatro Municipal, foi em suas escadarias que se iniciou o movimento negro unificado. Portanto, não é apenas mão de obra negra que possui nas escadarias do Theatro, <strong>mas o sangue negro também</strong>. É quando um grupo de senhores idosos se levantam enquanto Emicida discursa dizendo que aqueles eram membros do movimento negro ao lado de Lélia Gonzalez e a música <em>Pantera Negra </em>é tocada em homenagem a eles.</p><h3>Não dá para passar por esse momento sem falar de 2020 onde adolescentes negros são mortos e ocultados, pais de famílias são espancados na frente de supermercados e jovens são baleados por engano em suas motocicletas. Agora mais do que nunca, está cada vez mais difícil lutar por liberdade.</h3><blockquote>“Que essa noite fique sempre guardada em nossos corações. Para sempre lembrarmos que a liberdade nunca é permanente, a gente sempre teve que lutar por ela e a gente sempre vai continuar lutando. Igual a um trator, sai da frente! ”</blockquote><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FXi1BfosGv2E%3Ffeature%3Doembed&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DXi1BfosGv2E&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FXi1BfosGv2E%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/e4dbb043110717d10166ef79c16ccf2e/href">https://medium.com/media/e4dbb043110717d10166ef79c16ccf2e/href</a></iframe><p>Em <strong><em>eminência parda</em></strong><em>,</em> Emicida mergulha em sua angústia e raiva nas batidas do Trap junto com Jé Santiago e Papillon. Onde finalmente entendemos para onde vão os minutos finais do álbum e do documentário, para um pedido de luta e compreensão. É quando mergulhamos no documentário e dentro da história novamente e vemos grandes nomes que também buscavam a luta por liberdade sob o solo brasileiro. Passamos por dizeres e homenagens a grandes artísticas como Abdias Nascimento e a criação do Teatro Negro, Luis Gama e Ruth de Souza, a primeira artista negra a se apresentar no palco do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.</p><p>Segundo Emicida, <em>Ismália</em> era para ser um dueto entre Ruth de Souza e Fernanda Montenegro, mas a grande dramaturga negra morreu semanas antes das gravações. Ismália, poema de Alphonsus Guimarães que fala sobre uma personagem de mesmo nome. Que queria ficar perto da lua ao céu e a lua do mar e só conseguiu fazer isso quando morreu. O rapper compara isso a vida do negro nos seus dias a dias, quando tenta alcançar seus sonhos aos céus é derrubado por uma bala, <strong>“Essa bala é disparada por alguém que usa farda”.</strong> Emicida nestes dizeres compara a vida de rappers e outros artistas da cultura negra que quando alcançavam o alto status e tinham voz para fazer o alarde contra isso, eram sempre reprimidos pela polícia ou mortos. Ele disserta em seu documentário sobre a Lei da vadiagem onde muitos sambistas nos anos 40 eram presos por simplesmente estarem com instrumento na mão.</p><blockquote>“Eles diziam que instrumento de tarraxa na mão de crioulo era arma”</blockquote><p>É nesse momento que voltamos para o início, a música <strong><em>AmarElo.</em></strong><em> O</em>nde entendemos que Emicida quer a luta por liberdade, seja uma luta de todos nós juntos.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*jiFJxst3na7aHwlfwF3aDw.jpeg" /><figcaption>Reprodução/Netflix</figcaption></figure><h3>O fim: É <em>libre</em>, mas como <em>tudo é pra ontem </em>ainda estamos presos dentro de casa</h3><p>O documentário termina entre meio os dias de hoje, com uma pandemia. Cenas mostrando São Paulo com áudio e dizeres do próprio rapper nos relembrando que a primeira pessoa a pegar o coronavírus foi uma empregada doméstica que entrou em contato com a sua patroa. O interessante é que ele relembra que isso já aconteceu uma vez, mas mesmo assim estamos espantados com tudo que vem acontecendo e mesmo assim nós dentro de São Paulo, não paramos um minuto.</p><p>A expressão bem popular quando queremos tudo depressa “é pra ontem” carrega o nome do documentário que fala sobre liberdade, mas que termina na pandemia onde todos nós estamos (ou ao menos deveríamos), presos dentro de casa. A última música do álbum <em>libre </em>fala sobre liberdade e “faixa bônus” que tem participação especial de Gilberto Gil, <em>tudo é pra ontem fala</em> sobre como temos que olhar para nosso passado e entender onde foi que erramos e perdemos o rumo de tudo, para que assim o nosso futuro seja melhor construído.</p><blockquote>“Talvez seja bom partir do final, afinal</blockquote><blockquote>É só um ano de sexta feira 13”</blockquote><h4>E com isso eu termino este texto singelo, com uma nota de agradecimento. Agradeço a Leandro Roque por nos fazer lembrar nesse ano tão difícil quem realmente somos, desde as nossas raízes até o momento em que estamos agora. Nunca vamos chegar naquele que lugar que sempre buscamos sozinhos. Precisamos de amigos, família, nossa história e claro, uma boa dose de samba e AmarElo.</h4><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FqbQC60p5eZk%3Ffeature%3Doembed&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DqbQC60p5eZk&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FqbQC60p5eZk%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/85e19968bcffe07f6db92e9cd172e5cf/href">https://medium.com/media/85e19968bcffe07f6db92e9cd172e5cf/href</a></iframe><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=69fb4cdb6311" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/lucas-almeida/amarelo-hist%C3%B3ria-amor-negritude-e-neo-samba-69fb4cdb6311">AmarElo: História, amor, negritude e neo-samba</a> was originally published in <a href="https://medium.com/lucas-almeida">CRITTIQ</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[Crítica: O diabo de cada dia.]]></title>
            <link>https://medium.com/lucas-almeida/cr%C3%ADtica-o-diabo-de-cada-dia-78a4f48b68d5?source=rss-4c3f754b8454------2</link>
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            <category><![CDATA[tom-holland]]></category>
            <category><![CDATA[religiao]]></category>
            <category><![CDATA[robert-pattinson]]></category>
            <category><![CDATA[critica]]></category>
            <category><![CDATA[cinema]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Lucas Almeida De Sousa]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 24 Sep 2020 20:37:11 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-09-24T20:41:04.856Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4><em>Novo filme da Netflix possui alguns tropeços, mas acerta na narrativa e ótimas atuações.</em></h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*8LKI04uqxxXVX6cDFteGcg.jpeg" /><figcaption>Reprodução/Netflix</figcaption></figure><p>Quando o filme “O diabo de cada dia” foi anunciado, houve uma grande discussão a sua volta. Afinal, porque não teria? A Netflix trouxe para seu mais novo longa grandes atores que atualmente estão em destaque, para contar uma história de época-porém mais atual que nunca-pelos olhos de <strong>Antônio Campos.</strong></p><p>Ao decorrer de 2h18min, acompanhamos seis histórias de diferentes personagens em uma cidade interiorana nos Estados Unidos. A narrativa se inicia com a narração de Donald Ray Pollock, escritor do livro de mesmo nome, falando um pouco sobre a cidade no qual o filme se passa. Durante sua fala já percebemos como serão os momentos seguintes. Desoladores. Para as pessoas que estão mais familiarizadas de como são as províncias pequenas dos EUA pós-segunda guerra mundial, sabe que está por vir. Uma história de família, vingança, um pouco de Western e sem dúvida religiosidade.</p><p>Muitas dessas pequenas cidades eram ou ainda são muito religiosas. Ponto que o diretor <strong>Antônio Campos</strong> mais se inspirou do material fonte e que mais acertou no filme. Durante o primeiro ato, acompanhamos a história do Willard, pai do protagonista interpretado por <strong>Bill Skarsgård</strong>. Vemos sua jornada de um homem não muito adepto a crenças, ir para a guerra, voltar um homem quebrado até se tornar um fanático religioso. Neste momento vemos acertos e tropeços do filme. De primeira vista, o filme pode parecer um pouco lento no início, mas é proposital. A narrativa nos faz passar por isso durante o filme inteiro porque a maioria dos personagens são ruins de espirito, mas precisamos entender como eles chegaram a certo ponto. Portanto, contar a história devagar e se atentar a detalhes é necessário.</p><p>Ao final da história de Willard, há uma cena de sacrifício por motivos religiosos. De primeira vista achei de certa forma exagerado. Contudo, após um rápido e breve momento de reflexão (e pesquisas), percebe-se que isso é tão comum a ponto de ser praticado atualmente. Porém, isso ocorre duas vezes ao decorrer do filme no mesmo ato. Analisando de um ponto de vista mais crível, apenas uma vez já era o suficiente ou separava entre partes da história. Dessa forma, evidenciava o problema que a religiosidade significava naquela época.</p><p>Mas, é de se elogiar como o filme transborda confiança em mostrar como traumas e certas decisões passam por gerações. Assim como Willard era impulsivo e violento após voltar da guerra, seu filho Arvin (<strong>Tom Holland</strong>) sofre pelo mesmo problemas. A única diferença entre esses dois personagens, é que dentro de Arvin não há uma devoção fanática.</p><p>Em paralelo, vemos o início da história de alguns personagens com o mesmo significado narrativo que a história principal, a famosa empatia pelo personagem. Sendo alguns mais intensos que outros, entendemos o porquê de a narrativa haver vários núcleos. Apesar de ser personagens interessantes, eles são desenvolvidos de uma maneira um pouco mais rasa. Isso os transformam em elementos narrativos para que no futuro, certos conflitos sejam resolvidos.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*3WYeYNMr0zc8EHPPK8W7Xg.jpeg" /><figcaption>Reprodução/Netflix</figcaption></figure><p>Do início até o final do segundo ato, o filme ganha energia, significados muito verdadeiros, atuações maravilhosas e simbolismos muito assustadores que, ao mesmo tempo, são muito verdadeiros e o motivo da história ser tão atual como nunca. Percebemos que certos homens de fé não são muito adeptos a suas próprias convicções, o que as pessoas tão religiosas fazem por serem tementes a Deus e ao julgamento alheio, arrependimento e culpa. Tudo isso carregado a grandes atuações. É imprescindível não notar a evolução e amadurecimento do <strong>Tom Holland</strong> como ator. Ele segura sua parcela do filme de maneira excelente e cativante. Grande elogios também para<strong> Robert Pattinson, Sebastian Stan e Bill Skarsgård</strong></p><p>Outro ponto forte de o “O diabo de cada dia” é sua linearidade. Poucas vezes durante a história, temos aquele típico “voltar no tempo para contar algo”, o que acaba incomodando na maioria das vezes e deixando o filme mais complexo do que deveria. Aqui isso não acontece. Boa parte das cenas em que é usado esse recurso, é utilizado como lembranças e apenas ocorre quando é perfeitamente encaixada na situação.</p><p>Contudo, não podemos deixar de apontar que, o roteiro aposta muito nas conveniências e acasos da vida para encerrar sua história, mas é entendível o porquê dessa decisão junto de seu final “agridoce”. Depois de tantas coisas e pessoas horríveis, o fim tinha que ser esperançoso. Não apenas para a narrativa, mas para nós também.</p><p>“O Diabo de cada dia” é um filme executado de maneira correta e com uma ótima escalação de personagens. Apesar do filme ter um ritmo lento em alguns momentos e tropeçar na famosa casualidade de antologias, ele usa a violência e aumenta o seu ritmo de maneiras precisas e realísticas. Com um final amargo e ao mesmo tempo agradável, o longa se tornou um dos melhores que se pode encontrar no catálogo Netflix.</p><p><strong>NOTA:</strong> 7.5</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=78a4f48b68d5" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/lucas-almeida/cr%C3%ADtica-o-diabo-de-cada-dia-78a4f48b68d5">Crítica: O diabo de cada dia.</a> was originally published in <a href="https://medium.com/lucas-almeida">CRITTIQ</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[The Last Of Us Parte II e a sua aflitiva proximidade com o mundo real]]></title>
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            <category><![CDATA[the-last-of-us]]></category>
            <category><![CDATA[odio]]></category>
            <category><![CDATA[análise]]></category>
            <category><![CDATA[jogos]]></category>
            <category><![CDATA[games]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Lucas Almeida De Sousa]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 13 Aug 2020 20:12:06 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-08-13T20:22:45.634Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4><em>O mais recente jogo da Naughty Dog reinventa a forma de contar uma história dentro do mundo dos games trazendo a maturidade e a realidade para a narrativa naquilo que pode ser, o melhor jogo da geração atual de consoles.</em></h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*M2Ulm-r0_yvBCsgNeskQlw.jpeg" /><figcaption>Reprodução/Playstation</figcaption></figure><p>Quando meu querido amigo de faculdade e redação do BVG, <a href="https://medium.com/besouros-verdes-gigantes/resum%C3%A3o-the-last-of-us-202e57926173">Tales Fernandes</a>, deixou em minhas mãos <strong>The Last of Us Parte II</strong>, eu me senti um pouco aflito. Não por ser um jogo ruim (ele está muito longe de ser) ou por não saber o que dizer. Na verdade, sei exatamente o que sinto sobre esse gigantesco evento, mas colocar em palavras é a parte mais difícil.</p><p>Colocar em palavras uma experiência que você precisa vivenciar para senti-la por completo é uma tarefa muito difícil. O famoso termo imersão, aparece muito aqui e em outros vídeos games dessa geração. Os usuários tanto comuns quanto <em>hardcores </em>dentro deste universo estão cada vez mais fomentados pela experiência imersiva que os distancia cada vez mais da realidade, mas<strong> </strong>este jogo é diferente. Mesmo se tratando de um apocalipse estilo <strong>The Walking Dead</strong> (porém, muito mais difícil de se sobreviver), com monstros gigantes e um estilo de zumbi bem original,<strong> The Last Of Us Parte II</strong> sem dúvidas é, o jogo que mais evoca a realidade e os dias atuais.</p><blockquote>A partir deste ponto, contém SPOILERS DO GAME THE LAST OF US PARTE II. SIGA POR SUA CONTA E RISCO!</blockquote><p>O game se inicia logo após o fim dos acontecimentos de seu antecessor e ainda acompanhamos a história e o dilema que Joel, um de nossos protagonistas, carrega. Logo que a narrativa se inicia, presenciamos um resumo do primeiro jogo, de uma forma não muito gratuita, para nos lembrar de que o velho amargurado que conhecemos na jornada passada, matou um exército inteiro sozinho para salvar aquilo que seria o seu trabalho, Ellie. A única pessoa que podia trazer a cura para este mundo quebrado, mas ela teria que morrer por isso.</p><p>Acredito que, aquilo que mais cativa dentro do mundo de TLOU2, são suas questões morais que tomam um rumo mais emocionais do que racionais. Vemos constantemente em universos parecidos que o protagonista sempre toma a decisão que beneficia o grupo no geral ou quando toma a decisão mais emocional, não sofre com as consequências. Aqui o caso é diferente. Em um ato de quase extermínio total de um exército, Joel salva Ellie e a leva para a comunidade de seu irmão Tommy e lá eles vivem.</p><p>A ideia de levar a história para esse rumo não é original, mas é muito bem trabalhada. Se fizermos uma comparação rápida, podemos notar uma certa semelhança no enredo de <strong>Game Of Thrones</strong>, onde o Rei do Norte Rob Stark, escolhe se casar com a mulher que ama ao invés de cumprir o acordo que fazia para conseguir recrutar mais exércitos para sua causa. No final, ele acaba sendo morto em uma emboscada feita pelos seus próprios aliados por não ter cumprido sua parte do trato. O mesmo acontece com Joel. Quatro anos após o ocorrido no hospital com o exército dos vagalumes, Joel é emboscado e morto por ex-integrantes do grupo. Ainda mantendo a comparação, é interessante como a causa e efeito regem as duas histórias. O mais instigante é que as duas consequências vieram da causa amor, seja ela paterna ou romântica.</p><p>Outra semelhança interessante de notar é a morte repentina e/ou banal que acontece com os personagens. Durante muito tempo, Game Of Thrones foi conhecida como a série de “Nunca ter personagens favoritos, porque eles morrem”. Tanto no jogo atual quanto em seu antecessor, TLOU sempre trabalhou a morte como algo diário e que isso pode acontecer nesse mundo mais fácil do que se imagina a qualquer momento. É aflitivo pensar que os mundos fictícios mais parecidos com nosso são aqueles em que a morte é retratada como algo banal e que as nossas decisões emocionais podem levar a uma causa e consequência desastrosa e que podem perdurar por meses e até mesmo, anos.</p><p>Durante esta semana que esse texto está sendo escrito, passamos a marca de 100 mil mortos pela COVID-19. Atualmente, deve ser mais. Chega a ser quase uma piada irônica e de muito mal gosto de pensar que um jogo fez algo tão próximo com a realidade em que estamos vivendo. Mas, assim como <strong>Game Of Thrones </strong>ou<strong> The Last Of Us</strong> mostram, a maioria das pessoas pensam no bem próprio e não no geral. O assunto fica ainda mais perturbador de se pensar que sofremos mais consequências de nossos atos dentro de um mundo virtual do que na vida real.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*YBcIT1ACTlS5yWn94ok31w.jpeg" /><figcaption>Reprodução/Playstation</figcaption></figure><p>Assim como falei no meu último texto<a href="https://medium.com/besouros-verdes-gigantes/o-paradoxo-arcaico-no-mundo-dos-games-3af69aec1dfb"> “O Paradoxo no mundo dos games”</a>, o diretor do jogo Niel Druckmann, sempre definiu que esse jogo é sobre ódio. Nada poderia descrever melhor TLOU2 como a palavra ódio. Tudo que o envolve possui isso. O conflito de Ellie com o ex-grupo de vagalumes, Abby e a vingança contra Joel, a guerra dos dois novos grupos que é apresentado, o choque dos novos personagens Yara e Lev contra o preconceito de sua mãe e seu grupo, entre outros. Apesar de mostrar o ódio de uma maneira que parece exagerada, a forma como o game conversa com a realidade é quase literal.</p><p>Vemos um grupo religioso que usa da dor, preconceitos conservadores, tortura, fanatismo para passar uma mensagem do seu Deus. Enquanto isso, eles lutam contra um exército muito bem armados, preconceituosos e muito bem organizados que buscam vingança por dois integrantes do grupo assassinados. Soa familiar? Em paralelo, vemos a história principal da protagonista Ellie em busca de vingança junto da sua namorada, Dina (que sofrem homofobia logo no início do jogo).</p><p>Ao decorrer das 25 horas de gameplay, o game nos mostra constantemente relações de ódio e de preconceitos que parecem absurdo, mas são tão reais quanto o próprio jogo. Podemos interpretar esses sinais como pequenos <em>forshadowing </em>(elemento muito usado no cinema quando o filme mostra pistas ou o final de sua história ao decorrer da narrativa) para a conclusão do arco de Ellie. Todos os ciclos de violência do game, terminam de forma desastrosa e triste. O mesmo acontece com nossa protagonista. No fim ela percebe que, sentir ódio e sempre buscar uma vingança nunca nos leva a nada e sempre nos deixa sozinhos.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*tLQLhrMxdwfuISrEgJrMZQ.jpeg" /><figcaption>Reprodução/ Playstation</figcaption></figure><p>Além de nos entregar uma experiência imersiva e impressionante, The Last Of Us Parte II nos entrega a visão mais selvagem do nosso mundo. Do inicio ao fim ele trata dos assuntos mais polêmicos e presentes na nossa sociedade atual de forma densa e complexa, sempre fazendo o jogador pensar no mundo aqui fora sobre como o ódio está mais presente na sociedade como imaginamos.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=7e46a00a5b27" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/lucas-almeida/the-last-of-us-parte-ii-e-a-sua-aflitiva-proximidade-com-o-mundo-real-7e46a00a5b27">The Last Of Us Parte II e a sua aflitiva proximidade com o mundo real</a> was originally published in <a href="https://medium.com/lucas-almeida">CRITTIQ</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[O paradoxo arcaico no mundo dos games.]]></title>
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            <category><![CDATA[esport]]></category>
            <category><![CDATA[feminismo]]></category>
            <category><![CDATA[games]]></category>
            <category><![CDATA[hate-speech]]></category>
            <category><![CDATA[discurso-de-ódio]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Lucas Almeida De Sousa]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 20 Jul 2020 16:08:47 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-08-24T18:22:57.373Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>Apesar da alta tecnologia, o mundo gamer ainda está repleto de pensamentos ultrapassados.</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*Bys7eeqE8HHUjb9-VgyfJw.jpeg" /><figcaption>Personagem principal do jogo The Last Of Us parte 2, Ellie. Reprodução/Playstation</figcaption></figure><p><strong>Uma nota antes de você começar a ler:</strong> <em>Eu engavetei esse texto por mais de um ano por conta de ter outros planos para ele, mas durante esse período sabático pelo qual ele passou, aconteceu muitas coisas fora do meu alcance. Inclusive, uma pandemia. Então decidi voltar a estaca zero e onde tudo começou. Porém, percebi que ele precisava de algumas atualizações por conta de tudo estar pior do que um ano atrás. E para finalizar, a intenção aqui não é atacar NENHUM JOGO OU EMPRESA, é apenas para ajudar a melhorar.</em></p><p><strong>Nota 2: </strong>Gostaria de agradecer a todas as mulheres que me ajudaram neste texto. Desde apenas ler, como também me ajudar a escrever, pesquisar e revisar. Tudo desta nota para baixo, não faria sentido ALGUM se vocês não tivessem me ajudado. <em>Luiza Cerri, Brunna Zucatelli, Carolina Klautau, Rafaela Oliveira, Eduarda Carvalho e Giovanna Araujo.</em></p><p>No ano de 1972, foi lançado o primeiro videogame caseiro do mundo. O <em>Magnavox Odyssey </em>marcou o início da era dos consoles em casa, engajando outras empresas a investir no mundo virtual doméstico. Quase cinquenta anos depois, consoles e jogos evoluíram consideravelmente. Levando empresas a se desafiarem cada vez mais em alta tecnologia como a <em>Virtual Reality</em>, mais como conhecido como VR. Outro exemplo que pode ser citado, é a inteligência artificial adicionado aos games da nova era como <em>Cyberpunk 2077. </em>Contudo, mesmo diante de todos esses avanços tecnológicos, a comunidade criada dentro destes vastos e ilimitados mundos ainda continua com pensamentos retrógrados e preconceituosos.</p><p>A principal reclamação da comunidade em um jogo <em>online </em>é ela própria. Durante uma partida ou rodada qualquer do dia pode-se encontrar os principais discursos de ódio como: misoginia, racismo, machismo, xenofobia, entre outros. Isso faz com que, a parte de lazer no dia de um jogador casual, se torna a mais estressante. Segundo uma pesquisa feita pela ONG Anti Defamation no ano passado, 74% dos jogadores norte-americanos já sofreram com assédio ou lidaram com discurso de ódio em jogos online. Mas, entre todas as frases de comunidades <em>gamers, </em>a que mais espalha o ódio e a ignorância ao mesmo tempo é: <em>“Você não pode jogar porque você é mulher”.</em></p><p>Assim como já mostrado nos cinemas, como exemplo <em>Vingadores: Ultimato,</em> o futuro do cenário dos jogos também é feminino. Uma pesquisa feita pela PGB (Pesquisa Game Brasil) em 2020 mostra que 69,8% das mulheres no Brasil jogam games. O que resulta no quinto ano consecutivo que as mulheres representam a maioria do público dentro do mundo virtual com a porcentagem de 53,8% de jogadores no país. Porém, mesmo sendo a maioria, não se vê de fato a manifestação real desses números dentro das comunidades.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*ZVN-dzZupVr6OGvroZ4hQQ.jpeg" /><figcaption>Dados gerais sobre a pesquisa. Reprodução/PGB</figcaption></figure><p>Ao analisar esses dados podemos comparar isso com a eleição de Donald Trump e Jair Bolsonaro, onde o apoio desses eleitores se demonstrava como a minoria, contudo não era. Durante boa parte da eleição, seus apoiadores mantiveram o silêncio, até que nos passos finais, eles mostraram sua força. Dentro de uma comunidade gamer, as mulheres passam pela situação contrária. Para evitar assédios ou discursos de misoginia dentro de partidas online, o público feminino se esconde da maneira que pode, mesmo sendo a maioria.</p><p><em>“Tem garotas que se identificam como homens só para não receber esse tipo de ofensas” </em>diz Gabi Cattuzo, streamer de games que sofreu um ataque misógino e machista em seu Twitter após uma polêmica envolvendo a empresa que antes, a patrocinava. O interessante desse caso é que, em nota oficial a instituição em questão, apesar de demonstrar apoio contra episódios de preconceitos como esse, a decisão foi de demitir a influenciadora ao invés de apoia-lá.</p><p>Comparando um caso de meses seguintes, o narrador do Circuito Brasileiro de League Of Legends (Cblol) Diego “Toboco” em sua transmissão ao vivo, dirigiu comentários tóxicos e ofensivos a jogadores durante uma partida. Em resposta, a empresa Riot Games — que em declarações oficiais diz que abomina o comportamento toxico dentro das partidas — o repreendeu pela atitude. Porém, não o demitiu. Isso nos leva a uma reflexão onde, até entre meios corporativos envolvendo comunidades de jogos online, ocorre esse tipo de situação.</p><p>Ainda falando sobre a Riot, em uma tentativa de unir a comunidade e tentar acabar com casos parecidos, inseriu o primeiro time com 100% dos titulares mulheres no LCL (Circuito Russo de League Of Legends), marcando história dentro do mundo dos games. Porém, mesmo com uma boa intenção em mente, a ação foi muito mal executada. O time feminino Vaetics durante toda a sua participação no campeonato, sofreu ataques massivos da comunidade russa e internacional de League Of Legends. Vale destacar dois casos que ocorreram dentro do campeonato, onde em duas partidas do time, as garotas foram humilhadas em uma situação que nunca havia acontecido em nenhuma partida oficial do game até então (e que não preciava acontecer).</p><p>Durante a primeira partida no circuito russo envolvendo o preconceito com o time feminino, a equipe RoX, durante a fase de banimentos de personagens, baniu 5 campões suportes (suporte é uma das cinco posições possiveis dentro de uma partida de LoL). Isso causou revolta dentro da comunidade de League Of Legends por conta de reforçar uma brincadeira machista que mulheres só jogam nesta posição. Em meio a fase de banimentos, houve manifestações dos jogadores da RoX, como risadas e bater de palmas.</p><p>Vale ressaltar que depois deste evento, não se viu mais nenhum time feminino dentro do cenário de League Of Legends.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*cG8--NRQ1wI0AhAzmC8DKw.jpeg" /><figcaption>Time Vaetics. O primeiro time de League Of Legends feminino a participar de um torneiro oficial do game.</figcaption></figure><h3>Os casos in-game</h3><p>Apesar de infelizmente, vermos casos como esses no meio comercial, o problema se intensifica dentro de uma partida casual. O motivo deve-se a questão de negligência do jogadores in-game(partidas casuais de jogadores normais). Muitos dos jogos que possuem partidas online, tem inserido a ferramenta denúncia. Onde os jogadores podem escolher o tipo de queixa e relatar os principais pontos da partida que ocorreu o caso. Contudo, poucos de fato usam por estarem com a mentalidade de que <strong>“é só mais uma partida, na próxima eu recupero meus pontos”</strong>. O que na verdade, é um pensamento como esse, inocente ou não, que acaba contribuindo com o problema. Isso faz o discurso de assédio e misoginia aparecer cada vez mais rápido dentro um jogo recém-lançado. A famosa sensação de ser intocável.</p><p>Os casos mais recentes que a comunidade presenciou in-game, foi no novo jogo da Riot Games, Valorant. Ainda em suas fases de teste aberto, a streamer “Rayana Bainy” sofreu assédio e um ataque misógino durante uma de suas partidas. O caso foi relatado em seu próprio twitter com cenas do ocorrido.</p><h3></h3><p>Essa foi a situação onde eu joguei squad aleatório no Valorant e o cara era um completo sem noção. Manos, se um dia presenciarem essa cena em uma partida, n fiquei calados ou rindo junto. Falem algo pq algumas meninas podem ter gatilhos e não saberem lidar com isso (tipo eu).</p><p>O segundo caso que ocorreu, também no Valorant, foi com a streamer “einebru” que chorou durante a live após ter recebido comentário misóginos após ter dado boa sorte aos outros integrantes da equipe. Um resumo sobre o caso pode ser visto no vídeo abaixo:</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2F1zk4Vyt8_LY%3Fstart%3D66%26feature%3Doembed%26start%3D66&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3D1zk4Vyt8_LY&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2F1zk4Vyt8_LY%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/0563f48f469a70ee1194fd8147427467/href">https://medium.com/media/0563f48f469a70ee1194fd8147427467/href</a></iframe><p>Quando falamos sobre os casos in-game, não podemos deixar de evidenciar o paradoxo que existe aqui. Ao observar atentamente, muitas dessas comunidades de jogos online críticam certos erros ou bugs que são encontrados dentro do jogo. Porém, a reclamação mais constante que se pode encontrar é sobre sua comunidade.</p><blockquote><strong>É impossível pedir mudanças dentro de um corpo social se você não prática o básico ou faz parte do problema. Enquanto esse círculo vicioso se prolongar, vamos continuar vendo situações como essas.</strong></blockquote><h3>“É um jogo sobre ódio”</h3><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*b2aKa6KBA52SK03CN82h7g.png" /><figcaption>As personagens Abby e Ellie, respectivamente, do jogo The Last Of Us parte 2.</figcaption></figure><p>Desde suas primeiras conversas sobre o game na imprensa, o diretor Niel Druckmann, sempre dizia que The Last Of Us Parte 2 era um jogo sobre ódio. Uma frase que definiu o jogo com excelência. Tudo que envolve o game tem uma pequena ou alta parcela de ódio, incluindo o que ocorre em volta.</p><p>Dias antes de ser lançado oficialmente, um usuário no forúm Reddit, vazou todo o roteiro do game que incluia alguns acertos e erros da trama. Um dos acertos, foi a questão de que a personagem principal Ellie estaria envolvida em um relacionamento homossexual. Horas depois, um movimento começou a ser mobilizado na rede social Twitter criticando essa caractéristica do enredo do jogo. Coisas como “Porque toda vez que mulher é protagonista ela sente a necessidade de lacrar?” ou “Agora pronto! Já não basta uma mulher protagonista no jogo como também ela tem que ser lésbica”. O intrigante é que, na expansão de história do primeiro jogo, já ocorria muitos indícios que a personagem principal Ellie era homossexual.</p><p>Semanas depois, The Last Of Us Parte 2 já estava entre nós. E depois de alguns dias de lançamento, houve outra discussão em pauta que envolvia as protagonistas. Abby, a nova personagem introduzida na sequência do jogo, causou uma discussão dentro da comunidade dos games que tratava sobre a objetificação do corpo da mulher e como isso era retrado dentro dos jogos. Isso ocorreu por conta dela ter uma fisicalidade musculosa. O que raramente se vê em games.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*aRGFjLAjw7xQXTq3IIBPcA.jpeg" /><figcaption>Captura de um tweet falando sobre a personagem Abby</figcaption></figure><p>A nova personagem ser introduzida com um físico “musculoso” faz total sentido a narrativa que está sendo contada. Inclusive, eles usam diversas vezes essa característica Abby como um elemento da trama e da jogabilidade. Se controlarmos a personagem principal Ellie, perceberemos que devido ao seu físico ser magro, a melhor opção é optar pelo modo de jogo furtivo. Porém, quando jogamos com a Abby, vemos que na luta corpo a corpo, ela se dá melhor.</p><p>Em primeira vista, essa decisão inserida em The Last Of Us Parte 2 pode ser um pouco equivocada. Parecendo que o jogo vai cair no esteriótipo clichê de que “ela só consegue ir de frente com os inimigos porque ela tem um corpo ‘masculino’?” ou “Ela não consegue lutar justo por ter um corpo ‘frágil’?”. Quando na verdade, tratando-se em questão de mentalidade, elas são o oposto da outra. Enquanto a “musculosa” é mais sentimental, a “fragil” é a mais durona (que ao desenrolar da trama beira quase o cruel, mas isso é uma questão narrativa). Não satisfeito de embaralhar as emoções e desconstruir esteriótipos já estebelecidos dentro do universo dos games, ele guarda mais uma surpresa para o final que é de cortar o coração (e muito bem pensada).</p><p>É importante ressaltar esse ponto por conta de casos passados. Geralmente quando ocorre um embate entre dois personagens como elas, ocorre aquilo que é mais conhecido como “Nerf” ou “Downgrade” do personagem(é quando a produção do jogo/filme diminui o poder ou força do personagem por questões da trama). Se isso tivesse ocorrido, perderia todo o sentido narrativo e metade da jogabilidade da personagem. (Um exemplo de downgrade conhecido é filmes de super-herói. O mais recente foi em <em>Vingadores: Ultimato</em>, onde a super-heroína mais forte ficou de fora da luta principal e apareceu apenas no final).</p><p>E a trilha do ódio continua sendo semeada. Nessas últimas semanas-que ainda continuam sendo as primeiras de lançamento-o jogo foi acarretando elogios de público e crítica como um dos melhores jogos já feitos. Porém na avalição do Metascore(Basicamente, funciona como Imdb para jogos), ele vem recebendo notas baixas pelos jogadores casuais. O motivo deve-se pela manifestação machista e misógina que criou um movimento para boicotar o jogo. Além disso, o diretor do jogo Niel Druckmann e a modelo de rosto para a personagem Abby, vem sofrendo ataques e ameaças de morte em suas redes sociais.</p><blockquote>“Eu teria feito tudo igual” — Diz Niel Druckman sobre os ataques que vem sofrendo</blockquote><p>Druckmann estava mais do que apto a contar essa história. Por conta de ter vívido uma parte de sua infância em Israel, ele presenciou e passou por certas intolerâncias, que com certeza influenciaram a contar essa história.</p><blockquote><strong>The Last Of Us Parte 2 é um jogo sobre todos os ódios que podemos encontrar. Raciais, religiosos, emocionais, entre outros. Entranto, só teve um deles que causou a indignação do público.</strong></blockquote><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2Fmh6TaH-H1C4%3Ffeature%3Doembed&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3Dmh6TaH-H1C4&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2Fmh6TaH-H1C4%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/6baf9a08cb02e09e1ef11f389ac6ab70/href">https://medium.com/media/6baf9a08cb02e09e1ef11f389ac6ab70/href</a></iframe><h3>“É uma MULHER comandando times, você sabe o impacto que isso tem?”</h3><p>Diante de tudo que foi apresentado aqui, parece que não é um futuro promissor para o público feminino. Quando na verdade, são pequenos avisos de que a maioria está finalmente tomando o seu lugar.</p><p>Em entrevista para este texto, Eduarda Carvalho, uma jogadora casual de 18 anos, falou um pouco sobre como é o dia-a-dia de uma mulher jogando online:</p><p><em>“É todo dia uma surpresa pros jogadores em geral, mas principalmente para as mulheres porque nunca sabemos se os jogadores vão ficar quietos sem falar nada para você ou se vão te xingar por simplesmente ser mulher. Nós cometemos os mesmo erros que vocês só que a pressão é muito maior”</em></p><p>Os erros dentro de uma partida são muito comuns e podem ser cometidos por qualquer pessoa, mas quando você é mulher a opressão se vira contra o seu genêro e não seu erro, o que acarreta em importunações pelo jogador que está praticando o machismo/misogenia. Um caso recente caso parecido, que causou uma repercusão e fez a empresa “Ubisoft” reavaliar certos casos de punição dentro do jogo, foi com a streamer “Littlevelma” que após um erro de posição estratégica, levou fogo amigo seguido de um ataque misógino.</p><p>O ocorrido, fez empresa repensar suas atitudes e punidades contra a toxicidade dentro de sua comunidade lançando na semana seguinte, um Patch que aumentava a punição contra fogo amigo dentro das partidas (apesar de não parecer o suficiente).</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FICiuI2UT2vs%3Ffeature%3Doembed&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DICiuI2UT2vs&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FICiuI2UT2vs%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/d3e670454ca7fe40e961738ab33bc24c/href">https://medium.com/media/d3e670454ca7fe40e961738ab33bc24c/href</a></iframe><p>Ainda em declaração, Eduarda fala um pouco sobre a pior experiência relacionada ao machismo dentro de uma partida online:</p><p><em>“Acho que foi ano passado, eu ensinei um ‘amigo’ meu a jogar e ele era iniciante. Todo iniciante joga mal. só que no meio da partida, começaram a xingá-lo por ainda não saber saber tudo sobre o jogo. E ele simplesmente usou esse argumento ‘foi uma menina que me ensinou a jogar isso, óbvio que vou jogar mal’. Eu fiquei abalada por conta disso. Quando pessoas aleatórias dizem ‘cala boca, você é mulher’ eu não ligo mais. Mas, imagina que você está no meio da partida com uma pessoa conhecida e ele diz isso”</em></p><p>Para que os homens passassem por uma experiência parecida, a influencer /youtuber e CEO da organização de e-sports Black Dragons, Cherrygums, figura muito ativa na causa contra o machismo dentro dos games, criou um campanha em 2018 onde streamers homens jogavam com nomes (nicks) femininos para ver o que acontece. Um pouco do que aconteceu foi mostrado no vídeo abaixo:</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FH3Ff5YEMgvk%3Fstart%3D205%26feature%3Doembed%26start%3D205&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DH3Ff5YEMgvk&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FH3Ff5YEMgvk%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/486b9cf924bd5c0e31ad3ec375a9d611/href">https://medium.com/media/486b9cf924bd5c0e31ad3ec375a9d611/href</a></iframe><p>Ainda em entrevista, Eduarda fala um pouco sobre o que sente vendo uma streamer mulher e CEO de uma das melhores empresas de E-sports do mundo:</p><p><em>“Eu acho sensacional mano, porque é uma coisa fora do ‘comum’. É uma MULHER comandando times, você sabe o impacto que isso da para as jogadoras. Talvez dessa forma, eles vejam que não são os únicos que sabem jogar, que comandam. Uma mulher pode fazer isso tanto quanto eles”</em></p><blockquote><strong>Nicolle “Cherrygumms” Merhy é muito conhecida e respeitada dentro do cenário de E-sports. Com apenas 23 anos, Nicolle já é dona da Black Dragons. Empresa de jogos eletrônicos criada por ela que atualmente, possui 80 atletas competindo em 12 modalidades diferentes. Recentemente, a equipe de Free Fire ganhou o campeonato brasileiro. Cherry é um dos nomes femininos com mais destaque aqui no Brasil. Muito se deve pela sua luta por direitos desportivos sobre os E-sports dentro da comissão esportiva brasileira. Um lugar que ela ganhou uma visibilidade considerável, defendendo não apenas times feitos de mulheres, mas sim todos os times do competitivo eletrônico. Nicolle foi reconhecida pelos seus trabalhos na última edição da “Under 30” da Forbes.</strong></blockquote><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2F5yMnQAmtWyg%3Ffeature%3Doembed&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3D5yMnQAmtWyg&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2F5yMnQAmtWyg%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="640" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/f2ae1840fd923a13738160347cdd0b6b/href">https://medium.com/media/f2ae1840fd923a13738160347cdd0b6b/href</a></iframe><p>E mesmo com todo esse destaque, o cenário de games atualmente está inerente a tudo isso. Porém, ainda tem conserto. Precisamos não apenas dar apoio, mas fazer uma diferença. Ajudar a mudar. Ajudar a mudar uma coisa que, segundo Eduarda, não é algo apenas relacionado a quem segura o controle ou maneja o mouse e teclado.</p><blockquote>“Sinceramente, eu acredito que esse machismo vem de criação. Isso mudaria se os pais ensinassem que a mulher pode sim jogar vídeo game, pode sim participar de campeonato de FPS[Um gênero de jogo e modalidade de e-sport], que a mulher pode sim pilotar na fórmula 1. Um exemplo são os streamers. Os que são homens não são vistos como um objeto sexual, já a mulher… Depende da roupa que ela está usando”</blockquote><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=3af69aec1dfb" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/lucas-almeida/o-paradoxo-arcaico-no-mundo-dos-games-3af69aec1dfb">O paradoxo arcaico no mundo dos games.</a> was originally published in <a href="https://medium.com/lucas-almeida">CRITTIQ</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Artigo | O retrato de uma geração, por Bojack Horseman (PT1)]]></title>
            <link>https://medium.com/lucas-almeida/artigo-o-retrato-de-uma-gera%C3%A7%C3%A3o-por-bojack-horseman-pt1-67869ae6f614?source=rss-4c3f754b8454------2</link>
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            <category><![CDATA[bojack-horseman]]></category>
            <category><![CDATA[séries]]></category>
            <category><![CDATA[familia]]></category>
            <category><![CDATA[drogas]]></category>
            <category><![CDATA[depressão]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Lucas Almeida De Sousa]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 05 Mar 2020 17:26:55 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-03-05T17:26:55.812Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>Série animada da Netflix é uma junção sobre as principais discussões da atualidade e o que isso impacta na vida de uma pessoa.</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*_Ya400FdV-T2VbrMBNDNFA.png" /><figcaption>Personagem principal que leva o mesmo nome da série, Bojack Horseman. Reprodução/Netflix</figcaption></figure><p>Acho que sei o que você, leitor, deve estar pensando. “Como uma série onde um cavalo protagonista em desenho animado pode me ensinar algo sobre lares quebrados?”. No início, quando eu comecei a assistir <strong>Bojack Horseman </strong>pensei que seria mais uma dessas séries despretensiosas e animadas ao estilo South Park. Estava enganado e ainda bem que eu estava.</p><p>A série animada da aclamada <strong>Netflix</strong>, teve sua primeira temporada lançada em 22 de agosto de 2014. Nela seguimos o astro de televisão, <strong>Bojack Horseman</strong>, que está caindo no esquecimento após ter sua <em>sitcom </em>finalizada nos anos 80. Então após seis anos de duras reflexões e verdades que não queríamos enfrentar, a historia do cavalo mais infame e problemático da televisão chegou ao fim.</p><p>Foram seis temporadas para destrinchar e contar com maestria todos os problemas pessoais e psicológicos de <strong>Bojack</strong>. Mas, o carinho que a série tem com seus personagens traz momentos tão únicos que o telespectador leva algo consigo no final. Certas vezes são coisas boas, outras nem tanto. Porém, é necessário para que certos personagens sigam em frente e em muitas vezes, você também. E foi assim que<strong> Bojack Horseman</strong> criou o reflexo mais realista de uma geração presenciada na televisão.</p><blockquote>Partindo deste ponto, há spoilers da série Bojack Horseman</blockquote><h3>O quanto da sua família tem em você?</h3><p>Dizer que existe uma árvore genealógica perfeita é quase uma utopia social. Falar sobre família é sempre difícil porque em todas elas ou em quase todas, existem seus traços problemáticos. Em <strong>Bojack Horseman</strong>, vemos como certos “traços” são criados muito antes de seu nascimento e que ele está ainda sendo afetado por eles.</p><p>A família nuclear burguesa foi e é um dos modelos mais conhecidos dentro de uma casa não apenas brasileira, mas mundial. Esse é o lar onde o pequeno <strong>Bojack</strong> cresceu. A sua mãe, veio de uma família abastada e seu pai era um garanhão de poucas posses que conquistou por acidente o coração de Beatrice Horseman.</p><p>Antes desse relacionamento existir, Beatrice era uma menina que antes de amadurecer já vivenciou seus traumas. Quando ela era pequena, foi criada dentro de uma família de estilo patriarcado, onde todos seus sonhos foram reduzidos a “lavar louça” e “ter filhos para cuidar deles”. Seu pai, avô de <strong>Bojack</strong>, era dono de uma empresa de açúcar em escala nacional e sua mãe era a mulher mais doce e simpática que existia. Mas, assim como qualquer outra série de drama, acontece o ponto de virada.</p><p>Honey Sugarman, avó de Bojack, tinha uma relação muito afetiva com seu tio-avô, Crackerjack. O irmão da senhora Sugarman, era um soldado do exército na época da segunda guerra mundial, que faleceu em batalha. Logo após essa perda, Honey desenvolve uma depressão, surtos de ansiedade e começa a viver a vida com mais adrenalina.</p><p>Então em um ataque de fúria e machismo o avô de <strong>Bojack</strong>, Joseph Sugarman, diz que Honey está mentalmente louca e perdeu a razão. A famosa expressão usada por homens naquela época aparece aqui.</p><blockquote><em>“Como vou vender açúcar e elevar a autoestima da minha secretária enquanto você tem </em><strong><em>surtos de histeria</em></strong><em>?”</em></blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*IyZ-HqRb3BnnlcUMBZRfUQ.png" /><figcaption>Bojack encarando o retrato de seus ancestrais, a família Sugarman. Reprodução/Netflix</figcaption></figure><p>As famosas “Crises de mulher” era uma expressão muito comum usada naquela época. Uma ideia que levava mães e filhas serem reduzidas apenas a objetos e subjugadas pelo patriarcado. E assim implorando para Joseph, Honey pede a ele para cura-lá. Então a expressão “mulher boa é mulher calada e que não pensa” nunca esteve tão presente e a Senhora Sugarman é levada a um sanatório para passar por um processo de lobotomia.</p><h4>Lobotomia, ou também leucotomia, é uma intervenção cirúrgica no cérebro em que são seccionadas as vias que ligam os lobos frontais ao tálamo e outras vias frontais associadas. Foi utilizada no passado em casos graves de esquizofrenia.</h4><p>Honey então perde sua personalidade por completo a ponto de não se lembrar mais da filha, Beatrice. Logo depois, vemos apenas mais um pouco da sua infância. Onde presenciamos, ela crescer em um lar machista com uma mãe em um estágio de catatonismo avançado.</p><p>Já em sua adolescência, a mãe de Bojack é enviada para um internato onde permanece pelo resto de seu período escolar. Devido a pressões psicológicas e todo o acontecimento envolvendo sua progenitora, Beatrice se torna uma pessoa amargurada e sendo completamente o oposto de sua mãe, que era doce, sensível e divertida até onde pode.</p><p>Voltamos a acompanha-lá em uma parte da sua vida onde está prestes a se casar com um herdeiro de outra fábrica para fins lucrativos a mando de seu pai. Quando ela conhece em uma festa o Butterscotch Horseman, um cavalo descolado estilo anos 80 em que Beatrice se apaixona e acaba fugindo com ele. Tempos depois, é nos revelado que ela está gravida do nosso protagonista <strong>Bojack</strong>.</p><p>Nesse momento, já presenciamos uma família disfuncional sendo criada. Butterscotch é visivelmente um pai alcoólatra machista e Beatrice uma mãe que não sente nenhum carinho pelo filho e por nada que exista perto dela. Vemos <strong>Bojack </strong>crescer e sua infância sendo totalmente perdida, por momentos difíceis de se acompanhar e que justificam os problemas que o nosso protagonista constantemente nos mostra.</p><p>E assim nasce o cavalo do qual conhecemos ao apertamos o play para ver o primeiro episódio. Arrogante, inseguro, machista, alcoólatra e um adicto em drogas. Tudo isso criado por figuras que ele considerava paternas tanto por criação quanto biológico. É instigante pensar que boa parte de seus problemas como pessoa vieram de sua família, os famosos “traços”</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*xv9k2JtGMMXa6xazonuE6Q.jpeg" /><figcaption>O vicio em drogas é constantemente abordado na série por parte do Bojack. Reprodução/Netflix</figcaption></figure><p>A série tenta não apenas limitar a ideia do lar disfuncional por parte apenas de seu protagonista, mas sim em quase todos os personagens importantes do seriado. Princesa Carolyn, uma agente de Hollywood que era forçada pela mãe a se casar com um homem para engravidar dele e ter uma vida melhor. Diane Nguyen, uma jornalista e escritora criada em um lar machista onde seus sonhos não eram apoiados. Todd Chávez, um adolescente expulso pela mãe por sentir vergonha dele e suas ideias empreendedoras malucas.</p><p>Tudo isso nos leva o problema central : <em>O quanto da minha família tem em mim? </em>A série leva esse problema com <strong>Bojack</strong> até o ultimo episódio da temporada final, onde ele finalmente entende que certas coisas ele não pode deixar para trás.</p><p>Um trecho de Bojack falando com sua mãe Beatrice.</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FbfkMoVD5QuQ%3Ffeature%3Doembed&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DbfkMoVD5QuQ&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FbfkMoVD5QuQ%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/f738dbee700ed6428a6172373dfddabe/href">https://medium.com/media/f738dbee700ed6428a6172373dfddabe/href</a></iframe><h3>“O que mais eu posso dizer?”</h3><p>Depois de destrinchar o problema da família de Bojack-parecendo que está dando uma justificativa para seus erros-a série novamente puxa seu tapete. Ela muda o rumo para outras direções e começa a criar um retrato perfeito da nova geração sem ter medo de parecer cruel ao tratar-se de certos assuntos. O mais visível deles durante toda a série é a doença que já foi descrita como o mal do século: <strong>A depressão.</strong></p><p>Tristeza profunda, pensamentos negativos, baixa autoestima, culpa, estresse e alterações no sono são sinais de uma doença silenciosa e que merece ser encarada com mais atenção pela sociedade. Muitos que ainda encaram como “frescura” e que o famoso remédio “isso passa é coisa da idade” vai cura-la de um dia pro outro.</p><p>Não era de se esperar que <strong>Bojack</strong> fosse acompanhado por esse mal que abalou a nova geração. Então para recorrer a melhoras, o cavalo infame começa a beber e se drogar de maneira desenfreada durante anos. Em paralelo, o seriado mostra como ele consegue ganhar coisas em sua carreira de maneira tão fácil, entretanto ele sempre está triste e sentindo insuficiente não só para eles, mas para os outros também. Sinais claros de sua depressão.</p><p>O interessante é que, apesar de todos terem seus demônios e lidarem com eles constantemente durante a série, quase todos conseguem conquistar algo no final. Menos, o famoso <strong>Bojack.</strong> A série nesse quesito é bastante honesta e justa aqui. Ela deixa bem clara ao mostrar que apesar do personagem ter nascido em uma família tóxica, ele é responsável por suas próprias ações, como escolher seu próprio caminho e trilhá-lo para um lado ruim. Sempre lembrando que usar seus problemas familiares e emocionais como desculpa, faz ele ser ainda pior.</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FC2ruyWVo__A%3Ffeature%3Doembed&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DC2ruyWVo__A&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FC2ruyWVo__A%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/1e59c1efb927c7f2dc49288c8efe4a93/href">https://medium.com/media/1e59c1efb927c7f2dc49288c8efe4a93/href</a></iframe><p>Assim como qualquer pessoa, Bojack culpa certas coisas ou pessoas por momentos que acontecem em sua vida. Quando na verdade, certas feridas estão apenas dentro dele e que precisam ser curadas, mesmo que seja difícil admitir que a culpa seja somente nossa.</p><h3><strong>Isso nos leva até o fim.</strong></h3><p>Entender de onde vem o problema de <strong>Bojack</strong> é começar a pensar de onde vem toda a sua frustração. Um lar quebrado e disfuncional? Sonhos que foram frustados e esmagados? A depressão e as drogas? Pensar nessas perguntas é algo muito difícil se lembrarmos que muitas pessoas nascem e morrem sem entender do porque tiveram essa vida. Um dos principais pontos que a série aborda.</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FUg0-7-m0Gdo%3Ffeature%3Doembed&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DUg0-7-m0Gdo&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FUg0-7-m0Gdo%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/e6cd508bf2b6f2902e91e4f15f1db502/href">https://medium.com/media/e6cd508bf2b6f2902e91e4f15f1db502/href</a></iframe><p><strong>Bojack Horseman</strong> é uma série de muitas discussões, depressão, lares quebrados, alcoolismo e como isso afeta a vida. Mesmo com todos esses assuntos, ele não deixa passar o seu principal objetivo: <strong>Como a nova geração está se sentindo perdida e a dificuldade de achar seu lugar no mundo.</strong></p><p>Na próxima semana, terá a continuação desse artigo falando a respeito de como a série aborda a indústria de Hollywood.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=67869ae6f614" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/lucas-almeida/artigo-o-retrato-de-uma-gera%C3%A7%C3%A3o-por-bojack-horseman-pt1-67869ae6f614">Artigo | O retrato de uma geração, por Bojack Horseman (PT1)</a> was originally published in <a href="https://medium.com/lucas-almeida">CRITTIQ</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Artigo|Watchmen e o verdadeiro motivo do porque Deuses não podem ser negros.]]></title>
            <link>https://medium.com/lucas-almeida/artigo-watchmen-e-o-verdadeiro-motivo-do-porque-deuses-n%C3%A3o-podem-ser-negros-978c892ade29?source=rss-4c3f754b8454------2</link>
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            <category><![CDATA[watchmen]]></category>
            <category><![CDATA[literatura]]></category>
            <category><![CDATA[hbo]]></category>
            <category><![CDATA[rorschach]]></category>
            <category><![CDATA[séries]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Lucas Almeida De Sousa]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 18 Feb 2020 16:22:33 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-10-29T21:40:21.611Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h3>Artigo| Watchmen e o verdadeiro motivo do porquê Deuses não podem ser negros</h3><p><em>Minissérie produzida pela HBO em 2019 traz sérias discussões sobre a apropriação cultural negra e coloca em xeque um dos casos mais racistas da história dos Estados Unidos.</em></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*mXzeGZzI3AvtcVviCjWoOQ.png" /><figcaption>Reprodução/Quinta Capa</figcaption></figure><p>Inspirado por meu amigo e sócio deste blog, Renan Honorato, após seu artigo muito bem escrito, decidi “continuar” a discussão trazendo um pouco mais para a atualidade. Quando a ideia desse artigo veio em minha cabeça, percebi que o jeito certo para falar sobre esse assunto seria através de uma das minhas grandes paixões.</p><p>Falar sobre Graphic Novels, com o nome mais popular de histórias em quadrinhos, sempre é uma satisfação para um <em>nerd</em> como eu. Mas, desta vez não seja tão agradável assim. Para aqueles que partilham a mesma paixão que eu por aqui, aficionados por HQs, sabem que elas as vezes tem muito mais do que apenas artes grandiosas e homens de máscaras. Dentre todas com um significado maior do que apenas o entretenimento, temos <strong>Watchmen</strong>, criada e escrita por <strong>Alan Moore</strong>.</p><blockquote><strong><em>A PARTIR DESTE PONTO, O ARTIGO CONTÉM SPOILERS DA MINISSÉRIE DE QUADRINHOS WATCHMEN DE 1986 E DA MINISSÉRIE DA HBO DE 2019</em></strong></blockquote><h3><strong>O que é Watchmen</strong>?</h3><p>Nesta minissérie em quadrinhos publicada em 12 edições entre 1986 e 1987, temos um enredo que se passa no momento histórico denominado como a Guerra Fria. Onde tensões foram criadas pela Rússia e Estados Unidos. Em paralelo, para trazer o público de outros gêneros de quadrinhos, temos um grupo de vigilantes que atuam em Nova York que não passam de pessoas comuns. Tudo estaria igual a uma HQ normal e não teria uma relevância histórica se não houvesse entre eles, o mais conhecido como Doutor Manhattan.</p><p>Após um acidente laboratorial, Jonathan Osterman aderiu poderes sobre humanos. Teletransporte, telepatia, onipotência, onipresença, entre outros poderes englobam a vasta complexidade desse personagem. Basicamente, um Deus. Partindo deste ponto, temos algumas modificações históricas sobre a tensão entre EUA e Rússia e a guerra do Vietnã. A vitória –como alguns países e apostilas questionam- dos Estados Unidos, só foi possível devido ao Dr. Manhattan após ter desintegrado as tropas inimigas.</p><p>O Enredo dessas 12 edições começa quando um integrante do grupo de vigilantes suspeita de uma conspiração ligada ao assassinato do Comediante, um ex-membro do grupo <strong>Watchmen</strong> que foi expulso. No final, nos é revelado que tudo não passava de um plano do homem mais inteligente do mundo, Ozymandias, para unir todas as nações contra um mal comum e encerrar a guerra fria e as ameaças de bombas nucleares.</p><p>A grande discussão política em torno desta HQ é a decisão radical tomada pelo empresário e ex-vigilante. Junto de seu plano para torná-lo mais verossímil, ele mata milhões na ilha de Manhattan e assim seu sacrifício genocida salva o mundo da extinção global e todos ficam felizes. Menos Rorschach, vigilante que iniciou toda a investigação. Ele diz que tudo que Ozymandias fez é moralmente errado, apesar de ter salvo o mundo. No fim, ele acaba sendo morto por Manhattan que apoia o plano do gênio louco.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*xwzsNang5w5btuw6IQPbAg.jpeg" /><figcaption>Ilustração do justiceiro Rorschach na minissérie de Alan Moore. Reprodução/Polygon</figcaption></figure><h3><strong>De 1865 até 2019.</strong></h3><p>Anos se passaram e <strong>Watchmen</strong> nunca perdeu sua fama e importância de discussões mais sérias dentro dos quadrinhos. Apesar de não ter sido a primeira que transita entre a realidade e o ficcional em prol de uma discussão mais assertiva, foi ela que teve um maior destaque.</p><p>Mas porque ela seria tão importante nos dias de hoje?</p><p>No mês de outubro de 2019, a HBO decidiu dar uma continuação a aclamada Graphic Novel de <strong>Alan Moore </strong>em uma minissérie de 9 episódios.<strong> </strong>Se passando em uma terra com uma linha histórica diferente, estamos em um Estados Unidos diferente. Onde a tecnologia não é tão avançada como a nossa, um <strong>Robert Redford</strong> presidente, vigilantes e justiceiros criando guerras com seus caçadores, policiais vestindo mascaras para proteger suas vidas e claro, um ressurgimento de um estado democrático segregativo.</p><p>Assim como a maioria das apostilas gostam de relembrar, a América em seus anos de <em>American Dream</em> vieram junto com a época mais segregativa e racista do País.</p><p>No dia 31 de janeiro de 1865, foi redigido a <strong>13ª Emenda</strong> da constituição estadunidense que proibia a escravidão e servidão em todas as vertentes. Junto dela veio a <strong>15ª Emenda</strong> da constituição que proibia que alguém fosse impedido de votar. Independente da sua raça, cor ou classe social. Essa época ficou conhecida como a “Era da reconstrução”.</p><p>Que por sinal, durou pouco devido a pressões de políticos sulistas dos Estados Unidos. Onde a escravidão demorou mais para se encerrar apesar de ser o lado perdedor da guerra civil da época. Logo, começará a grande segregação racista dos Estados Unidos que ficaram conhecidas como “As Leis Jim Crow”</p><h3>Jim Crow era um personagem fictício da época que fazia uma representação racista da população negra na década de 1830</h3><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*ogWdSeXr2nYWpTJG_Ar4fg.jpeg" /><figcaption>Representação Ilustrativa do personagem Jim Crow. Reprodução/New York Public Library</figcaption></figure><p>Neste ponto, todo mundo sabemos o que seriam a leis segregativas. Criada em uma base que dizia “direitos iguais, mas separados”, vemos aqui as maiores representações racistas muito usadas no cinema, por exemplo. Vagões apenas para negros, bebedouros e banheiros separados entre brancos e coloridos, faculdades com politicas apenas para brancos, entre outras situações.</p><p>Porém, entre todos os estados racistas espalhados pelos Estados Unidos, temos um que foi de maior destaque e importante para a série de <strong>Watchmen</strong>, Oklahoma. Criado originalmente para ser uma reserva indígena, o estado foi culturalmente criado seguindo uma vertente do modelo escravista e racista do sul. Onde tudo era atingido pelas leis Jim Crow, que inclusive estava enraizadas nas leis estadistas.</p><h4>É importante ressaltar que nessa época, todos podiam votar. Mas, as características para uma mulher ou um homem negro participar das eleições eram tantas que chegava a ser impossíveis de ser cumprir todas. Assim como todas vertentes publicas onde cidadãos podiam participar.</h4><p>Com isso, as situações de racismo e segregações ficaram cada vez piores com a chegada da primeira guerra mundial. Onde a maioria dos combatentes dentro do exército americano eram negros. Que acabou criando-se ideias discriminatórias dentro dos pelotões.</p><p>Dentre 2 milhões de soldados que foram para a guerra, cerca de 370 mil eram negros e quando ela acabou, nenhuma política ou suporte foi dado aos soldados da época. Isso agravou drasticamente a opressão e violência contra a população negra devido a alta taxa de desemprego e grupos radicalistas supremacistas, que organizavam linchamentos e ataques contra pessoas de cor de diversas cidades.</p><p>A concentração em Oklahoma, mais especificamente em Tulsa, de povos brancos, negros e imigrantes-que também eram atacados por grupos radicais-triplicou naquela época. Isso ocorreu devido a descoberta de poços de petróleo.</p><p>Assim como na Alemanha nazista, ocorreram a segregação em bairros. O de ampla maioria negra se chamava Greenwood, que por sinal era o bairro comercial mais próspero e muito bem posicionado de maneira econômica. Foi conhecido naquela época como a “Wall Street negra”, termo racista referido naquela época.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*aYt8yJh7GYXy-Wj4ZawCjA.jpeg" /><figcaption>Foto do bairro de Greenwood, 1921. Reprodução/Bloomberg Philanthropies</figcaption></figure><p>Tudo mudou no dia 30 de maio de 1921, quando o caso Dick Rowland aconteceu. Após uma mulher branca ter feito acusações-que provavelmente são falsas-contra Dick que era um homem negro, de te-la abusado sexualmente, instalou-se uma tensão em Tulsa. Que levou a um dos casos mais inacreditáveis da historia racista americana, o massacre de Tulsa.</p><p>Após o xerife ter recebido informações sobre o linchamento Dick Rowland, cerca de 80 homens negros se armaram e foram até o tribunal onde acontecia o julgamento para evitar que isso acontecesse. Onde a KKK e outros grupos radicalistas também estava presentes e armados. Em meio a tensão do julgamento, um homem negro recusou a entregar sua pistola para um homem branco, o que causou um estopim para o evento.</p><p>Para conter o conflito e não atingir outras cidades de população branca, foi feito um cerco a Greenwood. Onde acontecia todo o cenário de violência, mortes e saques contra o bairro popularmente negro. O termo racista na época foi referido como a “A revolta dos negros”. Cerca de 300 pessoas morreram no dia e mais de 8000 ficaram feridas. A maioria entre mortes e pessoas machucadas, eram negros.</p><p>“Mas qual seria a relevância dos acontecimentos de Tulsa para a série <strong>Watchmen</strong>?” Simples, a nova minissérie da HBO se passa na cidade de Oklahoma, onde aconteceu o massacre e possui um forte vinculo com a narrativa.</p><p>A primeira cena do episódio de estreia nos coloca dentro do conflito. Pelos olhos de um garoto que se torna um personagem importante para o desenrolar da historia que vem a seguir. Junto disso, vem com a principal discussão da série. <strong>A apropriação cultural negra</strong>.</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FShw2-7uazc0%3Ffeature%3Doembed&amp;display_name=YouTube&amp;url=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DShw2-7uazc0&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FShw2-7uazc0%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/eb0d0f2ace6bf4062d4ef1a0001e0490/href">https://medium.com/media/eb0d0f2ace6bf4062d4ef1a0001e0490/href</a></iframe><h3>O verdadeiro motivo do porque Deuses não podem ser negros.</h3><p>A minissérie Watchmen para manter um suspense e não jogar todas as suas cartas de uma vez, usa o recurso de não linearidade para contar sua historia. Logo em seguida à cena acima acompanhamos a personagem Angela Abar nos tempos de hoje, personagem representada pela atriz Regina King.</p><p>Angela é uma policial “aposentada” que em segredo é a vigilante a favor da lei “Sister’s Night”. Ela é casada com um homem negro com três filhos adotivos, os três são brancos. Em uma cena escolar do primeiro episódio, onde Angela apresenta para turma do seu filho mais velho sua profissão de fachada, ela é surpreendida com a seguinte pergunta:</p><blockquote>“Você é a favor das <strong>Redfordações</strong> ?”</blockquote><p>As <strong>Redfordações</strong> foi um projeto de campanha criado pelo ator e presidente no mundo <strong>Watchmen</strong>,<strong> Robert Redford</strong>. O projeto consiste em dar uma “bolsa-compensação” para negros de todo o País pela escravidão.</p><p>Com isso, criou-se uma onda racista crescente nos Estados Unidos no universo da série. E junto disso, veio o grupo supremacista denominado “Os Rorschach”. Grupo radical que faz ataques a não apenas negros, mas policiais também. Isso traz o motivo do porque policiais usam mascaras. O grupo terrorista é fundado em cima da premissa de acreditar em uma “America de volta aos tempos de ouro”.</p><p>Esse grupo radical fictício tem origem na época 1960. Antes denominado como “Os ciclopes”. Essa vertente da historia é muito importante para o personagem mostrado no clipe do episódio acima.</p><p>Na série, é abordado varias vezes sobre um documentário em relação aos “Minutemen”, o primeiro grupo de vigilantes criado no universo de <strong>Watchmen</strong>. Em alguns episódios é mostrado para o público que o primeiro vigilante famoso conhecido como “o justiça encapuzada” era um homem branco, justiceiro e muitas vezes discriminado por ser homossexual.</p><p>Porém, ao desenrolar da trama, é nos mostrado de maneira impactante uma forma de <strong>apropriação cultural</strong> <strong>negra</strong> na sua forma mais pura. O Justiça encapuzada na verdade, foi um policial negro e homossexual antes de se tornar um justiceiro. A sua descrença na justiça aconteceu quando ele tentou prender um homem por racismo. No dia seguinte, o homem foi solto e nada foi feito. Logo após o ocorrido, policias da mesma diligência que a sua tentaram matá-lo enforcado para simplesmente se livrar dele.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*i6Sh5Nc_qbczRECdmFzN-w.jpeg" /><figcaption>Representação no documentário dentro da minissérie Watchmen do vigilante Justiça encapuzada. Reprodução/HBO</figcaption></figure><p>Em suas vestimentas como justiceiro, ele usa uma corda no pescoço com um laço. No documentário é nos dito que o justiça encapuzada usa essa corda para representar a opressão contras a pessoas menos favorecidas, quando na verdade, o real motivo foi porque um homem negro foi quase morto enforcado por ela. Logo em seguida em um surto de raiva, o policial negro mata os supremacistas com a corda ainda no pescoço.</p><p>Através dessa representação forte e cheia de simbolismos, a série choca o seu telespectador, mostrando que apesar de ser algo fictício, é tão real quanto um massacre no bairro negro mais próspero dos Estados Unidos. É impressionante como Watchmen encontra uma linha tênue entre o real e o inventado sem deixar de ser uma discussão que pode perdurar por anos.</p><p>Outro exemplo mostrado na série, é em volta do ser mais poderoso do universo de Watchmen, Doutor Manhattan.</p><p>Recluso após o plano de Ozymandias ter dado certo, Manhattan está desaparecido onde muitos acreditam que ele está em Marte. Quando na verdade está em Tulsa, vivendo sem seus poderes na pele de um homem negro. Quando Angela descobre o plano da organização supremacista de roubar os poderes de Manhattan para criar basicamente um Deus racista, ela decide fazer algo a respeito. Quando o Doutor é despertado, apesar de saber de tudo sobre presente, futuro e passado, ele decide não lutar.</p><p>Manhattan é derrotado e capturado e a série faz questão de mostrar que ele tem todo o potencial de fugir, mas não o faz e aceita o seu “destino” assim como o próprio super humano diz. O curioso é que, mesmo voltando a ser o Deus azul novamente ele decide manter suas afeições e aparência do homem negro, apesar do personagem ser originalmente branco.</p><p>No fim, Manhattan é morto e seus poderes são retirados e extintos. E finalmente vem a grande mensagem da série e o motivo do porque Deus não pode ser negro.</p><p>Assim como em Tulsa quando homens brancos se apropriaram daquilo que uma população negra criou, um homem branco se apropriou da história de um vigilante negro. Que final, também tentou se apropriar do poder de um Deus que era também era negro. Manhattan decidiu não lutar porque o seu destino não era imutável, mas sim porque ele sabia que isso aconteceria de novo até que um dia, alguém iria conseguir.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*tEcvYI67te3X27w3xt1HGg.jpeg" /><figcaption>Integrante do grupo Os Rorschach na minissérie Watchmen. Reprodução/HBO</figcaption></figure><p>Ao juntar a minissérie com sua fonte original, percebe-se um obra completa. Não é apenas homens azuis que são Deuses ou justiceiros que buscam saber a verdade.<strong> Watchmen é uma aula de apropriação cultural negra e como ela está enraizada em nossa história. A reflexão e atenção sobre certos assuntos que não sabemos ou compreendemos é o que precisamos nesse momento. O pior disso tudo é que, ninguém está falando sobre esse evento.</strong></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=978c892ade29" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/lucas-almeida/artigo-watchmen-e-o-verdadeiro-motivo-do-porque-deuses-n%C3%A3o-podem-ser-negros-978c892ade29">Artigo|Watchmen e o verdadeiro motivo do porque Deuses não podem ser negros.</a> was originally published in <a href="https://medium.com/lucas-almeida">CRITTIQ</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[Crítica: 1917]]></title>
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            <category><![CDATA[sam-mendes]]></category>
            <category><![CDATA[guerra]]></category>
            <category><![CDATA[críticas]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Lucas Almeida De Sousa]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 06 Feb 2020 14:09:03 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-02-06T14:09:03.539Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4><em>Novo filme de Sam mendes em termos técnicos é impecável, mas perde um pouco de sua magia em uma narrativa rasa.</em></h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*b91W7uqxTStpShGrbHftxg.jpeg" /><figcaption>Reprodução/Olhar Digital</figcaption></figure><p>Considerado um dos favoritos do Oscar para melhor filme, <strong>1917</strong> traz em sua trama uma historia fictícia sobre a primeira guerra mundial, dirigido e escrito pelo diretor <strong>Sam Mendes</strong> (007: contra Spectre; Beleza americana). No longa, acompanhamos a historia de dois soldados que precisam enviar uma mensagem até um pelotão para evitar que eles caiam em uma armadilha.</p><p>Assim como visto em outros filmes, Sam Mendes é um diretor de mão cheia. Não só conhecido pelas cenas de ação, mas também na sua criação em cima do drama. Aqui ele tentar encaixar os dois em um filme de 2 horas que nos resulta em um drama militar muito bem dirigido.</p><p>Quando o filme se inicia, não temos noção da grandeza técnica que vamos presenciar. Logo de inicio, sabemos da missão dos dois personagens que vamos seguir e também, sabemos que eles tem 8 horas para conseguir conclui-lá. Então, para pegar aqueles que forem ver o filme totalmente as cegas, não sabem que a narrativa se baseia em um inacreditável plano sequência.</p><p><strong>1917 </strong>propõe uma missão ao telespectador, contar uma história em uma experiência de imersão para sentirmos que estamos no meio de um campo de batalha, por isso os grandes planos sequências são justificáveis. Para aqueles que assistirem um filme com atenção, é realmente impossível encontrar cortes durante a narrativa. Parece um documentário muito bem feito sobre a primeira guerra mundial e poucas vezes nos vemos duvidando do que acontece na tela.</p><p>Por esse aspecto, <strong>Sam Mendes</strong> precisa ser reconhecido. Ter controle de um filme ambicioso como esse, não é para muitos. Mas, quando tratamos da parte narrativa, o filme deixa a desejar. Quando analisamos <strong>1917 </strong>em uma narrativa geral percebemos que o longa tem características bem parecidas de um videogame sobre a primeira guerra.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*MgbF3LjIxnc2pFESE9RS0g.jpeg" /><figcaption>Reprodução/Palavras do Cinema</figcaption></figure><p>No início eles tem a missão principal e ao decorrer do filme, varias pequenas missões secundarias passando por vários cenários onde precisam resolver certos conflitos para ir a outro certo lugar. Reconheceu algum jogo com aspecto parecido? É evidente que o diretor precisou largar de mão alguns aspectos do filme pela forma que a narrativa é contada. Por isso, existe o motivo claro de uma historia rasa.</p><p>O que da mais espaço para os dois protagonistas principais mostrarem que conseguem entregar algo além de um show visual e o que vemos é algo realmente gratificante. Com poucos recursos a mão e certas dificuldades de roteiro, <strong>George MacKay</strong> (Capitão fantástico) e <strong>Dean-Charles Chapman</strong> (Game of Thrones) entregam personagens incrivelmente verdadeiros que entregam cenas emocionantes e muito tocantes. O filme também espalha certas surpresas em seu elenco que são muito bem vindas sem precisar forçar aparição ou trazer diálogos desnecessários.</p><p>Tentando trazer um olhar bonito e triste para uma guerra, <strong>1917</strong> é um feito único de direção. Ele entrega cenas emocionantes, lindas e incrivelmente bem feitas em seu épico de guerra. Apesar de pecar em alguns aspectos narrativos, o filme entrega uma incrível experiência de imersão que quando terminamos, sentimos que algo nos foi passado. E no final, apesar de tristes, um sentimento gratificante nos rodeia.</p><p>Nota: <strong>8.5/10</strong></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=9efbd752fbac" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/lucas-almeida/critica-1917-9efbd752fbac">Crítica: 1917</a> was originally published in <a href="https://medium.com/lucas-almeida">CRITTIQ</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Crítica: com uma mensagem social profunda e um roteiro inteligente, “Parasita” é uma obra-prima.]]></title>
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            <category><![CDATA[cinema]]></category>
            <category><![CDATA[parasita]]></category>
            <category><![CDATA[filmes]]></category>
            <category><![CDATA[oscars]]></category>
            <category><![CDATA[críticas]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Lucas Almeida De Sousa]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 27 Jan 2020 14:13:53 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2020-01-27T14:13:53.390Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p><em>Filme sul-coreano dirigido por Boon Joon-ho, traz uma mistura de gêneros em um filme ousado, inteligente e com uma crítica social muito forte.</em></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*vg4M1g5chjKbLL_59DC4GQ.jpeg" /></figure><p>Quando foi anunciado pelas terras brasileiras, o filme <em>Parasita</em> já havia uma certa repercussão na mídia. Conhecido como a “Surpresa do Oscar” de 2020, o longa dirigido pelo cineasta <strong>Boon Joon-ho</strong> vem trazendo uma legião de elogios juntos com as principais estatuetas nesta temporada de premiações.</p><p>Na trama, acompanhamos uma família que vive em condições sub-humanas tentando ganhar dinheiro para sobreviver. Até que o personagem principal, conhece uma família que o emprega.</p><p>Falar uma sinopse mais extensa que isso pode estragar sua experiência, que aliás é isso que o filme nos entrega, uma experiência. Poucos filmes hoje em dia trazem algo inovador que fazem você ter uma sessão única de cinema como <em>O sexto sentido</em> ou <em>Matrix</em>.</p><p>Categorizando eles como “Filmes experiências”, são longas que precisamos revisitar para vermos com mais atenção o que passou durante a nossa tela. Pequenos detalhes que passaram despercebidos, pistas suaves sobre o futuro do filme, diálogos que fazem você pensar cada vez mais e entre outros. Assim como os outros mencionados, <em>Parasita</em> é um deles.</p><p>Logo no início do filme, vemos como os personagens vivem em condições precárias, através de uma das principais críticas atuais e de maneira bem simples, ele fala para o telespectador que pessoas como elas não vão poder ver esse filme que você está presenciando. Esse é o principal ponto da narrativa, mostrar até mesmo de uma maneira exagerada, como uma história pode ser o mais real possível.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*k34onbIU5J72uCDeJ1Bn5g.jpeg" /></figure><p>Isso acontece durante o filme inteiro através de humor bem dosado e com o tempo Joon-ho executa aquilo que faz de melhor, vai criando uma tensão atmosférica para um final dramático. Quando o filme tem o momento de respiro, ele coloca em cena seu <em>plot twist </em>que muda totalmente o tom do filme. Que se torna pesado e forte.</p><p>O ponto mais interessante do filme é a empatia que você cria pelos personagens principais. Diversas vezes durante o filme, ele mostra para o telespectador situações sub-humanas que eles vivem, tornando o plano deles justificável. Que ao mesmo tempo, faz questionar se aquilo que você está pensando é o certo.</p><p>Se percebemos atentamente, o assunto principal do filme é o relacionamento nos dias de hoje. Passar por cima de outra pessoa para conquistar algo é o certo? Relações profissionais sem vínculo são a melhor alternativa? Tudo isso misturando com as principais críticas sociais hoje em dia, com um roteiro imprevisível e até mesmo, cruel muitas vezes.</p><p><em>Parasita</em> é um filme para aquele que busca uma ótima experiência cinematográfica, misturando todos os tipos de gêneros como, terror, drama, comédia junto de uma consciência social, mostrando que a pobreza e o “não existir na sociedade” acontece em todos os países e culturas.</p><p>Para aqueles que precisam de nota: <strong>10/10</strong></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=c26fdeda63b2" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/lucas-almeida/cr%C3%ADtica-com-uma-mensagem-social-profunda-e-um-roteiro-inteligente-parasita-%C3%A9-uma-obra-prima-c26fdeda63b2">Crítica: com uma mensagem social profunda e um roteiro inteligente, “Parasita” é uma obra-prima.</a> was originally published in <a href="https://medium.com/lucas-almeida">CRITTIQ</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Crítica: Tentando responder apenas perguntas dos fãs, “ A ascensão Skywalker” é um final fraco…]]></title>
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            <category><![CDATA[skywalker]]></category>
            <category><![CDATA[star-wars]]></category>
            <category><![CDATA[críticas]]></category>
            <category><![CDATA[cinema]]></category>
            <category><![CDATA[ascensão]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Lucas Almeida De Sousa]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 24 Dec 2019 00:43:28 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2019-12-24T14:15:40.557Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h3>Crítica: Tentando responder apenas perguntas dos fãs, “ A ascensão Skywalker” é um final fraco para uma franquia grandiosa</h3><h4>Episódio IX aposta em grandes reviravoltas e cenas grandiosas, mas acaba entregando um roteiro acelerado e um final problemático para a saga Skywalker.</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*vCSaZmwxnhwkrSMje3C1kw.jpeg" /></figure><p>Diferente das outras críticas isoladas que você pode encontrar neste Medium, antes de falarmos sobre o final derradeiro da franquia Star Wars (pelo menos até o presente momento) vamos fazer um apanhado sobre o que aconteceu nessa nova trilogia. Através dessa rápida retrospectiva, podemos entender um pouco mais sobre o último filme.</p><p>Começamos então, em 2015, com o <strong>“<em>Despertar da força”.</em></strong><em> </em>Dirigido por <strong>J.J Abrams</strong>, um dos criadores da série lost e diretor de Star Trek (2009). O primeiro filme da nova trilogia traz elementos nostálgicos e conhecidos da saga. Conhecido pela crítica como uma “Refilmagem do episódio IV”, o longa pouco se arrisca e copia elementos do primeiro filme lançado em 1977. Porém, ele traz um novo rosto para franquia com novas ideias promissoras para o futuro.</p><p>O que se provou em sua sequência dois anos depois, com a direção de <strong>Rian Johnson</strong>. O Episódio VIII da saga Skywalker titulado como <strong><em>“Os Últimos Jedi”</em></strong> se arrisca de forma inesperada, trazendo novos caminhos para a saga. Com cenas grandiosas e um roteiro quase prefeito, o filme explora de forma bem-feita os novos e antigos personagens. Misturado com cenas grandiosas e emocionantes, pode-se dizer que o penúltimo capitulo da franquia é um dos melhores Star Wars já feitos.</p><p>O que nos leva ao último momento da saga iniciada a 40 anos atrás. O episódio IX que trouxe o nome de <strong><em>“A ascensão Skywalker”</em></strong>, retorna novamente com a direção de <strong>J.J Abrams</strong>. Após a morte de Luke Skywalker, o filme narra os acontecimentos finais dos personagens junto do retorno de um velho inimigo.</p><p>Ao subir das letras iniciais acompanhado com o tema clássico de Star Wars, junto vem um aperto no coração. Saber que pode ser a última vez que isso rodará nas telas dos cinemas, uma emoção vem carregada combinada com um otimismo sobre o que estar por vir.</p><p>De início, o que vemos é muito interessante. A volta do grande imperador Palpatine traz mistério à nova narrativa, apesar de ser algo difícil de responder o filme encontra uma solução aceitável, através do arco do novo vilão Kylo Ren <strong>(Adam Driver)</strong> que ocorre logo nos primeiros 2 minutos. Em seguida, as coisas começam a desleixar</p><p>No primeiro ato do filme, o roteiro e o diretor estão mais preocupados em desfazer conceitos que o filme antecessor trouxe para a franquia. Em paralelo, ele mostra o objetivo dos nossos heróis de forma bem expositiva e acelerada, não deixando tempo para o público absorver as novas ideias. O que tira muito da emoção de cenas da Leia, interpretada pela falecida <strong>Carrie Fischer</strong>.</p><p>Porém, dentre a narrativa e ideias afobadas um espirito de Star Wars ainda se mantém mostrando que logo a frente você verá uma grande aventura, misturada com os novos e antigos personagens dentro da Millenium Falcon. Isso dura até o início do segundo ato, onde eles voltam a responder perguntas que já estavam com ótimas respostas e pontos finais decididos. Logo depois, esse espirito se quebra com a separação novamente das personagens.</p><p>Durante o resto do segundo ato, ele explora cada vez mais a força da Rey (<strong>Daisy Ridley</strong>) e de Kylo junto da ligação misteriosa que eles possuem. Isso se demonstra um ótimo ponto forte do filme. Ele melhora conceitos já trazidos pela nova trilogia e adiciona mistérios durante a história. Quando passado um pouco mais da metade do tempo de duração, ele deixa de lado o conceito mais interessante e começa a apostar em revelações sem sentido que mais enfraquecem do que melhoram a narrativa.</p><p>É neste momento que tudo começa a desandar. Quando o folego do filme aparece, é quando se percebe a falta de personalidades das personagens. Enquanto uns se tornaram apenas ferramentas para a história continuar a frente, outros são apenas recursos para cenas de ação ou simplesmente não fazem nada.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*w7scC1t9bsmPlIfZn5GdUA.jpeg" /></figure><p>O único arco que realmente se torna muito satisfatório durante o longa é o de Kylo Ren. Misturado com dor e angustia, ele ainda tenta se encontrar. O que traz boas cenas de <strong>Adam Driver</strong>, que se mostra um bom personagem com cenas emocionantes e com um desfecho satisfatório.</p><p>Com as 2h21min quase chegando ao fim, você ainda vê o erro mais evidente do filme. Junto disso, cenas que remetem aos filmes anteriores, algumas carregadas de certas emoções misturado com a nostalgia, outras… nem tanto.</p><p>O desfecho do filme vem junto dos seus grandes problemas. O final do terceiro ato é misturado com cenas grandiosas de uma batalha épica e facilidades do roteiro. O clímax é estabelecido entre os personagens principais contra o grande mal, que se demonstra muito ameaçador, porém mal aproveitado. Logo em seguida, vemos a parte mais sem sentido do filme. O roteiro desconstrói a sua melhor vantagem, levando a narrativa para um caminho que perde totalmente sua essência.</p><p><strong>Star Wars: A ascensão Skywalker</strong> é um filme muito difícil de se digerir, mesmo que alguns não queiram. Após uma jornada de 40 anos em uma galáxia muito distante, o filme deixa a desejar. Ele perde a coragem de se arriscar e prefere se prender a conceitos e perguntas antigas já respondidas. No geral, ele possui sua beleza de mostrar um pouco mais desse maravilhoso universo com lutas espaciais e a vida dentro dele, porém ele traz um final vazio e pouco emocionante para uma das melhores franquias que já existiu.</p><p>Para aqueles que precisam de nota: <strong>5/10</strong></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=899d781cb203" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/lucas-almeida/cr%C3%ADtica-tentando-responder-apenas-perguntas-dos-f%C3%A3s-a-ascens%C3%A3o-skywalker-%C3%A9-um-final-fraco-899d781cb203">Crítica: Tentando responder apenas perguntas dos fãs, “ A ascensão Skywalker” é um final fraco…</a> was originally published in <a href="https://medium.com/lucas-almeida">CRITTIQ</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Crítica: Com uma história simples e concisa, “El Camino” é uma das melhores surpresas do ano.]]></title>
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            <category><![CDATA[críticas]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Lucas Almeida De Sousa]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 16 Oct 2019 04:18:57 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2019-10-16T04:18:57.456Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<p><em>Seis anos após o termino da série, o universo de “Breaking Bad” retorna de forma familiar para contar o final de Jesse Pinkman.</em></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*rbWSpDXRo_PuKVw0gGc9gw.jpeg" /></figure><p>A série televisiva <em>Breaking Bad, </em>lançada em 2008 e com o seu término cinco anos depois, é considerada um dos melhores seriados de todos os tempos. Seis anos após seu encerramento, Vince Gilligan, criador original da série anuncia um filme derivado do universo de Heisenberg. Desta vez, Jesse Pinkman <strong>(Aaron Paul)</strong> é o protagonista da história. Filmado em segredo e anunciado de surpresa, <em>El Camino </em>responde a dúvida do grande final da quinta e última temporada da série<em>. </em>O que aconteceu com o ajudante de Walter White?</p><p>Aqui vemos novamente um caso de anúncio amargo. Quando o derivado veio a público, a pergunta feita era se precisava retomar um acontecimento de seis anos atrás, que terminou se consolidando como um dos melhores finais já feitos. Contudo, com uma história concisa e simples, <em>El Camino </em>retoma aquilo que há de melhor no universo criado pela série trazendo um final para Jesse Pinkman.</p><p>Um dos pontos fortes do filme, é que ele começa no momento que a série acaba. Vemos Pinkman, fugindo do cativeiro dentro de um carro que leva o mesmo nome do derivado. Aqui se vê uma das grandes características de Breaking Bad, o fim e o começo intenso. O final e o início de temporadas de maneira reveladora ou em ação constante, traz a sensação mergulhar dentro da série novamente e sentir que está vendo um “super-episodio” de final de temporada.</p><p>O filme em seu todo é um encerramento de arco, logo ele não perde tempo em explicações desnecessárias. As duas horas de filme são focadas totalmente em Jesse Pinkman- interpretado de maneira excepcional por Aaron Paul- que possui uma evolução notável e isso passa a ser o grande ponto da narrativa, retomar aquilo que já era estabelecido.</p><p>Aqui, vemos ainda o mesmo adolescente inocente que começou a fazer drogas com o professor de química. Traumatizado por viver em cativeiro durante muito tempo, Jesse tenta lidar com a realidade de fugitivo enquanto procura algum lugar para ir. Porém, sabemos, que se ele for o mesmo personagem que sempre conhecemos ele não chegará a lugar nenhum. Em certos momentos do filme você pensa para si mesmo “Você ainda continua assim Jesse? ”. O garoto ingênuo ainda está lá, porém assim como qualquer outra temporada ou episódio regular de <em>Breaking Bad</em>, há o ponto de virada.</p><p>O filme usa de maneira bem dosada o recurso de <em>Flashbacks</em>, onde se possui uma ideia por trás. Personagens que não lembrávamos, uma indicação do destino de Jesse Pinkman, uma lembrança de alguém querido (ou não). Todos são usados como elementos narrativos. Um deles é a tortura e os tempos difíceis em cativeiro. Trazendo cenas desconfortáveis e de tortura, você sente pena do personagem que usa desse mesmo recurso para conseguir algo na narrativa, assim como na série. Quando o personagem interpretado por Robert Foster aparece, o ponto de virada ocorre. Trazendo efeito em apenas uma frase estilo Breaking Bad, Jesse Pinkman possui a evolução que ele precisava para conseguir seu objetivo.</p><p>Do segundo ato até o encerramento, Jesse corre atrás de seu plano de fuga. Nesse momento, para alguns, pode haver um ritmo um pouco lento para as coisas acontecerem. Contudo, assim como o personagem e o uso de elementos narrativos, a série nunca se apressou ou usou de ação desnecessária para contar uma boa história. É exatamente o que acontece aqui. Gilligan usa todos os seus recursos e tempo em tela para você se reconectar com aquele mundo novamente. As maravilhosas cenas de sob o deserto, os devaneios dos personagens e diálogos memoráveis entre queridos personagens fazem parte de uma nostalgia pura e de bom gosto.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*JUpC9JzPj-fxFf1BCBEijA.png" /></figure><p><em>El Camino </em>é uma história fechada, simples e feita de maneira carinhosa pelo mesmo criador do material fonte. Trazendo um final satisfatório para um personagem querido e fazendo você retornar a um universo cativante, o filme de Breaking Bad é um ótimo deleite para aquele é fã e sentiu vontade de retornar aquele mundo e rever aqueles personagens.</p><p>Para aqueles que precisam de nota: <strong>8/10</strong></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=7e09b5db5a31" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/lucas-almeida/cr%C3%ADtica-com-uma-hist%C3%B3ria-simples-e-concisa-el-camino-%C3%A9-uma-das-melhores-surpresas-do-ano-7e09b5db5a31">Crítica: Com uma história simples e concisa, “El Camino” é uma das melhores surpresas do ano.</a> was originally published in <a href="https://medium.com/lucas-almeida">CRITTIQ</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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