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        <title><![CDATA[Stories by Equipe Mídium on Medium]]></title>
        <description><![CDATA[Stories by Equipe Mídium on Medium]]></description>
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            <title>Stories by Equipe Mídium on Medium</title>
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            <title><![CDATA[Cinco perfis do Instagram que fogem do padrão das revistas científicas pagas]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Equipe Mídium]]></dc:creator>
            <pubDate>Wed, 02 Oct 2019 22:52:03 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2019-10-02T23:02:20.443Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA</h4><h4>Contas com intuito de divulgar o conhecimento mostram a iniciativa de construção de uma cultura científica e a defesa da Ciência brasileira</h4><p><em>Por Ana Vitória Marques</em></p><p>Temos vivido em tempos tenebrosos, carregados de retrocessos, nos quais direitos já conquistados estão sob ameaça. A Ciência tem sido <strong>alvo constante de retaliações e ataques</strong> evidenciados por cortes nos custos das universidades e nas bolsas de pesquisa. No total, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) cortou mais de 11.800 bolsas neste ano, o equivalente a 10% das bolsas vigentes no início do ano.</p><p>Já o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) afirmou que não teria como garantir o pagamento de seus 84 mil bolsistas a partir do mês de setembro por falta de verbas. O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) foi autorizado a remanejar R$ 82 milhões do próprio orçamento para pagar, em outubro, os valores referentes a setembro.</p><p>No último dia 30, o Ministro da Educação anunciou o desbloqueio de R$1,99 bilhão em verbas, dos quais R$ 270 milhões serão destinados para as bolsas Capes; entretanto, 2.431 bolsas continuam suspensas. Um verdadeiro desmonte da Ciência brasileira, deixando pesquisadores desempregados e parando pesquisas pelo meio.</p><p>Para além disso, temos um presidente que, quase diariamente, profere declarações que divergem de estudos científicos e negligencia questões urgentes que envolvem não só o Brasil, mas o planeta todo. Em tempos de negacionismo da Ciência, é necessário contribuir para a divulgação do conhecimento de modo acessível e democrático a todos.</p><p>Para isso, o <em>Mídium</em> reuniu uma lista de alguns perfis dedicados à divulgação e educação científica no Instagram. Tais perfis fogem do padrão de revistas científicas e outros meios que precisam ser pagos para que se tenha acesso ao conteúdo. <strong>Diariamente, divulgam o conhecimento científico produzido no País e desmistificam superstições e tabus, visando a construção de uma cultura científica na sociedade brasileira</strong>.</p><p><a href="https://www.instagram.com/iqciencia/?hl=pt-br">1. Instituto Questão de Ciência</a></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*XSYFfnLCyyd_tjQU" /></figure><p>O <em>Instituto Questão de Ciência</em> é uma associação sem fins lucrativos ou partidários. O instituto foi desenvolvido por profissionais de diferentes áreas, formados nas mais renomadas universidades do País, visando a defesa do uso de evidência científica nas políticas públicas.</p><p>A função primordial do Instituto é trazer a Ciência para os grandes diálogos nacionais e globais em torno da formulação de políticas públicas. O IQC conta com publicações em seu perfil do Instagram e no <a href="https://iqc.org.br/">site</a>, como <strong>artigos explicando novas pesquisas ou desmistificando o senso comum</strong>, como é o caso da postagem “Celular não explode posto de gasolina!”.</p><p><a href="https://www.instagram.com/ciencianautas/?hl=pt-br">2. Ciencianautas</a></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/225/0*3yNG3D2MfkdiFZHG" /></figure><p>Uma iniciativa partida de jovens do interior da Bahia que sentiam o desejo de divulgar conteúdos científicos. O projeto tem como foco principal <strong>popularizar a Ciência de modo acessível a todas as idades, por meio de uma linguagem simples</strong>.</p><p>Assim como o IQC, o <em>Ciencianautas</em> também é divulgado em diferentes plataformas. No<a href="https://ciencianautas.com/"> site</a>, os cientistas abordam com maior profundidade os assuntos discutidos; já no Instagram, eles buscam despertar o interesse das pessoas por Ciência e conscientizar acerca da importância do conhecimento científico assumido em nossa sociedade. Desse modo, por meio de tirinhas, memes e imagens divertidas ou engraçadas, o projeto divulga assuntos ou notícias relevantes de modo lúdico e criativo.</p><p><a href="https://www.instagram.com/mandakaru.ciencia/?hl=pt-br">3. Mandakaru</a></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/300/0*iugNuiAC0hiL8k-V" /></figure><p>O <em>Mandakaru</em> é um projeto criado inicialmente por três pesquisadores da Unicamp e que, hoje, conta com uma equipe de cinco integrantes da área da biologia. A iniciativa tem como lema <strong>“Você já viu um cientista? Sabe o que eles fazem e como fazem?”</strong>, mostrando assim um pouco mais sobre o mundo dos cientistas e esclarecendo alguns conceitos e profissões. O intuito principal é trazer a Ciência para mais perto das pessoas. Eles contam, para além do perfil no Instagram, com um <a href="https://www.youtube.com/Mandakaru_ciencia?fbclid=IwAR04pcd2kN-Csu802ktp_4RH9N9ntIVjaara07WTydG0WifoB_up46ITPyY">canal no Youtube</a> e uma <a href="https://www.facebook.com/mandakaru.ciencia">conta no Facebook</a>.</p><p>Na página do Instagram eles divulgam e explicam diversas questões como “o que são engenheiros de ecossistemas?”, “como as queimadas nos afetam?” e “o que significa o dia da sobrecarga da Terra?”. Além disso, lançaram um projeto “Qual a sua pesquisa?” no qual recebem projetos de diversos pesquisadores e os divulgam no intuito de demonstrar a importância da pesquisa para o público.</p><p><a href="https://www.instagram.com/nuncavi1cientista/">4. Nunca vi 1 cientista</a></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/900/0*9P7zrFQbsm9CtclB" /></figure><p>A página <em>Nunca vi 1 cientista</em> nasceu de um encontro de comunicadores científicos na maior competição de comunicação científica do mundo, o FameLab. A partir desse encontro e movidos por uma paixão em comum, a Ciência, decidiram criar o projeto objetivando apresentar uma outra imagem da ciência brasileira, mostrando que <strong>a pesquisa nacional tem qualidade reconhecida no mundo todo</strong> e ouvindo o que as pessoas querem saber sobre ciência.</p><p>O <em>Nunca vi 1 cientista</em> conta com um <a href="https://www.youtube.com/channel/UCdKJlY5eAoSumIlcOcYxIGg">canal no Youtube</a>, uma <a href="https://www.facebook.com/nuncavi1cientista/">página no Facebook</a> e um perfil no Instagram. Pelo Instagram, eles divulgam não só Ciência, mas também a vida de cientista de forma divertida e acessível. Discussões de temas relevantes e pesquisas divulgadas recentemente estão entre os “quadros” criados pelo projeto, como o “Às quartas desmistificamos propagandas apelativas”.</p><p><a href="https://www.instagram.com/ciencia.brasileira/?hl=pt-br">5. Ciência brasileira</a></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/223/0*3WeOa5nvT3XHoVIQ" /></figure><p>A iniciativa <em>Ciência Brasileira</em> surgiu com o objetivo principal de divulgar trabalhos e pesquisas desenvolvidos por cientistas brasileiros em linguagem simples e acessível para o público. Um dos focos é <strong>desmistificar o senso comum de que a Ciência brasileira é inútil e só o que é feito no exterior é correto ou de qualidade</strong>.</p><p>Desse modo, o projeto é divulgado pelo<a href="https://www.facebook.com/cienciabrasileiraedequalidade/"> Facebook </a>e pelo Instagram, neste por meio da publicação de artigos científicos e da divulgação de pesquisadores brasileiros. Em algumas postagens, o projeto replica matérias de revistas de grande circulação, como a <em>Galileu</em>.</p><p>Lembre-se que esses são só alguns exemplos; existem outros canais de comunicação e modos de se manter informado cientificamente — seja por canais no Youtube, seja por perfis não comentados nesta matéria. Em meio a essa onda de notícias falsas sobre a Ciência, <strong>nada mais subversivo do que buscar o conhecimento baseado em fatos e evidências científicas!</strong></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=a855bfff0851" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/midium/cinco-perfis-do-instagram-que-fogem-do-padr%C3%A3o-das-revistas-cient%C3%ADficas-pagas-a855bfff0851">Cinco perfis do Instagram que fogem do padrão das revistas científicas pagas</a> was originally published in <a href="https://medium.com/midium">Mídium - Comunicação em Movimento</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Alguém sabe quem é que nos mata?]]></title>
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            <category><![CDATA[subversão]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Equipe Mídium]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 19 Aug 2019 21:49:14 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2019-08-20T10:57:45.590Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*8sPdAq9EmwUCmHuDhz-VZQ.png" /></figure><h4>EDITORIAL</h4><h4>“Subversão: a vez da voz” é o primeiro ciclo do Mídium a se estender por mais de seis meses</h4><p>Em março deste ano, um ano da morte de Marielle foi completado. No mesmo dia, o Mídium publicou o <a href="https://medium.com/midium/o-destruir-e-o-inverter-da-sociedade-d21904a78d8d">editorial do seu quarto ciclo, o Subversão</a>. Foi proposital. Também era dia de Carolina Maria de Jesus. À época, falamos delas e de tantos outros porque acreditávamos. E acreditamos.</p><p>19 de agosto e <em>este</em> editorial é publicado. Nove meses e dezenove dias desde o resultado do segundo turno das Eleições Presidenciais de 2018. Sete meses desde a posse de Jair Bolsonaro, marcada por <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/31/politica/1546277389_982663.html">repressão do direito de imprensa</a>. Quando a ficha caiu e a realidade bateu à porta, não estávamos preparados. Sete meses depois e fomos assassinados de diferentes formas. Na saúde, na educação, na arte. <strong>Ninguém nunca está e nem nunca estará preparado.</strong></p><p>A cidade dorme. O presidente fala. Não existe fome no Brasil, não existe racismo no Brasil. Nem cagar pode mais no Brasil. Só se tiver conta verificada no Twitter e vaga no Executivo. <strong>Desse jeito pode duvidar até de jornalista torturada na Ditadura.</strong> Jornalista torturada.</p><p>Alguém sabe quem é que nos mata?</p><p>Ciclos significam começo, meio e fim, mas também nos remetem à ideia de continuidade, de alguma forma. Desde seu nascimento, o Mídium funciona em começos, meios e fins que duram seis meses e perduram para sempre nos corações de quem faz e acompanha.</p><p>Com o início do Subversão, nos propusemos a falar sobre um momento que surgia tímido, o qual denominamos de “pós”. Pós Marielle, pós Carolina, pós Pedro Henrique. “O que é ser diferente?” também era uma pergunta que nos guiava. Naquele momento, já havia medo. <strong>Não sabíamos o que esperar, mas encorajamos o outro, como em todos os outros ciclos do projeto.</strong> Realizamos coberturas de vários momentos de mobilização e protesto ao longo do ciclo, pensando outras formas de concentrar forças e de exercer comunicação. Deixamos os entrevistados falarem à vontade e nos propomos a permitir que eles conduzissem suas próprias narrativas. Fomos coletividade e fomos social.</p><p>E o Subversão subverteu até o que já estava posto no Mídium. Decidimos construir um ciclo de um ano com ambas — indecisão e prontidão — porque fez sentido. Não poderíamos reduzir a resistência e a luta a seis meses. Portanto, continuaremos a produzir considerando tudo que inverte e destrói o pré-moldado.</p><p>Alguém pode dizer quem é que nos mata?</p><p>Enquanto reagimos aos baques, escrevemos e fotografamos e ouvimos e documentamos os retrocessos, os ataques e as injustiças. Por entender que comunicar é resistir e por <em>justamente </em>compreender que ciclos têm fim, seguimos em “Subversão”. E o ciclo atual tem fim; não o do Mídium, o ciclo político. <strong>Tem fim e continua de alguma forma. Já lutamos agora e lutaremos quando quiserem nos matar novamente.</strong></p><p>Esse texto foi inspirado pela peça “<a href="http://noisdeteatro.blogspot.com/2019/07/ainda-vivas-tres-pecas-do-nois-de-teatro.html">Ainda Vivas</a>” do Coletivo Nois de Teatro, cujos percursos e falas atravessaram e atravessam quem movimenta o Mídium.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=5f7dfe3a2f55" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/midium/algu%C3%A9m-sabe-quem-%C3%A9-que-nos-mata-5f7dfe3a2f55">Alguém sabe quem é que nos mata?</a> was originally published in <a href="https://medium.com/midium">Mídium - Comunicação em Movimento</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[A voz por trás da pauta]]></title>
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            <category><![CDATA[subversão]]></category>
            <category><![CDATA[jornalismo]]></category>
            <category><![CDATA[viver]]></category>
            <category><![CDATA[ceará]]></category>
            <category><![CDATA[representatividade]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Equipe Mídium]]></dc:creator>
            <pubDate>Mon, 13 May 2019 12:43:52 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2019-05-14T13:19:57.463Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>#VIVER1</h4><h3>A voz por trás da pauta — parte 2</h3><h4>Na sequência da reportagem, a falta de pluralidade nas redações e o cenário cearense da Comunicação</h4><p>O Especial Subversão está pautado em três verbos. O <em>Viver </em>é um deles. A voz silenciada se torna ativa pelo ato de existir e conquista espaços para ser ouvida. Esta é a segunda parte da primeira reportagem do <em>Viver.</em></p><p><a href="https://medium.com/midium/a-voz-por-tr%C3%A1s-da-pauta-95d12670a552">A voz por trás da pauta</a></p><p>Um dos princípios do jornalismo é contemplar a diversidade e singularidade da sociedade, por meio dos assuntos pautados e da pluralidade de fontes e profissionais jornalistas. A pouca representatividade ainda ressoa. Enquanto jornalistas, o ato de tentar e conseguir ser o profissional que se almeja passa a ser um feito de insurgência. Uma luta contínua para se erguer em meio a um corpo social historicamente construído para negar e reprimir a existência de quem não pertence ao padrão determinado.</p><p>No Ceará, a construção do Jornalismo foi tão oligárquica quanto no resto do Brasil, <strong>promovida por uma elite que escrevia de si para pessoas de um mesmo grupo ouvirem</strong>. A falta de representatividade não é restrita às redações e também se faz presente nas instituições. A Associação Cearense de Imprensa (ACI), por exemplo, fundada em 1925, exemplifica essa carência. A instituição, em seus 94 anos de história, possuiu quinze presidentes brancos e, entre estes, apenas uma mulher.</p><p>Essa falta de representatividade ecoa em diversos setores da sociedade, e ao analisar os perfis de jornalistas cearenses, questões étnicas ainda são visivelmente díspares. Além disso, as questões de gênero não são contempladas nas pesquisas que investigam o perfil dos jornalistas no estado. Em sua criação, o jornalismo era acessível, em geral, para quem pertencia ao padrão. Os tempos mudaram e essa realidade não pode ser mais a mesma.</p><p>Em um estado tão diverso, por que uma redação tão homogênea?</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/662/0*xyHmXtcB2TyvY9LE" /></figure><p>Recentemente, deram cor às fotografias do consagrado romancista e jornalista Machado de Assis. Durante séculos as fotos foram convertidas em imagens e personificações do autor como um homem branco. As alusões e homenagens ao autor negaram sua identidade negra. Esse é o contexto brasileiro, no qual <strong>figuras que subvertiam dentro do sistema apenas por existir, tem características essenciais de seu ser apagadas</strong>.</p><p>O diálogo entre as diferentes realidades e vivências é necessário. A instrução e a conversa agregam à compreensão coletiva, e são essenciais para a desconstrução de preconceitos e estereótipos. É nesse sentido que Bruno de Castro se ressignifica como comunicador, e assim nasce o <a href="http://cearacriolo.com.br/novo/"><em>Ceará Criolo</em></a>.</p><p><em>“A gente nasce primeiro na expectativa do outro. Quem me disse primeiro que eu era negro foram as outras pessoas e isso é muito curioso porque geralmente acontece também com a sexualidade. Ao contrário de outras pessoas que eu convivo que são negras, essa questão da etnia, da cor da pele nunca foi um problema pra mim, porque em casa nunca foi um problema também. Não existe o peso de ser negro em casa como existe o peso de ser negro na rua ou numa loja, em que o segurança acha que a qualquer momento a gente vai roubar uma coisa.</em></p><p><em>Obviamente, quando eu for me lembrar, eu vou ter perpassado por uma série de situações as quais a questão da pele era muito latente e evidente, e eu não percebia. Mas, efetivamente falando, </em><strong><em>quando eu me olhei no espelho e me reconheci como negro foi há menos de 1 ano</em></strong><em>, quando eu e meus amigos jornalistas e publicitários nos juntamos para criar o Ceará Criolo. Foi a partir dali que eu me construí como sujeito negro, morador de periferia e homossexual. Nós sentamos e pensamos no coletivo, não queríamos que ele fosse mais um portal que dissemina estereótipos e coisas negativas da população negra, o que a mídia tradicional faz. Então a gente nasceu com essa proposta muito clara de questionar o que tá sendo colocado e propor uma outra coisa diferente do que tá lá. Por isso buscamos não fazer nada somente a partir de nossa perspectiva; ouvimos diferentes visões sobre uma mesma coisa e eu acho que essa multiplicidade de olhares nos permite ter mais chance de enxergar o problema.</em></p><p><em>Ainda não veio o reconhecimento de eu ser um referencial como homem negro que ocupa esses espaços e tem essa voz. E eu acho que nem vai vir, porque</em><strong><em> o mercado não enxerga esse tipo de característica e não enxerga desde o princípio</em></strong><em>. Quando você aprendia a escrever jornalisticamente uma matéria, o professor não condicionava “olha, você tem que se atentar às minorias, têm que contemplar o máximo de diversidade no seu texto”. Isso não era discutido na minha época de estudante, e quando eu fui pro mercado eu percebi que na prática isso era muito menos discutido e ainda não existe uma preocupação efetiva. Quando eu digo efetiva, eu digo no sentido sistematizado “vamos pensar essa pauta, vamos pensar o que, vamos ouvir quem”.</em></p><blockquote>“Você não humaniza uma matéria colocando uma pessoa qualquer, [depende de] que tipo de pessoa se coloca pra falar”</blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*c9swJh7R8GVQ5KKF-KvR2g.jpeg" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*7pqmztSXW2M2HR2D8KhM3A.jpeg" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*QU3_C1a5BlFFgNh3pZSMjg.jpeg" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*F9g3u6Jd1A2g0oqK9yC5KA.jpeg" /><figcaption>“Bruno de Castro é jornalista e um dos criadores do portal Ceará Criolo | Imagem: Equipe Mídium/ Cindy Damasceno”</figcaption></figure><p><em>Por esses motivos, eu digo que muito provavelmente esse reconhecimento ainda não veio. Porque, embora eu saiba que eu estou numa posição extremamente privilegiada dentro do espectro de pessoas negras por ter tido uma educação básica muito boa, o meu pai tinha e ainda tem na cabeça dele a ideia de que a educação pode salvar o mundo e eu sou muito grato a ele. Mas eu sei que a realidade não é assim, e tenho a consciência de que eu tô a quilômetros de distância de dizer que eu tenho algum reconhecimento, </em><strong><em>ainda existe uma resistência muito grande à população negra, aos profissionais negros</em></strong><em>: as pessoas desacreditam.</em></p><p><em>É muito claro e evidente. Quando você recebe uma pauta e não consegue desenvolver, você é taxado de incompetente. Mas se der essa mesma pauta para um sujeito branco e ele não conseguir desenvolver, é porque o governo do estado não deu a informação certa. Estou dando um exemplo apenas,</em><strong><em> mas isso acontece, e acontece porque a gente tem pouquíssimos profissionais negros nessa área</em></strong><em>. Na televisão, por exemplo, não tem nenhum apresentador negro. Por quê? E a gente não enxerga isso e não se questiona por que se tem no imaginário popular que o lugar de negro é na periferia e não nos holofotes.</em></p><blockquote>“O que eu tô querendo dizer é que a gente tá a léguas de distância do ideal que era ter uma redação equiparada de homem e mulheres, de héteros, gays, bissexuais e ter uma diversidade de pessoas e consequentemente uma diversidade de pautas”</blockquote><p><em>Se você tiver sempre o mesmo tipo de pessoas, o produto final vai ser sempre o mesmo. Por que só têm notícias sobre gays no dia do orgulho LGBTQI+? Por que vai ter um caderno especial sobre questões raciais só no dia da consciência negra? E no resto do ano, num tem preto não? Esse tipo de coisa faz pensar que só existe negro, gay, lésbica, transexual nesses dias, mas e no resto do ano, não tem? </em><strong><em>A população negra não é somente os massacres que, em geral, as empresas de comunicação retratam</em></strong><em>. E isso só reforça o estereótipo cruel de que o negro não tem outra serventia. Um preto preso com trinta quilos de drogas é um bandido, um branco preso com trinta quilos de droga é um indivíduo com problemas familiares. E isso é muito grave.</em></p><p><em>Quando a gente resolveu criar o Ceará Criolo, </em><strong><em>eu passei a</em></strong><em> </em><strong><em>condicionar minha visão de comunicador</em></strong><em>, passei a me questionar sobre essas questões. Por exemplo, lá na prefeitura de Caucaia, onde eu trabalho, eu peguei a agenda e fui olhar cada órgão e não encontrei a Coordenadoria Especial de Políticas Públicas para Promoção da Igualdade Racial. Numa cidade que comporta um terço da população indígena do estado e 11 comunidades quilombolas.</em></p><p><em>Eu me percebo com uma série de preconceitos sobre mim, sobre meu povo. Então, se eu — que sofro na pele, literalmente, o racismo — tenho atitudes racistas, quem dirá uma pessoa branca cheia de privilégios nascida no Cocó, que nunca precisou andar de ônibus. Essa pessoa não tem nem noção do que é preconceito e eu tenho, e ainda assim eu tenho umas posturas preconceituosas do ponto de vista étnico e tento desconstruí-las.</em></p><blockquote>“Defender e representar essa causa não é um favor, é uma obrigação como comunicador e cidadão”</blockquote><p><em>Quando você me garante uma vaga no mercado de trabalho, você não está me fazendo um favor, você está reconhecendo o meu trabalho. </em><strong><em>Quando você paga o mesmo salário que os outros, isso não é uma esmola, é um direito meu</em></strong><em>. E me respeite por isso. Eu credito nessa resistência, e nesse preconceito pela falta de conhecimento das pessoas. Aliás, eu prefiro achar que é por isso e partir do pressuposto utópico da comunicação, em que eu apresentando a realidade elas vão mudar, do que achar que eu tô lidando com uma realidade que já está perdida. Até porque se a gente achar que já tá tudo perdido eu vou fazer o que, então? Eu acredito no poder da educação, assim como meu pai, que ela é a única a ser capaz de mudar o status quo da sociedade”.</em></p><p>Em um país onde mais da metade da população é negra, <strong>apenas 5% dos jornalistas se reconhecem como tal</strong>. Permanecer nesse espaço é símbolo de resistência e, sobretudo, subversão de um sistema excludente. Sâmia Martins conta um pouco de sua experiência como comunicadora negra — e sobre a importância de se afirmar como tal.</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FiAKZPLZEQH8%3Ffeature%3Doembed&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DiAKZPLZEQH8&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FiAKZPLZEQH8%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/96120bea93977ab336d07c511209bd93/href">https://medium.com/media/96120bea93977ab336d07c511209bd93/href</a></iframe><p>Enquanto negam espaço, nós ampliamos caminhos. Enquanto uns seguem a maré do silêncio, caminhamos contra o vento e falamos. Nos comprometemos em quebrar quaisquer padrões que tentem nos impor. Enquanto uns são fantoches, nós não aceitamos o controle. Enquanto o retrocesso ameaça, a Comunicação evolui. Nos movimentamos. Subvertemos.</p><p>Na primeira matéria do<strong> Especial Subversão </strong>demos espaço às vozes e às vivências de jornalistas brasileiros que, por meio de seus corpos e trabalhos, fogem das referências da comunicação no Brasil.</p><p>Acompanhe nossas próximas matérias.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=4bca944b0938" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/midium/a-voz-por-tr%C3%A1s-da-pauta-4bca944b0938">A voz por trás da pauta</a> was originally published in <a href="https://medium.com/midium">Mídium - Comunicação em Movimento</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[A voz por trás da pauta]]></title>
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            <category><![CDATA[jornalismo]]></category>
            <category><![CDATA[viver]]></category>
            <category><![CDATA[ceará]]></category>
            <category><![CDATA[representatividade]]></category>
            <category><![CDATA[subversão]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Equipe Mídium]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 09 May 2019 23:10:51 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2019-05-14T13:18:57.316Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<h4>VIVER #1</h4><h3>A voz por trás da pauta — parte 1</h3><h4>A Comunicação é construída por várias vozes, mas quais delas são interrompidas quando há um padrão na área da comunicação?</h4><p>O Especial Subversão está pautado em três verbos. O <em>Viver </em>é um deles. A voz silenciada se torna ativa pelo ato de existir e conquista espaços para ser ouvida. Hoje, somos e estamos depois de muitos que lutaram. Existimos juntos com aqueles que querem nos eliminar. Mas só por<strong> VIVER</strong> já somos subversão.</p><p>Do desejo de informar e ser informado, nasce o Jornalismo. Com a invenção da imprensa por Gutemberg e o enriquecimento cultural e intelectual dos Movimentos Renascentista e Iluminista, a atividade foi impulsionada e popularizada.</p><p>No Brasil, o jornalismo só foi introduzido com a vinda da Família Real portuguesa em 1808. O primeiro jornal impresso no país, a <em>Gazeta do Rio de Janeiro</em>, foi publicado pela Imprensa Régia e era limitado à aristocracia portuguesa e seus descendentes nascidos no Brasil.</p><p>O início do século XX trouxe inovações técnicas e um maior público para os periódicos. Teve início a construção dos grandes veículos e conglomerados de comunicação, mais uma vez nas mãos da elite econômica e intelectual. Em geral, homens brancos dominavam a imprensa, determinavam o conteúdo que circularia na sociedade e, por consequência, o que entraria para o debate. Ironicamente, montavam também as edições produzidas especialmente para o público feminino.</p><p>No Brasil, o jornalismo surgiu restrito aos europeus e seus descendentes. Com o tempo, a produção e a distribuição dos produtos jornalísticos tornaram-se mais acessíveis, mas ainda se restringiam aos brasileiros de classes abastadas. Os criadores e consumidores de conteúdo compreenderam a série de privilégios que a informação carrega. O jornalismo passou a ser mercadoria, status e ferramenta de poder. A modernização técnica e social expandiu progressivamente o acesso dos meios material e intelectual, mas o perfil por trás da pauta oscila entre permanências e rupturas.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/800/1*FwQ_-eRPRxhqxS0yZ4zC-w.jpeg" /></figure><p>O perfil analisado de profissionais já difere do padrão que predominou durante séculos nos ambientes de trabalho. Entretanto, quanto à diversidade étnica, há visivelmente uma carência, pois ainda há majoritariamente indivíduos brancos nas redações.</p><p>A falta de pluralidade nesses locais é ainda mais sensível em questões de identidade de gênero, e faltam dados que contemplem essas ausências. É desse mercado de trabalho que Monstra quis escapar. Ex atuante em comunicação e artista por natureza e escolha, Monstra compartilhou sua vivência dialogando sobre a representatividade e propondo a ressignificação da comunicação.</p><p><em>“Para mim sempre foi muito difícil vislumbrar um caminho dentro do mercado de trabalho do jornalismo. Hoje em dia, acho que é um pouco mais possível, mas não acho que seja muito fácil ainda. E eu escolhi desistir desses espaços na área da comunicação, investir em mim, e investir em outras possibilidades.</em></p><p><em>Eu estava no começo dos meus processos de descoberta de identidade de gênero, então minhas relações com as pessoas não eram tranquilas, e era um ambiente que me consumia muito. Para mim não fazia sentido estar ali. E quando vi a oportunidade de ir para um outro ambiente, que era o ambiente do teatro, eu fui.Eu fui investir onde eu senti que a minha potência ia ser melhor utilizada. E aí eu mergulhei de vez no teatro, e não me arrependo nenhum pouco.</em></p><p><em>Eu entrei no curso de Comunicação da UFC antes das cotas, e era péssimo. As pessoas que estavam no curso eram outras, era um ambiente muito masculino e muito tóxico. Esse foi o ambiente que eu entrei. E foi um processo, e eu sinto que eu tive minha importância também. No sentido de tentar empurrar algumas barreiras sabe. Do que era possível fazer aqui dentro. Mas teve um momento que não me coube mais, eu acho. Chegaram outras barreiras que eu não tive mais força pra empurrar sozinha.</em></p><p><em>E também me sentia muito sozinha aqui dentro. Eu acho que hoje em dia o perfil de alunos tem mudado muito e acho que isso tem sido incrível. Porque têm cada vez mais pessoas negras, LGBTQI+, corpos completamente diferentes dos que costumavam ocupar esse espaço há dez anos atrás.</em></p><p><em>E eu acho que isso faz toda a diferença em relação a como a dinâmica em sala de aula e na coordenação se estabelecem, em como as pessoas se organizam para pensar a grade curricular. Eu acho que, com tudo isso, existe uma pressão maior do corpo de alunos para que alguns eventos aconteçam, para que algumas coisas sejam pautadas. Para que a gente consiga fazer eventos e chamar outras pessoas, que não são os mesmos homens brancos que vem pra cá pra falar sobre jornalismo. Porque eles são homens, eles são brancos, eles trabalham na imprensa há 30 anos. Era só esse tipo de gente que era chamado para falar em evento para falar sobre jornalismo aqui, entende?</em></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*orZArr3MpzSbQZ5GZhpm6Q.jpeg" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*0Zzchl-U_buueb7GxRlxVg.jpeg" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*blOuCZBZaMb-sCMREoYFkA.jpeg" /><figcaption>“O que eu sou é um processo de investigação. Estou me investigando todos os dias pra tentar descobrir o que eu estou sendo naquele momento, e sempre me permitir que isso mude” — <strong>Monstra</strong> | Imagem: Equipe Mídium/ Pedro Victor Lacerda</figcaption></figure><p><em>Até quando a gente vai ficar escutando as mesmas pessoas falando das mesmas experiências? A gente precisa ouvir outras pessoas, a gente precisa reconhecer que outras experiências são possíveis. E isso também acho que fala um pouco sobre representatividade. E acho que é um papel fundamental no estudante de comunicação é buscar novos olhares, novas perspectivas e novas vozes. Cadê o pensamento crítico implicado naquele processo do fazer comunicativo? Cadê a sede de buscar outros discursos, de potencializar outros discursos?</em></p><blockquote>“E principalmente em tempos como a gente vive hoje, nossa, esse ano especificamente, as estruturas precisam ser balançadas. As outras vozes elas precisam ser impulsionadas”</blockquote><p><em>Hoje em dia eu acho que a gente tem ganhado muito, pelo que eu tenho observado dos eventos, em relação a isso. Há outras pessoas chegando e mostrando outras realidades possíveis pras pessoas que tão aqui.</em></p><p><em>A minha experiência é de um profundo engajamento tanto no mercado de trabalho, quanto nos projetos de extensão da universidade. E esse ano foi a primeira vez que me chamaram pra fazer uma fala, dentro de um ambiente universitário, sobre o meu trabalho. A primeira vez. Eu trabalho enquanto artista há uns 4 ou 5 anos. Eu trabalho enquanto comunicadora há uns 8 ou 9 anos. Esse ano foi a primeira vez que me chamaram para falar sobre o meu trabalho.</em></p><p><em>É sobre como a gente volta a ocupar esses espaços. Isso reflete muito nas minhas escolhas, reflete muito em eu não estar trabalhando atualmente, formalmente com comunicação.</em></p><blockquote>“E o que é trabalhar com comunicação, o que é a comunicação né?”</blockquote><p><em>A minha última experiência com comunicação efetivamente foi minha melhor experiência, de longe. Passei um ano e meio trabalhando como assessora de comunicação de um parlamentar lá na câmara municipal. Acompanhei o mandato e era muito interessante para mim, porque tinham pautas que eu acreditava e me envolvia muito.. Era um trabalho muito mais real, muito mais palpável, muito menos produto, era a comunicação com o objetivo de melhoria social. E eu via um sentido no trabalho que eu tava fazendo, e fui muito feliz na época que trabalhei lá, muito feliz.</em></p><p><em>Depois que eu saí desse trabalho passei um tempo fora. Toda vez que ia fazer uma entrevista de emprego, sempre pensava que ia ter que ir com uma calça jeans e com uma blusa mais fechada, e não ir com tanta maquiagem. E eu começava a me sentir muito mal e já chegava péssima nas entrevistas de emprego. E mesmo assim não chegava ao ponto de me adaptar. Eu nem me adaptava ao que eles queriam de mim nem conseguia me sentir bem naquela situação, porque eu tava tentando me adaptar.</em></p><blockquote>“Porque sei que para estar lá, teria que abdicar de uma série de coisas que pra mim hoje são essenciais para existir como existo. Em relação a como falo, como me porto, como me visto, como faço minha maquiagem, entende? Então sei que esses espaços não me abarcam. E eles não abarcam uma série de corpos”</blockquote><p><em>Acho que, aos poucos, algumas outras pessoas e alguns outros corpos estão conseguindo entrar nesses espaços, empurrar algumas coisas. Mas não sei até que ponto é possível a gente ficar empurrando barreiras.</em></p><p><strong><em>Acredito mais na criação de novos espaços de produção de comunicação, do que necessariamente na reforma dos que a gente já existem.</em></strong><em> Porque acho que, querendo ou não, foram espaços criados para serem espaços de completa normatividade. Então eu acredito muito mais na criação. E acho que a internet entra como ponto chave, para uma possibilidade de outras formas de pensar e fazer comunicação. E eu acho que isso tem acontecido incrivelmente bem, tem casos de muito sucesso.</em></p><p><em>Cada pessoinha tem a sua função no mundo, eu entendi que a minha função no mundo não é reformar esses espaços, é revolucionar eles. Mas eu não coloco essa reforma num plano de inferioridade, porque eu acho que ela é completamente necessária. Até que a gente consiga revolucionar esses espaços, eles precisam pelo menos serem reformados. Porque talvez a revolução não aconteça hoje ou amanhã, ou na próxima semana ou ainda esse ano. Talvez ela aconteça daqui a um bom tempo, e até lá, a gente precisa tá vivendo. E a gente não pode viver pensando só no amanhã, a gente tem que pensar também no hoje, no agora”.</em></p><blockquote>“Não estamos aqui para manter essas estruturas tão opressoras, estamos aqui para reformar e revolucionar”</blockquote><p>As dificuldades de corpos dissidentes dentro do sistema vão além de números e estatísticas. Há histórias e pessoas que subvertem em suas vivências apenas em ser. <strong>Bemfica de Oliva </strong>compartilha um pouco de suas experiências como pessoa comunicadora e trans, e a importância de reconhecer sua identidade.</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fplayer.vimeo.com%2Fvideo%2F334974667%3Fapp_id%3D122963&amp;dntp=1&amp;url=https%3A%2F%2Fvimeo.com%2F334974667&amp;image=https%3A%2F%2Fi.vimeocdn.com%2Fvideo%2F781416947_1280.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=vimeo" width="1920" height="1080" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/cf333cfb6f6e3181bbbbc01e5c1b80f1/href">https://medium.com/media/cf333cfb6f6e3181bbbbc01e5c1b80f1/href</a></iframe><p>A falta de representatividade atinge diferentes grupos e minorias, e, por consequência, pode gerar ou dar espaço a diferentes preconceitos que, muitas vezes, se manifestam de modo velado, sucinto. Na próxima reportagem da matéria “A voz por trás da pauta” teremos a experiência de Sâmia Martins e Bruno de Castro como comunicadores negros e suas representações na área da comunicação.</p><p>Acompanhe nossas próximas matérias.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=95d12670a552" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/midium/a-voz-por-tr%C3%A1s-da-pauta-95d12670a552">A voz por trás da pauta</a> was originally published in <a href="https://medium.com/midium">Mídium - Comunicação em Movimento</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
        </item>
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            <title><![CDATA[Especial Mídium pratica]]></title>
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            <category><![CDATA[vivências]]></category>
            <category><![CDATA[webjornalismo]]></category>
            <category><![CDATA[mídium]]></category>
            <category><![CDATA[escrita-afetiva]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Equipe Mídium]]></dc:creator>
            <pubDate>Sun, 24 Mar 2019 16:30:10 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2019-03-28T13:29:25.473Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*TEc48lveTpbzUNLyNKBTCQ.jpeg" /><figcaption>Na Semana de Recepção (SDR) dos/as calouros/as dos Cursos de Comunicação Social — Jornalismo e Publicidade e Propaganda da UFC, o Mídium ministrou uma oficina, pela manhã, seguida da apresentação geral do projeto, pela tarde. Os espaços ocorreram no Benfica, Centro de Humanidades II / Fotos: Equipe Mídium/Reprodução</figcaption></figure><p>Durante a <strong>Oficina de Escrita Afetiva no Webjornalismo</strong>, a primeira ministrada pela Equipe Mídium, em 21 de fevereiro de 2019, na DESCOM—evento promovido pelo Programa de Educação Tutorial dos Cursos de Comunicação Social (PETCom) da Universidade Federal do Ceará (UFC)—os ingressantes do curso de Comunicação Social realizaram entrevistas e produziram perfis especiais para o Mídium!</p><p>Confira, a seguir, as produções dos participantes da oficina.</p><h4><strong>A importância de ser inclusivo</strong></h4><p><em>Como a vivência e a aprendizagem de Libras mudam a visão de mundo.</em></p><p><em>Por Livia Levinsk, Stella de Almeida e Laila Nobre</em></p><p>Todos temos noção de que conviver com deficiência auditiva é um desafio e que pessoas portadoras precisam de empatia, voz, respeito e acessibilidade. É nosso dever fazer com que elas se sintam confortáveis e inseridas na sociedade do melhor modo possível.</p><p>Bruno Rodrigues é graduando de Letras — Português/Francês na Universidade Federal de Fortaleza e compartilhou sobre sua experiência ao antecipar a disciplina de Libras. Perguntamos à ele o que tinha achado da cadeira e o que mudou na visão dele desde o começo ao fim do semestre.</p><blockquote><strong><em>“Me sensibilizou bastante pra questão da acessibilidade, tem um mundo de pessoas que ficam marginalizadas (…) uma parcela inteira da sociedade que não acessa a universidade, que não acessa serviços públicos, que não tem ciência dos direitos”</em></strong></blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/459/1*Ad_HB8Wb0Wpa2Jwjz6YlWQ.png" /><figcaption>Bruno Rodrigues, 31 anos.</figcaption></figure><p>Bruno relatou também que teve uma amiga surda na infância, mas nunca havia parado para pensar no quão difícil era para ela. Apenas na faculdade, após ser confrontado com o tema, refletiu e pensou melhor. Ele disse que o professor da disciplina era surdo, e foi uma experiência que o fez sair da zona de conforto, pois a turma tinha que aprender a se comunicar com o professor.</p><p><em>“A questão de Libras é muito mais profunda do que só um marketing pra você fazer no dia da posse presidencial”</em></p><p>Bruno disse, assim, conseguiu entender melhor a importância da inclusão e da acessibilidade.</p><h4>Amor de quatro patas</h4><p><em>Por Vitória Hellen Sales, Catarina Varela Lima e Ana Beatriz Ribeiro</em></p><p>Gabrielle, estudante de Letras da Universidade Federal do Ceará (UFC), conta como foi encontrar o amor em um ser de quatro patas, mais especificamente na sua gatinha, Lena, animal de rua encontrada no Campus do Benfica da UFC. A entrevistada afirma que sempre gostou de animais, devido a sua experiência com um cachorro na infância. A pesar de não recordar muito bem dos momentos com o bichinho, o sentimento de afeto permaneceu gravado em sua memória, influenciando-a a adotar outro animal.</p><p>A sortuda foi Lena, uma gatinha que vivia perto do prédio de Jornalismo da UFC. Resgatada por Gabrielle e seus amigos, ela teve a oportunidade de ganhar um lar, afeto e cuidados de seus dedicados tutores. Apesar dessa felicidade, a gatinha ainda não se adaptou por completo ao seu novo lar, masjá demonstra amor pelos seus tutores.</p><blockquote>“Apesar de ela ser um pouco afastada, eu ainda gosto muito dela, ainda a amo do mesmo jeito. Algumas vezes ela chega e deita perto de mim com uma expressão de ‘não me toque, eu só quero ficar deitada aqui’, mas é muito legal porque eu penso ‘ai meu Deus, ela tá deitada perto de mim, ela me ama!”</blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/996/0*BQt_CLoXMYQ6rOie" /></figure><p>Quando questionada sobre suas ideias quanto a adotar ou comprar animais, Gabrielle afirma com convicção que o amor vindo de qualquer um, seja de raça ou não, é o mesmo.</p><p>Além disso, a estudante pede para os que estiver pensando em ter um animal em casa optarem pela adoção. Já que muitos abrigos estão lotados de bichinhos ansiosos por um lar e não têm recursos suficientes para cuidar de todos eles.</p><p>A história de amor entre a Gabrielle e Lena exemplifica as vantagens da adoção e os porquês dessa ação ser tão necessária para ajudar os animais e as organizações que cuidam deles, como a <em>Animais UFC</em> e o <em>Abrigo Animais Aumigos</em>. O adotante também se beneficia, visto que ter um animal em casa eleva a autoestima, aumentando a produção do hormônio da felicidade e ajudando a evitar o isolamento — uma das causas de depressão.</p><p>Em suma, o amor incondicional entre animais e tutores é um sentimento que todos os indivíduos deveriam sentir e levar como aprendizado. Concebendo a mesma ideia de afeto que os animais demonstram a qualquer ser, sem olhar a cor, o gênero ou a sexualidade, pois esse é o amor na sua forma mais pura.</p><h4>Ofícios que cativam</h4><p><em>Por Rogério Bié, Bergson Araujo e Ely Eulle</em></p><blockquote>“Trabalho como vendedor ambulante na UFC há 15 anos e sabe o que me motiva a não sair daqui? Já tenho 10 placas em minha homenagem feitas pelos alunos e alguns até me chamam de pai.”</blockquote><p>Aos 46 anos, Sr. Rui mais uma vez vendia café, doces e salgados no Centro de Humanidades I, da Universidade Federal do Ceará. Há 15 anos como vendedor ambulante, esse trabalho foi herdado de seu pai, que aprendeu a amar como parte de sua identidade.</p><p>“De início, o reitor da universidade pediu que o meu pai montasse uma banquinha aqui e eu, como não gostava de ficar sem o que fazer, comecei a ajudar também. Com o tempo, tomei de conta e hoje até meus filhos já trabalharam aqui também. Não troco isso por nada.” conta Sr. Rui, antes de vender uma carteira de cigarro para um de seus clientes fiéis.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/653/1*DmSbduTJp3U1awoJF7UE9Q.png" /><figcaption>Sr. Rui trabalha, de segunda a sexta, numa jornada diária de 12 horas.</figcaption></figure><p>Quando perguntado sobre sua relação com os estudantes e com a universidade, a resposta é simples e direta: “Uma das melhores coisas que vou levar daqui com certeza é amizade. Eu guardo mochila, arrumo dinheiro para o R.U, se alguém esquece o celular, alguém vem e me comunica; e até já troquei pneu de carro.” relata com uma gargalhada.</p><p>Ele também relata que a maior dificuldade é no período de férias, quando tenta procurar algo a mais para trabalhar.</p><p>Ao ser questionado se ainda existe algum sonho que ele gostaria de realizar, ele responde sem hesitar: “Hoje posso abrir a boca e dizer que consegui tudo o que eu queria. Tenho 2 filhos gêmeos que hoje já estão no ensino superior. Eu nunca quis fazer faculdade e uma coisa que me marca é que na rua ninguém tem amigo, mas que aqui na universidade eu tenho certeza que tenho.” encerra.</p><blockquote>“Eu tive uma livraria por 16 anos mas infelizmente tive que fechar. Hoje eu mostro meus livros aqui e estar cercada por esse ambiente cheio de conhecimento é o que me mantém viva.”</blockquote><p>Dona Elisa Mariana, de 59 anos, conta um pouco de sua história de vida enquanto arruma os livros atrás de sua banca improvisada.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/852/0*hJvdcJnPklB4KQI6" /><figcaption>Elisa Mariana trabalha no Centro de Humanidades da UFC algumas vezes ao ano.</figcaption></figure><p>Trabalhando periodicamente como vendedora ambulante na UFC, ela conta que isso não é algo que ela faz fixamente. “Às vezes venho porque eles me chamam, quando tem um evento…às vezes por necessidade mesmo”, diz.</p><p>Ao ser indagada sobre uma grande aspiração que ela ainda tem, rapidamente responde:</p><p>“Ter minha livraria de novo, com certeza. É o que eu gosto de fazer e é o que eu vou continuar fazendo, não importa onde eu esteja.”, conta.</p><h4><strong>O uso excessivo do plástico pelos brasileiros</strong></h4><p><em>Por Raquel Aquino, Suianny do Amaral e Marcelo Henrique da Silva</em></p><p>Cada vez mais a temática ambiental e a problemática do lixo conquistam visibilidade na mídia, devido à sua produção gradativamente maior nos meios urbanos e seus prejuízos consecutivos. Entre os materiais mais descartados está o plástico, que é muito difícil de ser degradado na natureza e é encontrado no dia a dia de qualquer pessoa .</p><p>Segundo uma pesquisa realizada e publicada pela <em>Science Advances</em>, em 2017, durante a década de 1950, estima-se que 2 milhões de toneladas de plástico eram descartadas por ano no mundo, mas, em 2015, novas pesquisas indicaram que essa quantidade ultrapassa 400 milhões e apenas 9% desse resíduo é destinado à coleta seletiva, sendo 12% incinerado e quase 80% acumulado em aterros sanitários.</p><p>Paula Larisa Mesquita Freitas cursa Psicologia na Universidade Federal do Ceará (UFC) e costuma ter acesso a informações sobre o plástico e seus impactos através da Internet. Com isso, ela tenta usar o material de forma mais consciente, por exemplo, reutilizando a garrafinha de água mineral que ela costuma comprar com frequência.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/774/0*dWYYn7bMZ81SKSba" /></figure><p>Ela não possui o costume de utilizar canudos, ação que atribuiu à publicidade ultimamente feita de preservação da vida de animais, especialmente aquáticos, que estão sendo prejudicados devido ao lixo que chega até os oceanos.</p><p>Mesmo se policiando, ela reconhece que ainda descarta sacolas plásticas na rua.</p><p>A indústria alimentícia, muitas vezes, como proteção para seus alimentos, produz embalagens que são total ou parcialmente feitas de plástico, fazendo com que o consumidor não tenha “opção” quanto ao consumo do produto.</p><p>Paula mencionou que as embalagens de comida são os materiais com o qual ela tem mais contato com o plástico, além das garrafinhas PET. Por vezes, ela acaba esquecendo ou perdendo garrafas d’água e precisa substituí-las. Levando em conta que essa troca possui uma certa frequência, acaba que não é uma vantagem financeira e ambiental adquirir uma garrafa de outro material.</p><p>Muitas pessoas, incluindo Paula, buscam digitalmente postagens a respeito do plástico, pela vasta gama de conteúdo e informações que várias plataformas disponibilizam.</p><blockquote>“Eu diria que eu tenho mais contato na internet, principalmente com essa ‘vibe’ dos animais que são encontrados com vários plásticos dentro deles…”</blockquote><p>Assim como Paula, algumas pessoas acreditam que uma maior disponibilidade de lixeiras de coleta seletiva espalhadas em áreas públicas iriam, de certa forma, contribuir para que as pessoas realizassem o descarte correto. Dessa forma, os resíduos não chegariam em locais inadequados, não prejudicando, assim, os animais e o meio ambiente como um todo.</p><h4>Autoconhecimento e identidade</h4><p><em>Por Guilherme Sampaio</em></p><p>A discussão de questões sociais que envolvem raça, gênero,sexualidade, por exemplo, não é costumeira no ambiente familiar, principalmente em núcleos familiares tradicionais. A falta desses debates pode inibir o desenvolvimento de uma consciência social e atrapalhar processos de autoconhecimento. Felizmente, alguns espaços podem suprir essa falta</p><p>Gabriel é estudante de Psicologia, curso que integra o Centro de Humanidades 2 da Universidade Federal do Ceará, UFC, e atualmente cursa o sexto semestre. É membro do Centro Acadêmico Fátima Sena, entidade de representação estudantil do seu curso, e participa do Centro de Orientação Sobre a Morte e O Ser (COSMOS).</p><p>Gabriel teve acesso à Universidade por meio do sistema de cotas, apresenta vulnerabilidade socioeconômica e ressalta a luta diária que é permanecer na Universidade:</p><blockquote>“Eu sou do sexto semestre, e cada semestre que eu passo aqui é uma vitória, pois eu não sei se eu vou ter dinheiro pra estar aqui no próximo”.</blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/960/1*WDA86sEyvXCWgSV9fBgvAw.jpeg" /><figcaption>Gabriel relata as nuances de seu processo identitário e de sua permanência na Universidade.</figcaption></figure><p>Nesse contexto, o jovem comenta sobre a importância da Universidade no seu processo identitário, onde passou a entender a sua negritude e sua homossexualidade. Gabriel explica que a falta de representatividade negra sempre foi uma constante em sua vida. Mesmo com pai negro em casa, a figura paterna nunca foi uma referência em negritude para o rapaz. Reflexões sobre o que é ser negro e o aprendizado sobre a cultura negra vieram em decorrência:</p><p><em>“Meu cabelo não era cacheado, ele era cortado muito curto pois eu nunca tinha experimentado deixar ele crescer, eu achava que ia ficar muito feio. Eu só resolvi assumir meus cabelos enquanto cacheados quando eu entrei aqui, foi quando eu aprendi sobre essas questões e assumi minha identidade negra”.</em></p><p>O estudante desabafa sobre o desafio de ser LGBT e negro, aumentando as opressões que precisa enfrentar. Ele relata a existência de uma forte cultura de valorização dos corpos padrão, o estereótipo branco, belo e másculo dentro da comunidade LGBT, o que influencia em como as relações afetivas são construídas:</p><blockquote><em>“Corpos negros não são priorizados em relacionamentos, são sempre ou estereotipados, por questões como as genitálias, ou então eles não são opções para estar em um relacionamento”</em></blockquote><p>O racismo praticado diretamente ao estudante nunca foi uma realidade. Gabriel conta que sofre pela maneira como a sociedade está organizada, sendo permeada pelo racismo estrutural, o que o atinge por ser um fator que gera sofrimento a pessoas próximas ao jovem:</p><p><em>“Se a gente for pegar a lógica do colorismo, o meu tom de pele é muito mais claro do que os negros que tem a coloração mais forte, e as pessoas que tem a coloração mais escura vão sofrer mais preconceito, por conta do racismo estrutural”</em></p><p>Gabriel também comenta sobre outro tipo de preconceito, relatando, agora, suas vivências como pessoa gorda, como se declara. O acadêmico em psicologia explica que apesar de ser um assunto complicado para ele, tenta não se deixar afetar tanto, afirmando também que o seu peso nunca foi um fator que o levou a ser excluído em seu círculo social.</p><blockquote>“Eu tento muito consumir coisas que me motivem a me ver como uma pessoa melhor, como uma pessoa também bela, como um corpo belo”</blockquote><p>Em sua primeira oficina realizada, o Mídium proporcionou uma forte troca de experiências com os graduandos dos primeiros semestres do curso de Jornalismo da UFC.</p><p>Esse é um aspecto a ser desenvolvido no projeto ao longo dos próximos semestres. Acompanhem!</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=23b62e382895" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/midium/especial-m%C3%ADdium-pratica-23b62e382895">Especial Mídium pratica</a> was originally published in <a href="https://medium.com/midium">Mídium - Comunicação em Movimento</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[O “destruir” e o “inverter” da sociedade]]></title>
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            <category><![CDATA[subversão]]></category>
            <category><![CDATA[brasil]]></category>
            <category><![CDATA[jornalismo]]></category>
            <category><![CDATA[editorials]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Equipe Mídium]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 14 Mar 2019 23:36:21 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2019-05-14T13:24:27.249Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*3uHK-wojRXk6LcbtoUwM8w.png" /></figure><h4>EDITORIAL</h4><h4>O tema do quarto ciclo do Mídium é “Subversão: a vez da voz”</h4><p>14 de março de 2019 e esse Editorial é publicado. 365 dias se passaram desde o assassinato de Marielle Franco. Ainda é março e um jovem -negro morreu asfixiado por um mata-leão em shopping. Uma busca rápida na Internet por Dandara e o vídeo ainda está lá. Dandara exposta sem pudor algum, após minutos intermináveis de tortura seguida de morte. O que é um corpo? O que compõe um corpo? O que mata um corpo?</p><p>Existe uma tendência em invisibilizar os diferentes, seja porque eles quebram a imagem perfeita de hegemonia ou porque sinalizam que há outros caminhos a seguir que não o tradicional. Mas o que é diferença? Você é diferente? Diferente de quê?</p><blockquote>Falar do corpo se torna importante em um cenário ainda mais acentuado em que corpos desviantes são alvos de violências ao mesmo tempo que protagonizam revoluções</blockquote><p>No Mídium, acreditamos que todos devem ter suas palavras ouvidas. A comunicação pode servir como porta para adentrarmos em visões de todos os ângulos de um mesmo relato. <strong>A voz antes silenciada torna-se ativa e dá vida a um jornalismo pautado em causas além do “noticiar”</strong>.</p><p>No nosso primeiro ciclo, perguntamos “Por que falar sobre Feminismo?”. No segundo, discutimos cidades, percursos, pessoas e violências. O terceiro, sobre Sexualidades, nos mostrou o caminho do afeto, do autocuidado, das dores que nos atravessam, mas também da cura. O novo ciclo do Mídium, <strong>Subversão</strong>, existe porque não temos respostas.</p><blockquote>O que acontece depois da virada de ano? Por que 2019 causa tantos arrepios e preocupações? O que significaram as eleições de 2018? Para onde vamos e como vai a Comunicação?</blockquote><p>Olhando de cima, parece até que os ciclos passados foram uma preparação para esse. Estamos mais maduros e caminhamos com mais firmeza. Ter falado sobre movimentos importantes, afetos e pessoas nos encaminha para outra pergunta: <strong>o que fazer com tudo isso?</strong> Nos daremos a chance de descobrir.</p><p>Em 2019, o Mídium te convida a fazer parte desse novo movimento ainda silencioso que é a<strong> descoberta do <em>Pós</em></strong>. Pós-Marielle, pós-Dandara, pós-Pedro Henrique. Estamos depois de muitos que lutaram e de tantos que alguns desejam eliminar e esquecer. Entretanto, o tempo não é linear. Nada fica simplesmente para trás. A História e as histórias passam pelo tempo concentricamente. A memória cativa não nos deixa esquecer quem foram e quem são, por isso os rostos e nomes estão estampados.</p><blockquote>Construiremos novos caminhos e pensaremos, juntos, o que nossos corpos significam para além de todo o arrepio sentido nesse ano que inicia</blockquote><p>Tal qual a Mangueira queremos <strong>relembrar a história dos nossos</strong>. Não daqueles presos nos livros didáticos e sim de quem é como eu e você, que sofreu para fazer esse Brasil existir. Afinal “tem sangue retinto pisado atrás do herói emoldurado. Mulheres, tamoios, mulatos. Eu quero um país que não está no retrato”.</p><p>Queremos<strong> o Brasil fora das molduras, os retratos de nosso dia a dia</strong>, de quem resiste simplesmente por existir, de quem sustenta o país e nunca recebe atenção. Levantaremos nossos holofotes e megafones para fazer o melhor que a Comunicação pode conseguir: contar histórias e ampliar vozes. Falaremos o que precisa ser falado, guardaremos o silêncio de quem precisa de tempo para analisar, levantaremos para caminhar, sentaremos para o cuidado e, juntos, resistiremos. <strong>Somos subversão.</strong></p><p>Se eles querem a ordem, nós desejamos a desordem da liberdade de ser, falar e ouvir. Se o progresso deles nos retrocede, nós não aceitamos. <strong>Enquanto tentam fazer esquecer, nós lembramos. </strong>Somos Marielles, Dandaras, Chicos, Matheusas, Elzas, Vladimires, Pequenas, Jovitas, Carolinas, Linns, Conceições, Paulos, Leilas, Joãos e Marias. Nós representamos.</p><p>Enquanto negam espaço, nós ampliamos caminhos. Enquanto uns seguem a maré do silêncio, caminhamos contra o vento e falamos. Nos comprometemos em quebrar quaisquer padrões que tentem nos impor. Enquanto uns são fantoches, nós não aceitamos o controle. Enquanto o retrocesso ameaça, a Comunicação evolui. Nos movimentamos.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=d21904a78d8d" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/midium/o-destruir-e-o-inverter-da-sociedade-d21904a78d8d">O “destruir” e o “inverter” da sociedade</a> was originally published in <a href="https://medium.com/midium">Mídium - Comunicação em Movimento</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[DES-ESTIGMATIZAR: Desconstruindo pré-conceitos]]></title>
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            <category><![CDATA[ferias]]></category>
            <category><![CDATA[wicca]]></category>
            <category><![CDATA[espiritismo]]></category>
            <category><![CDATA[religiosidade]]></category>
            <category><![CDATA[candomblé]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Equipe Mídium]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 22 Jan 2019 23:04:04 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2019-01-22T23:43:45.819Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*wryKCbeHDWXUvEUv" /><figcaption>As vestimentas usadas nos rituais do Candomblé representam as origens da religião de matriz africana e dependendo da oferenda, também representam os orixás. Foto: Pedro Ivo Carvalho</figcaption></figure><h4>#MídiumFérias</h4><h4>Utilizando a informação como sua maior ferramenta, projeto busca desmistificar ideias e julgamentos acerca de temas estigmatizados</h4><p><em>Por </em><a href="https://medium.com/u/e199a85d43f2"><em>Cristina Soares</em></a><em>, </em><a href="https://medium.com/u/aff440b5e7"><em>Guilherme Gomes</em></a><em> e </em><a href="https://medium.com/u/58b3765bb28c"><em>Júlia Duarte</em></a></p><p>No último dia 12, <strong>a exposição “Orixás” do fotógrafo e etnólogo francês Pierre Verger foi aberta ao público no Museu de Fotografia de Fortaleza</strong>. Contando um pouco mais sobre a cultura afro-brasileira através de artigos, livros e um total de 65 fotos, Verger apresenta ao público um pouco de sua história, além de toda a vivência, costumes e a religião candomblé praticada pelos povos Iorubás e seus descendentes.<strong> A exposição retrata histórias que vão desde a África Ocidental até a Bahia, onde o fotógrafo passou a maior parte de sua vida.</strong></p><p>“Orixás” pode ser considerada uma excelente opção para aqueles que buscam conhecer um pouco mais sobre a cultura afro-brasileira e sobre o candomblé, que acaba por se enquadrar dentre as religiões consideradas estigmatizadas por grande parte da sociedade. <strong>Apesar da histórica e diversa miscigenação do povo brasileiro, deparar-se com costumes e crenças diferentes do cristianismo ainda é motivo para estranhamento e julgamentos</strong>.</p><p><strong>O projeto Des-estigmatizar</strong>, criado pelos estudantes de jornalismo Cristina Soares, Guilherme Gomes e Júlia Duarte, entra em cena com o intuito de <strong>apresentar algumas religiões e doutrinas que existem e <em>resistem</em> mesmo com pré-julgamentos e pré-conceitos estagnados na mente da população brasileira desde muito tempo;</strong> seja pela mídia com suas representações cinematográficas e caricatas ou por interpretações errôneas que são difundidas como certas. São elas: o candomblé, o espiritismo e a wicca.</p><h3><strong>ESTIGMAS: Mais do que apenas cicatrizes</strong></h3><p>Tratando-se de estigma, a palavra em questão refere-se às cicatrizes causadas por ferimentos. Já em seu sentido figurado, estigma se configura como algo indigno, ruim, desonroso ou com má reputação. Acredita-se que a palavra ganhou esse significado ainda na Grécia Antiga, devido a prática de marcar com ferro quente os braços e ombros de criminosos ou escravos. <strong>Quando se via o estigma em suas peles, já era possível identificar: o indivíduo tinha uma má reputação ou cometeu algum crime.</strong></p><p>Trazendo para o sentido sociológico, temos <strong>o <em>estigma social</em>, caracterizado por um indivíduo ou grupo que segue o oposto das normas culturais e tradicionais estabelecidas por uma sociedade</strong>. Portanto, tudo que fugir do que se considera um “padrão” é tido como um estigma. Até hoje negros, homossexuais, pacientes com transtorno psiquiátrico e membros de algumas doutrinas religiosas são tidos como tal. <strong>Eles carregam cicatrizes, mas que crime exatamente são acusados de cometer?</strong></p><p>Por meio de entrevistas, fotos, comparações com produtos da mídia e vídeos, o Des-estigmatizar propõe combater os preconceitos da maneira mais justa e simples possível: com informação. <strong>As <em>fake news</em> também não podem permanecer no plano religioso</strong>.</p><h3><strong>CANDOMBLÉ</strong></h3><p>Em 2015, Kailane Campos, que na época tinha 11 anos, <strong>foi atingida com uma pedra na cabeça quando saía de um culto por usar as vestimentas da sua religião: o Candomblé</strong>. Na onda desumana que o país vive (dessa vez, abertamente desumana) e nos anos cheios de incertezas que temos pela frente, mais do que nunca, é importante estar disposto a conhecer o outro para evitar qualquer pré-conceito, repulsa e violência. Esse ciclo vicioso, que tem como base a ignorância, só tem a possibilidade de se findar com a educação no seu sentido mais amplo.</p><p>Os africanos tiveram suas raízes podadas do continente mãe e <strong>submetidos ao cativeiro da escravidão</strong>. No Brasil, essa situação perdurou durante quase<strong> </strong>400 anos. Um medo comum entre as gerações de negros escravizados que nasceram em terras desconhecidas era o de serem enganados pela memória. Em meio ao convívio diário com a dor, pensar sobre a situação que foram colocados era um grito de saudade, mas acima de tudo, de resistência.</p><p>Ao passo que os padres jesuítas catequizavam a colônia e colocavam o catolicismo como religião oficial da província Brasil, os negros africanos escravizados foram <strong>proibidos de exercer livremente suas crenças </strong>— na verdade, o palavra liberdade e todos os seus sinônimos lhes foram usurpados. O caminho encontrado por eles para perpetuar as doutrinas de cada tribo foi a aproximação com os santos da Igreja Católica. Dessa prática, nasceu o Candomblé<strong>.</strong></p><p>O Candomblé, como espaço para prática religiosa, cria forma no estado da Bahia em meados do século XVIII. É monoteísta, acredita na existência do ser supremo Olorum e em seus enviados, os Orixás. No Brasil, o <strong>Candomblé e a Umbanda são pejorativamente chamados de macumba, mas se diferem </strong>em diversos aspectos. O principal é que hoje boa parte dos candomblecistas são contra o sincretismo, usado como mecanismo para salvaguardar a memória com figuras do cristianismo, e desejam retornar às <strong>raízes africanas</strong>. Em contrapartida os umbandistas enxergam essa mistura com nuances mais positivas.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*gTnEtW5SLYXcMxeo" /><figcaption>A presença de danças e ritmos oriundos dos instrumentos de percussão são elementos essenciais nos terreiros de Candomblé. É comum que as mulheres raspem os cabelos nos rituais de iniciatórios, também chamados de <strong>Feituras de Santo</strong>. Foto: Emílio Navarino</figcaption></figure><p>Os <strong>Orixás</strong>, a representação mais conhecida do senso comum sobre a religião, são muitas vezes confundidos ou relacionados com os demônios levantados por outras crenças de origem cristã. É o caso de Exu, a entidade que representa a comunicação, a paciência, a ordem e da disciplina<strong>.</strong> Historicamente, os orixás representam os nomes das famílias e das tribos, que hoje são inexistentes na África. <strong>São</strong> <strong>entidades que representam a força e a energia da natureza.</strong> Eles possuem um papel importantíssimo nos rituais religiosos por serem incorporados pelo praticantes mais experientes.</p><p>O transe é o ritual estigmatizado como macumba, feitiçaria ou magia negra, mas na verdade, em muitas outras regiões também há rituais similares. Éden Barbosa, adepto da religião há 14 anos, mestrando em Políticas Públicas e Sociedade e pesquisador sobre as Práticas Educativas Digitais no Candomblé, comenta que “<strong>O transe está presente em várias religiões</strong>, não é exclusivo de matriz africana. Até na Índia e na própria renovação carismática existem situações de transe que eles denominam como orar em línguas, estar em contato com o Espírito Santo.”</p><p>Os rituais são cheios de músicas com o uso de instrumentos de percussão, principalmente, <strong>tambores, cânticos, danças e oferendas aos Orixás</strong>. As cores das roupas usadas se diferenciam de acordo com os gostos de cada Orixá. Normalmente, essas práticas acontecem em rodas de terreiro e são dirigidas pelo pai (babalorixá) ou mãe de santo (iyalorixá). Geralmente, os adeptos do Candomblé levam<strong> 7 anos para concluir a iniciação dentro dos preceitos</strong>. O Kelê e o Resguardo, são práticas comuns para os iniciados ao Candomblé. O Kelê é um colar que representa a existência do orixá na pessoa e o Resguardo afeta na rotina e deve ser evitado fumar, ingerir bebida alcoólica e tomar banho de mar.</p><blockquote><strong>“Se for estudado [a formação das religiões] à luz da ciência, são similares. Todas são hierárquicas, o ato de iniciação, de se tornar padre. Os sacramentos são formas iniciatórias. Está tudo conectado, estamos todos juntos.” comenta Éden, comparando o Candomblé com o Catolicismo.</strong></blockquote><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*CF5iEdaSHl18hsYT" /><figcaption>O adereço usado na cabeça possui um forte significado na representação dos orixás. É comum as entidades Iemanjá, Nanã, Oxalá, Oxumarê, Oxum, Obá e muitos outros. São diferenciados pelos detalhes e pela cor da roupa. Foto: Pedro Henriques</figcaption></figure><p>A verdade é que nada é tão individual como as nossas expressões de religiosidade (ou até a falta delas). A<strong> liberdade para poder acreditar no que se deseja acreditar</strong>, a liberdade nos sentidos mais puros da palavra, não pode mais ser amordaçada. Anos de escravidão, maus tratos, falsas promessas meritocráticas, pedras, tiros, ameaças (quase sempre tudo ao mesmo tempo) não calaram a fé de quem deseja se <strong>reconectar as suas origens </strong>e lutar pelo seu direito de existir. Eles nos tiraram Mestre Moa, exímio capoeirista e praticante do Candomblé, que foi brutalmente assassinado a facadas em Salvador por desavenças políticas e por tudo que representava, mas nunca tirarão nossa fé.</p><h3><strong>WICCA</strong></h3><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/0*Ndn9ny88l_c27QsB" /><figcaption>A pena de morte mais comum durante a “caça às bruxas” era a fogueira. Catherine Cauchés, aqui como outra grafia, e suas duas filhas, Guillemine Gilbert (à esquerda) e Perotine Massey (à direita) foram perseguidas e condenadas sob o crime de heresia. Portine era esposa de um ministro protestante e estava grávida.Todos foram queimados vivos, inclusive o bebê. Foto: Reprodução Google</figcaption></figure><p>Apagada e negada até hoje, <strong>a história da bruxaria, da qual a religião Wicca faz parte, cresceu e se desenvolveu em um contexto pré-cristão muito antigo</strong>. Com origem na formação dos reinos europeu, ela mistura ritos celtas e práticas pagãs, que foram absorvidas e, em alguns aspectos, se assemelha com o que a Wicca prega hoje,<strong> </strong>como a celebração e marco dos ciclos da vida e das festividades sazonais relacionadas com a terra.</p><p>Alex Sanders, fundador da Alexandrina Wicca, uma das vertente existentes, afirma que essa seria a mais antiga “religião natural”. Considerada, assim, Neopagã, os ensinamentos se baseiam na existência do sobrenatural e na crença no<em> Deus e na Deusa</em>, a figura masculina e feminina, em conexão com a natureza. Ainda que os princípios da religião sejam <strong>baseados primordialmente na harmonia com a terra e com as pessoas</strong>, por que se tem uma visão deturpada e mirabolante da Wicca?</p><p>A resposta é quase tão antiga quanto o surgimento da bruxaria em si: fazendo-se necessário apagar e condenar “subversivos”- o termo usado aqui não se refere a usurpadores de bens, mas sim os que ousavam seguir e buscar seus próprios ideais bem como liberdade, social e política- ideias errôneas, que continuam até os dias atuais, fundamentados em preceitos do cristianismo geraram em larga escala a perseguição de adeptos. <strong>O fruto mais brutal é explícito na sanguinária caça às bruxas na época da inquisição católica.</strong></p><blockquote><strong>Tidas como “adoradoras do Satã” e associadas a rituais de sacrifício de crianças e de animais, as bruxas deixaram de ser parteiras e curandeiras, que utilizavam poções naturais e cânticos para cura, até então aceitas pelos membros católicos, para serem mortas em fogueiras</strong>.</blockquote><p><strong>Qualquer um que fosse acusado de bruxaria, sabia que a morte era a única sentença. Poucos voltavam do julgamento. Na realidade, poucas seria o mais certo</strong>. O sexo feminino foi, em todo esse período, o mais afetado e o mais oprimido. Muito além de só praticar bruxaria, para as mulheres, apenas desafiar os costumes, levantar a voz ou lutar pelo que acreditava, podia acarretar ser enforcada ou queimada viva.</p><p><strong>Hipátia </strong>foi a primeira mulher documentada como matemática A também filósofa grega<strong> </strong>ensinava, além disso, astronomia e filosofia. <strong>Joana d’Arc’</strong>, heroína francesa e<strong> </strong>chefe militar da Guerra dos Cem Anos, mesmo sendo extremamente católica, foi acusada de heresia<strong>.</strong> Ambas, por sonhavam em <strong>serem independentes</strong>, desejarem ser mais que a sociedade esperava delas, foram acusadas de desobedecerem a Igreja e tiveram mortes brutais. <strong>Ambas chamadas de bruxas</strong>. Juntas, elas entram na estimativa, segundo estudos mais recentes, das 40.000 a 50.000 pessoas que morreram acusadas de bruxaria.</p><p>Mesmo que a perseguição explícita e instituída por leis tenha sido esquecida nos últimos séculos, <strong>a repressão continua</strong>, perpetuada pelo imaginário popular reforçado por livros, filmes e séries que persistem em propagar conceitos e percepções erradas de quem são bruxas e como elas vivem. Se todas somos ensinadas a perfeição das princesas, ser a bruxa é o pior pesadelo. Elas são sinônimos de tudo que deve ser rejeitado. <strong>Mulheres independentes, mulheres fortes, mulheres que acreditam na sua força e na força da natureza.</strong></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/540/0*snNQjKR5GJEXK9jz" /><figcaption>Women’s International Terrorist Conspiracy from Hell (WITCH) — Nome de vários grupos feministas relacionados, mas independentes, ativos nos Estados Unidos como parte do movimento de libertação das mulheres durante o final dos anos 60. IMAGEM: Reprodução/ Tumblr</figcaption></figure><p>Praticante e estudiosa Wicca há 6 anos, Kim Silva desmistifica a principal associação quando se pensa em bruxas. “Primeiro que a Wicca e a bruxaria natural não tem nada a ver com o demônio,<strong> as bruxas nem mesmo acreditam em demônio.</strong>” Ela explica também que a Wicca eclética, outra versão da mesma religião, é feita para bruxas sem coven, que seria a reunião ou aglomeração de bruxos para rituais religiosos, e que cada coven tem suas regras e ressalta “Na wicca tradicional tem muitas regras. Tem uma hierarquia e rituais. Não posso falar por todos porque variam de coven para coven, mas na bruxaria temos uma regra “faça o que desejar sem a ninguém prejudicar”, o respeito a natureza e a todo tipo de vida é a primeira regra.</p><blockquote><strong>Além disso, Kim conta que “quando eu falo que sou relacionada à bruxaria tem aqueles que fazem piada e riem e tem aqueles que colocam a mão na minha cabeça para me exorcizar.”</strong></blockquote><p>Mesmo depois de séculos, <strong>estereótipos persistem</strong> pelo não conhecimento. Eles persistem por ser mais fácil julgar que entender o que se diferencia do “tradicional”. <strong>O problema é que não se diferencia totalmente</strong>. <strong>Pregar respeito e amor aos seres vivos é o que a maioria das religiões repetem em seus sermões.</strong> É o que os covens celebram. Não conhecer apaga as luzes da empatia. E afasta. E mata. Porque ser chamada de bruxa mata. Fabiane Maria de Jesus foi, em 2014, brutalmente assassinada por seus vizinhos após um boato de que praticava “magia negra.” Ser bruxo ou bruxa é um desafio, mas eles vivem e resistem.</p><h3><strong>ESPIRITISMO</strong></h3><p>“Vocês estão procurando os tambores, né?”, questionou Françoise Marie, coordenadora do Centro Espírita Lar dos Humildes, localizado na Vila Peri, para a equipe durante a visita. A primeira coisa a se reparar no local é a presença de crianças de diversas idades. Sendo considerado também um centro de apoio social, Marie conta que as salas são divididas por idade, e que as crianças recebem ensinamentos recreativos voltados para os valores da família e amigos, sem deixar de lado os valores espíritas. Em uma das aulas assistidas para crianças entre 8 e 10 anos, a atividade proposta era a de criar frases de conhecimentos espíritas com palavras espalhadas pelo chão e justificar o porquê de estarem corretas.</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2F_yj-Q44BrNo%3Fstart%3D34%26feature%3Doembed%26start%3D34&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3D_yj-Q44BrNo&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2F_yj-Q44BrNo%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/c8828665e60cde826e50b4c339836512/href">https://medium.com/media/c8828665e60cde826e50b4c339836512/href</a></iframe><p>Segundo Marie, o Espiritismo trata-se de uma doutrina religiosa, diferente de uma religião propriamente dita, por não possuir dogmas ou rituais. De caráter científico, religioso e filosófico (com muita influência da Maiêutica Socrática), o Espiritismo busca responder perguntas que muitas vezes o catolicismo não é capaz de explicar, começando pelo propósito de cada um no plano terrestre baseando-se no viés de que há vida após a morte.</p><p>Ainda segundo ela, algo muito forte e defendido na doutrina é a questão do livre-arbítrio, onde o indivíduo é livre para tomar suas próprias decisões sem se preocupar com proibições, embora esteja consciente de que haverá consequências do que fizer mais para frente. Quando questionada a respeito de hábitos defendidos pelo espiritismo, Marie afirmou que o fundamental é o ato de fazer o bem, para que seja possível colher o bem no outro plano espiritual. As práticas que comprovam sua fala são as ações voluntárias de distribuir sopas e cestas básicas à pessoas carentes, e também a importância de levantar a discussão sobre o combate à depressão, uso de drogas e ao suicídio para os jovens e adultos.</p><p>Filiado à Federação Espírita Brasileira (FEB), em Brasília, o Centro Lar dos Humildes toma as devidas precauções durante o Auxílio Espiritual para as práticas do “passe”, que consiste numa transfusão de energias e um momento de rezas na intenção de purificar as energias do paciente e reequilibrar os chakras que garantem seu bem-estar. Para isso, a prática é realizada de forma fechada, permitindo apenas a presença daqueles que já finalizaram o ESDE (Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita), a fim de evitar problemas de mediunidade àqueles que não possuem a devida preparação.</p><p>Sabendo-se que a doutrina espírita ainda sofre diversos preconceitos e julgamentos, a coordenadora ainda relatou um episódio em que um grupo de jovens evangélicos estavam impedindo a entrada de pessoas no Centro Espírita e que, após convidá-los para uma visita, conseguiu convencê-los a mudar suas opiniões. Também conta que sua filha, que estudava em um colégio religioso, perdeu grande parte de suas amizades após dizer em sala que seguia a doutrina espírita.</p><p>Em um momento mais pessoal, Françoise Marie também revelou à equipe que o espiritismo lhe proporcionou um enorme conforto após o falecimento de seu filho Eduardo, de quatro anos. Por acreditar que há vida após a morte e possuir estudos e treinamentos acerca da mediunidade, Marie afirma que enquanto o restante da família sofria de um luto e um pesar imenso, ela conseguia se manter calma por ter a certeza de que o filho estava bem.</p><p>“Minha mãe dizia uma coisa que eu levo pra vida toda, ela dizia assim: ‘minha filha, se nós pudéssemos aceitar a vida como ela é e as pessoas como elas são, nós viveríamos muito melhor’.</p><blockquote><strong>“E é assim que a gente tenta viver aqui, é aceitando as pessoas como elas são e a vida como ela é</strong>.”</blockquote><p>O projeto Des-estigmatizar foi criado para as disciplinas de Fotojornalismo e Introdução às Práticas Jornalísticas no Módulo de Webjornalismo, buscando trazer pautas que mais do que nunca se mostram importantes de serem debatidas e serem vistas. Você pode encontrá-lo no <a href="http://des-estigmatizar.tumblr.com">Tumblr </a>e também no <a href="http://medium.com/des-estigmatizar">Medium</a>.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=3485e5f59aef" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/midium/des-estigmatizar-desconstruindo-pr%C3%A9-conceitos-3485e5f59aef">DES-ESTIGMATIZAR: Desconstruindo pré-conceitos</a> was originally published in <a href="https://medium.com/midium">Mídium - Comunicação em Movimento</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[A arte que você ainda não viu]]></title>
            <link>https://medium.com/midium/a-arte-que-voc%C3%AA-ainda-n%C3%A3o-viu-ecf678a2bb7f?source=rss-ab95fc3df9bc------2</link>
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            <category><![CDATA[indie]]></category>
            <category><![CDATA[arte-cearense]]></category>
            <category><![CDATA[ferias]]></category>
            <category><![CDATA[revelar-te]]></category>
            <category><![CDATA[novos-artistas]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Equipe Mídium]]></dc:creator>
            <pubDate>Tue, 08 Jan 2019 21:45:35 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2019-01-22T23:49:35.674Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*y_oVuHotceaJ65FANOv5wA.png" /><figcaption>Em diversas modalidades, artistas independentes adotam métodos alternativos de produção e trazem novos discursos à tona | Imagens: Equipe Revelar-te / Débora Vieira, Vitória Queiroz e William Barros</figcaption></figure><h4><strong>#MídiumFérias</strong></h4><h4>Projeto revela o trabalho de artistas locais e discute novos métodos de produção artística</h4><p><em>Por Débora Vieira, Vitória Queiroz e </em><a href="https://medium.com/u/6b14d849dc89"><em>William Barros</em></a></p><p><strong>Ar-te</strong></p><p>Substantivo feminino</p><p><em>Atividade humana ligada a manifestações de ordem estética, produzida a partir de percepções, emoções e ideias</em></p><p><strong>Re-ve-lar</strong></p><p>Verbo transitivo</p><p><em>Mostrar, fazer conhecer, divulgar, propagar</em></p><p>Dentro da chamada indústria cultural, a divulgação de produções artísticas sempre esteve intrinsecamente ligada aos veículos de comunicação de massa — rádio, televisão, cinema e jornais. Até o início do século XXI, o filtro daquilo que devia ou não ser apresentado ao público estava restrito ao controle dos pequenos grupos que administravam os meios de comunicação. Com a popularização da internet, o filtro citado anteriormente se dissipa e abre-se espaço para <strong>novos artistas</strong>, para <strong>novos métodos de produção</strong> e para <strong>novos discursos</strong>. É justamente na tentativa de entender essas transformações que surge o projeto audiovisual <strong>Revelar-te</strong>.</p><iframe src="https://www.instagram.com/p/Bql_-C3HNxx/embed" width="658" height="640" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/3c0a7d1effe8576784210fdccc1509a2/href">https://medium.com/media/3c0a7d1effe8576784210fdccc1509a2/href</a></iframe><p>Além de apresentar ao público o trabalho de artistas cearenses que atuam de forma independente, o programa pretende mostrar quais mecanismos têm sido utilizados para vencer as barreiras da invisibilidade midiática. Outro objetivo do projeto é descobrir como indivíduos que compõem minorias sociais — negros, mulheres e LGBTQ+ — expressam nos seus trabalhos as questões inerentes às suas existências.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*_3OQ04DGxlsesUqF7vWOLQ.jpeg" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*CR-6vzq3Z1fJfKQQiaXlvw.jpeg" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*aLQ_72RVw5bA6EKBB4kSjw.jpeg" /><figcaption>O projeto foi inicialmente pensado para a disciplina de Teorias da Comunicação I do Curso de Jornalismo da UFC | Imagens: Equipe Revelar-te / Débora Vieira, Vitória Queiroz e William Barros</figcaption></figure><p>Nos três episódios lançados no <a href="https://www.youtube.com/channel/UC-Q2K7YNpGzkrWXWdRqzhOQ">YouTube</a>, a iniciativa revelou as artes do conjunto musical <strong>Projeto Noodles</strong>, do escritor <strong>Isaac Morais</strong> e da artista plástica <strong>Bia Soares</strong>. No <a href="https://www.instagram.com/revelarteufc/">Instagram</a>, o público também pode conferir o material derivado dos vídeos.O significado de arte, a importância dessa atividade nas suas vidas, os processos de trabalho, as trajetórias e as expectativas para o futuro foram algumas das temáticas abordadas pelos entrevistados. Abaixo, confira mais informações sobre os episódios e conheça “a arte que você ainda não viu”.</p><h4><strong>Projeto Noodles e a arte que é resistência</strong></h4><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FAe0QDSTQ8JI%3Fstart%3D36%26feature%3Doembed%26start%3D36&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DAe0QDSTQ8JI&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FAe0QDSTQ8JI%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/9bcb05548de282fc167a5237233ae9cf/href">https://medium.com/media/9bcb05548de282fc167a5237233ae9cf/href</a></iframe><p><strong>“A gente não tem dinheiro, mas a gente tem força de vontade, criatividade e pessoas para nos ajudar”</strong>, reflete Natan Gomes, vocalista do Projeto Noodles. Surgido das rodas de violão ocorridas no Centro de Humanidades da Universidade Federal do Ceará (UFC), o conjunto musical já atua desde 2016. Suas canções misturam MPB, <em>pop</em>,<em> rock</em>, samba, <em>reggae</em> e batida eletrônica, com influências que vão de Linn da Quebrada a João Bosco.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*7HxR4qHR2_u3K55IWwJ6kA.jpeg" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*W_2QBloKb0El7ZRnmRf3lQ.jpeg" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*tVQdlEU3e66kcL98mRdTbQ.jpeg" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*Ekfvkf-FWK72ZAy5PfjxHQ.jpeg" /><figcaption>Além da banda, o grupo produz conteúdo audiovisual, peças de roupa, <em>zines</em>, e coreografias | Imagens: Equipe Revelar-te / Vitória Queiroz e William Barros</figcaption></figure><p>No programa, o guitarrista Bruno Viana, a performer Caironi Ramos e o vocalista Natan Gomes explicam o significado do nome da banda e revelam detalhes do processo de compor em grupo. Além disso, refletem sobre as dificuldades enfrentadas durante suas produções e discutem a conexão com o público. O grupo também performa a canção <em>Meu corpo. </em>A trilha sonora do vídeo fica por conta de <em>Presa</em>, a faixa mais conhecida da banda.</p><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fw.soundcloud.com%2Fplayer%2F%3Furl%3Dhttps%253A%252F%252Fapi.soundcloud.com%252Ftracks%252F421861491%26show_artwork%3Dtrue&amp;url=https%3A%2F%2Fsoundcloud.com%2Fprojetonoodles%2Fpresa-silvestre-remix&amp;image=http%3A%2F%2Fi1.sndcdn.com%2Fartworks-000326986380-hsnw4v-t500x500.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=soundcloud" width="800" height="166" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/aa82f53b9d2c32173eadae4bc8fb815d/href">https://medium.com/media/aa82f53b9d2c32173eadae4bc8fb815d/href</a></iframe><h4><strong>Isaac Morais e a arte que ninguém vive sem</strong></h4><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FKzqGJeNKeOA%3Fstart%3D6%26feature%3Doembed%26start%3D6&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DKzqGJeNKeOA&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FKzqGJeNKeOA%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/09b5a3f689d625f6b4cebbc28fd55e43/href">https://medium.com/media/09b5a3f689d625f6b4cebbc28fd55e43/href</a></iframe><p>Para ele, <strong>“não tem como alguém viver sem arte”</strong>. Além de estudar Psicologia na UFC, Isaac Morais se destaca como escritor de microcontos. Influenciado por autores como Clarice Lispector e Machado de Assis, já escreve desde os 14 anos. <strong>Nos seus textos, os questionamentos pessoais, a temática LGBTQ+, a religiosidade e os relacionamentos familiares são abordagens presentes. </strong>Em 2017, ele alcançou por duas vezes a segunda colocação no Prêmio Escambau de Microcontos.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*B-urwUlqjsbLC1M3aQfbGQ.jpeg" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*C9Cfz-zhAGXQ34Iaz3lo4w.jpeg" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*dj4vGLbFVyRImEuPKj8NFg.jpeg" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*d-CxY_nAr1dNMwxqNDSo0w.jpeg" /><figcaption>Os microcontos surgiram na vida de Isaac em 2016, por influência de uma amiga | Imagens: Equipe Revelar-te / Vitória Queiroz e William Barros</figcaption></figure><p>No episódio, o autor contou sobre seu processo de escrita durante as madrugadas de insônia, refletiu sobre o papel da subjetividade na arte e discutiu a importância da escrita em sua vida. <strong>Além disso, revelou a possibilidade de escrever um livro no futuro.</strong> Durante o programa, o microcontista também apresentou alguns de seus textos: <em>Lavatório</em>, <em>Disputa</em>, <em>Resposta</em> e <em>Revoar pétalas</em>.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1000/1*2XHcJutzN2dC5C_39tUyWw.png" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1000/1*5XhRhJr_IdgCXLTIH5rBgw.png" /><figcaption>No programa, Isaac também explica algumas das motivações de seus textos | Imagens: Equipe Revelar-te / Reprodução</figcaption></figure><h4><strong>Bia Soares e a arte que não tem interpretação certa</strong></h4><iframe src="https://cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2F7ILGtIpdEKg%3Fstart%3D106%26feature%3Doembed%26start%3D106&amp;url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3D7ILGtIpdEKg&amp;image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2F7ILGtIpdEKg%2Fhqdefault.jpg&amp;key=a19fcc184b9711e1b4764040d3dc5c07&amp;type=text%2Fhtml&amp;schema=youtube" width="854" height="480" frameborder="0" scrolling="no"><a href="https://medium.com/media/f9a0780bc9329f193ea797835c405ede/href">https://medium.com/media/f9a0780bc9329f193ea797835c405ede/href</a></iframe><p>“Eu posso pintar um círculo e você achar que aquilo é um quadrado lindo. Isso que é o mais bacana: <strong>não tem interpretação certa na arte</strong>”, é o que ressalta a artista plástica Bia Soares. Ela tem se destacado na pintura desde os 14 anos de idade, quando passou a vender seus quadros informalmente. Em 2018, suas obras chegaram a exposições como Casa Cor e Cow Parade. Influenciada por Iris Apfel, Frida Kahlo e Tarsila do Amaral, retrata com frequência a figura feminina em seus trabalhos.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*GyX2fz489ktJjY-oJuCqfQ.jpeg" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*am6cf2xAn45hN1KfG8vc_A.jpeg" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*S2OFRrXRMbHqrF-VlqBFvw.jpeg" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*6vEF6TXDvfO3wPDGvyxXuw.jpeg" /><figcaption>A Xilocow, pintada por Bia, ficou exposta na Reitoria da UFC | Imagens: Equipe Revelar-te / Débora Vieira, Vitória Queiroz e William Barros</figcaption></figure><p>No episódio, a pintora refletiu acerca do momento que vive em sua carreira e destacou a importância do apoio familiar. Ela também elencou seus objetivos como artista, revelou as expectativas para o futuro e mostrou algumas de suas obras.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/876/1*CDKkZaC43Ojfa5Omna_L_w.png" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1005/1*2XFSvRc70mq3a3qh98NTGw.png" /><figcaption>Bia vende seus quadros por meio de amigos ou nas redes sociais | Imagens: Imagens: Reprodução / via Instagram</figcaption></figure><p>Descobrir o trabalho de jovens artistas é também deparar-se com questões relativas à representatividade, uma discussão extremamente necessária no momento político atual. Acima de tudo, revelar a arte desses indivíduos é entrar em contato com as suas vivências e com o seu mais íntimo desejo de comunicar. Conhecê-los e ouví-los pode conduzir à reflexão da importância e do significado que o fazer artístico recebe no atual contexto. <strong>E eles mesmos respondem: fazer arte é gritar, é fugir, é enfrentar barreiras, é questionar, é ressignificar e, claro, é resistir.</strong></p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=ecf678a2bb7f" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/midium/a-arte-que-voc%C3%AA-ainda-n%C3%A3o-viu-ecf678a2bb7f">A arte que você ainda não viu</a> was originally published in <a href="https://medium.com/midium">Mídium - Comunicação em Movimento</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Afetos Periféricos]]></title>
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            <category><![CDATA[ferias]]></category>
            <category><![CDATA[fotografia]]></category>
            <category><![CDATA[afeto]]></category>
            <category><![CDATA[fortaleza]]></category>
            <category><![CDATA[periferia]]></category>
            <dc:creator><![CDATA[Equipe Mídium]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 20 Dec 2018 22:35:33 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2019-01-22T23:50:05.602Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*weQzPLjPYTXKuCC8zx6lHw.jpeg" /><figcaption>Foto: Marília Freitas</figcaption></figure><h4><strong>#MídiumFérias</strong></h4><h4>Projeto retrata a periferia de Fortaleza, na região da Praça do João XXIII, discutindo estigmatização e resistência</h4><p><em>Textos e fotografias por </em><a href="https://medium.com/u/33a1ebb46930"><em>gabriela feitosa</em></a><em>, </em><a href="https://medium.com/u/534ca535066c"><em>Marília Freitas</em></a><em> e </em><a href="https://medium.com/u/6271e2941f46"><em>Pedro Victor Lacerda</em></a><em>.</em></p><p>Inicialmente pensado para a disciplina de Fotojornalismo do curso de Jornalismo na UFC, o Afetos Periféricos surge em um momento turbulento na vida de três estudantes que, impulsionados pela vontade de vivenciar o<strong><em> fazer jornalístico</em></strong>, resolvem sair às ruas de bairros de Fortaleza, lugar onde vivem.</p><p>Surge também em momento de turbulência no que tange o político e o social. Assassinato de Marielle, eleições 2018, Jair Bolsonaro eleito, incertezas sobre o ano que virá e as muitas violências, ora escancaradas, ora silenciosas, que circulam em Fortaleza, capital do Ceará, tida como <a href="https://www.bbc.com/portuguese/brasil-43309946">a sétima cidade mais violenta do mundo</a>.</p><p>Existem taxas, estatísticas, dados sobre crimes. Existem desigualdades, negligências, exclusão. Existem Fortalezas que poucos conhecem, que fazem questão de esconder. Mas existe uma Fortaleza que não pode ser medida, que não se encaixa em taxas, estatísticas ou dados, porque, grande demais, <strong>ela transborda em forma de gente</strong>.</p><p>O Afetos Periféricos se propõe a colocar estudantes de Jornalismo nas ruas em uma busca sensorial por histórias de pessoas, lugares, trajetos e caminhos. Utilizamos a plataforma Medium para as publicações, bem como o Instagram como fomentador de conteúdo. Para atuarmos, fomos à Praça do João XXIII, e também seus arredores, lugar onde um dos criadores do Projeto reside. A região, antes integrando o bairro João XXIII, hoje é contabilizada em fontes oficiais como parte do Jóquei Clube.</p><p>Depois de finalizado, o sentimento de completude nos fez entender que o projeto deveria continuar. Sentindo que 2019 surge como um ano de indefinições, engatinhamos até ele com coragem e afeto. Afeto que nasce em nós, de nós, para nós, através desse caminho misterioso que é descobrir o jornalismo.</p><h4><strong>Espaço</strong></h4><p>Início do segundo turno da corrida presidencial. Eliane Brum publica, em 9 de outubro, na sua coluna para o El País, um “<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/08/opinion/1539019640_653931.html">manual</a> para enfrentar as próximas três semanas e transformar luto em verbo”. Um dos pontos de discussão da jornalista é a resistência e, em uma de suas <em>primeiras formas</em>, <strong>nas <em>cotidianices</em>, resistimos por não pararmos, por manifestarmos nossa existência e por fazermos vivências, nos afetos</strong>.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*kHwhG9jCgfGHP52y0sfjxw.jpeg" /><figcaption>Busto do Papa João XXIII, que também nomeia o bairro // Foto: Marília Freitas</figcaption></figure><p>A Praça do João XXIII é ponto de encontro da comunidade local, encruzilhada de povos e de voz. Juntamente com as leituras feitas por Eliane Brum, e com todo o contexto de efervescência política, em <em>Praças, Povos e Voz</em>, uma das publicações, expomos parte do resultado de nossa experiência atuando no espaço, bem como da tempestade de ideias que nos levou ali. No movimento, na ocupação das praças, no lazer, nas pessoas, no ser e estar compõem-se, também, o que alimenta nossa resistência, nossa política.</p><p>As dificuldades de estar longe dos centros de privilégios da Cidade, ou mesmo próximo a eles — sendo os processos de exclusão complexos — não são ignorados. Nessa região, os bairros atingem “muito baixo” no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), de acordo com o portal online Fortaleza em Mapas. Os estigmas, que envolvem questões como a criminalidade e a violência, resvalam sobre a população, cerceando perspectivas acerca de suas capacidades humanas. Os programas <em>policialescos </em>acabam por fomentar essa distorção, exibindo uma história única destes locais, marcada pelo estereótipo do perigo.</p><h4><strong>Plural</strong></h4><p>Buscando escutar quem vive na região, produzimos a fotorreportagem intitulada por <em>foto-afeto</em>. Explica-se as vivências, a partir de quem as sente, sobre como é morar na região. Dos sete entrevistados, elencamos dois, aqui, e que possuem proximidade com a Praça.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/800/1*Z8LNKBkfijOjPMhd3pQ8gA.jpeg" /><figcaption>Dona Gizeuda tem o costume de sentar na calçada da rua Félix Cândido, que faz frente à Praça do João XXIII // Foto: Marília Freitas</figcaption></figure><p>Maria Ribeiro Duarte, 89, explica que se mudou para a região exatamente no dia 8 de dezembro de 1962. Mãe e bisavó, reside num terreno compartilhado com a família que faz frente à praça do João XXIII. “Não tenho o que dizer do bairro não, e nem do povo, tudo são ótimos, não tem nada ruim pra mim. Soube me respeitar e eu respeitar o povo”, conta sentada junto às vendas de sua vizinha.</p><p>Uma de suas netas, que divide o terreno, na casa logo ao lado da sua, explica que o nome pela qual é conhecida, Gizeuda, foi dado por suas tias e sua mãe.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/600/1*CDbJhuaZBDHfR3iSYpRE4Q.jpeg" /></figure><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/600/1*eCI6sIia3bm75h7i2UzjnQ.jpeg" /><figcaption>Ana Lúcia e Márcio são casados e trabalham com vendas de artigos diversos na Praça do João XXIII // Foto: Marília Freitas</figcaption></figure><p>Márcio reside na região desde que nasceu, há 35 anos. Ele conta que acha “muito bom” morar na região, completado por uma afirmação de Ana Lúcia, com quem é casado, de que “aqui é elite com subúrbio”. Ela continua e afirma que houve mais tranquilidade, apesar da violência, existindo mais perigo nas regiões vizinhas.</p><p>O casal trabalha em feiras que acontecem pela cidade, e, na banquinha da praça já estão há 6 anos, local escolhido pela proximidade e por ser um “ponto de encontro, vem muita gente pra cá, né? Tem um rodízio de mais pessoas do que na feira”, explica Ana Lúcia. Ela afirma que, para eles, a crise diminuiu as vendas.</p><h4><strong>Tecendo a resistência, bordando afetos</strong></h4><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/480/1*xdC8BunUJWcZTTHIW3IS4A.jpeg" /><figcaption>Os trabalhos se iniciam // Foto: Reprodução</figcaption></figure><p>Em uma matéria especial, o projeto resolveu abordar a arte e a resistência do bordado como arte urbana na cidade, focando no quarto dia do Festival Concreto, que contou com a realização de uma oficina de bordado urbano oferecida pelo Wà Coletivo.</p><p>O Festival Concreto aconteceu nos dias 16 à 24 de novembro de 2018, e dentre os artistas nacionais e internacionais que buscaram por meio de sua arte trazer intervenções para o ambiente urbano, o Wà Coletivo foi uma das atrações que atuaram de forma itinerante, sempre interagindo com o público-cidade por meio da arte.</p><p>A oficina contribuiu com o ensino do bordado em grandes dimensões, e a equipe trabalhou manualmente por um período de quase seis dias com bordados e desenhos, todos posteriormente colocados pela cidade por meio de intervenções urbanas. Em Fortaleza, as meninas interviram tanto no local do Festival (Porto Iracema), quanto em locais espalhados pelo Centro. Avenidas como José Avelino e General Bezerril (Próxima à Praça dos Leões), contam, hoje, com artes do Wà Coletivo.</p><p>Acima você encontrou algumas informações sobre o que é o Afetos Periféricos e o que pautamos. Não deixe de nos acompanhar no <a href="https://medium.com/afetosperifericos">Medium</a> e no <a href="https://www.instagram.com/afetosperifericos/">Instagram</a>.</p><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=dee2f1f2d5fd" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/midium/afetos-perif%C3%A9ricos-dee2f1f2d5fd">Afetos Periféricos</a> was originally published in <a href="https://medium.com/midium">Mídium - Comunicação em Movimento</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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            <title><![CDATA[Bicicleta — Substantivo feminino]]></title>
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            <dc:creator><![CDATA[Equipe Mídium]]></dc:creator>
            <pubDate>Thu, 13 Dec 2018 21:01:00 GMT</pubDate>
            <atom:updated>2018-12-13T21:01:00.697Z</atom:updated>
            <content:encoded><![CDATA[<figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*zNmUCZmYEmcHl2uZD8bc7g.jpeg" /></figure><h4>#MídiumFérias</h4><h3>Bicicleta — Substantivo feminino</h3><h4>Fotorreportagem aborda as diferentes facetas da Fortaleza que se abre para as mulheres ciclistas</h4><p><em>Textos e fotografias por </em><a href="https://medium.com/u/6c673dd3140f"><em>Marcela Tosi</em></a><em>, Simone Santos e </em><a href="https://medium.com/u/63c731ac7885"><em>Thays Maria Salles</em></a></p><p>Andar sobre duas rodas já foi considerado causa para a infertilidade feminina e prática indecente para mulheres. <strong>Antes de lutas por preservação do meio ambiente e da busca por melhorias na mobilidade urbana, a bicicleta fez parte de uma outra revolução: a feminista</strong>. Ainda no século passado, a jornalista Maria Pognon, presidente da Liga Francesa de Direitos da Mulher, afirmava que a bicicleta era “igualitária e niveladora”, ajudando a “libertar o nosso sexo”.</p><p>Com as <em>bikes</em>, mulheres de ontem e de hoje reivindicam e conquistam as ruas. Pedalar se apresenta como <strong>um ato político</strong>, uma representação visível dos conflitos e desigualdades que compõem as cidades. O ser mulher, o ser ciclista, o ser mulher e ciclista na cidade, (re)configura-se em um espaço que ainda não nos dá totalmente o direito de ir e vir.</p><p>BICICLETA — SUBSTANTIVO FEMININO<em> </em>surge para ampliar as vozes e evidenciar as experiências de mulheres que trazem novos sentidos para as relações consigo mesmas e com os espaços públicos de Fortaleza.<strong> Em seus relatos, conhecemos desafios, conquistas e sonhos.</strong> Embarque nesse passeio conosco e aproveite o caminho!</p><h3>Marília</h3><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*N3M6tkhZ4aI6qzNuywKxmg.jpeg" /></figure><p>Há quatro meses, Marília Freitas encontrou uma nova companheira. Fazia tempo que pensava em se aproximar dela e em junho conheceu alguém que a incentivou para dar o pontapé inicial na relação. Foram juntando dias e experiências. Andaram em círculos pelas praças até ganhar confiança para percorrem juntas o trajeto entre a casa de Marília e a Universidade Federal do Ceará (UFC).</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*fmiCbt4Iug3NCS49NtLMCw.jpeg" /></figure><p>Os trajetos, antes curtos, vão se expandindo e quase sempre acontecem na companhia de amigos. A Praia de Iracema e o centro de Fortaleza já entraram no itinerário cotidiano. “<strong>É um processo em que estou caminhando e quero continuar. Eu me sinto livre, sinto que posso não depender de ônibus ou carro e ainda fazer um exercício físico</strong>”, explica a ciclista iniciante.</p><p>+<a href="https://bicicletasubfeminino.wixsite.com/fotorreportagem/marilia">leia mais</a></p><h3>Marcélia</h3><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*aUDxnmy5PmMnbZ-odziXlQ.jpeg" /></figure><p>Em um dia voltando do trabalho para casa, Marcélia, 32 anos, bacharel em Direito, descobriu seu amor pela bicicleta e pela sensação de liberdade ao pedalar. Em pouco tempo, começou a fazer isso todos os dias, motivada pela rapidez para se locomover entre as avenidas 13 de Maio e Bezerra de Menezes.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*5PnN9dyHfDc0z5Hg7LBIPQ.jpeg" /></figure><p>O estresse de dirigir e o trânsito impulsionaram Marcélia a fazer outras rotas de bicicleta no dia a dia, desde uma consulta na Aldeota até um passeio na Praia de Iracema. <strong>“Não consigo aceitar ir para um lugar de ônibus ou carro, se eu posso ir de bicicleta”</strong>, diz ela. Entretanto, ressalta que a falta de segurança é o principal fator de, às vezes, decidir por outro meio de transporte.</p><p>+<a href="https://bicicletasubfeminino.wixsite.com/fotorreportagem/marcelia">leia mais</a></p><h3>Catarina</h3><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*px7R9qnoKVTcyk3CQoSsLQ.jpeg" /></figure><p>Feminista, cicloativista, vegetariana, cada vez mais parte de Fortaleza. A necessidade de aprender a pedalar para conseguir tirar a CNH AB (para carros e motos) e uma bicicleta infantil do Ben 10. O que tudo isso tem a ver? Há quatro anos, os rumos da vida de Catarina Silver mudaram por duas rodas. A professora e fotógrafa conta que a bike a escolheu.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*PotxR97phNs5sefh6QJLfA.jpeg" /></figure><p>“Eu tinha comprado uma moto e fui tirar a CNH. Na primeira aula, eu não conseguia nem deixar a moto em pé. Então o instrutor disse que precisava aprender a andar de bicicleta. <strong>Comprei uma bicicleta do Ben 10, de criança, e aprendi no mesmo dia</strong>”, relembra. Pedalando com essa mesma bike para ir para auto-escola, Catarina “se apaixonou” pelo modal.</p><p>+<a href="https://bicicletasubfeminino.wixsite.com/fotorreportagem/catarina">leia mais</a></p><h3>Nina</h3><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*mqn8ynvf1mfrOK62xXsnwQ.jpeg" /></figure><p>Quatro bicicletas marcam a vida da menina dos cabelos tangerina. A primeira, chamada carinhosamente de Rapariga, relembrava as cores da sua primeira bicicleta. Depois veio a Lacroix, em homenagem a uma conhecida atriz pornográfica; essa hoje está com seu irmão.</p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*qUnceOcE8o5xKsmIy6Cs2g.jpeg" /></figure><p>Em seguida, apareceu a Mia e sua atual bike é uma composição de peças dela. Ainda sem nome, esta mais recente companheira já foi cinza, mas hoje está “branquinha”. Hinata, personagem de Naruto, é um dos nomes cogitados para o batismo.</p><p>+<a href="https://bicicletasubfeminino.wixsite.com/fotorreportagem/nina">leia mais</a></p><p><em>Conheça todo o projeto em </em><a href="https://bicicletasubfeminino.wixsite.com/fotorreportagem"><strong><em>https://bicicletasubfeminino.wixsite.com/fotorreportagem</em></strong></a></p><figure><img alt="" src="https://cdn-images-1.medium.com/max/1024/1*pVfZhtlMoHpoKyGV1QpTUQ.jpeg" /></figure><img src="https://medium.com/_/stat?event=post.clientViewed&referrerSource=full_rss&postId=c9382411ec6f" width="1" height="1" alt=""><hr><p><a href="https://medium.com/midium/bicicleta-substantivo-feminino-c9382411ec6f">Bicicleta — Substantivo feminino</a> was originally published in <a href="https://medium.com/midium">Mídium - Comunicação em Movimento</a> on Medium, where people are continuing the conversation by highlighting and responding to this story.</p>]]></content:encoded>
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