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        <title><![CDATA[LADO B - Medium]]></title>
        <description><![CDATA[Para pensar arte, fé e cultura. - Medium]]></description>
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            <title>LADO B - Medium</title>
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            <title><![CDATA[Microcosmos criativos]]></title>
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            <category><![CDATA[cultura]]></category>
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            <dc:creator><![CDATA[Bruno Maroni]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 12 Apr 2024 17:49:52 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-04-12T17:49:52.854Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>formando curadores e criadores culturais</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*9M_TjXHsn8GnrNzGGOs_UA@2x.jpeg" /></figure><p><strong>Transformar a cultura é uma ambição para muitos cristãos.</strong> De fato, digamos, “fazer a diferença onde estamos” é consequência natural do discipulado. Há maneiras distintas, no entanto, de pensar na e articular a transformação cultural. É de costume irmos para o lado imposição, beirando o domínio, ao invés de seguirmos o caminho do cultivo silencioso. Transformamos a cultura enquanto os horizontes do Reino invadem a paisagem inóspita desta terra caída. E como a própria chegada do Reino de Deus, <strong>a transformação cultural também começa como um grão de mostarda.</strong></p><h4><strong>De baixo para cima</strong></h4><p>Para a igreja, o desejo agudo de mudar o mundo pode até ser honesto, mas é também traiçoeiro. Queremos mudar as coisas de cima para baixo, com planos de ação pretensiosos e projetos de poder agressivos. Sem lembrar que <strong>o solo da nossa cultura só pode ser curado por jardineiros humildes, generosos e compassivos, à imagem de Jesus.</strong> Pensamos que a semelhança com Cristo serve apenas para a piedade pessoal, mas justamente <strong>isso que é mais necessário para a transformação cultural: pessoas parecidas com Jesus. </strong>Em outras, o trabalho de renovar a cultura se dá de baixo para cima. São pequenas transformações invisíveis.</p><p>E qual seria o papel da igreja? Em um duplo movimento, <strong>acolher e enviar curadores e criadores culturais.</strong> Bastante gente me pergunta sobre qual deve ser a influência dos cristãos na arte e na cultura popular.</p><p>Em primeiro lugar, há décadas de influência já sedimentadas no terreno cultural. Quantitativas? Sim. Qualitativas? Nem sempre. O mercado gospel, por exemplo, é um meio de presença cultural cristã. Um rótulo, contudo. Assim como eu, as pessoas que me perguntam sobre o tema esperam por um tipo de influência distinta. Em segundo lugar, discordo da ideia de que para fazer a diferença na cultura a igreja deva travestir-se do que ela não foi vocacionada para ser, <strong>copiando os protocolos, processos e produtos da indústria cultural. </strong>A igreja não precisa emular a Netflix para transformar o cinema, não precisa lançar hitmakers para mudar os rumos da música e assim por diante.</p><h4><strong>Microcosmos culturais</strong></h4><p>A igreja deve formar pessoas comprometidas com Cristo e, por isso, <strong>apaixonadas pela cultura — zelosas pelo solo da criação e pela alma da sociedade.</strong> Como tão bem coloca o artista plático Makoto Fujimura, a igreja pode assumir o privilégio de moldar <strong>comunidades gerativas, dispostas e disponíveis para contribuir com o florescimento humano,</strong> devolvendo beleza e virtude à cidade (ou aos campos). Isso é o que ele chama de cuidado cultural. A igreja pode não ser um conservatório musical, uma escola de cinema ou uma academia de arte. Mas certamente é uma comunidade de <strong>pessoas maravilhadas com a criação de Deus</strong> e suas milhares possibilidades de florescimento (ou, como diria Fujimura, momentos de gênese).</p><p>Qual seria o desfecho prático desta ideia? O pastoreio — no sentido de “acompanhamento” — de microcosmos culturais, <strong>pequenas plataformas de discipulado cultural</strong>. Como sugeri, espaços do tipo ensinam, encorajam e enviam criadores e curadores culturais, de corações renovados para uma jornada de renovação humilde (sejam eles artistas, cozinheiros, empreendedores, cientistas, faxineiros). Este é um movimento que pode começar pelo simples incentivo, pela sugestão de curiosidade. Quem em sua comunidade se interessa por arte e cultura popular? Você percebe pessoas vocacionadas ao ofício artístico? Você conversa sobre cultura em sua igreja? Sua comunidade valoriza a cultura como dávida da criação?</p><p>São pequenos passos com efeitos duradouros. Mircocosmos culturais, acredito, funcionam como <strong>lugares seguros para quem abraça a vocação de servir a cultura.</strong> E não estou falando só de artistas “profissionais”. <strong>Todo mundo e qualquer um é, instintivamente, um ator cultural. </strong>A diferença é qual história estamos encenando: o drama que corrói o chão da cultura ou o que promete regenerar sua terra.</p><p>Este texto foi inspirado na leitura do livro <em>Cuidado Cultural: Buscando a Beleza Para a Vida Em Comum,</em> de Makoto Fujimura.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=d7c6123aa710" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/brunomaroni/microcosmos-criativos-d7c6123aa710">Microcosmos criativos</a> was originally published in <a href="https://medium.com/brunomaroni">LADO B</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Boas-vindas]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Bruno Maroni]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 02 Apr 2024 15:01:12 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-04-02T15:01:12.184Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*V97LD5xr-4rXMwNYoXFw5A@2x.jpeg" /></figure><p>Nossa visão de mundo individualista assaltou o significado comunitário da cruz — “Jesus morreu <em>por mim,</em> Ele <em>me</em> salvou.” Sem dúvida há um aspecto pessoal na obra de redenção. Deus nos conhece profunda e intimamente (Sl 139), e com este mesmo amor específico nos acolhe para si. Contudo, por mais que sucessos da música gospel e filosofias contemporâneas a obscureçam, a entrega de Jesus na cruz tem natureza radicalmente comunitária, familiar.</p><p>Por quê? Explico. Aqui vale recordar brevemente do escopo do Drama das Escrituras. Lembre-se de todo trajeto que se estende desde o Antigo Testamento — a escravidão dos hebreus no Egito e a peregrinação em Israel, o exílio de Israel pela Assíria e a deportação dos judeus para a Babilônia; os domínios persa, grego e o poderoso Império Romano. <strong>A Bíblia é uma longa história de partida e volta ao lar, exílio e retorno.</strong></p><p>A grande narrativa bíblica relata a constante dor da separação — do povo separado de sua terra, de seu Deus. <strong>Mas na cruz, de uma vez por todas, Cristo derrotou o poder da separação.</strong> E Ele o fez assumindo para si o peso da exclusão. Jesus, como escreve o autor de Hebreus, “sofreu fora das portas da cidade, para santificar seu povo mediante seu próprio sangue.” (Hb 13.12)</p><p>Esta é a era da epidemia da solidão e da crise dos refugiados. Um tempo oportuno para a igreja assumir sua vocação relacional e convidar as pessoas para a comunhão singular da vida com Deus — chamá-las da desilusão da dança da solidão para a alegria da dança da Trindade. Claro, não há solução rápida. Trata-se mais de uma revolução silenciosa que se inicia em você, através de você: na sua casa.</p><p><strong>A cruz de Cristo é um chamado à hospitalidade. Jesus sofreu do lado de fora da cidade para que você acolhesse pessoas do lado de dentro do seu lar.</strong></p><blockquote><em>Se o lar são as boas-vindas de Deus, então cada um de nós deve trabalhar para ter certeza de que todos tenham o senso de pertencimento. Deus tem um lar, e ele está buscando compartilhá-lo. — Jen Pollock Michel</em></blockquote><p>Podemos, em família, encarnar a hospitalidade de Cristo — encenar esta grande história de um Deus que está nos trazendo para casa. O dom da hospitalidade está na rotina da sua família? Vocês têm disposto tempo, estendido recursos e dedicando atenção às pessoas ao seu redor? Quando vocês convidam amigos e familiares para a casa, eles a reconhecem como uma demonstração do Reino? Pelo poder do Espírito agindo em nossas famílias, nossos lares podem ser lugares de cura, reconciliação, provisão e salvação. Assim como a cruz.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=d26c453bbad4" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/brunomaroni/boas-vindas-d26c453bbad4">Boas-vindas</a> was originally published in <a href="https://medium.com/brunomaroni">LADO B</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Nos vemos no mundo que vem]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Bruno Maroni]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 02 Apr 2024 14:59:37 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-04-02T14:59:37.483Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/320/1*GzqWw5CJGXeogL3r0pht-g@2x.jpeg" /></figure><p>Sejamos honestos: quando o nosso culto acabar — ou, com sorte, até o fim do dia — nos esqueceremos da Páscoa.</p><p>No ano que vem, em mais uma provável programação especial, voltamos a nos preocupar com isso. Hoje celebramos a ressurreição; amanhã a vida volta ao normal. Sam Allberry comenta que nós colocamos a ressurreição “de volta na gaveta durante o resto do ano porque não sabem o que fazer com ela”. Com esse lapso de memória contínuo, perdemos de vista os frutos da vida vivida no poder da ressurreição.</p><p><strong>Talvez nossa visão sobre a ressurreição de Jesus seja pequena demais.</strong> Lemos os capítulos finais dos evangelhos durante a Semana de Páscoa, cantamos com a igreja e, no fim, fica por isso mesmo. Peço licença para usar um termo técnico (é rápido, prometo): vivemos uma “apatia escatológica.” Ficamos indiferentes. Como se a ressurreição de Cristo no passado e a nova criação futura que ela reivindica em nada mudassem o nosso presente precisamente aqui e agora, no chão de Jundiaí. Assim, a fé simplesmente não faz sentido (1Co 15.12–15).</p><p><strong>Jesus está vivo e presente. Sua ressurreição abre o caminho para a chegada de um mundo completamente renovado.</strong> Deus ama a sua criação. Toda dor, injustiça e sofrimento, corrupção, miséria e solidão que hoje nos cansam darão lugar a um Reino de paz, justiça e alegria. Quem hoje você vê chora, um dia você verá sorrir. O profeta Isaías, falando a um povo exilado, vez após outra retoma a beleza do futuro prometido pelo Senhor. Em um desses trechos está escrito:</p><blockquote><em>O Senhor Soberano mostrará sua justiça às nações do mundo; todos o louvarão! Será como um jardim no começo da primavera, quando as plantas brotam por toda parte. — Isaías 61.11</em></blockquote><p>Porém, com essa promessa, a Bíblia não pretende pintar um quadro idealista, uma utopia distante, da qual seríamos meros espectadores passivos. Pelo contrário. <strong>Em Cristo somos agentes da ressurreição.</strong> Em outras palavras, discípulos de Jesus, que viram e provaram da sua graça, caminham como testemunhas da reconciliação. Já estamos com os pés na estrada do mundo novo que vem, antecipando a beleza da Nova Criação. Este não é um segredo a ser guardado.</p><p>É provável que você pense: “Eu acredito. Mas o que eu faço?”. Esse é um dilema comum para nós que frequentemente enfrentamos o abismo entre teoria e prática. <strong>O caminho para a vida na estrada para a nova criação é nada menos que a longa jornada de semelhança com Cristo, da formação espiritual cristã.</strong> Um percurso simples, diário, anônimo. É através do relacionamento diário com Ele e da amizade constante com a família de fé que o Senhor prepara agentes da ressurreição — gente que sinaliza a esperança do por vir.</p><p>Pessoas apaixonadas por Jesus e comprometidas com seu caminho experimentam hoje o mundo novo de amanhã. Pessoas que encarnam o amor de Jesus cotidianamente — acolhem, servem e doam-se às outras — testemunham da ressurreição. Pessoas que trabalham com criatividade, diligência e justiça, também. Quem dia após dia ara o solo do coração para o florescer do Fruto do Espírito (Gl 5.22) vive o tipo de vida que é como um convite à nova vida (já) disponível em Cristo.</p><p>Trilhemos este longo trajeto de devoção, comunhão e missão até que nos vejamos no mundo que vem.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=4b4e6c272df5" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/brunomaroni/nos-vemos-no-mundo-que-vem-4b4e6c272df5">Nos vemos no mundo que vem</a> was originally published in <a href="https://medium.com/brunomaroni">LADO B</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[A grande inversão]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Bruno Maroni]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 02 Apr 2024 14:57:46 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-04-02T14:57:46.643Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/298/1*bJxJI0kMXbIsJQTGvh13mg@2x.jpeg" /></figure><p>O que a cruz significa para você? Já parou para pensar que a morte de Cristo <em>na cruz</em> não é ocasional? Dentre tantas outras maneiras possíveis, por que Ele foi crucificado? Há motivos específicos que nos revelam ainda mais o propósito, a profundidade e o poder da morte de Jesus — um fato histórico passado que inverte o nosso presente e nos devolve um novo futuro. A cruz, afinal, está no coração da fé que professamos. Por isso Paulo escreveu:</p><blockquote><em>A mensagem da cruz é loucura para os que se encaminham para a destruição, mas para nós que estamos sendo salvos ela é o poder de Deus. — 1Coríntios‬ ‭1‬:‭18‬ ‭</em></blockquote><p>Há o risco de que para nós hoje a cruz seja só mais um amuleto vazio. No fundo, é mais confortável que seja. Caso contrários teremos de admitir a falência da nossa sabedoria e a farsa do nosso poder — e assim reconhecer a grande inversão que é a crucificação. <strong>Para uma cultura viciada no sucesso e acostumada com o progresso, a cruz é um insulto.</strong> A não ser que reconheçamos nossos sutis absurdos.</p><p>Se cremos no relato da cruz, por que apostamos na justiça própria? Se confiamos no sacrifício de Jesus, por que só descansamos na estabilidade financeira? Se cremos que Ele morreu por nós, por que morremos pelos ídolos do nosso coração? Se afirmamos que a cruz é uma expressão de amor, por que continuamos manipulando o amor de outras pessoas? Se acreditamos na radicalidade da cruz, por que nos contentamos com uma vida espiritual superficial? Se defendemos que ela nos justificou, por que negamos a prática da justiça?</p><p><strong>A narrativa da cruz protesta contra as nossas mais profundas incoerências. Ao mesmo tempo que nos atrai à entrega inteira ao Cristo crucificado</strong> — à concessão do nosso orgulho, abandono da arrogância, redinção da nossa autoridade a quem é digno de detê-la. Sem a cruz a história de Jesus é só mais uma entre a de tantos outros messias fracassados, e a fé cristã não passa de mais uma opção no mercado da espiritualidade. Como escreve Fleming Rutledge em seu estudo exaustivo sobre a crucificação:</p><p>É a crucificação que marca o cristianismo como algo definitivamente diferente na história da religião. E na crucificação que a natureza de Deus é verdadeiramente revelada.</p><p><strong>E a natureza de Deus é doar-se em amor transbordante.</strong> Por isso na cruz pesar e prazer se misturam. A cruz expõe o horror do pecado que nos separa do Eterno, bem como exibe a beleza da graça que nos resgata à comunhão com Ele. Na grande inversão da cruz está o motivo da nossa salvação, a esperança para as nossas relações, a cura para a nossa sociedade, e o modelo para o nosso amor.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=0b443520b807" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/brunomaroni/a-grande-invers%C3%A3o-0b443520b807">A grande inversão</a> was originally published in <a href="https://medium.com/brunomaroni">LADO B</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[Entre o Gerenciamento do Tempo e a Curadoria da Atenção]]></title>
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            <category><![CDATA[cristianismo]]></category>
            <category><![CDATA[rotina]]></category>
            <category><![CDATA[teologia]]></category>
            <category><![CDATA[fé]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Bruno Maroni]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 14 Mar 2024 15:26:44 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-03-14T15:26:44.181Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/368/1*RsK9h3aE7BzIoWEncwpChw@2x.jpeg" /></figure><h4><strong>O tempo continua passando</strong></h4><p>Não há e nem haverá solução para a angústia do tempo escasso. Quando o dia acaba a impressão é que acabou também o tempo. Que não tivemos tempo o bastante para realizar as tarefas, entregar as demandas ou até satisfazer-se com os prazos cumpridos.</p><p>Tempo não funciona assim, no entanto. Essa mentalidade supõe um sistema de saldo — ganho e perda (como operação financeira) — para o tempo, sendo que ele é uma realidade dada. Literalmente, uma dádiva. Saltos técnicos, mudanças nas configurações de trabalho e a interação com dispositivos digitais de fato alterou nossa percepção. Mas não muda a natureza do tempo.</p><h4><strong>Gerenciando o tempo — ou a atenção?</strong></h4><p>Jen Pollock, prolífica escritora na área de vida cristã e espiritualidade, sugere, certeiramente, <strong>deslocarmos o foco do gerenciamento do tempo para a administração da atenção.</strong> Faz sentido. O tempo continua passando — como sempre foi. Nossa atenção, por sua vez, é cada vez mais disputada por uma série de estímulos que vão do inevitável ao inútil, e assim fragmenta-se em estilhaços. Pollock diz:</p><blockquote>O que parece muito mais importante do que disciplinas para gerenciamento do tempo são disciplinas para gerenciamento da atenção<em>. [1]</em></blockquote><p>Tony Reinke, em poucas palavras, define que:</p><blockquote>Atenção é a habilidade de deixar de lado todas as coisas a fim de lidar com algumas coisas. <em>[2]</em></blockquote><p>Nossa atenção se esgota na corrida pela produtividade, mas também é drenada pela sobrecarga de entretenimento. O avanço da digitalização e da hiperconectividade contribuem para esse desgaste. Não é por acaso.</p><h4><strong>O mercado quer sua atenção</strong></h4><p>Nos bastidores da indústria midiática, por exemplo, nossa atenção é um bem acirradamente disputado pelas grandes marcas, produtores culturais e influencers.</p><p>Entre os estudiosos da área fala-se bastante sobre a economia da atenção. Pense nas plataformas de streaming. Para elas é ótimo que o aumento de assinaturas gere mais lucro. O sucesso dessas mídias, no entanto, passa primeiro pela conquista da atenção da audiência. <strong>Competindo pela atenção do grande público, o mercado batalha por sua alma</strong> (como diz o ambicioso Kendall Roy em Succession).</p><p>Sem fronteiras sabiamente definidas, nossa atenção será invadida sem escrúpulos.</p><h4><strong>Resgatando a presença atenta</strong></h4><p>Sem contar com todas as demandas corriqueiras do cuidado doméstico, da família, do trabalho, da igreja e das demais relações. Em tudo queremos ser produtivos. Não exatamente porque assim nossos chefes, filhos, cônjuges e amigos serão bem atendidos, serão satisfeitos e se sentirão amados, mas porque <strong>encontramos redenção na produtividade.</strong> Voltando a Jen Pollock vislumbramos um caminho alternativo que nos leva à sabedoria e ao amor.</p><blockquote>Quer estejamos sentados em um aeroporto, na fila do supermercado ou folheando as manchetes do dia — há sempre alguém tocando seu megafone, agressivamente e alto, implorando para comprarmos, assinarmos, acreditarmos em algo. A atenção é um recurso disputado e, <strong>assim como uma cidade sem muros, será invadida, a menos que construamos muros, coloquemos neles sentinelas e a fortaleçamos contra os ataques.</strong> <em>[3]</em></blockquote><p>O oposto da atenção fragmentada é a presença atenta. Disciplina que há séculos é praticada por cristãos dipostos a uma vida mais profunda com Deus, com o outro e com o mundo. Estar integralmente presente para Ele e para as pessoas. Afinal, quando a noite chegar, você pode ter cumprido todas as suas tarefas, limpado a casa inteira, respondido todas as mensagens, mas <strong>o dia se foi vazio de sentido e amor.</strong></p><h4><strong>Reimagine o tempo</strong></h4><p>Antes de pensar em exercícios de atenção, ressignifique o tempo. Reimagine-o. Usamos metáforas comerciais para descrever o tempo — “Perdi tempo fazendo isso”, “Assim a gente ganha tempo”. Ao contrário da nossa imaginação consumista, <strong>as Escrituras tratam o tempo como dádiva do Senhor.</strong> Ele é quem governa o tempo (Sl 75.2), quem nos doa o tempo (Ec 3:1) sustenta a nossa finitude (Jó 14.1–2) e nos chama a deleitar-se nela (Sl 90.12). Todo tempo é valioso.</p><p>A vida com Deus não nos tira das rotinas do tempo, mas a entrelaçam em ritmos escatológicos. Em outras palavras: <strong>relances de eternidade no presente momento</strong> — lavando a louça, trabalhando, conversando com as pessoas, estando à mesa com a família, caminhando, ouvindo uma boa música, tendo comunhão com o Senhor. Mike Cosper nos lembra:</p><blockquote>Cada momento, cada encontro, é significativo e misterioso. Todo lugar é sagrado. <em>[3]</em></blockquote><p>Releia o seu cotidiano, <strong>considere o que tem fragmentado a sua atenção.</strong> Como isso causa fissuras no seu relacionamento com Deus e no seu amor pelas pessoas? A corrida por produtividade tem impedido você de se deleitar no tempo que te foi dado? Tem drenado do seus dias a beleza e o significado? A sobrecarga de estímulos e distrações tem tornado você menos presente? <strong>Pense em pequenos roteiros de atenção para os seus dias.</strong></p><h4><strong>Roteiros para a curadoria da atenção</strong></h4><p>Dedique pequenos espaços de silêncio na transição de demandas diárias — ao sair do trabalho e voltar para casa, por exemplo. Pode ser <strong>um modo de treinar o cérebro (e o coração) para redirecionar sua atenção para o que de fato precisa dela.</strong> Preserve “momentos inúteis” ao longo do dia. No intervalo de tarefas, resista ao entretenimento instantâneo. Mas separe também um tempo dedicado para ele: assista às suas séries com atenção, desfrute das suas playlists e foque nas pequenas coisas que te divertem. Orações breves podem te ajudar:</p><ul><li>“Senhor, agora vou jantar com a minha família. Que eu reconheça o valor deste momento e esteja presente.”</li><li>“Tenho realmente muita coisa para fazer no meu trabalho hoje. Me ajude a desfrutar deste momento e desafio.”</li><li>“Pai, agora vou ter um tempo com meus amigos. Que eu me lembre que pequenos encontros são sagrados e redentivos.”</li></ul><p>Esboce o seu próprio roteiro para a curadoria da atenção e a contracultura da presença atenta. Um bom dia não será mais aquele em que você consegue “fazer as coisas”, e sim aquele em que você estiver simplesmente presente.</p><p>POLLOCK, Jen Michel. <a href="https://www.christianitytoday.com/ct/2022/february-web-only/gerenciamento-de-tempo-produtividade-pt.html"><em>Gerenciamento de tempo não existe</em>.</a></p><p>REINKE, Tony. <em>A guerra dos espetáculos: o cristão na era da mídia</em>.</p><p>COSPER, Mike. <em>Recapturing the wonder: transcendent faith in a disenchanted world.</em></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=e4d36ed62558" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/brunomaroni/entre-o-gerenciamento-do-tempo-e-a-curadoria-da-aten%C3%A7%C3%A3o-e4d36ed62558">Entre o Gerenciamento do Tempo e a Curadoria da Atenção</a> was originally published in <a href="https://medium.com/brunomaroni">LADO B</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Todos Menos Você]]></title>
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            <category><![CDATA[arte]]></category>
            <category><![CDATA[romance]]></category>
            <category><![CDATA[pop-culture]]></category>
            <category><![CDATA[cinema]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Bruno Maroni]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 27 Feb 2024 15:10:17 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-02-28T12:54:47.163Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>Por Que (Ainda) Amamos Comédias Românticas</h4><h3>A fórmula, a fome e o fim das histórias de amor</h3><p>Sempre aquela história: “Eu sei que é clichê, mas quero ver esse filme”. Essa é a impressão que se repete desde que as comédias românticas, que explodiram entre os anos 1990–2000. E elas sempre reaparecem. Além disso, tornaram-se “símbolo” do tipo de filme que cativa pelo clima descontraído, que conforta e alivia a tensão de se viver num mundo onde é necessário pensar demais. Muitas são superficiais, sim — limitadas por roteiros repetitivos, tantas vezes apelativas e sentimentalistas. A fórmula já é bem conhecida.</p><blockquote><strong><em>Ao longo da história do cinema, as comédias românticas refletem a sociedade em que vivemos.</em></strong><em> Quer a história ocorra no mundo moderno que habitamos, em um planeta futurista ou em uma era há muito passada, no momento em que um filme é criado, ele mostra os sentimentos gerais da sociedade atual sobre o amor.</em></blockquote><blockquote>— Shanna Yehlen, <em>A Brief History of Romantic Comedies</em></blockquote><p>Isso no entanto, não faz das comédias românticas uma linguagem artística, um subgênero cinematográfico, menos digna de atenção. Elas fazem sucesso pela rentabilidade? É claro, a cultura pop é uma indústria. Pela estética dos atores e atrizes meticulosamente selecionados? Também. Mas <strong>a popularidade comercial dá pistas também para um anseio espiritual,</strong> mesmo nas obras mais despretensiosas e irreverentes. <a href="https://thinkchristian.net/movies-are-prayers">Como diz Josh Larsen, filmes são como “orações”:</a> expressões involuntárias do que ansiamos.</p><p><strong>Se uma história captura a atenção do público, ela diz algo sobre seu coração.</strong> Comédias românticas pedem por amor, claro.</p><blockquote>A história das comédias-românticas começa quando Deus, no início da história diz que “Não é bom que o homem esteja sozinho” (Gn 2.18).</blockquote><h3>Todos Menos você e o estado do amor moderno</h3><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/368/1*qwCtxLfxZP2kgBBewyEaxQ@2x.jpeg" /></figure><p><em>Todos Menos Você (Anyone About You),</em> dirigido por Will Gluck e estrelado por Ben Powell e Sidney Sweeney, segue o script. Na trama, Bia e Ben encontram-se ocasionalmente numa cafeteria, começam um romance inusitado interrompido por uma frustração. Coincidências se seguem e os dois se vêm novamente unidos por amigos e familiares, dando início então a um esquema de simulação e atuação para, apesar do ódio instalado, convencer as pessoas de que se apaixonaram. E se apaixonam, obviamente.</p><p>O filme adapta a comédia de Shaekespeare, <em>Muito Barulho Por Nada</em>, segundo dizem, a mais espirituosa do dramaturgo. Ele é referência comum para as rom-coms contemporâneas, como para a clássica <em>Dez Coisas Que Odeio em Você.</em> Entre apelos esperados numa comédia romântica e o humor pelo constrangimento,<strong> <em>Todos Menos Você</em> pontua aspectos vitais do amor moderno: a busca por realização afetiva, a fluidez das relações, o interesse pela beleza física e a atração afetiva movida pelo desgosto</strong> — o ranço como combustível para o romance, sabe?</p><p>Nesse sentido, o filme rompe com a tradição das comédias do século XX. Benjamin Lee, crítico do The Guarda argumenta que:</p><blockquote><em>Como o próprio filme, o apelo do par central está enraizado na estética, mas historicamente […] figuras proeminentes do gênero eram atraentes, mas raramente eram sexy de forma explícita e nunca estavam tão constantemente nus como esses dois, com o apelo fundamentado na simpatia em vez da sexualidade. Sweeney e Powell, reluzentes e tonificados nas fotos de pré-lançamento e no próprio cartaz, não foram escolhidos por sua identificação. […] </em><strong><em>Este gênero não é amado por sua realidade crua — mas tem que haver algo mais profundo.</em></strong></blockquote><blockquote><em>— Benjamin Lee, </em>Anyone But You review — slick but soulless romantic comedy</blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/370/1*270ZZ_sxCdNr0MIdnl1YlQ@2x.jpeg" /></figure><p>Penso muito nos efeitos das comédias românticas. Como qualquer outra narrativa cultural — excentricamente cult ou sinceramente trivial — elas são formativas. <strong>Tramas superficiais podem acessar e moldar intimamente nossa imaginação.</strong> Pode não haver profundidade no roteiro do filme, mas seu apelo estético tem impacto profundo nos roteiros da nossa vida.</p><h3>O espetáculo do romance e a realidade do amor</h3><p><strong>Aqui vale lembrar da ambivalência da cultura pop. Ela opera em duas direções: reflete e projeta. </strong>Ou seja: as histórias pop são um reflexo do que nós cremos e desejamos, dos nossos comportamentos e atitudes, e funcionam também como projeção desses mesmos desejos, crenças e modos de vida. É um ritmo cíclico de influência.</p><blockquote>O que nos leva a pensar: o que as rom-coms expressam sobre e o que elas prometem para nós?</blockquote><p><strong>Comédias românticas assumem que há redenção na realização afetiva</strong> e na satisfação sexual. E nisso não há problema. Fomos criador para o amor, e mesmo que ele tenha sido desfigurado pelo pecado, não foi arrancado da nossa identidade. O romance pop, contudo, pode despertar — e alimentar — a expectativa de que pares românticos, pela sintonia física e retorno afetivo, nos libertem do medo da solidão, da angústia existencial e do desenraizamento espiritual. Essas histórias instigam a esperança de que o mesmo conforto e bem-estar que as rom-coms oferece a espectadores estressados se reproduza nas relações reais. E isso não acontece.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/479/1*5hgdFwGhkBYZIv7wFEqw-A@2x.jpeg" /></figure><blockquote><em>O que acontece quando o amor romântico se torna expressivo externamente? E se o amor significasse trabalhar lado a lado para o florescimento e o bem do mundo? E se significasse agir corretamente pela outra pessoa, mesmo através do sofrimento ou às custas de sua satisfação imediata? E se significasse tomar medidas para preservar e proteger o outro? </em><strong><em>E se o amor romântico na verdade não fosse algo em que você cai, mas algo que você escolhe — algo tão difícil quanto gratificante?</em></strong></blockquote><blockquote><em>— Shara Drimalla (Bible Project), 3 Love Stories in the Bible That Help Us Rethink Romance</em></blockquote><p><strong>Será que o amor do mercado pop tem frustrado pessoas em busca de relações autênticas?</strong> Será que as comédias românticas estão acostumando o público a um amor com excesso de corpo e falta de alma? Será que o idealismo dos casais do cinema gerou pessimismo nos casais no chão da vida? Tim Keller, comentando o declínio do casamento na atualidade afirma:</p><blockquote><em>Hoje em dia, as pessoas tornam o casamento mais penoso do que precisa ser, pois o esmagam sob o peso de suas </em><strong><em>expectativas absurdamente impossíveis.</em></strong></blockquote><blockquote><em>— Timothy Keller, </em>O Significado do Casamento</blockquote><blockquote>Em outras palavras, é possível que nosso fascínio pelo romance ficcional esteja esvaziando o nosso encanto pelo amor real.</blockquote><p>No amor vivido de segunda à segunda, entre rotinas ocupadas e humores instáveis, encontros fortuitos são raros, conflitos não são facilmente resolvidos e nem a sexualidade é facilmente cultivada. Mas <strong>é nesse choque de realidade que um modo de amor mais denso é cultivado,</strong> com contornos de compromisso, cumplicidade e coparticipação espiritual. É fato, esse não é o tipo de amor vendido que as histórias do entretenimento — não é um espetáculo provocativo — , mas no roteiro que a grande história das Escrituras propõe, na contracultura das rom-coms, o amor floresce.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=dae65205280c" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/brunomaroni/todos-menos-voc%C3%AA-dae65205280c">Todos Menos Você</a> was originally published in <a href="https://medium.com/brunomaroni">LADO B</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[A Heresia Romântica de Vidas Passadas]]></title>
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            <category><![CDATA[cinema]]></category>
            <category><![CDATA[pop-culture]]></category>
            <category><![CDATA[art]]></category>
            <category><![CDATA[love]]></category>
            <category><![CDATA[romance]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Bruno Maroni]]></dc:creator>
            <pubDate>Sat, 24 Feb 2024 20:35:04 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-02-24T20:35:04.754Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h3>A Heresia Romântica Vidas Passadas</h3><h4>contra a redenção do amor hollywoodiano</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/370/1*p8i5Vv6UVKhH6TMcxKA49A@2x.jpeg" /></figure><p>Esperei muito pra ver Past Lives, longa de estreia da diretora e roteirista Celine Song. Por fim, fomos a uma sessão matinal aqui na cidade – quase certeza que eu tinha ido ao cinema às 11h.</p><p>Enquanto do lado de fora da sala o Sol dava espaço à chuva, do lado de dentro, a trama contada de Song me transportava por climas amenos e incertos, como devem ser as boas histórias. Esta não é diferente.</p><h3>Prenúncio da despedida</h3><p>Cartazes e sinopses de Vidas Passadas podem facilmente enganar espectadores desavisados tão acostumados com um recorte bastante específico de romance cinematográfico. Supostamente, trata-se do drama de duas almas gêmeas separadas por tempo e espaço, que vencem, contudo, a distância graças à força da paixão. Seria assim. Mas Vidas Passadas é um romance herege. <strong>A história de Nora e Hae Sung subverte expectativas</strong> com seu curso anticlimático, sabor agridoce e desfecho estranho à cultura habituada à redenção afetiva das comédias românticas do universo pop.</p><p>Nora e Hae se conheceram durante a infância, numa escola em Seul. Bem quando a garota e sua família estavam prestes a migrar para o Canadá. Os caminhos se opõem.</p><blockquote>Ao deixar algo para trás, você também ganha algo mais.</blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/600/1*FVFCVWA_2w9vmKcH0hjXtw@2x.jpeg" /></figure><h3>Não é o que você está pensando</h3><p>Num salto de 12 anos, agora jovens, Nora e Hae retomam o contato remotamente, à base de chats no Facebook e chamadas de vídeo no Skype – no ainda incipiente cenário digital do início dos anos 2010. O sentimento da antiga amizade mais uma vez se aflora, ganhando contornos românticos. Vale destacar que <strong>todo pequeno fluxo narrativo é entrelaçado em representações visuais que sugerem escolhas estéticas sutis e cuidadosas</strong>. À medida que as fases da vida avançam e o tempo saltam, paletas de cores e enquadramentos de câmera se alteram, dando novas perspectivas e evocando sensações distintas.</p><blockquote><em>Song, uma dramaturga, criou um roteiro elegante e mostra um belo domínio da câmera, que calmamente encontra seu caminho para os lugares onde precisa estar. – Josh Larsen</em></blockquote><p>Aqui as coisas começam a mudar. Uma decisão interrompe o contato. Cada personagem segue sua vida. Nora, que desde a juventude estava em Nova York perseverando em sua carreira como escritora, conhece Arthur e se casa. Hae, na Coréia do Sul, depois de passar pelo serviço militar, por pela faculdade de engenharia e por um namoro frustrado, consegue um trabalho. O tempo salta novamente. Mais 12 anos depois, Hae visita Nova York pela primeira vez. <strong>E para o espectador do outro lado da tela cresce à expectativa da redenção pelo reencontro.</strong></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/600/1*vq1DzXKpD1jbFSHYa5EgMQ@2x.jpeg" /></figure><p>Sim, Hae e Nora se reencontram. Mais uma vez, memórias, afetos e suposições se acumulam. Entre passeios no parque e uma volta de barco nos arredores da Estátua da Liberdade, desdobra-se um conceito-chave que tensiona a trama: o in-yun. Esse ditado coreano com raízes na filosofia budista <strong>alude à ideia de providência e destino, fala sobre passados múltiplos em colisão (ordenada).</strong> Embora sutil, a noção so in-yun insere certa dose de espiritualidade à Vidas Passadas. Soa claro que <strong>Nora crê num sentido maior para a vida, e que nossas histórias e amores não apenas choques aleatórios.</strong> Há um anseio profundo em curso aqui que satisfaz numa providência pessoal, em Cristo (Cl 1:16–17).</p><blockquote>É in-yun se dois estranhos passarem um pelo outro na rua e suas roupas se encostarem acidentalmente, significa que deve ter havido algo entre eles em suas vidas passadas. Se duas pessoas se casam, dizem que é porque houve 8.000 camadas de in-yun ao longo de 8.000 vidas. – Nora</blockquote><h3>Herege por que, afinal</h3><p>E se Nora e Hae tivessem ficado juntos? Como seria se tudo fosse diferente?</p><p>Na derradeira viagem de Hae para Nova York – cenário, inclusive, para centenas de romances ficcionais – a heresia vence. Vidas Passadas supera a doutrina pop do romance de almas gêmeas e da soberania das emoções. Em seu desfecho, o longa confirma que <strong>as vidas passadas dos protagonistas, bem, passaram.</strong> De modo algum o tecido complexo de sentimentos que movem as personagens são ignorados. <strong>Ambos lidam com uma multidão de lembranças, arrependimentos e a bela, mas traiçoeira, nostalgia.</strong> Não há romance proibido, nenhuma aventura afetiva ou paixão eufórica. Não há beijo apaixonado que irrompe de emoções reprimidas. Nada.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/600/1*6M26W3WpVMoiGd-GTOJozw@2x.jpeg" /></figure><blockquote><em>O filme de forma alguma diminui os sentimentos reais de arrependimento, dor e nostalgia que naturalmente marcam uma vida vivida no tempo. Nora realmente debate com quem Hae Sung foi, é, e pode ser em sua vida. Isso faz parte do que torna Vidas Passadas tão poderoso. Ele leva a sério emoções complexas, mesmo enquanto as submete a uma sabedoria madura que não está inclinada a descartar o amor em prol do romance. – Brett McCracken,</em> ‘Past Lives’: Mature Wisdom in an Indie Romance</blockquote><p>A trilha – tão sensível aos silêncios – e o tom da trama confirmam mais uma despedida. Hae vai. Nora fica. Fica com a dor de um afeto que se vai, mas segura da vida que vive. <strong>Ela assume seu presente, abraça a decisão do, provavelmente, tedioso e rotineiro amor que há anos construira com Arthur </strong>– mas não por isso vazio de significado. É assim que Vidas Passadas não aposta a redenção de suas personagens ao amor hollywoodiano. Nas linhas convencionais de um roteiro devidamente doutrinado pela mentira da paixão autêntica, ela o abandonaria. É um romance herege. O tipo de amor que a cultura ama, aliás, não é radical o bastante.</p><p>Um lamento pedagógico permeia o filme. Com seu peso delicado e força sutil, teor intimista, contemplativo e terno, Vida Passadas é, quem sabe, um alívio para uma cultura desgastada pelo amor fácil. É um lembrete de que amar, viver, gerir escolhas e sentimentos, é sim difícil. E que há beleza nisso.</p><blockquote>Isso é minha vida… É aqui onde eu devo estar. – Nora a Arthur</blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/538/1*dw_Ticlh6yNx9qGEJcwotQ@2x.jpeg" /></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=01f62d96eb83" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/brunomaroni/a-heresia-rom%C3%A2ntica-de-vidas-passadas-01f62d96eb83">A Heresia Romântica de Vidas Passadas</a> was originally published in <a href="https://medium.com/brunomaroni">LADO B</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Direto da Estante: Piranesi]]></title>
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            <category><![CDATA[literatura]]></category>
            <category><![CDATA[curadoria-cultural]]></category>
            <category><![CDATA[books]]></category>
            <category><![CDATA[fantasy]]></category>
            <category><![CDATA[livros]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Bruno Maroni]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 20 Feb 2024 21:08:52 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-02-20T21:08:54.536Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>O encanto e mistério da Casa-Mundo</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*kkEs18WsLbThP4i4INctdg@2x.jpeg" /></figure><p>Piranesi é um livro atípico. Ao menos foi para mim, acostumado com descrições teóricas e explicação de conceitos. Mas, como parte do plano de explorar o universo da literatura ficcional e nutrir minha imaginação, cheguei até a obra mais recente da premiada autora britânica Susanna Clarke. Conto aqui um pouco desta jornada.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/277/1*eNsIRw734rYeCTAAmgjmrw@2x.jpeg" /></figure><p>Com esta obra, Clarke segue desbravando o gênero da fantasia, e seus contornos aqui são peculiares. Como premissa, vale entender que <strong>a ambientação da narrativa é tão protagonista quanto seu personagem principal,</strong> o próprio Piranesi. A construção de mundo é primorosa.</p><p>Sua história se passa na Casa, um espaço onírico e misterioso, labiríntico, repleto de salões e estátuas, invadido por nuvens e ondas. <strong>Não é que a Casa faz parte do mundo: a Casa <em>é</em> o Mundo – uma espécie de mansão cósmica.</strong> Seu clima soa majestoso, contudo, sombrio e solitário. Afinal, Piranesi a divide apenas com “O Outro”, figura enigmática que mantém contato com o protagonista.</p><p>A Casa intriga Piranesi e seu instinto investigativo-científico. Ele vive estudando o regime das marés, mapeando os vastos salões em seu diário. Além disso, a Casa provê a ele alimento, vestimenta e proteção. Beleza e provisão. <strong>O ponto é que a Casa encanta Piranesi, contorna sua percepção e consciência.</strong> Não no sentido de enganá-lo, mas de maravilhá-lo. Há um senso de pertencimento e participação, o que a meu ver evoca muito da narrativa bíblica da criação. Este é um mundo pessoal, sagrado – e, claro, misterioso.</p><blockquote>A beleza da Casa é incomensurável; sua bondade, infinita.</blockquote><p>Ler Piranesi é entrar nas rotinas de <strong>contemplação e solitude</strong> de seu protagonista.</p><p>O suspense que se desenrola da metade para o final do livro, obviamente, descortina uma série de porquês que se acumulam enquanto acompanhamos o dia a dia supostamente tedioso de pesquisa e contemplação do protagonista. Como surgiu a Casa? Por que Piranesi está aqui? Bem, isso só lendo para descobrir.</p><blockquote><em>Piranesi fez o que todos os grandes romances fazem, que é me tirar de mim mesmo e depois me devolver como alguém novo e mudado.</em></blockquote><blockquote>– Constance Grady, correspondente da revista Vox</blockquote><p>Curiosidade: o protagonista da história, bem como seu cenário e linguagem, foi inspirado numa figura histórica de mesmo nome, o arquiteto e gravurista italiano Giovanni Battista Piranesi (1720–1778). Ele é quem assinou a série de gravuras “Carceri d’invenzione”, como salas subterrâneas enormes, escadarias, máquinas e salões. Além dessa referência, é nítida a alusão à Caverna de Platão e a “homenagem” a grandes nomes da literatura britânica.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/318/1*-LHGzoruB6lx4HrlIEj5Iw@2x.jpeg" /></figure><p>Piranesi é <strong>estranho e encantador,</strong> com páginas que alternam entre a introspecção contemplativa e a tensão crescente. Boa combinação.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=c49ab3190ae1" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/brunomaroni/direto-da-estante-piranesi-c49ab3190ae1">Direto da Estante: Piranesi</a> was originally published in <a href="https://medium.com/brunomaroni">LADO B</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
        <item>
            <title><![CDATA[Direto Da Estante: A Vida Profundamente Formada]]></title>
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            <category><![CDATA[faith]]></category>
            <category><![CDATA[espiritualidade]]></category>
            <category><![CDATA[discipulado]]></category>
            <category><![CDATA[teologia]]></category>
            <category><![CDATA[cristianismo]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Bruno Maroni]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 19 Feb 2024 20:14:27 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-02-19T20:15:41.431Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>Espiritualidade profunda para uma cultura superficial</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*ny6jb9O3JaHNzke6GzgZCw@2x.jpeg" /></figure><blockquote><em>A vida formada no profundo não é apenas para pessoas que têm a vantagem de ambientes propícios ao silêncio e à solidão. (p. 29)</em></blockquote><p>Desconhecia o ministério e a literatura de Rich Villodas até que o meu pastor e amigo Davi Lenço me presenteou com “A Vida Profundamente Formada”. Foi minha primeira leitura do ano – um ótimo começo para a minha longa jornada literária em 2024.</p><p>Como o título bem diz, neste livro Rich (pastor na New Life Fellowship em Nova York) se propõe a traçar um caminho rumo a uma espiritualidade profunda em tempos de superficialidade espiritual, agendas frenéticas, desconexão relacional – e tantos outros desafios. Para ele, <strong>ser superficialmente formado é um risco iminente hoje em dia. Nossa educação é rasa.</strong></p><blockquote><em>A menos que estejamos mergulhando nas Escrituras com o proposito de sermos achados por Deus (não meramente observar o texto), encontraremos nossa formação em Cristo limitada. (p. 76)</em></blockquote><p>Rich articula sua riquíssima experiência ministerial em uma linguagem pastoral, confrontadora e consoladora. Ele convida o leitor a mergulhar nas riquezas da intimidade com Deus, da tradição cristã, da pluralidade da igreja. Apesar de ser uma típica obra de formação espiritual, <em>A Vida Profundamente Formada</em> <strong>mostra como as raízes densas e profundas da espiritualidade cristã geram frutos nas relações, na sociedade, na sexualidade</strong> – na vida por inteiro, integrando corpo e alma, o templo e a cidade. O convite não é “Retire-se do mundo de uma vez por todas para finalmente ter um relacionamento profundo com Deus”. É mais como: <strong>fique onde está. – esteja disponível – e encontre-se com o profundo amor de Deus.</strong> Este é o princípio da vida profundamente formada.</p><p>O livro fala especificamente sobre cinco práticas formativas:</p><ol><li><strong>A prática do descanso e da contemplação,</strong> que desafia a nossa agitação;</li><li><strong>A prática da reconciliação racial,</strong> que confronta a desarmonia social contemporânea;</li><li><strong>A prática do exame interior </strong>para cultivar sabiamente as emoções à luz do amor de Deus;</li><li><strong>A prática da sexualidade integral</strong> que supera os vícios e distorções da atualidade;</li><li><strong>A prática da presença missional,</strong> que busca conexão e contextualização.</li></ol><blockquote><em>Uma vida profundamente formada é marcada pela integração, convergencia, vinculo e entrelaçamento, unindo múltiplos níveis de formação espiritual. Tal qualidade de vida nos chama a sermos pessoas que cultivam a vida com Deus em oraçao, caminham em direção à reconci-lação, trabalham pela justiça, têm uma vida interior saudável e enxergam o corpo e a sexualidade como presentes para exercer mordomia. (p. 25)</em></blockquote><p>No decorrer desses tópicos Rich explora muito da espiritualidade cristã clássica traduzida aos cenários contemporâneos. Ele busca sabedoria nos escritos monásticos da antiguidade (como a lectio divina), compartilha histórias pessoais e testemunhos de sua comunidade, expõe os desafios do equilíbrio emocional, os equívocos e mal-entendidos sobre a vida missional, incentiva a experiência da comunidade (através da confissão, por exemplo) e muito mais. Não são conselhos, dicas e ideias avulsas, mas direções que se entrelaçam no que, para o autor, é a essência da vida com Deus: <strong>Cristo sendo gerado em nós.</strong></p><blockquote><em>Veja, Deus não se ocupa apenas da lavagem a seco de nossa alma, mas de derrubar muros e criar uma nova família, uma nova forma de pertencimento coletivo. (p. 82)</em></blockquote><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=829455feaa7c" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/brunomaroni/direto-da-estante-a-vida-profundamente-formada-829455feaa7c">Direto Da Estante: A Vida Profundamente Formada</a> was originally published in <a href="https://medium.com/brunomaroni">LADO B</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Sobre a Vida Pueril]]></title>
            <link>https://medium.com/brunomaroni/sobre-a-vida-pueril-eb5b749a76cc?source=rss----98bd99d0ec2b---4</link>
            <guid isPermaLink="false">https://medium.com/p/eb5b749a76cc</guid>
            <category><![CDATA[teologia]]></category>
            <category><![CDATA[quaresma]]></category>
            <category><![CDATA[jesus]]></category>
            <category><![CDATA[vida-cristã]]></category>
            <category><![CDATA[igreja]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Bruno Maroni]]></dc:creator>
            <pubDate>Fri, 16 Feb 2024 17:03:59 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2024-02-16T17:03:59.053Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>A contracultura da quaresma</h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/375/1*PrtnzuHi4bP6aXBJvoJguw@2x.jpeg" /></figure><p>O calendário cristão é um antigo recurso que segue por séculos na história da igreja. É um meio que nos ajuda a <strong>entender e viver o tempo a partir das Escrituras,</strong> sob a história de Jesus. Um roteiro traçado pelos ritmos de Cristo.</p><p>A quaresma, estação que antecede a celebração da Páscoa, propõe memórias, reflexões e práticas que falam do nosso pecado, necessidade e insuficiência, despertando assim o maravilhamento com <strong>a inspurável riqueza da graça, perdão e amor que há em Jesus.</strong> Na quaresma enfrentamos o tumulto do mundo, batalhamos com a escuridão do nosso coração, atravessamos um deserto — lamentamos. E neste caminho torto encontramos esperança e alegria. Sobre esta estação, Esau McAulley diz:</p><blockquote><em>Não há maior alegria ou alívio do que saber que somos perdoados por Deus. O primeiro passo para receber esse perdão é reconhecer nossos pecados pelo que são. Para fazer isso, precisamos de corações renovados repetidamente, pois, se não cuidados, nossos corações se tornam frios e insensíveis. Precisamos da ajuda do Espírito Santo para nos mostrar as maneiras como falhamos.</em></blockquote><blockquote><em>— Esau McAulley, </em>Lent</blockquote><p>A quaresma alude aos momentos finais da vida de Jesus, focando em sua <strong>obediência sacrificial, sua crucificação.</strong> Hoje, a quaresma opera como um protesto, move-nos em liturgias contraculturais. A luz da história de Cristo, ela é um manifesto contra as narrativas contemporâneas da autossuficiência, justiça própria, a satisfação instantânea. Desafia a nossa ambição por autopromoção, nosso desejo por conforto (do lado de dentro e de fora da alma), troca o sucesso — a (falsa) “melhor versão de si mesmo” — pela total dependência e entrega. <strong>O ser humano é frágil. Ser humano é ser falho e falível. Na quaresma assumimos nossa fome, nosso estado pueril.</strong></p><blockquote><em>Somos pó e Deus se lembra que somos pó, somos acolhidos por sua misericórdia que transforma morte em vida.</em></blockquote><blockquote><em>— Vanessa Belmonte</em></blockquote><p><strong>É na falência de si que se vê a fartura em Cristo.</strong> Esta estação propõe uma contracultura de lamento e arrependimento, confissão e perdão, justiça e serviço. <strong>É uma jornada até a cruz de Jesus, e a cruz de todo discípulo</strong> — onde a morte revela vida. A morte de Cristo, afinal, para nós não é só uma lembrança, mas identidade e disciplina (Rm 6:4).</p><blockquote><em>Eu lhes digo a verdade: se o grão de trigo não for plantado na terra e não morrer, ficará só. Sua morte, porém, produzirá muitos novos grãos.</em></blockquote><blockquote><em>— João 12:24</em></blockquote><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=eb5b749a76cc" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/brunomaroni/sobre-a-vida-pueril-eb5b749a76cc">Sobre a Vida Pueril</a> was originally published in <a href="https://medium.com/brunomaroni">LADO B</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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